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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Novidades boas

My birthday cake rocks

My birthday cake rocks

Vamo-nos mudar. Os três anos de projecto no Panamá chegaram ao fim e a vida é assim, cheia de mudanças. No nosso caso, de três em três anos, mais coisa menos coisa.

Quando viemos da Argentina cá para o Panamá, deixei no ar um desafio para ver quem adivinhava qual o nosso próximo destino. Bem sei que induzi alguns leitores em erro quando dei a pista de "Moro num país tropical"; fui malandreca, assumo.

Desta feita, deixo-vos as fotografias (todas tiradas pelo Príncipe) do bolo lindo, lindo, lindo que a minha amiga Catarina fez para celebrar o meu aniversário, no passado dia 8. Aliás, foi ao ver o bolo que algumas pessoas ficaram a saber a notícia.

E agora, caros leitores, preciso da vossa ajuda: que nome hei-de dar a este blogue? E à zine? Agradeço as vossas sugestões!

(Quem quiser contactar a Catarina e ter um bolo lindo, delicioso e cheio de pequenos detalhes para ir descobrindo, clique aqui.)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Arroz doce

Arroz doce

Nunca tinha feito, segui as indicações maternas, e saiu bem. Foi provado e partilhado por um casal colombiano, um casal chileno-mexicano e nós os dois. Em todos os países que estiveram representados à volta da nossa mesa, há uma versão desta sobremesa, ora mais caldosa, ora mais alaranjada, com canela, sem canela.

Mas tenho para mim que, como o nosso, não há. (Foi o meu comentário nada tendencioso do dia.)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

De Istambul para o Panamá

Baklavas, directly from Istanbul

Baklavas, directly from Istanbul

Setembro e Outubro foram meses de muitas viagens de trabalho para o Príncipe, ao ponto de não conseguir chegar a desentupir os ouvidos entre descolagens e aterragens. Já estávamos os dois um pouco cansados da situação. O Príncipe, que já me conhece e sabe como me alegrar (comida, claro!), trouxe-me de uma das suas viagens - a Istambul, para ser mais precisa - uma caixa de baklavas deliciosos. Conta ele que foram embalados ainda quentes e selados em vácuo; no dia seguinte, chegaram ao Panamá, lindos, fantásticos, deliciosos e ainda estaladiços.

São diferentes dos que encontro cá; não sabem a água de rosas, mas são leves, levezinhos, e doces na medida certa.

Para mim, abrir esta caixa e encontrar um pequeno exército de baklavas de terracota, quero dizer, de massa filo, todos alinhados e lindos; pensar que cada um correspondia a largos minutos de prazer gastronómico... ah, foi maravilhoso.

E sim, Príncipe, a tua missão foi cumprida.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Torre Trump no Panamá

Esta é uma cidade de contrastes, uma aldeia que ser grande metrópole, onde o dinheiro abunda. Numa cidade onde a rede de esgotos continua a ter falhas e a expelir fantásticas ribeiras de cocó na via pública, erguem-se arranha-céus residenciais e, desde Julho, também hoteleiros, com o empreendimento Trump Tower.

Trump Tower in Panama City

Abriu em Julho, num dia de dilúvio bíblico, e como é aqui mesmo, mesmo ao lado, fomos logo visitar. No rés-do-chão tem uma arcada comercial praticamente vazia, com a excepção de uma pastelaria que me faz sentir em Portugal, e uma enoteca, que também serve refeições ligeiras e tem música ao vivo.

A recepção do hotel localiza-se uns 14 ou 15 andares acima, bem como alguns restaurantes já devidamente explorados: no Barcelona, bar de tapas, encontramos sempre caras conhecidas entre os empregados que lá trabalham, o que me faz pensar que este empregador deve ser excelente.

Trump Tower in Panama City

Trump Tower in Panama City

(Um pequeno parêntesis: Mãe, lembras-te daquele senhor no Don Patacón que nos serviu tão bem? Aquele cuja cor dos olhos era mais clara que o tom de pele? Pois com esse nos cruzámos da última vez...!)

Também há o restaurante Tejas, devidamente provado. A comida é correcta, as porções francesas (ou seja, mínimas) e o serviço é lento. Mudou a carta na semana passada, por isso talvez lá voltemos.

A oferta gastronómica é completada pelo bar da piscina, onde o ambiente é muito, muito giro, mas a oferta é muito restrita. É um bar de piscina que, à noite, em vez de se metamorfosear num restaurante com um ambiente muito especial, continua a servir as bebidas em copos de plástico e a ter um par de saladas e hambúrgueres. Na minha opinião, não chega.

Trump Tower in Panama City

Mas o espaço? O espaço é muito bonito, mesmo; mesmo tendo em conta que as varandas dos vizinhos se encontram a escassos 3 ou 4 metros, conseguiram criar uma atmosfera elegante e sofisticada, coisa que cá não abunda.

Trump Tower in Panama City

Nos primeiros dias, ainda tudo cheirava a novo, a tinta e a reboco. Hoje, a máquina já está mais oleada e a funcionar melhor; talvez o serviço não seja tão cerimonioso como no início, mas continua a ser acima da média local.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sopa de tortilha, iguaria mexicana

Sopa de tortilla

Uma das coisas boas dos nossos dias panamenhos é a intensíssima vida social que levamos. Como este é um país com muitos, muitos imigrantes - só a empresa em que o Príncipe trabalha, diz-se, deslocou para cá mais de 600 famílias -, há muita gente com a mesma disponibilidade que a nossa. Ao contrário do que acontecia na Argentina, onde quase só tínhamos amigos locais, aqui as pessoas estão longe das respectivas famílias e por isso acabam por criar laços com mais facilidade.

Terminado o preâmbulo, é fácil entender que nos damos com muita gente, de muitas nacionalidades diferentes. E porque gostamos de comida - e diz que há mais gente que partilha esta loucura - criámos, assim meio por acidente, um Clube de Cozinha com mais dois casais. Os jantares vão alternando em casa de uns e de outros e cada qual apresenta uma iguaria do seu país.

Ora uma das primeiras sessões foi de comida mexicana, feita por uma mexicana, e foi uma delícia. Começámos com uma magnífica sopa de tortilla, acompanhada de abacate e queijo fresco. O impacto nas nossas papilas gustativas foi tal que a nossa anfitriã nos forneceu genuínas tortilhas para repetir a experiência em casa.

Igual, igualzinho? Não. Bom? Sim, senhores leitores. Uma delícia. E fotografei, como podem ver acima.

Gracias, Wicha!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Entre o Panamá e as memórias de Buenos Aires

Hoje estive a fazer tempo num lugar onde estava um piano de semi-cauda a ser tocado. Um lugar de passagem, o pianista já devia estar habituado a não receber a menor atenção porque, como estratégia, pegava as canções umas às outras, como se de um comboio se tratasse. Quem não estivesse atento, ouviria uma única canção, lá ao fundo.

Enquanto o ouvia lembrei-me de uma episódio ainda em Buenos Aires, mesmo antes de nos mudarmos para o Panamá.

Certa noite, por um passeio de uma qualquer rua da cidade, olhei para baixo - precaução imprescindível para não pisar "minas" nem tropeçar em lajes levantadas - e vi uma nota de cinquenta pesos (a taxa de conversão aponta para os dez euros, mas naquela altura equivaleriam em termos de poder de compra a uns vinte e cinco euros). Olho para todos os lados, porque cinquenta pesos a menos iria fazer muita diferença à pessoa que os tivesse perdido. Não vi ninguém, de maneira que peguei na nota e levei-a na mão, determinada a entregá-la ao primeiro sem-abrigo que encontrasse. Afinal de contas, aqueles cinquenta pesos não eram meus.

Por acaso do destino, não me encontrei com nenhum; nem com malabarista de semáforo, nem senhora com o filho ao colo a pedir comida. Não encontrei ninguém.

Os dias foram passando e a nota de cinquenta pesos continuava dobradinha à espera de ser entregue, até que na última noite em Buenos Aires, já a achar que não íamos encontrar ninguém, decidimos que o que tinha que ser tinha muita força. Aqueles pesos não eram nossos, tínhamos de nos decidir.

Fomos jantar a um restaurante muito bonito, num palácio que pertencia ao clube dos franceses. Entrámos e parecia que estávamos noutro tempo e noutro lugar, a viver um daqueles ambientes vagamente coloniais, vagamente Hemingway, com bar de cocktails e cadeirões de cana num pátio interior.

A sala de jantar tinha uma lareira grande onde pousavam as garrafas de vinho; a ementa do dia era declamada pelo cozinheiro. O jantar foi uma delícia, claro está, e o ambiente completado com um piano tocado ao vivo, numa sala ao lado, por um pianista que não recebeu uma única palma durante toda a noite.

No fim do serão, o músico veio às mesas recolher as suas gratificações: já tínhamos decidido que era aquela a pessoa que ia receber os cinquenta pesos. O pianista recebeu a nota, teve um momento de hesitação e espanto, depois olhou-nos emocionado. Não era preciso, não era preciso...

Ele não sabia, mas naquela noite calhou-lhe a ele receber o agradecimento que devemos a tantos pianistas de tantos lugares de passagem e que nunca recebem um olhar sequer de reconhecimento.

O senhor de hoje, surpreendido com as palmas, veio-me perguntar se gostava de música. Sim, gosto, e ainda mais tocada ao vivo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Chamo-lhe um figo

Doces regionais algarvios

Doces regionais algarvios

Tenho uma gigantesca pasta de fotografias das férias aqui no meu computador. De vez em quando, vou lá espreitar e tiro uma ou duas imagens para ir matando as saudades.

Os doces regionais algarvios devem ser dos poucos da doçaria portuguesa de que realmente gosto, com todo o amor e paixão que se pode sentir por uma sobremesa. Não que não sejam deliciosos; eu é que não sou particularmente amiga de doces - de longe, prefiro salgados.

Mas aqui abro uma excepção: primeiro, porque são lindos. Imitam frutos, bichos, flores; são pintados com cores saturadas e, claro, sabem bem. Exceptuando os que têm forma de camarão-barra-lagostim-barra-gamba, adoro escolher um bolinho, trincá-lo devagarinho e olhar para o interior, para ver se tem fios de ovos. Adoro o contraste do ligeiríssimamente amargo da amêndoa com o doce predominante, a textura e o volume.

Dêem-me doces regionais algarvios (excepto em forma de gamba) e sou uma mulher feliz.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Calorias

No primeiro jantar na Casa de Lourdes, partilhámos uma entrada de vieiras grelhadas:
Vieiras a la plancha

O Príncipe comeu uns lagostins (e até verteu uma lagrimita ou duas por causa do "calor" do molho crioulo)...
Langostinos con salsa creolla

...e eu, que lagostins nem cheirá-los, deliciei-me com uns gnocchis de batata com molho de agrião.
Ñoquis de papa con salsa de berro

Terminámos esta frugal (ahem) refeição com uma mousse de maracujá, também partilhada (vêem? Frugal.).
Mousse de maracuyá

No segundo dia também lá jantámos porque nos tinham ficado uns quantos pratos por experimentar. Se a memória não me atraiçoa - e a garrafa de vinho com que regámos o repasto não ajuda na tarefa -, começámos com um magnífico carpaccio de mero, partilhado entre os dois.

Carpaccio de mero

Continuámos cada qual com seu prato: o carnívoro desta família, com um tournedó com agrião e outros perlimpimpins...
Tournedo con berro tibio y salsa de ajonjolí

...e eu com um prato de corvina com tomate, pimento e coentros. E também perlimpimpins, mas a memória, tal como temia, já me atraiçoa, o que está francamente mal.
Corvina con tomate, morrón y cilantro con salsa de miso

Terminámos com um esplendoroso Heart Attack, que felizmente resulta menos ameaçador que o nome que tem:
Heart attack!

Que é que teremos feito para queimar todas estas calorias, perguntam vocês? Isso é matéria do próximo post (e não é apto para todo o público).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Delícias

Uma das coisas que nos faz particularmente feliz na nossa vida panamenha é a disponibilidade de restaurantes com especialidades de países muito diferentes. A oferta, cá, é muito mais variada que em Buenos Aires, por exemplo, apesar de poder parecer estranho. Os porteños são muito cosmopolitas, mas, quando de comida se trata, os seus gostos são bastante limitados.

Aqui no Panamá, pelo contrário, não só os restaurantes são acessíveis, como a comida, em geral, é deliciosa, desde o tasco de praia até ao lugar mais sofisticado da capital.

Um dos restaurantes que nos faz imensamente feliz - mas que convém visitar em grupo, já que as porções são extremamente generosas - é o Beirut. Tem dois espaços, ambos agradáveis: um em plena zona bancária; o outro, no Causeway, uma zona da cidade usada pelos locais para actividades de fim-de-semana.

Não dá para inovar na descrição da comida: é deliciosa, abundante, fresca, bem confeccionada e bem servida. Ora vejam:

Hummus

Começamos com um belíssimo hummus de entrada, um creme de grão e sésamo de comer e chorar por mais.

Foul de habas

Seguimos com um um foul de favas, um prato que tem tudo para empanturrar o mais valente comensal, mas ainda assim é delicioso.

Falafel

E um pratinho de falafel, umas bolinhas fritas de puré de grão.

Como vêem, uma refeição ligeirinha, até agora. E ainda só vamos nas entradas.

Seguiu-se um delicioso prato que o Príncipe pediu; o nome escapa-se-me, e também se me escapou a oportunidade de o fotografar, já que foi imediatamente atacado e não agi a tempo.

Baclava

Terminámos com um pratinho de baclava, uma sobremesa à base de pistacho, mel (e um toquezinho de água de rosas, parece-me), tudo enrolado em finas camadinhas de massa filo. É doce na medida certa; regado com o chá que nos oferecem, é o fecho ideal de uma refeição memorável que pede, automaticamente, uma valente sesta.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Queijos de Chelas

Empanada de queso

Quesos Chela

A caminho das praias do Pacífico, pela estrada Interamericana, há uma casa que se impõe como instituição panamenha de referência, a Quesos Chela.

Conhecemo-la há bem pouco tempo, numa viagem que fizemos com amigos que já dominavam a cena gastronómica en route, e que tiveram a bondade de nos fazer ver a luz de umas deliciosas empanadas de queijo, um requeijão bem coalhado e um queijinho bem fumado.

Agora que já vimos a luz, não há viagem para as aulas de surf que não inclua uma paragem de reabastecimento nos "queijos de Chelas", tendo como banda sonora a adaptação de uma canção que cantávamos nas nossas vidas anteriores quando éramos meninos de coro, Regina Coeli.

Mnham.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Quando chove lá fora, fenómeno diário durante a estação húmida, cá dentro fazem-se outras coisas, nomeadamente...

Fronhas novas
...um par de fronhas novas para as almofadas do sofá, com algodão estampado com motivos Kuna;


Na varanda
...e uma toalha aos quadrados, com guardanapos a condizer, para a mesa da varanda, que usamos diariamente. Já a necessitávamos há muito!

Sobre a mesa, uma lasanha feita pelo Príncipe e um tinto saboroso. Na varanda, mesmo que chova, até parece que estamos de férias...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sem pilha

Já aqui contei que nesta casa temos um bolinho todos os fins-de-semana. Antes, era para sentir que esta casa era a minha casa; entretanto, o hábito instalou-se e já não dispenso um bolinho (ou biscoitos, como se pode ver abaixo) para o lanche.

Areias do Pacífico

Estas Areias do Pacífico (em vez das de Cascais, ou, no caso presente, de Esposende, já que usei a receita e os sábios conselhos da Alexandra) foram feitas no fim-de-semana passado e entre dois pares de ávidas mãos já praticamente desapareceram. Isto, apesar da quantidade de manteiga que a receita pede, totalmente proibitiva para o meu fígado desabituado dessas andanças. Assim se vê a delícia.

Talvez tenham levado um nico a mais de forno; para a próxima, tiro-as mais cedo. E tenho também de estudar uma substituição para a manteiga, tal como faço em todas as outras receitas (olá óleo de girassol).

Bolo de maracujá

Outra presença habitual cá em casa é o bolo de maracujá. Ontem tivemos visitas para jantar e num instante o preparei, com maracujá natural, claro.

Uma das vantagens de estarmos cá perdidos a oeste do sol posto é a fartura de fruta deliciosa como o ananás e o maracujá, básicos que nunca faltam cá em casa. Guardados no frigorífico, aguentam um par de semanas. E nós apreciamos.

Adaptei uma receita de um bolo de laranja e substituí um sumo pelo outro. Há dias em que também lhe acrescento uns toques de perlimpimpim (que é como quem diz: alecrim) para ficar mais perfumado.

Bolo de aniversário temático

E este é o famoso bolo de chocolate, feito com o igualmente famoso chocolate artesanal panamenho que tanto aprecio (lá está, junto com o ananás e o maracujá, é outra das vantagens de estar aqui).

O bolo aqui retratado foi feito para o aniversário de uma amiga, um pouco preocupada com o facto de estar a entrar num novo intervalo etário em inquéritos e censos. A ideia malandreca foi do Príncipe, a execução levou x-acto, açúcar em pó e uma peneira. A aniversariante gostou. E nós regalámo-nos com o outro bolo, o que ficou em casa.

Ainda bem que a balança está sem pilha.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Passos para um fim-de-semana feliz

Primeiro passo:
chocolate cake, step 1
Alcançar um dos chocolates de agricultura biológica que stockámos, comprados na loja virtual do Culantro Rojo.

Segundo passo:
chocolate cake, step 2
Desembrulhá-lo e babar com o cheiro.

Este chocolate culinário é tão magro que é difícil de derreter em meio não gorduroso, como café ou rum. Venha o óleo de girassol.

Terceiro passo:
chocolate cake, step 3
Lanchinho na varanda.

Fotografar o quarto passo requer uma câmara endoscópica, de que não dispomos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

NYC mnham

Quem me conhece sabe que não é de estranhar que comece os meus relatos nova-iorquinos com as experiências gastronómicas.

Estando nós hospedados em casa de uma anfitriã espectaculosa, não experimentámos tantos restaurantes como se estivéssemos num hotel. Mesmo assim, experimentámos alguns. O primeiro restaurante de que aqui falo entra na categoria memorável pela comida, pelo espaço e, óbvio, pela companhia. O segundo é memorável por várias razões, sendo que a comida, surpreendentemente, é uma delas.

Passemos então ao primeiro: Mishima, na Lexington Av. entre as ruas 30 e 31. Apesar do site fraquinho, a comida é cinco estrelas. Os rolos são de comer e deliciar-se e as porções têm o tamanho certo. Daí, não ser de "comer e chorar por mais", porque realmente não ficamos com fome. O espaço é bonito, arejado mas bem aquecido (factor muito importante na semana que lá passámos), a localização é óptima, perto do metro (e perto de casa). A misoshiro (sopa) tinha caldo, verdura e tofu nas proporções e temperos certos. As gyozas, de massinha fina e deliciosa, deixaram saudades. O age dashi tofu também estava delicioso, apesar de gostar de um tofu um pouco mais consistente. E os rolinhos, eu seja santa, nem dá para falar muito neles sem me crescer água na boca. Vejam vocês mesmos:

Sushi at Mishima, NYC

A segunda experiência gastronómica foi no Katz´s, na Houston St. Apesar da comida ser deliciosa, o lugar entrou directamente para a parede da glória da cultura popular com esta cena protagonizada por Meg Ryan. Diz que também lá estava o Billy Crystal, mas enfim: prioridades são prioridades.

Chegámos lá através da minha amiga flickeriana, com quem tínhamos combinado almoçar e que sugeriu uma experiência de diner americano. Se não tivesse ido com ele, o mais provável era não ter entrado. E isso seria uma grande pena.

Katz´s in NYC

Katz´s in NYC

Katz´s in NYC

Há todo um esquema com filas para as sanduíches, filas para as bebidas e batatas fritas, filas para as panquecas de batata, senhas e luta por lugar sentado. Mas todo o esforço é amplamente recompensado quando finalmente começamos a comer. Pedimos duas sanduíches de pastrami, dois pepinos picklados a níveis diferentes, batatas fritas e panquecas de batata (latkes) para dividir entre os três. Foi uma refeição, em todos os sentidos, memorável, já que as porções são fartas e a comida é deliciosa. Não é uma opção para todos os dias (ai o fígado!); mas é uma experiência nova-iorquina a não perder.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

As actividades e os seus frutos

Panquecas com doce de tomate caseiro

A Cidade do Panamá não é uma metrópole vibrante de actividade cultural, pelo que quando cá estiveram os meus pais usufruímos do tempo para fazer actividades. Vocês perguntam, e muito bem, que actividades? E perguntam também quantos anos terei, claro está, porque isto das actividades é conversa da minha sobrinha de seis anos. Eu tenho mais uns quantos que ela, mas gosto igualmente das ditas actividades!

Pois uma delas foi aprender a fazer doce de tomate. A minha Mãe faz um doce de tomate que é de comer e chorar por mais, de rebolar no chão e fazer birra, de bater com o pé e exigir mais, só porque é tão delicioso. Por isso fomos ao mercado comprar tomate o mais madurinho possível, deixámo-lo fora do frigorífico um par de dias, e tunfas, ao ataque. Enquanto a panela esteve ao lume, a casa encheu-se de um cheirinho delicioso a canela, a tomate cozinhado, a açúcar derretido... enfim, um odor bem inspirador para uma outra actividade que tínhamos em mãos (sobre a qual falarei oportunamente).

Avancemos para o Sábado passado, dia em que o Príncipe fez panquecas para o pequeno-almoço e eu aproveitei para usar o doce de tomate para as barrar. Qual maple syrup, qual quê...!

A apreciação das qualidades organolépticas é excelente, o sabor é de - lá está - comer e chorar por mais. Aqui está uma excelente vantagem de estarmos a viver no Panamá, e não em Buenos Aires. Lá haveria certamente algum museu para visitar e, consequentemente, afastar-nos da minha aula prática, que tão bons resultados rendeu.

P.S. Um par de dias depois, repetimos a dose para o doce de ananás. Mnham!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tarte de laranja

Home is homier when I bake

Já o disse noutras ocasiões e repito-o agora: esta casa é mais casa quando faço bolos. E é por essa mesmíssima razão que criei uma nova tradição: sexta-feira à tarde (ou durante o fim-de-semana) é dia de fazer um bolo.

Tenho andado a gostar muito de seguir as receitas da Julia Child; desde que vi o filme Julie & Julia - numa cena, que não me sai da memória, o marido da Julie agarra-se de mão aberta a um bolo de chocolate que ela fez - que fiquei com vontade de ler e de experimentar.

Quem me conhece sabe que não sou menina para me pôr a cozinhar carnes, nem pensar em desossar um pato!, por isso mesmo me tenho dedicado às sobremesas: não se gastam numa só refeição e adoçam a boca durante o fim-de-semana.

Esta semana experimentei fazer a tarte de laranjas. No original, era uma tarte de limão ou de lima. Mas tinha laranjas em casa - que ainda por cima não são particularmente doces - e, por isso, adaptação com ela. Fiz a massa quebrada à mão, com a preciosa ajuda da Kitchenaid, cozinhei o recheio, forno e... hmmm!

Como de costume, substituí a manteiga (por óleo vegetal) e reduzi o teor de gordura da receita, coisa que voltarei a fazer no futuro. E fiquei encantada com a massa quebrada feita à mão: não custa assim tanto e a diferença é abissal.

Queiram desculpar-me o fim súbito deste post, mas tenho de ir ali à cozinha...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Foi você que pediu um post sobre gastronomia?

chocolate

Não é que qualifique exactamente como gastronomia, mas acho que todos podemos benevolamente incluir a iguaria na categoria de alimentos. Vá, não que seja um alimento absolutamente essencial (quem disse, quem?), mas que a vida com chocolate é melhor, lá isso é.

Num dos passeios ao Casco Antiguo vi um café que tinha cá fora um dístico a anunciar "organic chocolate". Não hesitei: jamais hesito quando a causa é boa.

E foi assim que descobri este chocolate de agricultura biológica, nacional, mais concretamente de Bocas del Toro. Curiosamente, comprei duas barras e, acredite-se ou não, ainda não as terminei. E não é por falta de gula. É que o chocolate é tão bom e tão potente que, com apenas um bocadinho, fico satisfeita.

O problema é que provar este chocolate é um caminho só de ida: quem o prova não volta atrás. De agora em diante, a coisa fica difícil para as multinacionais chocolateiras...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ceci n´est pas...

Canelonis com espinafres, cogumelos e requeijão, feitos pelo Príncipe.

...um blog de cozinha. Não obstante, não podia deixar de mencionar o nosso desafio doméstico depois de termos visto o filme Julie & Julia. Quem for ver o filme saberá que cada uma das Júlias se propôs cumprir um desafio grande, do género "enorme". Cá em casa, pelo contrário, contentamo-nos com uma coisa mais simples, mas que tem sido divertida: às quartas-feiras e aos Domingos experimentamos, à vez, uma receita nova. A única regra é que esteja num dos livros de cozinha que cá temos em casa.

No cardápio doméstico já tivemos, cozinhados por mim: trouxas de espargos, muffins de acelga, rolo de noz com espinafres e cogumelos; cozinhados pelo Paulo, tivemos cataplana de porco e espargos, sopa de milho e, ontem, uns magníficos canelonis de espinafres, cogumelos e requeijão. Feitos na pastalinda que lhe ofereci, claro.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ensaimada sanpedrina

Ensaimada Sanpedrina

Quem me conhece sabe que eu não sou rapariga de doces. Exceptuando o chocolate (o mais escuro possível, se faz favor!), não sou assim muito fã. Gosto de alguns doces menos doces, como aqueles algarvios em forma de fruta. Dispenso os fios de ovos do interior, mas se vierem, bem, também não é o fim do mundo. (Só não consigo mesmo comer os que têm forma de gamba. Não dá.)

Ora bem, o preâmbulo serve para dizer que, apesar de não gostar de doces, gostei muito da ensaimada sanpedrina que, para as gentes de San Pedro, é mallorquina. Tem forma de focaccia, massa parecida à da bola de Berlim e, no seu interior, creme de pasteleiro ou doce de leite. Preferimos o primeiro, porque entre um e outro o creme de pasteleiro ainda consegue ser menos doce.

Contrariamente a tudo o que eu poderia esperar, gostei da ensaimada. A textura da massa é muito leve, a massa praticamente não é doce e o creme de pasteleiro estava com uma textura muito agradável. Pelo tamanho da porção, é um doce para partilhar com alguém.

Acreditem, a mais surpreendida aqui fui eu.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Colonia de Sacramento, agora e sempre

la dulzura puede cambiar el mundo
É com alguma surpresa que reparo que há já uma semana que nada escrevo aqui no "Entre...". E não é que não se tenha passado nada por estas bandas - pelo contrário, está sempre a acontecer qualquer coisa, mesmo que de importância mínima para o resto do mundo (e todos nós sabemos que a relevância do que aqui se publica é bem diminuta).

Na semana passada fui até Colonia de Sacramento, cidade uruguaia fundada por portugueses, cujo centro histórico guarda muito encanto sobretudo para quem vive no bulício de Buenos Aires. Entre uma e outra existem 60km de Río de la Plata, o que marca toda uma miríade de diferenças. O que deste lado tem de agitado, tem Colonia de descanso e de tranquilidade.



Contudo, esta visita foi especial: enquanto passeávamos com um passo ajustado ao ritmo que lá se vive, a mãe do Paulinho encontrou um aviso para um café que prometia ser o "best well kept secret" de Colonia. E não mentiram.

Tea at Lentas Maravillas, in Colonia de Sacramento, Uruguay

Neste sítio, onde a lotação de um jardim imenso é de apenas quatro mesas, onde o serviço é simpático, sorridente e muito tranquilo, onde tricotei quase uma manga inteira da camisola que estou a fazer, o chá é chá e a bolacha com pepitas de chocolate é feita com chocolate verdadeiro. Verdadeiramente Lentas Maravillas.