terça-feira, 22 de maio de 2007

Viva a constipacao!

Oh, que alegria a minha ao dizer que tenho uma constipação! Tenho uma constipação! Vivam estas pequenas maleitas que só nos dão sono, entopem o nariz e nos aborrecem com o malfadado pingo. Vivam! Desde que sejam passageiras e que se possa dormir a sesta, lógico...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Cursinho

Fui-me inscrever no curso de castelhano para estrangeiros leccionado na Faculdade de Letras da Universidade de Buenos Aires. Fica no Microcentro, num edifício lindo por fora e completamente escaqueirado por dentro. Se achava que a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa era decrépita, tive de rever o conceito após a visita a estas instalações.

Apesar da ruína física, as pessoas são muito simpáticas e até têm seguranças a mandar-nos avançar na fila para pagar as propinas. Poder-se-ia dizer que era na "Tesoraria", mas a Tesoraria não tem instalações próprias, apenas um guiché protegido com vidro duplo e grades com um aspecto bem ameaçador. E, à boa maneira latina, há imensas fases no processo da inscrição, passando por várias janelinhas e balcões, tudo com o já falado aspecto (pausa para pensar em novo qualificativo... sem sucesso!) ruinoso.

Começo as aulas na terça-feira que vem e já vi que tenho mais cinco colegas (até à hora da minha inscrição). Estou tão contente!

Olha quem chegou!

Olha quem chegou à blogosfera! É o dicforte! Depois d´O Pulo e o Laranjo, aqui está mais um blog familiar. Já só faltam dois...

Como não sei pôr hiperligações aqui (sou tão século passado...), estão ambas na coluninha ali à direita que diz "Amigos".

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Misteeeeeerio


Não se sabe por que caminhos da Latinamérica andou este postal. Foi expedido do Rio de Janeiro, tal como outros em direcção a Portugal, no início do mês de Maio. Aparentemente, o caminho marítimo para a Europa é mais curto que o terrestre "intra-continente" entre países vizinhos, de maneira que só hoje chegou cá o postal de Ouro Preto!

Reparem a quem é endereçado... tem algum jeito? :)

terça-feira, 15 de maio de 2007

Compartamos, compartamos

Ontem tocaram à campainha. Estranhei: não tinha pedido comida do restaurante da esquina, não tinha comprado mais nenhum livro da amazon, não estava à espera das compras do supermercado e, na verdade, não estava à espera mesmo de ninguém.

Vou antender, meio desconfiada. E ouço uma voz que me diz:

Hola, soy Pablo. Queiro compartir com vos un pensamiento bíblico.

Chiça, estão por todo o lado!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Cabeleireiro

Tal como andar de autocarro pela primeira vez, ir ao cabeleireiro é todo um ritual de passagem porteño. Ou talvez de todas as cidades.

Fui cortar o cabelo para celebrar a recuperação e erradicar as abundantes pontas espigadas e decidi, assim como se não houvesse amanhã, que era altura de mudança. Ainda hesitei um pouco e perguntei ao cabeleireiro o que ele achava. A resposta - não verbal - foi uma bela franja, cortada de imediato e antes de qulquer outra intervenção capilar.

Apesar da alegria que esta franja me tem dado nas últimas horas, não é dela que quero falar, mas sim do ritual que é a ida ao cabeleireiro. Nunca na vida me tinha um cabeleireiro feito tantas perguntas. Nem a menina que me lavou o cabelo, que conversou comigo todo o tempo, apesar de eu estar a fechar os olhos e a tentar relaxar enquanto me massajava a cabeça. Será que esperava uma resposta minha naquela posição?

Tudo começou com o já habitual "de acá no sos", o desbloqueador de conversa mais conhecido dos argentinos. E por aí fora. O rapaz que me cortou o cabelo ficou a saber o meu primeiro nome, o meu segundo nome; disse-me o seu primeiro nome, revelou-me o segundo. Perguntou-me o meu aniversário e disse logo que adorava aquarianas, por serem tão... (o barulho do secador de cabelo camuflou esta parte; vi pelo espelho que continuou a falar, mas eu nada ouvi, um pouco como num filme mudo. Tratei de esboçar um ligeiro sorriso e emiti, de tempos a tempos, um "hmm, hmm", para lhe dar segurança.).

E agora, superada a prova, começa o dilema: volto lá? Não volto? Se voltar lá, pode ser (vá, existe a possibilidade) que não queira repetir todas as perguntas e eu possa estar caladinha e tranquila, a franzir a minha miopia para ver no espelho o progresso do corte. Se for a outro diferente, será que tenho de passar pelo exame outra vez?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

terça-feira, 8 de maio de 2007

Filipas de parabens

Hoje a Filipa R., amanhã a Filipa S.!

Na verdade, com a diferença horária, a Filipa S. não faz anos "amanhã", mas sim daqui a uma hora... portanto podemos afirmar que as duas Filipas vão fazer anos ao mesmo tempo e que os dias 8 e 9 de Maio se vão sobrepor. Curioso...

(Acho que estou a sentir os efeitos secundários das anestesias gerais na minha capacidade de raciocínio...)

Pudim de espinafres

Pudim de espinafres: fácil e ultra-mnham
Na semana passada, o Paulo e eu fomos à estação de correios-alfândega buscar as três caixas que eu tinha enviado de Lisboa com roupas, sapatos e... um livro de receitas, oferecido pela minha tia Alcinda.

O livro está perto de ter caído do céu (a avaliar pelo estado da embalagem, caiu mesmo): tem várias dezenas de receitas com vegetais. Não são necessariamente vegetarianas, mas a base é um ou mais tipos de vegetais. Ideal para mim, certo?

Ontem, já me sentindo com mais forças, decidi presentear o Paulinho com a primeira refeição por mim confeccionada após o regresso a casa. Comecei com algo fácil, o pudim de espinafres. Como é costume, adaptei uma série de coisas da receita, substituí uns quantos ingredientes, usei o forno um pouco às apalpadelas (é a gás... como é que eu sei se está a 180ºC?)... mas o resultado compensou! O pudim é delicioso e o calorzinho do forno sabe mesmo bem agora que a temperatura lá fora começou a baixar. Mnham!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Limpezas de... Outono?

Estou a fazer a limpeza da minha biblioteca de fontes no computador. É uma tarefa chata, aborrecida, que consome muito tempo e pouco intelecto e que jamais é viável em épocas em que tenho muito trabalho.

Estou a ver ficheiro por ficheiro e a catalogá-las de acordo com algumas categorias que são padrão na tipografia (com e sem serifa, por exemplo) e por outras categorias que já vi que são necessárias no trabalho que desenvolvo ("infantis" ou com "aspecto digital"). E mando fora carradas de lixo, que digo "carradas", pazadas de lixo, que digo "pazadas", imenso lixo! Fontes com nomes diferentes e desenho muito semelhante, fontes que não têm todos os caracteres, algumas que são apenas feias e que não estão aqui a fazer nada.

E depois há as que têm nomes bizarros. Quando me deparei com uma chamada "AssCrack" nem pensei duas vezes. Lixo com ela. Não pode ser boa com esse nome.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Um vencedor

Sirop Folie, mnham mnham!

Ontem fomos jantar fora, para celebrar... ora, para celebrar qualquer coisa, que quando uma pessoa sai do hospital só tem vontade é de celebrar (mas devagarinho...).

Íamos experimentar um restaurante sobre o qual tinha lido uma boa crítica numa revista, um restaurante aqui pertinho de casa, para podermos ir a pé ao ritmo estonteante que eu consigo atingir. Quando lá chegámos, estava fechado para obras. Mas nesse mesmo becozito a oferta gastronómica não se esgotou numa porta fechada. E aí vimos o Sirop e, em frente, o irmão endiabrado Sirop Folie. Porque tinha um ar mais descontraído e uma iluminação mais clara, entrámos no Folie - e não nos arrependemos.

A decoração é simpática e o melhor de tudo é que tem sofás como cadeiras. Quem se senta do lado da parede, senta-se num sofá. Para mim, foi ouro sobre azul porque só desejava descansar as costas e encostá-las a algo confortável.

Passo a fase da ementa, que é resumida mas muito bonita, e passo directamente à comida. Vinho também não provei, portanto o ponto forte é mesmo, mesmo a comida.

Começámos com um "tapeo" em que o que os vencedores foram, claramente, as bolinhas de pão com gravlax (um salmão... curado, acho eu) e uns cogumelos dentro de uma massa frita muito delicada e saborosa. O resto era bom, sim, mas perto disto nem vale a pena referir. Mas o melhor estava para vir com o prato principal. Tanto eu como o Paulo escolhemos a corvina rubia a la plancha. E peixe, em Buenos Aires, é francamente um luxo. É tão raro haver peixe que até acho que eles não o cozinham bem, parece que o cozinham demasiado - pelo menos foi essa a sensação que tive no Chile, onde sim, há peixe, mas ultra-cozinhado. Mas o de ontem estava absolutamente de-li-ci-o-so. Dois lombinhos de corvina vinham acompanhados de uma salada de abacate e tomate e um arroz pilaf com uns toques de lima absolutamente divinais. Todos os sabores estavam equilibrados: os naturais dos alimentos com os complementares. Uma autêntica delícia.

A mim, soube-me pela vida, sobretudo depois de 15 dias a comer por via intra-venosa. Viva a comida verdadeira!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

A Greener Apple

Estou muito contente com esta carta publicada um destes dias pelo Steve Jobs da Apple (cliquem no título em cima, que ainda não sei pôr hiperligações no texto). Aos poucos, podemos começar a partilhar o entusiasmo da Carolina quando vê a maçã no meu computador e exclama, excitadíssima: "mnham, mnham!".

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Particularidades do castelhano argentino

Se há coisa de que gosto é das pequenas minudências linguísticas que se vão apreendendo ao longo de uma estadia num país. E, claro, na estadia hospitalar pude apanhar algumas delas, logicamente dentro de uma temática difícil de encontrar em qualquer outro sítio.

É engraçado como o espanhol argentino está mais perto do português de Portugal que o espanhol de Espanha. Por exemplo, diz-se "casamiento" cá, em vez da "boda" espanhola. Mas a grande curiosidade, para mim, é quando cá se usam expressões parecidas a algumas caídas em desuso em Portugal.

Um exemplo desses, ganho logo no primeiro dia de hospital, é a expressão ir de cuerpo. Perguntavam-me sobre ir de cuerpo e eu fazia um scan mental e nada. Até que me lembrei do meu Pai contar que a sua Mãe dizia dar de corpo quando se falava em "fazer cocó". Significa isto que na Argentina se usa uma expressão semelhante a uma utilizada pela minha Avó da Beira Baixa! É lindo!

Por que caminhos terá esta expressão - bem metafórica - migrado?

sexta-feira, 27 de abril de 2007

De volta

Chiiii... que maneira de começar a experiência porteña...

Estou de volta a casa após duas semanas de internamento no Hospital Alemán de Buenos Aires. Tinha que ser a minha tripa a pregar-nos uma partida!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Colectivo 93

Confesso que estava um pouco receosa relativamente à "experiência autocarro" em Buenos Aires. Têm um ar antigo, barulhento e, sobretudo, não há em lado algum a indicação do trajecto. São colectivos para iniciados.

Hoje foi o dia de passar esta prova e apanhei, conforme indicações de uma das companheiras de almoço, o 93, que vinha directo de Palermo para a Recoleta. Claro está que ninguém sabe (ninguém que nunca tenha andado!) onde é a paragem na Recoleta... mas cheguei! Saí numa paragem mais à frente, evidentemente falhei a mais próxima, mas cheguei.

E o melhor é que os autocarros cá têm pelo menos dois aspectos onde batem os da Carris aos pontos: são baratos (80 cêntimos de peso... qualquer coisa como 20 cêntimos de euro) e passam cada... sei lá, 30 segundos? É incrível! Enquanto me despedia das pessoas com quem almocei passaram dois (e não foi uma despedida à portuguesa em que ficamos mais meia-hora à conversa à porta); depois atravessei a estrada e preparava-me para uma espera valente quando apareceu novo autocarro. Já lá dentro, avançámos uns metros e fomos ultrapassados pelo seguinte.

Não há horários de autocarros. Para quê, se passam com tanta frequência?

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Irifune

Só para dizer que me reconciliei com o sushi, graças à perseverança do Paulinho e à mestria destes senhores:
Ah, como é difícil não fazer uma piadita parva com o nome do restaurante!

terça-feira, 10 de abril de 2007

Que dificil e pagar

Na Argentina, o mais difícil no processo da compra é o pagamento. E não é que as coisas sejam particularmente caras. É porque é mesmo difícil pagá-las.

Ontem vivi mais um episódio que fortalece esta minha teoria. Fui ao supermercado (a escolha da hora não ajudou, é certo) comprar "umas coisinhas" que me faltavam para o jantar. Em dez minutos tinha reunido o que me faltava. Começou o dilema: qual das caixas escolher? Não só porque cada caixa aparenta ter uma especificidade ("pagamento com cartão? hmmm... não"; "envíos a domicilio? hmmm, também não, levo eu", "embarazadas y discapacitados? pois, não estou nem sou, digo eu, mas ainda que estivesse ou fosse, seria para pagar com cartão ou dinheiro dava?", "caja rápida, menos de 10 unidades? rápida não parece ser, tem filas até à charcutaria... e eu tenho para aí 11 unidades, não dá") como também em nenhum lado há troco. É que não há troco de nada, não é propriamente de pagar uma despesa de 10 pesos com uma nota de 500 (nem sei se há nota com valor tão alto, mas vá).

Esperei, esperei... olhava para as pessoas e ninguém - repito, ninguém! - se enervava! Que mistério! Concluí portanto que quem vai ao supermercado em Buenos Aires à hora de ponta tem mais paciência do que quem aguenta o trânsito do IC19 ou da ponte diariamente. Aparentemente todos sabem o que vão encontrar pelo caminho (trânsito), mas a malta de cá é nitidamente mais tranquila.

Finalmente, após trinta ou quarenta minutos (!!!), chegou a minha vez. A minha despesa era de trinta e poucos pesos, dei uma nota de cinquenta. E aí compreendi a causa da demora:

"Algo más chico, tenés?"

Ora vamos lá ver, algo más chico do que uma nota de 50... então só se fosse 10. E 10 não dava para pagar a despesa de 30 e tal. E, bem, eu tinha dado uma nota de 50 porque - justamente - não tinha dinheiro trocado.

Chama supervisora, pede troco à supervisora. Esperamos supervisora, que é chamada por não sei quantos caixas ao mesmo tempo. Sim, porque há que relembrar que era hora de ponta. E à hora de ponta não havia troco nas caixas. Conclusão: quem trocou o dinheiro foi o cliente que estava atrás, que lá fez o jeitinho.

A coisa boa é que neste supermercado há queijo fumado. Só por isso, já vale a pena.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Divino Suspiro

Palavras para quê?

Buenos Aires

Depois de uma viagem (felizmente) sem história, cá estou no ameno Outono porteño. Tenho as janelas abertas, estou de T-shirt e não está frio. Que bem que sabe.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Devoradora de livros é também a Carolina, que hoje - juntamente com mais meninos que brincavam no Jardim da Estrela - ficou fascinada com a história de "O Urso Amarelo" (leia-se Ussinho Amalelo), escrita pelas "companheiras" de diversas "Uma Aventura" da minha juventude e ilustrada pela minha querida Danuta (com apelido difícil de soletrar, mas aqui vai) Wojciechowska. Se a Carolina aqui estivesse, diria Oigada!; como não está, obrigada, Danuta!