quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Uma achega ao design

É só mesmo uma achega, porque sobre o design e a sua relação (ou não) com a arte está a internet cheia de artigos (como a discussão recorrente no Foroalfa, em www.foroalfa.com).
O que é um bom design é uma questão cuja resposta tem variado ao longo da história da disciplina. Esta resposta já foi "um objecto de produção industrial que parece manufacturado" ou "um objecto cuja forma respeita totalmente a sua função". Hoje em dia, estamos perante a mudança do paradigma de design e a resposta é um pouco mais elaborada: o bom design é aquele que tem em conta a relação eficiente entre os factores económico, social e ambiental.

Design para os designers?

"Design para os designers" é como a Associação Nacional de Designers encerra o texto em que fala dos seus objectivos e planos para o futuro. Entre "reconhecer o exclusivo para o exercício da profissão a licenciados e diplomados" e "regulamentar e consciencializar para a obrigatoriedade da observância de regras ético/deontológicas", parece-me que a AND se fechou completamente à volta do seu próprio umbigo e se esqueceu do fundamental no design.
O design é para todos, menos para o designer. Se fosse para o designer, então não seria designer, mas sim artista. O design é uma ferramenta de trabalho para resolver problemas das pessoas (sejam problemas de comunicação gráfica ou de usabilidade), e não um atributo externo dos objectos. Ao contrário da arte, o objecto de design nasce de uma motivação externa ao sujeito. Por outras palavras, o designer - como o engenheiro - resolve problemas.
Dizer "design para os designers" remete para uma concepção distorcida de design, aquela que perpassa para a opinião pública. Fala-se de "objectos com design" (abrindo bem o "e" de "désaine") quando se pensa em mobília minimalista ou as cadeiras assinadas pelos famosos. Mas o design é aquele que não se vê, está nas BICs e nos clips e nessas invenções todas que nos facilitam tremendamente a vida. Isso é que é design.

Whatever

Gostava de saber porque é que os portugueses gostam tanto de dizer "whatever".
A mim faz-me lembrar uma pessoa com quem foi particularmente desagradável trabalhar. Cada vez que ouço esta palavra, lembro-me dele e tenho arrepios na espinha. Yuck.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Reunioes II

Outra característica do português, amante da reunião, é o facto de - apesar de tanto a amar - não a preparar.
Aqui há uns tempos fui a uma reunião em que esperava a aprovação de algumas propostas. Durante três horas, entraram e saíram interlocutores e ninguém aprovou nada, porque ninguém tinha "poder de decisão" para aprovar o que quer que fosse.
Algum tempo depois fui convocada para uma outra reunião. Já estava "escaldada" da experiência, portanto perguntei qual era a ordem dos trabalhos.
A resposta foi:

(silêncio)

(pigarreio)

"Ordem dos trabalhos? Eh... Ah, pode ser para fazer o ponto da situação."

Reunioes

O português gosta de reuniões.
Quanto mais longas, melhor. E então se passarem por cima da hora do almoço, melhor ainda: salientam o espírito de sacríficio de quem reúne. E quem reúne... trabalha!
Uma reunião longa, mesmo sem ordem dos trabalhos e preenchida de converseta sobre a família, as férias na neve e o fim-de-semana passado, é sinónimo de "muito trabalho". Uma reunião curta é como se nos estivessem a "despachar".
E a reunião pontual? Ui!, isso é sinónimo de intransigência: "mas julgas que estamos na Alemanha ou quê?". E todos sabemos que, se há coisa que o português não quer ser, é intransigente (nem alemão, ainda para mais a falar "essa língua de trapos"). A mim, parece-me que a eficiência e a pontualidade vêm de mãos dadas com esta intransigência, que também se poderia chamar "rigor".

domingo, 26 de novembro de 2006

Mnham II

Hoje almoçámos "iam tchá" no restaurante chinês do Casino Estoril. Para além do "dim sum", pedimos ainda massa de fita larga com carne de vaca (algo como "cong chau ngau hoc") e arroz chau chau, encomendando-nos respectivamente a uma "longa vida" cheia de "dinheiro". Complementámos ainda com um prato de vieiras com espargos e outro de legumes chineses variados. Com muita raiz de lótus, para fazer bem à pele.
Ensonada e afundada numa cadeira de crescidos com uma almofada debaixo do rabo, a Carolina imitava-nos com os pauzinhos, dando de comer a quem estivesse por perto. Enquanto isso, pedia "papa" à Mamã, e certificava a sua qualidade com expressivos "mnham mnham!".
Terminei com um pudim de manga do além, ou melhor, com O pudim de manga (tento conter a actividade das minhas glândulas salivares, protecção do teclado oblige). Agora tenho de ganhar coragem para arrumar a minha casa e "desmoer" o almoço... de preferência antes do jantar.

Mnham

Acabei ontem de ler "Fortune´s Rocks" de Anita Shreve. Está cheio de palavras saborosas como "chignon", "petticoat", "muslin" e "stockings". Mnham mnham.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Ainda sobre os clientes

Ou, mais especificamente, sobre a relação dos designers com os clientes, li hoje este artigo de Guillermo Brea e faço o meu exame de consciência e respectivo acto de contrição (para continuar com a metáfora religiosa que o autor sugere).

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Notas

Às vezes penso que os clientes podem ser classificados de um a cinco, como na escola. Um ou dois - vá lá - aos piorzinhos, aqueles que não aprovam as propostas, fornecem o material todo desorganizado (ou imagens em documentos word!), regateiam orçamentos e ainda por cima atrasam-se nos pagamentos. Enfim, aqueles clientes que reúnem todas estas características chatinhas e que merecem um puxão de orelhas. E que nos telefonam e pedem "o quadradinho um bocadinho mais para a direita" ou então "a fotografia do nosso director um bocado mais ampliada". E depois os outros, aqueles que merecem o cinco: o material todo organizado, ficheiros em alta, tabelinhas excel com a ordem dos logótipos dos patrocinadores e ainda por cima são simpáticos e não querem reuniões a toda a hora (daquelas em que nada se discute). São os que nos apresentam o problema, esperam que executemos o nosso trabalho e cujas correcções melhoram francamente o resultado final. Sim, existem clientes desses! Só que nem toda a gente tem a sorte de os encontrar...

A Grande Vantagem

A vantagem dos carros estacionados em cima dos passeios é que assim não pisamos os cocós dos canídeos.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Chegada a Buenos Aires


Esta é a chegada de barco a Buenos Aires.

Lisboa


Uma das minhas vistas preferidas de Lisboa. Com céu limpo, vê-se até à Serra da Arrábida. Mas para mim o mais impressionante é como a paisagem muda todos os dias.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Fumo

Após dois meses de América Latina, desabituei-me por completo (foi fácil!) do incómodo de sentir o fumo do cigarro alheio. Na Argentina, no Chile e no Uruguai é proibido fumar dentro dos espaços públicos fechados. Para quem não acredita e acha que esta medida é fundamentalista, a verdade é que é muito, muito cómodo ir a um restaurante, a um bar ou a uma discoteca e sair de lá com o cabelo a cheirar a champô e a roupa a cheirar a roupa - ou a suor, vá.
Segunda-feira fui ao cinema e já não me lembrava da compulsão que leva os fumadores a acender o cigarro assim que transpõem a porta da sala. Gera-se uma tremenda nuvem de fumo que, honestamente, não sei como é que as pessoas suportam. Será que é assim tão difícil esperar mais três minutos para chegar à rua e acender o cigarro? Caminhando da porta do cinema para a porta do Monumental demora-se, em passo lento, não mais de três minutos. Depois de um filme de duas horas e meia, o que são três minutos?
Não entendo toda a discussão sobre a proibição do fumo nos espaços públicos fechados. Não acredito que os restaurantes, os bares, as discotecas e os centros comerciais percam clientela por causa disso. Aliás, confirmei isso mesmo na Argentina, onde a lei entrou em vigor dia 1 de Outubro. Vi o antes e o depois e a verdade é que as pessoas continuam a frequentar os mesmos lugares. No final, até os fumadores apreciam a medida porque assim fumam só o seu cigarro, não o dos outros.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Concursos

Estive a ler o anúncio (e os respectivos comentários) para um concurso promovido pela revista New York para uma vinheta, publicado no blog "Speak Up". É inevitável pensar que quem promove o concurso está a tentar encontrar uma série de alternativas baratas, promovendo a filosofia do tudo ou nada: quando se ganha, é-se publicado; quando se perde, as horas investidas no trabalho são deitadas à rua.
Infelizmente, neste momento esta tem sido uma modalidade de recrutamento de novos designers em franco crescimento. Quem procurou trabalho novo nos últimos tempos sabe disso.
No entanto, parece-me que este concurso surge como uma oportunidade para todos aqueles designers que não são conhecidos o suficiente para serem convidados pelos editores a desenhar uma bela vinheta para a sua rubrica. E, quem sabe, a figurar na lista de "designers a convidar no futuro". Talvez este facto o afaste da situação perversa do empregador que quer ver provas do trabalho do designer, desvalorizando-o, e o transforme numa verdadeira oportunidade para nós. Mas só talvez.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

A Carolina


A Carolina é a minha sobrinha. Nasceu há quase dois anos e é aquário, como eu.
Gosta de desenhar, de andar de triciclo e de ajudar o Avô António a regar as plantas e até já sabe como se faz para cheirar os manjericos.
Adora as palavras terminadas em "inho" ou "inha" e diz, como se fosse crescida, "leitinho", "meinha", "vizinha".
E aqui está ela, no seu triciclo e com a caixa da chucha na mão, fotografada pela tia Guida.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Patanisca

Fui pagar a renda da minha casa. Claro que isto não teria história nenhuma, não fosse o facto de o meu senhorio ter uma tasquita ao Cais do Sodré e ser precisamente aí que eu vou entregar o cheque todos os meses. Bem, nem mesmo assim seria digno de nota, não fosse o meu senhorio um senhor galego muito simpático que, na sua gentileza, faz questão de me servir um "pastelito" e um "suminho", não importa a hora a que eu lá vá (serve "suminho" às meninas, um copo de vinho ou de cerveja aos rapazes). É aí que está o busílis: esta manhã, o pequeno-almoço ainda acabado de chegar ao estômago, o meu senhorio serve-me um prato de calamares (fritos) e outro com pataniscas (fritas, evidentemente). Nunca sei muito bem o que fazer nesta situação, portanto tento o meio-termo e como qualquer coisita, para não fazer a desfeita. E assim, às 9h30 da manhã, estava eu a comer de faca e garfo uma bela patanisca de bacalhau. Justiça seja feita: era mesmo muito saborosa.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

De volta ao trabalho

Após uma abstinência de quase dois meses, mergulhei em meados de Outubro na tese de mestrado. Desde esse dia, já passou praticamente um mês e é com alegria que anuncio que me começo a entusiasmar seriamente pelo projecto. "Só agora?", podem perguntar. Pois é, só agora é que lhe começo a dar uma forma concreta e a vê-lo com outros olhos. Penso que o afastamento de dois meses acabou por ser positivo.
Já em Lisboa, voltei em força ao trabalho com os meus clientes, nomeadamente ao meu primeiro cliente internacional, que me encontrou graças ao meu site. Por esta não esperava, mas fico feliz que assim seja.

Chove

Desde que cheguei a Lisboa que tem chovido quase ininterruptamente, e todos sabemos que a chuva em Lisboa é um tema inesgotável de conversa. É curiosa, contudo, a variante subtil da temática que escutei hoje no autocarro: um par de amigos discute como de seca extrema passámos tão rapidamente ao cenário oposto. Esta variante é claramente uma melhoria em relação à clássica converseta do "vai sair?" e "ó chefe, abra a porta aqui atrás!".