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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eu, no Jornal do Brasil!


No Domingo passado foi publicado um artigo meu no Jornal do Brasil. Atalhando uma longa história, estou muuuuuuuito feliz por ter tido a oportunidade de escrever um texto para ser impresso. Blog é giro, mas no jornal é outra coisa!

Obrigada aos envolvidos nesta aventura!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mercedes Sosa

Na madrugada de Domingo, Mercedes Sosa morreu.

Nem vale a pena comentar a cobertura dada pelos media ao acontecimento (um directo, todo o santo dia, desde o edifício do Congresso, onde o corpo foi velado. Não houve notícias no mundo - nem locais, diga-se -, não houve absolutamente nada, só um directo, a câmara apontada ao féretro e a corrente de pessoas que lá iam despedir-se a passar. Mencionei que foi todo o dia? Todinho?). Também não vou comentar o dia de tolerância dada aos funcionários públicos a propósito do luto nacional.

O que importa mesmo, mas mesmo, mesmo, é que Mercedes Sosa foi uma figura-chave da cultura do país. Não conheço nem quero conhecer as conotações políticas da música dela. Do que eu gostava, mesmo, era da música em si, das melodias, da poesia e da forma como ela as interpretava. Vi-a ao vivo pela primeira (e última) vez em Frankfurt. Na assistência distinguiam-se claramente os latinos, aos saltos e a bater palmas, a pedir mais uma canção antes da despedida, dos alemães, sentados nas suas cadeiras, surpreendidos com as reacções calorosas dos primeiros. Não é que não estivessem a gostar; só manifestam o seu agrado de forma menos exuberante.

Enfim, saímos de lá numa espécie de nuvem etérea provocada pela música, assim como se devem sentir as pessoas quando fumam coisas que fazem rir. Foi uma maravilha.

Uma mulher que cantou Gracias a la vida deve ter morrido em paz. E que em paz descanse.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Momento desculpem-lá-qualquer-coisinha-sou-estrangeira-e-não-percebo

Que é como quem diz, esta coisa das expressões idiomáticas tem muito que se lhe diga.

O que vou relatar passa-se em plena aula de pintura, trabalhos expostos na parede, numa conversita de preâmbulo antes da análise colectiva que é costume o professor fazer nos dias de composições com poses rápidas. Imaginem duas folhas gigantes por pessoa, e somos mais de uma dezena, ou seja, uma parede cheia.

Uma das minhas colegas, sentada atrás de mim, pergunta-me:

"Che, los tuyos son esos?", apontando de facto para os meus trabalhos. Assenti.

"Ay, la flauta!", respondeu ela.

Ora aqui está. Para a minha cabeça mal-pensante, ay, la flauta só se poderia estar a referir à posição das figuras. Abri gigantemente os olhos e perguntei-lhe: "QUÉ?". Foi um "qué" tão enfático que até lhe pus o ponto de interrogação ao contrário no início e tudo, apesar de ser objectora de consciência no que toca a grafar esse sinal pouco prático.

Vendo o meu ar de espanto-barra-susto, que ela, obviamente, não entendia, explicou-me o significado da dita expressão idiomática:

"Che, la flauta significa que es bárbaro!". E bárbaro, na Argentina, é bom.

A pintura em questão era esta:

2009.09.28_02 baixa

Tenho dito.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Senhoras e senhores, meninas e meninos...

...apresento-vos o meu novo bebé, o abbrigate*.



Tem sido uma das razões para a minha ausência e para o meu atraso nos relatos das férias, mas é com muito gosto que me atraso em todas essas lides bloguísticas porque a razão é boa. Tudo começou há algum tempo atrás, em conversa com a minha amiga tricotadeira, e agora sócia e "partner in crime", Joji.

Sei que este blog é em português - e assim se manterá - mas hoje abro uma excepção para vos deixar aqui o texto do lançamento da nossa marca de roupa para bebé tricotada à mão. É que o cansaço é demasiado para a traduzir.

Era uma vez...

Once upon a time, in a far, far away land, two wizards joined forces against cold weather and came together to create abbrigate*, a new brand of hand-knitted, deliciously yummy baby wear to protect the youngest of the youngest from the cold.

Joji, one of the wizards, was a mom of two little wizard-apprentices. She used her knitting powers ever so intensely that one day she found out there was not one, not one single boy or girl suffering from shivers in those chilly days and nights of winter. Suddenly, she had no one else to knit for, because everybody around her was warm and cozy.

One day, Billy, the other wizard of this tale, told Joji:

"Oh, dear friend, don´t be sad! Why don´t you use your powers to keep children warm... everywhere in the world? There are other kingdoms out there who may be in need of your amazing knitting powers!"

We all know wizards never quit, so Joji and Billy sat down with their wizardry books and made an oath:

"We shall keep all babies warm and cozy during those chilly days and nights throughout the year!"

And, after repeating it three times, abbrigate* came to life.



abbrigate* is a mom-owned brand of hand-knitted, ecological baby wear.

abbrigate* garments have an unique character because:
- they´re exclusively designed by abbrigate*, for abbrigate*; they can even be customized by embroidering the baby´s name!
- they´re ecologically sound: fibres are carefully selected to combine the best materials with ease of care. That´s why we use hypoallergenic fibres that are machine washable.
- they´re handmade by knitters who earn a fair wage by doing something they enjoy.

abbrigate* ´s first line of products is a collection of Baby Kimonos for babies up to six months old. Kimonos come in ten (almost edible, may we add) colours, from the classic rose and blue to bolder alternatives. Future projects include expanding the offer with different models (late 2009), as well as launching specially designed, limited editions of our classic line.

Try our wizardry today and see how good our garments look even after being used by your children, your friends´ children and your grandchildren. And we´re not exaggerating! Find us on:

abbrigate* blog
abbrigate* shop @ etsy
abbrigate* shop @ bigcartel

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Quem diria?

Museu do Brinquedo, SintraMáquinas de costura no Museu do Brinquedo, em Sintra.

No Sábado passado fui comprar a minha primeira máquina de costura, presente da minha Mãe. Comprei-a na Casa Olguin, cá em Buenos Aires, e só posso recomendar o atendimento. Acho que nunca tinha sido tão bem atendida na minha vida!

Um belo dia fui, juntamente com uma amiga, fazer uma expedição pela cidade à procura da máquina ideal. Já tinha lido várias coisas nesse inesgotável mundo que é a internet, nomeadamente no Superziper, sobre que procurar na primeira máquina de costura. E por aí fomos. Procurámos, procurámos, aqui e ali perguntávamos o que era o overlock e o falso overlock (não que eu agora saiba muito mais, convenhamos) e, na maioria dos lugares, respondiam-nos com um encolher de ombros que nos resultava particularmente frustrante.

Até que chegámos à Casa Olguin, que eu sabia ser o distribuidor Janome cá na Argentina. E aí, gente, aí foi a loucura. O vendedor sentou-se connosco, fez a demonstração de tudo o que a máquina fazia, as diferenças entre os três ou quatro modelos de máquinas familiares que tinha disponíveis, enfim, foi a loucura. Fiquei convencida pelo serviço, pelo acompanhamento, pela garantia.

Hoje fomos lá ter a aula para saber mexer na máquina; daí passámos a trocar dados com a professora, que também tricota e faz de tudo um pouco, mas que desconhecia o ravelry.

(Abro parêntesis para explicar que o ravelry tem sido o disparador de muitas das mudanças que estão a acontecer na minha vida, isto porque junta, de forma virtual, pessoas que gostam de tricot e crochet. Foi através desta comunidade que conheci uma boa parte das minhas novas amigas porteñas, incluindo a que foi comigo à expedição e hoje à aula. Fecho parêntesis.)

E é isto. Nunca pensei que me fosse transformar numa virtuosa dos lavores femininos, mas agora espero que para lá caminhe. Tantos anos de "evolução" para isto...!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma das razões para a minha ausência

Gente, ando longe, muito ausente, mas é por uma boa causa. A minha sócia desvenda o porquê, aqui. Estou muito, muito contente.

domingo, 13 de setembro de 2009

Domesticite aguda

Hoje deu-me um ataque de domesticite aguda e estive, qual formiga trabalhadeira, a arrumar cómodas, gavetas, despensa e caixas de conteúdos desconhecidos que se amontoavam ali no canto, entalados entre a parede e o aspirador. Quem tem casa, sabe que ele há recantos de algumas divisões onde a vontade de penetrar é francamente baixa, e de mês em mês se vai adiando a resolução daquele acumular de coisas que já nem se sabe o que são.

Depois descobrem-se objectos cujo paradeiro se desconhecia, coisas que nem se sabia que tinha, caixas de cartão cheias de papel de bolinhas, tudo guardado para uma iminente mudança que tarda em chegar. No cômputo final, descobri que vou poder fazer as pastas porta-documentos que estava a precisar a partir de sacos de cartolina.

Já sei que isto não interessa a ninguém, mas enquanto não chegam os relatos das férias é o que há.

E a Primavera está a chegar. Hoje só levei um casaquinho leve à rua, mas já dá para andar sem casaco. Viva Setembro!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

De férias

Estamos quase, quase, quase de férias. Primeiro, e já que é Inverno, vamos para aqui:

Ushuaia, Argentina

E depois, porque temos saudades do Verão (e da família, dos amigos, de Portugal, do marisco, e...), vamos para aqui:





Pode ser que venha aqui contar-vos alguma coisa; também pode ser que não. Mas prometo uma rentrée cheia de novidades.

Até lá, boas férias!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Desvendando o mistério

Após os acontecimentos de Sábado passado deixei aqui o repto: adivinhem, se conseguirem, qual foi o pretexto para a polícia nos pedir a nós, as vítimas do roubo, um suborno e o seu valor, sabendo que tínhamos pago apenas metade do que nos foi pedido.

Recebi muitas e interessantes respostas e aparentemente só uma pessoa é que acertou. Houve quem dissesse:

Xi Patrão, então vocês não podem deixar os vidros partidos na estrada! Ainda furam um peneu ou alguma criança se corta! Por 50 euros equecemos que o carro estava mal estacionado e constitui um perigo público...


Disse o Manel, no facebook, e ainda sugeriu:

Se lhe tivesses feito 1 coldre em tricot para agasalhar a arma, se calhar tinha-vos perdoado a multa :P


Houve ainda quem sugerisse que o pedido foi para hacer el trámite express (Virgi, por correio electrónico) ou porque os carros deles nao tinham gasolina (a Ana Paz, por facebook).

Várias quantias foram sugeridas: 100 pesos (Rafael C. e Gaby), 20 euros (Ana Paz), houve até quem tentasse por várias frentes:

1) $ 200.-
2) u$s 200.-
3) Eur 200.-
4) $ 500.-
5) u$s 500.-
6) Eur 500.-


(a Virgi, que aqui nem chegou perto).

Ora o mistério misterioso resolve-se assim: chegámos ao carro e vimos o panorama. A primeira coisa que pensámos foi que tínhamos de chamar a polícia, já que, ao fim e ao cabo, estão al servicio de la comunidad e nós íamos precisar da papelada para o seguro. Assim fizemos e, pouco tempo depois, chegaram. Os dois simpáticos agentes tentaram de várias maneiras que não fôssemos apresentar queixa. Sim, reconheciam que era um "daño", mas se apresentássemos queixa teríamos de isto e de aquilo e mais um par de botas. Ainda assim, quisemos apresentar queixa; não queríamos contribuir para o desfasamento existente entre as estatísticas oficiais deste país e a realidade.

Falou-se em chamar o reboque, mas isso também seria uma grande trabalheira, ainda por cima porque íamos ter de esperar e era tarde de Sábado, toda a gente queria estar tranquilinha. Eu, pessoalmente, queria ir ter com as minhas amigas tricotadeiras, com quem tinha encontro marcado. Afinal de contas tinha uma camisola surpresa para tricotar às escondidas do Paulo.

Então lá fomos nós dentro do carro, com vidros estilhaçados por todo o lado e a janela aberta com os buenos aires de Inverno a entrar com força. Tudo isto para agilizar os procedimentos.

Ficámos umas quatro horas na esquadra, à espera de isto e de aquilo e de mais um par de botas. Carro que entra lá tem de ficar 48 horas retido no estacionamento da polícia, dizem as regras. Num estacionamento que não só é descoberto como é em plena Avenida Cabildo, ou melhor na avenida, não num estacionamento fechado. Os carros ficam estacionados ao lado do passeio, e a única coisa que os distingue dos que apenas estão estacionados (e não retidos) é um papelito com a insígnia da força de segurança. E isto não dá muita confiança ao cidadão, sobretudo quando se tem uma janela partida (ou "aberta by default"). Como é por demais evidente, ninguém se queria responsabilizar por possíveis danos futuros no carro, seja por intempérie ou acção humana, e por isso estávamos preocupados e não queríamos deixá-lo ali.

(Abro parêntesis: honestamente? Quero lá saber. O carro é da empresa do Paulo, e, ainda por cima, a minha relação com carros é, tal como com telemóveis, muuuuuuito desprendida. Queria lá saber se o carro lá ficava ou não, a situação era demasiado ridícula para ser usada como braço de ferro. Mas homem é homem, e homem tem outra relação com o seu carro. Adiante.)

Ora o carro só podia ser liberado após a peritagem. Qual peritagem? A peritagem. Essa mesmo, a peritagem. Uma peritagem muito especial que custava 300 pesos. O Paulo disse que não queria, que essa peritagem era muito cara, e então ficou tudo por uns módicos 150 pesos. Sem facturas, obviamente, tudo por debaixo da mesa, claro está.

E assim pudemos levar o carro para a garagem, e assim se conta a história de como a vítima é roubada duas vezes. Fica-se sem saber quem são os verdadeiros delinquentes desta história.

Parabéns então ao Charly, marido da Joji, a quem também já roubaram o rádio do carro e já passou por experiência semelhante. Ele acertou em cheio no pretexto. Quanto ao valor, foram vários os que se aproximaram e, como tal, declaro-os a todos vencedores.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Parabéns ao Príncipe



O Príncipe faz hoje anos. Trinta e três, para ser mais precisa.

Já nos conhecemos há 13 e posso afirmar com conhecimento de causa que cada dia ele está melhor: mais bonito, mais amigo, mais empenhado, mais entusiasmado, mais curioso, mais enérgico (e neste ponto, sobretudo nas primeiras horas da manhã, temos um problema!), mais apaixonado, mais inteligente, mais principesco. É o máximo.

Espero celebrar com ele muitos e bons aniversários e que os dias entre eles (eles, os aniversários) sejam igualmente bons, pelo menos tão bons quanto têm sido até agora.

Parabéns, meu Príncipe!

domingo, 2 de agosto de 2009

Dão-se alvíssaras

Porque já todos temos saudades da animação que foi a série Verdades e Mentiras, dão-se alvíssaras não a quem descobrir quem nos fez isto:



...mas sim a quem resolver o enigma que vos proponho aqui:

Ontem, Sábado, fomos almoçar a Palermo com uns amigos. Quando estávamos a voltar para o carro, deparámo-nos com uma surpresita menos agradável: tinham-nos partido a janela do carro e roubado o rádio.

Diga-se de passagem que os senhores ladrões foram uns queridos em ter partido a janela do lado do condutor e não do meu. Com o frio que está, nem quero imaginar o que seria ter de fazer aqueles curtos percursos que fizemos ontem com o vento a fazer esvoaçar o meu cabelo! Brrrrrr!

Chamámos a polícia, fomos para a esquadra e lá passámos toda a tarde de Sábado. Por sorte, tinha o tricot comigo e deu tempo de fazer metade de uma manga; sim, eu tricoto devagar. Como qualquer contacto que temos com a polícia argentina envolve subornos, o enigma que vos proponho divide-se em duas partes. A primeira é: quem é que descobre qual foi o pretexto para pedir umas luvas às vítimas do acto delinquente (só para deixar claro, quero com vítimas designar-nos a nós próprios). A segunda é: qual foi o montante pedido?

Deixo-vos como dica a informação de que pagámos 50% do valor pedido. Foi uma pechincha!

Vá, adivinhem!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Uma tia babada

My mood board is happy

A tia Bi, muito babada, deixa aqui um desenho que a sobrinha C1 lhe fez enquanto falavam por skype. É ou não é uma artista?

(é sempre curioso quando nos referimos a nós próprios na terceira pessoa...)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

"Meeeeeeedo!" ou "a cultura do..."

Aqui por estas bandas - aliás, como em muitos outros sítios - existe uma cultura do medo. Quem liga as notícias depara-se com reportagens ("reportagens" talvez não seja o termo mais indicado, chamemos-lhes "peças"), digo peças de um quarto de hora ou mais, em que se conta ao pormenor o "crime de Berazategui", ou o "de Recoleta", ou outro qualquer.

Ao darem a notícia, não respondem ao "onde, o quê, quem, quando" iniciais, mas esmiuçam o "quem" e o "como" como ninguém. De tal forma que, mesmo sem terem dados concretos, falam de tudo quanto se pensa que é certo, como se fosse certo. Explicam as facadas, as armas disparadas, as pauladas, tudo com detalhes dignos de um romance de cordel. E é este o serviço noticioso. Uma das expressões que mais ouço cá é o "tema de la inseguridad". É o tema principal! Não é a questão do acesso ao serviço público de saúde ou a corrupção que atravessa toda a administração pública. O problema, mesmo mesmo, é a insegurança. Mas faça-se um inquérito a uma amostra significativa da população de Buenos Aires e serão poucos os que já foram assaltados.

A verdade é que a sensação de insegurança se deve muito ao facto de a comunicação social difundir uma cultura do medo. Como já aqui contei antes, os números de infectados com a gripe A são "mais de 100 000", segundo as notícias. Estranho, não é?, quando os EUA têm pouco mais de 30 000... A Argentina deve ser um fenómeno!

Posto isto, passo agora a contar o episódio da madrugada de Domingo passado. Assim à distância dá vontade de rir, mas a verdade é que as coisas poderiam ter corrido francamente mal. Ora no Sábado à noite tivemos um casamento e albergámos cá em casa um amigo, que tinha avião de regresso a casa no Domingo de manhã. Como ficámos cansados da festa antes dele (dizem que a idade não perdoa e atrevo-me a concordar), deixámos-lhe as minhas chaves e recomendámos-lhe muito que nos acordasse de manhã antes de ir para o aeroporto. Por um lado, queríamos despedir-nos dele; por outro, a porta de lá de baixo do edifício só se abre com chave, mesmo de dentro para fora, portanto alguém teria de lha abrir para ele poder sair.

Para não nos acordar, saiu sem nos avisar e deixou as chaves em casa. Claro, assim que chegou lá abaixo deparou-se com a evidência da porta fechada, às sete da manhã, e de um avião a sair dentro de poucas horas. Tocou para a portaria, precisamente no dia em que a porteira está de folga. Como não respondesse, ele continuou a tocar, a tocar, até que ela decidiu ver o que se passava. Ia abrir-lhe a porta quando a filha lhe recomendou muito cuidado, porque "podia ser um assaltante".

A partir daí a coisa descambou. Foi chamada a polícia, que veio de arma em punho procurar o "assaltante", que entretanto tinha subido outra vez ao nosso andar e tentava acordar-nos (hmmm... sem êxito). Lá se encontram polícia e "assaltante", arma na mão do polícia, pedido de documentos, o rapaz alcoolizado porque vinha de um casamento e preocupado porque tinha o avião na iminência de sair, enfim, todo um carnaval de mau gosto. Às tantas, a porteira lá o reconheceu como sendo o nosso amigo, depois de ele lhe relembrar que ela nos tinha visto aos três juntos, no hall do prédio, arranjadinhos para sair para a festa.

E é isto: uma coisa tão simples quanto ele a querer sair do edifício para ir para o aeroporto poderia ter-se transformado numa tragédia, isto tudo porque a primeira coisa que se pensou foi que ele era um assaltante.

Faz lembrar a história do ratinho Desperaux. Se não viram, vale a pena, pois é uma bela fábula sobre a cultura do medo.

Cabe aqui acrescentar, à laia de epílogo, que o nosso amigo chegou bem a casa e que ainda gosta de nós. Ufa!

terça-feira, 21 de julho de 2009

É amanhã

DSC03948

É amanhã o exame de alemão. Como não se me ocorre nada de interessante para contar aqui no "Entre...", publico uma fotografia de um trabalhinho fofo que fiz na sexta-feira passada para uma pessoinha ainda mais fofa, a minha sobrinha C2. Estou danada para poder apreciar com o tacto o volume bochechal, bem como para contar pessoalmente as bolinhas que são os deditos dos pés.

Com a mana C1 tenho falado frequentemente por skype e ouço coisas deliciosas como "Bi, não precisas de ter saudades minhas, basta ligares-me por skype!" (será que já contei isto aqui? muitas vezes?), o que me apazigua as saudades, mas da C2 vejo os sorrisos e ouço os guinchinhos de satisfação (ou o berreiro de fome) que vai dando.

Hmmm, dúvida metódica: será que é por ter o cérebro torrado, ou melhor torriert, que estou a dizer todas estas coisas cheias de baba de tia?

Talvez seja melhor mandá-los passear aqui, onde estão as fotografias de todo o processo do dito trabalhinho.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Um país sério?, ou continuação do post anterior

Noutro dia telefonaram-me para fazer um estudo de mercado. A temática era a situação actual da Argentina, nos campos económico, político e social. Esfreguei as mãos de contente por ter finalmente a opção de manifestar a minha opinião sem ser olhada de lado como sendo "a europeia que vem para aqui comentar o que não sabe".

A páginas tantas, perguntam-me quem é que eu acho que toma realmente as decisões nacionais: se Cristina Kirchner (a presidente), se Néstor Kirchner (o marido da presidente e ex-presidente), se os dois em conjunto.

Aqui tive de fazer uma pausa para pensar na minha resposta e a verdade é que não sei. Disse que não sabia quem seria. E isto parece-me muito grave: quando não se sabe quem realmente é o presidente de um país, ou melhor, quando não se sabe se a presidente (democraticamente eleita? a dúvida persiste) é que exerce de facto o poder, então as coisas não estão nada bem.

Um país sério?

Ontem estava a ouvir o podcast do Governo Sombra, da TSF, em que se comenta o (lamentável) episódio dos corninhos no hemiciclo português. Confesso que, apesar de muito lamentável, eu não consigo parar de rir com a cena e tenho até alguma curiosidade de saber o que terá passado pela cabeça do (ex-)ministro no momento em que os fez.

Mas o que interessa aqui foi um comentário que foi deixado no jornal Globo, que dizia: "em país sério é assim: faz palhaçada, dança." (no minuto 14 do podcast). Este comentário foi lido durante a reunião do Governo Sombra e foi amplamente comentado pelos participantes que, com muito humor, se referiram à parte em que Portugal era visto como "país sério".

E é aqui que eu quero chegar. Bem sei que a minha visão está já nublada por meses de ausência e milhares de quilómetros de distância, mas às vezes estes são factores que nos permitem avaliar melhor o avanço ou retrocesso de um país.

De uma forma geral, os portugueses acham que o seu país não é sério e fazem "desabafos" para o ar, perfeitamente inconsequentes, da forma menos eficaz possível. Por exemplo, quantas vezes ouvimos dizer "isto é tudo uma bandalheira", ou "eles são todos iguais" ou "eles são todos uns corruptos", referindo-se à classe política em geral. Não vou dizer que tenho uma imensa simpatia pelos políticos, mas a verdade é que eles estão onde estão porque foram eleitos.

Ora bem, aqui chegamos à parte em que Portugal, que pode não ser um país sério para muita gente, é um país onde as eleições são um dever e não uma obrigação (ao contrário da Argentina ou até da Austrália, onde o voto é obrigatório); Portugal é um país que tem uma Comissão Nacional de Eleições que organiza e supervisiona o acto eleitoral, que produz boletins de voto universais e que controla o acto eleitoral para que não existam fraudes.

Só para pôr esta situação em perspectiva, uma situação que parece natural e óbvia para os portugueses, aqui na Argentina os boletins de voto são responsabilidade dos partidos; não há cruzinhas em quadradinhos: o voto faz-se pondo o "cupão" do candidato em questão dentro do envelope. E, atenção, nem todos os boletins de voto chegam a todas as câmaras, seja por falta de dinheiro, de controle, por sabotagem ou por fraude. Ou seja, se um cidadão que vai cumprir a sua obrigação de voto quer escolher um candidato X e o "cupão" desse candidato não chegou à câmara de voto, então não vai poder votar nele.

Voltando ao facto de os portugueses, em geral, não acharem que Portugal é um país sério, tenho a dizer que acho que, em geral, os portugueses queixam-se muito mas nos sítios errados. Ou seja: queixam-se muito para o ar, para obter a empatia do ouvinte (exemplo disso são as paragens de autocarros!) mas agem muito pouco. Um exemplo: outro dia recebi um email com uma petição para os direitos dos cegos. Pediam para assinar e, quando o total de assinaturas perfizesse o milhar, para reencaminhar para outro sítio qualquer. Por curiosidade, passei os olhos pelos nomes que já lá estavam e vejo isto:

961- Isabel Xxxxx - Xxxxx (é de lamentar quão mal está este país embora para os "nossos" (des)governantes isto esteja tudo porreiro, pá!)

Para mim, este é o típico desabafo "ao lado". Aquela crítica que não só não é construtiva como também não faz absolutamente nada para melhorar a situação. Quantas vezes escutamos as queixas das pessoas relativamente aos transportes públicos, ou aos serviços? E quantas dessas queixas são deixadas nos livros de reclamações obrigatórios por lei? Mais, quantas dessas pessoas é que vão realmente votar e usar o instrumento básico da democracia? Quantas pessoas participam activamente na sua freguesia ou no seu município? Quantas denunciam o incumprimento da lei através dos instrumentos postos à disposição do cidadão? Porque Portugal, que para muitos não é um país sério, tem uma justiça que tarda (muito) mas vai funcionando; tem um sistema de saúde pública que é velho, mas que continua a dar melhor assistência que o privado, sobretudo quando se trata de casos fora do comum; tem transportes públicos onde o utente é tratado com respeito; é um país onde a mentalidade vai mudando gradualmente e hoje já se respeita quem sobe na vida por mérito ou quem cumpre as suas obrigações.

É também um país onde as pessoas, de uma forma geral, se desresponsabilizam e preferem não agir e criticam em vez de mudar. E são estas pessoas que fazem de Portugal um país menos sério.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Conversa entre tia e sobrinha II

Noutro dia, numa conversa skypica com a minha sobrinha mais velha, estávamos a ver os trabalhos que tinha feito durante o ano na escolinha. Deixem-me que vos diga, a minha sobrinha é muito talentosa, aquela miúda vai ser uma artista. Digo eu, não sei, ideias minhas, mas parece-me que sim.

Ora estava precisamente a dizer-lhe isso, que ela era uma artista e ela, na segurança inabalável dos seus quatro anos, responde: "pois sou!".

Tomáramos nós em adultos acreditar nos nossos projectos com a mesma intensidade! A começar por mim, claro está.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Já tinha saudades!

É a verdade verdadeira: já tinha saudades deste blog. Quem diria, ter saudades de um blog?

Os dias têm-se sucedido a um ritmo vertiginoso e, felizmente, trabalho não me tem faltado. Além disso, o pânico pela gripe já está a acalmar e as actividades voltam paulatinamente à normalidade. Na semana que vem tenho o exame de alemão, o mesmo que era para ter sido na segunda-feira passada e foi cancelado. Aulas de pintura, só em Agosto. Mas entretanto têm surgido projectos de trabalho daqueles que mais parecem de tempos livres, daqueles que dão tanto gozo que apetece até levantar mais cedo da cama (e é Inverno!) para me sentar a trabalhar.

(Sim, devo estar doente, apanhada de alguma gripe estranha! Eu, sair mais cedo da cama? Está tudo louco? "Chove como na rua", diria a minha Mãe.)

E pronto: os dias passam num instante, quando dou conta já é hora de desligar o computador e ir conviver com o Príncipe, que por si só até nem chega muito cedo a casa. Deixa cá ver se consigo pôr os posts que tenho escritos mentalmente no caderno de notas virtual.

Espero conseguir voltar em breve!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Outro fim-de-semana de reclusão?

Central Park Hoodie
Costas do Central Park Hoodie que estou a tricotar.

Aproxima-se um fim-de-semana mais ou menos prolongado. Parece que ouço perguntar "como é que é isso de mais ou menos prolongado?". A resposta não é simples - nunca é - mas prometo que me vou esforçar.

Ora, como todos sabemos, estamos a viver uma "preocupante crise sanitária" (são expressões destas que se ouvem aqui a torto e a direito, e eu a ligar "sanitário" a outras coisas). A verdade é que os dados da Organização Mundial de Saúde não enganam: a proporção entre vítimas mortais e infectados com o vírus da gripe A é maior aqui que nos outros países. E isto, para além da óbvia tragédia que é para as famílias de quem foi ou está a ser tocada pelo vírus, é também uma grande dor de cabeça para as autoridades (sanitárias e não só).

(Nota: ontem recebi uma chamada telefónica em que me fizeram todo um inquérito sobre a prestação do governo, a situação da Argentina, a inflação, a corrupção... foi tão bom ter aquele bocadinhozinho de tempo de antena em que pude classificar como entendi cada um dos itens dados pela operadora, sem que ninguém me acusasse de ser estrangeira, ou, pior ainda, europeia!)

Voltando ao fim-de-semana quase prolongado, amanhã é feriado, dia pátrio, daqueles que não são transferidos para a segunda-feira mais próxima. Sexta deveria ser dia de trabalho normal, mas o governo decidiu instituir um "feriado sanitário" ao qual muitas empresas deverão aderir, pelo menos na modalidade de ter os seus colaboradores a trabalhar a partir de casa.

Para quem não está habituado a estas andanças (as de trabalhar a partir de casa), um feriado sanitário vai ser isso mesmo, um feriado. E o resto é conversa.

Por mim, tudo bem: tenho livros, tricot e... ah, trabalho! para fazer.

Agora giro, giro, giro mesmo era que acontecesse o que aconteceu há dois anos atrás: um nevão aqui na cidade a 9 de Julho! Mas fim-de-semana mais ou menos prolongado já não é mau.