sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Guida em Israel

A Guida foi a Israel ao casamento dos amigos Lior e Orit. Para eles, e para as respectivas famílias e amigos, parabéns do Extremo Ocidente da Europa.

Viagem e preconceito

A viagem de expresso para o Fundão correu bem e nem seria digna de nota não fosse um episódio curioso. Tudo se passou na minha cabeça, claro, com alguns pequenos estímulos externos. Pequenos, mas ruidosos.

A experiência das viagens semanais ao Porto trouxe-me o "saber-fazer” (para usar a expressão portuguesa) da leitura no autocarro sem enjoar. Não é um feito fácil para mim, mas já consigo. E assim vim embrenhada na leitura de A viagem de Morgan, que terminei.

A páginas tantas, bem ao longe, comecei a ouvir um barulho, que se repetia em intervalos cada vez mais curtos. Fui desligando a pouco e pouco da leitura e identifiquei o ruído. Alguém aspirava ruidosamente o monco preso algures entre a cavidade nasal e a faringe.

A avaliar pelo ruído, cada vez mais forte e mais frequente, imaginei que só se poderia tratar de um taberneiro de nariz vermelho e inchado, constipado ou pneumónico, cheio de gota e colesterol e tensão alta. Construí toda uma imagem da personagem que tanto fungava, e com tanto entusiasmo. Sim, claramente, homem peludo com um casaco de cabedal feio e preto, ou então na mão a toalhita mais cinzenta que branca para limpar o balcão.

Finalmente, olhei. A personagem fungante era uma rapariga muito bonita, bem vestida, com imitações de brilhantes nas armações dos óculos e com um telemóvel topo de gama.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Ha designers e designers, ha clientes e clientes

Não resisto a transcrever a resposta que uma cliente hoje me enviou, a propósito de um trabalho que eu havia orçamentado.

Em Dezembro de 2006 fui contactada por uma pessoa para "apresentar propostas" para três projectos que a sua empresa estava a desenvolver. Tivemos uma longa reunião em que, entre outras coisas, esclareci que não apresentava "propostas" sem adjudicação de orçamento (expliquei, evidentemente, as razões - ficam para outro dia). Gerou-se um momento de incredulidade com a já habitual "mas os outros designers que contactei concordaram em apresentar propostas!". (Onde diz "propostas" leia-se "ideias materializadas" ou "maquetes".)

Hoje escrevi-lhe um email para saber se já tinham chegado a uma decisão, sabendo, obviamente, que as minhas probabilidades de conseguir o trabalho eram bastante reduzidas (mas mais vale um bom cliente na mão do que dois maus a voar!).

Esta foi a sua resposta:

Relativamente à sua proposta já temos uma decisão: todos os outros designers contactados apresentaram a sua proposta e o seu croqui. Sem ele não poderemos considerar propostas pois não fazemos a mínima ideia do que pretendem desenvolver.

Dado que a Ana decidiu não apresentar qualquer croqui esperando que nós possamos confiar nas suas ideias - que é algo que nós evidentemente não podemos fazer - nós não iremos considerar a sua proposta na nossa decisão final.


Evidentemente.

P.S. Ganha quem conseguir enfiar mais vezes do que a ex-futura-cliente a palavra "proposta" na frase.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

O pior de Lisboa

Há tempos pensei nas coisas da Argentina de que não guardaria saudades; hoje penso no pior de Lisboa, das coisas de que não vou sentir falta absolutamente nenhuma quando estiver em Buenos Aires.

Estava muito indecisa entre duas das maiores pragas lisboetas: os carros e os pombos. E depois de muito pensar, acho que o pior ainda são os pombos. Bem, os cocós de cão nos passeios também são uma valente praga. Mas os pombos... ui, os pombos.

Na minha varanda tentei semear amores perfeitos. Resultado? Pombos. Também tentei semear umas flores variadas que me trouxeram do Jardim Botânico de Nova Iorque. Resultado? Pombos. Experimentei manjerico - só lograram ver a luz do dia aqueles que estavam no vaso inacessível, ou seja, dentro de casa. A única planta que tem sucesso na minha varanda é uma trepadeira que herdei da anterior inquilina (pela razão óbvia de estar agarrada ao gradeamento) que tem como companhia no vaso uma urtiga. Esta urtiga deve picar os pombos... e a trepadeira subsiste.

Em Buenos Aires, certo dia comprei manjericão, que lá é vendido no supermercado, no meio das verduras, com pé, raízes e terra. Lavei e congelei parte e a outra plantei-a. No dia seguinte, tinham um ar perfeitamente moribundo e desolado. Apesar do aspecto, perseverei e hoje - conta-me o Paulo - estão enormes! (Embora o Paulo lhes chame "albahacas"... acho que já se esqueceu do nome em português!)

Lá, o pombo está onde deve estar: a fazer cocó na cabeça dos heróis da independência, não nas varandas das pessoas! Além disso, há para aí um pombo por bairro, não os vinte e três mil que infestam a minha varanda a arrulhar todo o dia e a bater com o bico nas janelas.

Pombo é rato com asas, yuck!

domingo, 14 de janeiro de 2007

Ementa colorida

Na quinta-feira ao almoço o meu prato estava tão bonito que não dá para não comentar aqui.

Copiei e adaptei uma receita da Ana com beterraba ("colhida à meia-noite de uma noite de luar"), que molhei em natas ("numa delicada cama de crème batido"). Para acompanhar, fiz um arroz simples, com um pouco de queijo de cabra por cima ("arroz perfumado de jasmim com raspas de chèvre DOP português").

O resultado foi uma refeição bicolor sobre o prato azul translúcido. A cor da beterraba, diluída no molho de natas, resulta num cor de rosa tão vivo que até parece estar recheado de corantes artificiais (mas não!)... e o resultado, com umas ervinhas aromáticas por cima, foi divinal. Só foi pena não fotografar!...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Keynote alternativa

Esta é a versão alternativa feita pela Greenpeace da apresentação do iPhone na Macworld, ontem, feita pelo próprio Steve Jobs. Para quem viu a original - e babou com o iPhone, como eu - esta versão alternativa está também bem conseguida. Como, aliás, toda a campanha "Green my apple" da Greenpeace.

Escrevam ao Steve Jobs a pedir-lhe maçãs mais verdes aqui:

http://www.greenmyapple.org/

(ainda não sei pôr links a funcionar... desculpem lá e façam copy-paste)

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

A cegonha chegou!

Parabéns aos nossos amigos pela chegada do pequenito! O colectivo de "tias" está muito contente e não pode deixar de manifestar a sua imensa alegria.

Muitas felicidades para a nova família de três!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

O meu calendario diz-me que acabaram as festas

Antigamente, as festas acabavam com o dia de Reis, ou seja, a 6 de Janeiro. E os saldos começavam. Hoje, os saldos (promoções!) começam logo a seguir ao Natal e as festas prolongam-se até 7 de Janeiro, dia em que se celebra o Natal ortodoxo (não sei se é assim no Leste, mas pelo menos na Praça da Figueira foi ontem, Domingo). Foi montado um palco coberto e tivemos cânticos serão adentro.

A Praça da Figueira, um pouco como a Praça do Comércio, está em constante transfiguração conforme a época do ano. É um novo calendário adaptado aos urbanitas que somos, cheio daqueles sinais que os citadinos reconhecem, já que não sabem qual o "tempo" da castanha ou da fava como aqueles que cultivam os campos. A Natureza dá os seus sinais, só que na cidade são de natureza humana: em Outubro (ou antes) começam a instalação das luzes de Natal (que hoje, dia 8, começaram a retirar); montam-se palcos e tendas em poucos dias, para o festival da época; montam-se as barraquinhas das farturas chegando o mês de Junho... e assim por diante.

É assim que vamos reconhecendo a época do ano na cidade: pelo andaime da Praça do Comércio a que chamam "a maior árvore de Natal da Europa" (é? ah...), pela tenda com aquecimento da Praça da Figueira, pelas barraquinhas coloridas com manjericos ou pelo palco do arraial gay.

domingo, 7 de janeiro de 2007

"Lisboa e um T0"

Parece que sim, que Lisboa é um T0. Um T0 cheio de pombos, mas um T0.

Hoje ia a caminho da Gulbenkian e vi uma pessoa que, de costas, me parecia uma colega de Liceu, alguém que já não via há dez anos. No caminho de regresso a casa, à saída do supermercado, volto a encontrar alguém que me fazia lembrar a Inês... e desta vez era ela mesmo! Já é mamã e está de volta a Lisboa, após um período londrino.

Que bom encontrar-te, Inês! :)

sábado, 6 de janeiro de 2007

As maravilhas de Portugal

Quanto mais viajo, mais gosto de Portugal. E porque gosto de Portugal e também de partilhar o meu entusiasmo pelas coisas de que gosto, convido as para aí três pessoas que lerem este blogue (optimismo!) a visitar o site em que estão a ser escolhidas por meio de votação as sete maravilhas de Portugal. (Um parêntesis: como não sei fazer hiperligações aqui no corpo do texto, por favor cliquem lá em cima no título - deve funcionar!)

Eu já votei!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

E quem e que condena os media?

Esta notícia está no portal do sapo:

"Exibição "gratuita"

Governo português condena execução de Saddam Hussein

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, reiterou hoje a condenação de Portugal à execução do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e condenou a exibição "gratuita" daquele tipo de mensagens e de imagens.

"Portugal é um país contra a pena de morte, é gratuito aquele tipo de mensagens e de imagens, nós próprios tivemos a oportunidade de condenar a aplicação da pena de morte, naquele caso em concreto", declarou o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, à margem de um almoço do Seminário Diplomático sobre a presidência da União Europeia.

Apesar de ter sido uma decisão do Governo iraquiano, Luís Amado afirmou que Portugal "acompanhou a posição muito firme que a União Europeia assumiu sobre essa matéria". "

Mas a dúvida persiste: quem é que condena os media?

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Uma mensagem de paz no fim do ano

As imagens da execução de Saddam Hussein foram repetidas pelo menos três vezes (contei eu, depois cansei-me) durante o telejornal do canal 1 (não esquecer que é a televisão pública) na noite de dia 30 de Dezembro.

Quem achou que esta é uma mensagem de paz e de esperança para o novo ano levante o dedo.

Ninguém?

Pois, bem me parecia. Mas então por que será que insistiram tanto na repetição daqueles poucos minutos de levar o homem pelo braço, enfiar-lhe a corda ao pescoço e, qual cereja no cimo do bolo, a imagem exageradamente ampliada e ultra violenta de uma cara conhecida a espreitar por entre as dobras de um lençol? Acham mesmo que assim se faz justiça? Ou será que pensam que sobem os índices de audiência?

O homem foi um ditador, sem dúvida, mas o tratamento que lhe foi dedicado pelos meios de comunicação roçou o nojento. Haja paciência para aturar quem nos informa assim.

Bom ano!

Já estou saudosa das festas. O Natal foi bom, bom, bom e o ano de 2007 entrou na minha vida com a tranquilidade de quem nem se lembrou de pegar em passas e champagne e gritou a contagem decrescente com seis minutos de atraso em relação à hora legal.

O fogo de artifício do João explodiu em conformidade no terraço dele e abençoou-nos com uma chuva de material queimado que decerto marcará positivamente a sorte neste novo ano.

Obrigada aos nossos fantásticos anfitriões!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Luvaria Ulisses


A Luvaria Ulisses é um mundo à parte ali na Rua do Carmo. Entalada num vão de escada, esta luvaria é uma entidade anacrónica que vive e respira e aparentemente continua a resistir. As luvas deles são tão lindas, umas muito clássicas, outras bem modernas, tão bem feitas e - ainda por cima - tão bem vendidas que eu tinha uma imensa vontade de comprar lá um par.

Mas o Pai Natal, figura muito bem informada, antecipou-se e trouxe-me um par de luvas castanhas com costuras a laranja. Não dá para explicar a sensação de as usar (podem marcar-me o blog como tendo "conteúdo objectável"), mas é bom... é como comer ceviche, mas em luvas calçadas.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Os designers ja tem profissao!

É com muita alegria que aqui transcrevo o comunicado da Associação Portuguesa de Designers:

"Design e designers entram com pé direito em 2007
13 de Dezembro de 2006

A Associação Portuguesa de Designers comunica que, na sequência de um trabalho aturado que efectuou na Assembleia da República, junto dos Partidos com assento Parlamentar e das comissões da especialidade, conseguiu finalmente que fosse aditada a actividade «Designers», sob o código 1336 à tabela de actividades para os trabalhadores independentes, do artigo 151º do Código do IRS.

O referido aditamento teve lugar na sessão plenária da especialidade na Assembleia da República do dia 29 de Novembro do corrente ano, por consequência da aprovação por unanimidade do aditamento do Artigo 45º -A à Proposta de Lei nº 99/X, conforme publicado na página 80 do Diário da Assembleia da República de 30 de Novembro, 1ª série nº 23. Este artigo passou assim a integrar a referida proposta de lei que, sendo a proposta de Orçamento de Estado para 2007, foi aprovada na sessão plenária do Parlamento no dia seguinte.

A pretensão da obtenção de código próprio para os Designers foi também alvo de uma Petição, segundo os direitos consignados na Constituição Política Portuguesa e promovida pela APD, que pela forte adesão que registou, funcionou também como forma de pressão, motivando assim também esta tomada de decisão por parte do governo.

O devido reconhecimento da sua profissão é uma pretensão da grande maioria dos Designers em Portugal. A APD, consciente que este objectivo só será alcançado através de uma estratégia efectivamente integral, que englobe um conjunto de acções a todos os níveis, desde o institucional ao social, está também a colaborar com o Instituto Nacional de Estatística e o Instituto de Emprego e Formação Profissional nos trabalhos que envolvem as revisões actualmente em curso do Código de Actividade Económica e da Classificação Nacional das Profissões, onde passarão a constar, respectivamente, as “Actividades de Design” e a profissão “Designers”.

A Direcção da APD considera assim que o ano de 2007 é um marco para o Design e os designers portugueses. A todos e, sem distinção o nosso muito obrigado, pelo apoio dado a uma iniciativa que prestigia quem na realidade se interessa pelo presente e futuro do Design em Portugal.

A Direcção da Associação Portuguesa de Designers"

Bem hajas, APD!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Machu Picchu II


O segundo dia em Machu Picchu foi assim: soalheiro e repleto de mosquitos.

Como só está a cerca de 2000m sobre o nível do mar e tem muita vegetação, o ar é muito oxigenado e os efeitos da altura sentidos no Cusco desaparecem.

Não senti uma "confluência de energias cósmicas", mas a cidadela "me mató": empoleirada em cima de um monte rodeado por montanhas ainda maiores, a canalização da água é escavada na e da pedra, tal como os templos, as casas, os silos, os socalcos ou as estruturas de observação astronómica. Lá em baixo, muito em baixo, correm regatos, que na verdade são rios que alimentam a central hidroeléctrica. Os trilhos incas marcam a face da montanha até à Porta do Sol, a entrada possível para gente e a entrada única dos raios da manhã do solstício.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Machu Picchu


Assim foi o primeiro dia de Machu Picchu.

De um momento para o outro, não se via nada, nada, absolutamente nada. Ficávamos completamente dentro das nuvens, e tudo o que sobrasse para fora do poncho-maravilha ficava molhado. E sobretudo frio. Depois as nuvens acotovelavam-se e abriam uma pequena clareira e tinha-se toda a cidadela por entre a neblina. Muito fotogénico, muito húmido, bastante oxigenado, um alívio em relação ao "soroche" (mal de altura) do Cusco.

Como toda a gente tinha os mesmos ponchos comprados aos mesmos vendedores à saída da estação, dava para nos dividirmos em equipas. "Ponchos amarelos, sigam para a esquerda; ponchos vermelhos, ala prá direita; malta do poncho azul, aqui comigo!", isto dito em voz de comando por um dos guias.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Pileta

Esta é provavelmente a minha palavra preferida do idioma espanhol falado na Argentina.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Uma achega ao design

É só mesmo uma achega, porque sobre o design e a sua relação (ou não) com a arte está a internet cheia de artigos (como a discussão recorrente no Foroalfa, em www.foroalfa.com).
O que é um bom design é uma questão cuja resposta tem variado ao longo da história da disciplina. Esta resposta já foi "um objecto de produção industrial que parece manufacturado" ou "um objecto cuja forma respeita totalmente a sua função". Hoje em dia, estamos perante a mudança do paradigma de design e a resposta é um pouco mais elaborada: o bom design é aquele que tem em conta a relação eficiente entre os factores económico, social e ambiental.

Design para os designers?

"Design para os designers" é como a Associação Nacional de Designers encerra o texto em que fala dos seus objectivos e planos para o futuro. Entre "reconhecer o exclusivo para o exercício da profissão a licenciados e diplomados" e "regulamentar e consciencializar para a obrigatoriedade da observância de regras ético/deontológicas", parece-me que a AND se fechou completamente à volta do seu próprio umbigo e se esqueceu do fundamental no design.
O design é para todos, menos para o designer. Se fosse para o designer, então não seria designer, mas sim artista. O design é uma ferramenta de trabalho para resolver problemas das pessoas (sejam problemas de comunicação gráfica ou de usabilidade), e não um atributo externo dos objectos. Ao contrário da arte, o objecto de design nasce de uma motivação externa ao sujeito. Por outras palavras, o designer - como o engenheiro - resolve problemas.
Dizer "design para os designers" remete para uma concepção distorcida de design, aquela que perpassa para a opinião pública. Fala-se de "objectos com design" (abrindo bem o "e" de "désaine") quando se pensa em mobília minimalista ou as cadeiras assinadas pelos famosos. Mas o design é aquele que não se vê, está nas BICs e nos clips e nessas invenções todas que nos facilitam tremendamente a vida. Isso é que é design.