terça-feira, 22 de maio de 2007

Pao de especie

A célebre receita de pão de espécie que me foi dada pela Filipa tem feito tremendo furor em Buenos Aires. O Paulo aprendeu-a e todos os Domingos me faz um, que me fica para os lanchinhos de quase toda a semana (e sempre que tenha fome e vontade de comer algo docinho). Diria que faz parte do plano de engorda esboçado por certa pessoa que quer que eu recupere rapidamente o pneuzito; ou a poignet d´amour (literalmente, maçaneta do amor), como dizem os franceses. Com a interdição chocolateira na minha dieta, o pão de espécie fez-me companhia durante estes dias de travessia do deserto. E agora já posso voltar ao chocolate. Estreei-me na sexta-feira com um "100% Xocolat". Sim, sim, um "peti catu" ou "petit gâteau" ou "fondant" ou como lhe queiram chamar. E caiu-me muito bem!

Cursinho II

Hoje comecei com as aulas de castelhano. Estou tão contente! Senti-me tão feliz ao voltar às aulas!

E mais um comentário: apesar das instalações da Universidade de Buenos Aires serem absolutamente decadentes, têm aquecimento! Têm aquecimento! Não tive frio na aula, pelo contrário: até tive algum calor e tirei o casaco, vejam a loucura... Quando me lembro que quando ia para as aulas no Convento de São Francisco às vezes tinha de levar uma mantinha na mochila para tapar as pernas...

Viva a constipacao!

Oh, que alegria a minha ao dizer que tenho uma constipação! Tenho uma constipação! Vivam estas pequenas maleitas que só nos dão sono, entopem o nariz e nos aborrecem com o malfadado pingo. Vivam! Desde que sejam passageiras e que se possa dormir a sesta, lógico...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Cursinho

Fui-me inscrever no curso de castelhano para estrangeiros leccionado na Faculdade de Letras da Universidade de Buenos Aires. Fica no Microcentro, num edifício lindo por fora e completamente escaqueirado por dentro. Se achava que a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa era decrépita, tive de rever o conceito após a visita a estas instalações.

Apesar da ruína física, as pessoas são muito simpáticas e até têm seguranças a mandar-nos avançar na fila para pagar as propinas. Poder-se-ia dizer que era na "Tesoraria", mas a Tesoraria não tem instalações próprias, apenas um guiché protegido com vidro duplo e grades com um aspecto bem ameaçador. E, à boa maneira latina, há imensas fases no processo da inscrição, passando por várias janelinhas e balcões, tudo com o já falado aspecto (pausa para pensar em novo qualificativo... sem sucesso!) ruinoso.

Começo as aulas na terça-feira que vem e já vi que tenho mais cinco colegas (até à hora da minha inscrição). Estou tão contente!

Olha quem chegou!

Olha quem chegou à blogosfera! É o dicforte! Depois d´O Pulo e o Laranjo, aqui está mais um blog familiar. Já só faltam dois...

Como não sei pôr hiperligações aqui (sou tão século passado...), estão ambas na coluninha ali à direita que diz "Amigos".

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Misteeeeeerio


Não se sabe por que caminhos da Latinamérica andou este postal. Foi expedido do Rio de Janeiro, tal como outros em direcção a Portugal, no início do mês de Maio. Aparentemente, o caminho marítimo para a Europa é mais curto que o terrestre "intra-continente" entre países vizinhos, de maneira que só hoje chegou cá o postal de Ouro Preto!

Reparem a quem é endereçado... tem algum jeito? :)

terça-feira, 15 de maio de 2007

Compartamos, compartamos

Ontem tocaram à campainha. Estranhei: não tinha pedido comida do restaurante da esquina, não tinha comprado mais nenhum livro da amazon, não estava à espera das compras do supermercado e, na verdade, não estava à espera mesmo de ninguém.

Vou antender, meio desconfiada. E ouço uma voz que me diz:

Hola, soy Pablo. Queiro compartir com vos un pensamiento bíblico.

Chiça, estão por todo o lado!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Cabeleireiro

Tal como andar de autocarro pela primeira vez, ir ao cabeleireiro é todo um ritual de passagem porteño. Ou talvez de todas as cidades.

Fui cortar o cabelo para celebrar a recuperação e erradicar as abundantes pontas espigadas e decidi, assim como se não houvesse amanhã, que era altura de mudança. Ainda hesitei um pouco e perguntei ao cabeleireiro o que ele achava. A resposta - não verbal - foi uma bela franja, cortada de imediato e antes de qulquer outra intervenção capilar.

Apesar da alegria que esta franja me tem dado nas últimas horas, não é dela que quero falar, mas sim do ritual que é a ida ao cabeleireiro. Nunca na vida me tinha um cabeleireiro feito tantas perguntas. Nem a menina que me lavou o cabelo, que conversou comigo todo o tempo, apesar de eu estar a fechar os olhos e a tentar relaxar enquanto me massajava a cabeça. Será que esperava uma resposta minha naquela posição?

Tudo começou com o já habitual "de acá no sos", o desbloqueador de conversa mais conhecido dos argentinos. E por aí fora. O rapaz que me cortou o cabelo ficou a saber o meu primeiro nome, o meu segundo nome; disse-me o seu primeiro nome, revelou-me o segundo. Perguntou-me o meu aniversário e disse logo que adorava aquarianas, por serem tão... (o barulho do secador de cabelo camuflou esta parte; vi pelo espelho que continuou a falar, mas eu nada ouvi, um pouco como num filme mudo. Tratei de esboçar um ligeiro sorriso e emiti, de tempos a tempos, um "hmm, hmm", para lhe dar segurança.).

E agora, superada a prova, começa o dilema: volto lá? Não volto? Se voltar lá, pode ser (vá, existe a possibilidade) que não queira repetir todas as perguntas e eu possa estar caladinha e tranquila, a franzir a minha miopia para ver no espelho o progresso do corte. Se for a outro diferente, será que tenho de passar pelo exame outra vez?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

terça-feira, 8 de maio de 2007

Filipas de parabens

Hoje a Filipa R., amanhã a Filipa S.!

Na verdade, com a diferença horária, a Filipa S. não faz anos "amanhã", mas sim daqui a uma hora... portanto podemos afirmar que as duas Filipas vão fazer anos ao mesmo tempo e que os dias 8 e 9 de Maio se vão sobrepor. Curioso...

(Acho que estou a sentir os efeitos secundários das anestesias gerais na minha capacidade de raciocínio...)

Pudim de espinafres

Pudim de espinafres: fácil e ultra-mnham
Na semana passada, o Paulo e eu fomos à estação de correios-alfândega buscar as três caixas que eu tinha enviado de Lisboa com roupas, sapatos e... um livro de receitas, oferecido pela minha tia Alcinda.

O livro está perto de ter caído do céu (a avaliar pelo estado da embalagem, caiu mesmo): tem várias dezenas de receitas com vegetais. Não são necessariamente vegetarianas, mas a base é um ou mais tipos de vegetais. Ideal para mim, certo?

Ontem, já me sentindo com mais forças, decidi presentear o Paulinho com a primeira refeição por mim confeccionada após o regresso a casa. Comecei com algo fácil, o pudim de espinafres. Como é costume, adaptei uma série de coisas da receita, substituí uns quantos ingredientes, usei o forno um pouco às apalpadelas (é a gás... como é que eu sei se está a 180ºC?)... mas o resultado compensou! O pudim é delicioso e o calorzinho do forno sabe mesmo bem agora que a temperatura lá fora começou a baixar. Mnham!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Limpezas de... Outono?

Estou a fazer a limpeza da minha biblioteca de fontes no computador. É uma tarefa chata, aborrecida, que consome muito tempo e pouco intelecto e que jamais é viável em épocas em que tenho muito trabalho.

Estou a ver ficheiro por ficheiro e a catalogá-las de acordo com algumas categorias que são padrão na tipografia (com e sem serifa, por exemplo) e por outras categorias que já vi que são necessárias no trabalho que desenvolvo ("infantis" ou com "aspecto digital"). E mando fora carradas de lixo, que digo "carradas", pazadas de lixo, que digo "pazadas", imenso lixo! Fontes com nomes diferentes e desenho muito semelhante, fontes que não têm todos os caracteres, algumas que são apenas feias e que não estão aqui a fazer nada.

E depois há as que têm nomes bizarros. Quando me deparei com uma chamada "AssCrack" nem pensei duas vezes. Lixo com ela. Não pode ser boa com esse nome.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Um vencedor

Sirop Folie, mnham mnham!

Ontem fomos jantar fora, para celebrar... ora, para celebrar qualquer coisa, que quando uma pessoa sai do hospital só tem vontade é de celebrar (mas devagarinho...).

Íamos experimentar um restaurante sobre o qual tinha lido uma boa crítica numa revista, um restaurante aqui pertinho de casa, para podermos ir a pé ao ritmo estonteante que eu consigo atingir. Quando lá chegámos, estava fechado para obras. Mas nesse mesmo becozito a oferta gastronómica não se esgotou numa porta fechada. E aí vimos o Sirop e, em frente, o irmão endiabrado Sirop Folie. Porque tinha um ar mais descontraído e uma iluminação mais clara, entrámos no Folie - e não nos arrependemos.

A decoração é simpática e o melhor de tudo é que tem sofás como cadeiras. Quem se senta do lado da parede, senta-se num sofá. Para mim, foi ouro sobre azul porque só desejava descansar as costas e encostá-las a algo confortável.

Passo a fase da ementa, que é resumida mas muito bonita, e passo directamente à comida. Vinho também não provei, portanto o ponto forte é mesmo, mesmo a comida.

Começámos com um "tapeo" em que o que os vencedores foram, claramente, as bolinhas de pão com gravlax (um salmão... curado, acho eu) e uns cogumelos dentro de uma massa frita muito delicada e saborosa. O resto era bom, sim, mas perto disto nem vale a pena referir. Mas o melhor estava para vir com o prato principal. Tanto eu como o Paulo escolhemos a corvina rubia a la plancha. E peixe, em Buenos Aires, é francamente um luxo. É tão raro haver peixe que até acho que eles não o cozinham bem, parece que o cozinham demasiado - pelo menos foi essa a sensação que tive no Chile, onde sim, há peixe, mas ultra-cozinhado. Mas o de ontem estava absolutamente de-li-ci-o-so. Dois lombinhos de corvina vinham acompanhados de uma salada de abacate e tomate e um arroz pilaf com uns toques de lima absolutamente divinais. Todos os sabores estavam equilibrados: os naturais dos alimentos com os complementares. Uma autêntica delícia.

A mim, soube-me pela vida, sobretudo depois de 15 dias a comer por via intra-venosa. Viva a comida verdadeira!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

A Greener Apple

Estou muito contente com esta carta publicada um destes dias pelo Steve Jobs da Apple (cliquem no título em cima, que ainda não sei pôr hiperligações no texto). Aos poucos, podemos começar a partilhar o entusiasmo da Carolina quando vê a maçã no meu computador e exclama, excitadíssima: "mnham, mnham!".

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Particularidades do castelhano argentino

Se há coisa de que gosto é das pequenas minudências linguísticas que se vão apreendendo ao longo de uma estadia num país. E, claro, na estadia hospitalar pude apanhar algumas delas, logicamente dentro de uma temática difícil de encontrar em qualquer outro sítio.

É engraçado como o espanhol argentino está mais perto do português de Portugal que o espanhol de Espanha. Por exemplo, diz-se "casamiento" cá, em vez da "boda" espanhola. Mas a grande curiosidade, para mim, é quando cá se usam expressões parecidas a algumas caídas em desuso em Portugal.

Um exemplo desses, ganho logo no primeiro dia de hospital, é a expressão ir de cuerpo. Perguntavam-me sobre ir de cuerpo e eu fazia um scan mental e nada. Até que me lembrei do meu Pai contar que a sua Mãe dizia dar de corpo quando se falava em "fazer cocó". Significa isto que na Argentina se usa uma expressão semelhante a uma utilizada pela minha Avó da Beira Baixa! É lindo!

Por que caminhos terá esta expressão - bem metafórica - migrado?

sexta-feira, 27 de abril de 2007

De volta

Chiiii... que maneira de começar a experiência porteña...

Estou de volta a casa após duas semanas de internamento no Hospital Alemán de Buenos Aires. Tinha que ser a minha tripa a pregar-nos uma partida!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Colectivo 93

Confesso que estava um pouco receosa relativamente à "experiência autocarro" em Buenos Aires. Têm um ar antigo, barulhento e, sobretudo, não há em lado algum a indicação do trajecto. São colectivos para iniciados.

Hoje foi o dia de passar esta prova e apanhei, conforme indicações de uma das companheiras de almoço, o 93, que vinha directo de Palermo para a Recoleta. Claro está que ninguém sabe (ninguém que nunca tenha andado!) onde é a paragem na Recoleta... mas cheguei! Saí numa paragem mais à frente, evidentemente falhei a mais próxima, mas cheguei.

E o melhor é que os autocarros cá têm pelo menos dois aspectos onde batem os da Carris aos pontos: são baratos (80 cêntimos de peso... qualquer coisa como 20 cêntimos de euro) e passam cada... sei lá, 30 segundos? É incrível! Enquanto me despedia das pessoas com quem almocei passaram dois (e não foi uma despedida à portuguesa em que ficamos mais meia-hora à conversa à porta); depois atravessei a estrada e preparava-me para uma espera valente quando apareceu novo autocarro. Já lá dentro, avançámos uns metros e fomos ultrapassados pelo seguinte.

Não há horários de autocarros. Para quê, se passam com tanta frequência?

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Irifune

Só para dizer que me reconciliei com o sushi, graças à perseverança do Paulinho e à mestria destes senhores:
Ah, como é difícil não fazer uma piadita parva com o nome do restaurante!

terça-feira, 10 de abril de 2007

Que dificil e pagar

Na Argentina, o mais difícil no processo da compra é o pagamento. E não é que as coisas sejam particularmente caras. É porque é mesmo difícil pagá-las.

Ontem vivi mais um episódio que fortalece esta minha teoria. Fui ao supermercado (a escolha da hora não ajudou, é certo) comprar "umas coisinhas" que me faltavam para o jantar. Em dez minutos tinha reunido o que me faltava. Começou o dilema: qual das caixas escolher? Não só porque cada caixa aparenta ter uma especificidade ("pagamento com cartão? hmmm... não"; "envíos a domicilio? hmmm, também não, levo eu", "embarazadas y discapacitados? pois, não estou nem sou, digo eu, mas ainda que estivesse ou fosse, seria para pagar com cartão ou dinheiro dava?", "caja rápida, menos de 10 unidades? rápida não parece ser, tem filas até à charcutaria... e eu tenho para aí 11 unidades, não dá") como também em nenhum lado há troco. É que não há troco de nada, não é propriamente de pagar uma despesa de 10 pesos com uma nota de 500 (nem sei se há nota com valor tão alto, mas vá).

Esperei, esperei... olhava para as pessoas e ninguém - repito, ninguém! - se enervava! Que mistério! Concluí portanto que quem vai ao supermercado em Buenos Aires à hora de ponta tem mais paciência do que quem aguenta o trânsito do IC19 ou da ponte diariamente. Aparentemente todos sabem o que vão encontrar pelo caminho (trânsito), mas a malta de cá é nitidamente mais tranquila.

Finalmente, após trinta ou quarenta minutos (!!!), chegou a minha vez. A minha despesa era de trinta e poucos pesos, dei uma nota de cinquenta. E aí compreendi a causa da demora:

"Algo más chico, tenés?"

Ora vamos lá ver, algo más chico do que uma nota de 50... então só se fosse 10. E 10 não dava para pagar a despesa de 30 e tal. E, bem, eu tinha dado uma nota de 50 porque - justamente - não tinha dinheiro trocado.

Chama supervisora, pede troco à supervisora. Esperamos supervisora, que é chamada por não sei quantos caixas ao mesmo tempo. Sim, porque há que relembrar que era hora de ponta. E à hora de ponta não havia troco nas caixas. Conclusão: quem trocou o dinheiro foi o cliente que estava atrás, que lá fez o jeitinho.

A coisa boa é que neste supermercado há queijo fumado. Só por isso, já vale a pena.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Divino Suspiro

Palavras para quê?

Buenos Aires

Depois de uma viagem (felizmente) sem história, cá estou no ameno Outono porteño. Tenho as janelas abertas, estou de T-shirt e não está frio. Que bem que sabe.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Devoradora de livros é também a Carolina, que hoje - juntamente com mais meninos que brincavam no Jardim da Estrela - ficou fascinada com a história de "O Urso Amarelo" (leia-se Ussinho Amalelo), escrita pelas "companheiras" de diversas "Uma Aventura" da minha juventude e ilustrada pela minha querida Danuta (com apelido difícil de soletrar, mas aqui vai) Wojciechowska. Se a Carolina aqui estivesse, diria Oigada!; como não está, obrigada, Danuta!
Estou órfã de livro.

Acabei de ler as "Travessuras da Menina Má" do Mario Vargas Llosa e agora estou perdida, triste, só e abandonada. (Verdadeiramente gelada - o vento não ajuda nessa matéria.)

Gostei tanto do livro que o li naquela urgência ambivalente de saber como continua a história mas de não querer chegar ao fim, para não ficar sozinha. Soube-me tão bem devorar um livro e encaixá-lo em cada pequeno hiato de actividade arrumatória!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Modo: mudanças

Estou em "modo: mudanças" há para cima de um tempão. Já estou cansada - para não dizer farta! - e quase se pode dizer que ainda a procissão vai no adro. Certo que já mudei a caixotada toda para a arrecadação dos meus pais; mas agora falta arrumar a própria arrecadação.

No processo, juntei tanta roupa para dar e deitei tanta coisa fora que quase me parece inacreditável que tivesse acumulado tudo aquilo lá em casa. Hoje, por exemplo, descobri trabalhos da escola secundária que até agora tinham sido fielmente preservados. Graças ao balanço da triagem dos dias anteriores, encontrei em mim a indiferença suficiente em relação àquelas recordações para enfiar tudo no ecoponto, sem passar pela casa da partida nem receber dois contos, que é como quem diz: sem o mínimo remorso. Vi os desenhos, lembrei-me das circunstâncias em que os fiz e acho que assim cumpriram a sua última função de lembranças. Que descansem agora em paz e contribuam para muito, bom e inspirado papel reciclado.

Amanhã há mais (triagem, ecoponto, lixo).

quarta-feira, 21 de março de 2007

Primavera é quando uma mulher quiser...

Hoje dei-me conta de que vou ter três equinócios da Primavera sucessivos. Não é fenómeno do Entroncamento, é mesmo um ritmo errático de viagem entre hemisférios: em Setembro comecei a Primavera em Buenos Aires, em Março em Lisboa e no próximo mês de Setembro, outra vez em Buenos Aires. No meio disto tudo, falhei o Verão austral e agora perco o setentrional.

Para que me serve tanta Primavera se nunca chega o Verão?

Caixotes, caixotes

Os armários esvaziam-se e o chão enche-se de caixotes. Gastam-se jornais como jamais se haviam gastado nesta casa e crescem os sacos de lixo e de recicláveis. É a chamada limpeza da Primavera, mas levada um bocadinho ao extremo.

Coragem, já não falta tudo!

segunda-feira, 19 de março de 2007

Vento amigo

O tempo que se pôs hoje, onde é que já se viu?

A vantagem das rajadas de vento cortante é ter menos pena de abandonar a Primavera em direcção ao Outono. Há que ver os aspectos positivos das coisas!

Jantar marroquino

Não dá. Não há post que faça verdadeira justiça ao magnífico jantar que a Ana preparou para a minha despedida, na sexta-feira passada. Não há como explicar a sucessão de sabores maravilhosos e exóticos sobre a mesa. O prato era pequeno para tanta coisa tão boa!

Começámos com os aperitivos.

Não, mentira, começámos com a sangria. Muito pouco marroquina, mas muito, muito boa. De marroquina tinha talvez as especiarias!

E depois, sim, os aperitivos, enquanto esperávamos a chegada de todos os convivas. E que aperitivos! Duas pastas para barrar no pão, em aspecto vagamente parecidas com o já velhinho Tulicreme, em sabor diametralmente opostas. Uma, vermelho bem vivo, com um aroma a cominhos de comer e chorar por mais; a outra, com uma percentagem significativa de sementes de sésamo na sua composição, tinha a capacidade de aderência (ao dente e ao palato) dos vendedores nocturnos de rosas. Apesar da semelhança, e contrariamente a estes, presumo, sabia bem.

Mas não se pense que tudo se esgota nos aperitivos, porque não! Finalmente desfez-se o suspense da semana quando a Ana nos chamou à sala para nos irmos servir. E o que estava em cima da mesa... ui! Para mim, o melhor foi o peixe. Aquele peixe... só não me fui servir de mais porque infelizmente já não dava! O couscous, as kefta (almôndegas de carne de vaca), a salada de iogurte e a outra, de aipo e maçã, a "pastilha", massa folhada polvilhada com açúcar e canela e recheada de carne... que coisa absolutamente de sonho. Fiquei com pena de não ter levado recipiente para os restos.

Salvé, Ana, salvé a tua iniciativa, o teu gosto pela cozinha e o teu espírito exploratório e inventivo na criação de ementas para jantares! Alimenta as tuas cobaias, sim!

Ai... só suspiro... felizmente está para breve a tua visita a Buenos Aires!

A bela "pastilha" com açúcar e canela

Peixe espada com coentros e outras coisas boas que não identifiquei

A mesa, o prato e a minha barriga: todos pequenos para tanta coisa boa

quarta-feira, 14 de março de 2007

Estrangeiro em toda a parte

Ontem foi apresentado na Cinemateca um documentário realizado por Luís Campos Brás. Não sabia nada sobre o realizador pouco sobre o filme: um documentário filmado em Macau, por um rapaz que esteve lá uma temporada, com uma série de pessoas minhas conhecidas, com o título Voltar a A-má-gao: ponte entre uma fuga e um regresso. Admito que as expectativas eram poucas... e talvez por isso me tenha surpreendido agradavelmente. Gostei, gostei, só não sei se fui uma observadora isenta por conhecer espaços, pessoas e as sensações descritas...

...mas adiante.

O documentário mostra uma série de portugueses, na casa dos 20, 30 anos, que foi em miúdo para Macau a acompanhar os pais (tal como eu), veio para Portugal fazer o curso superior (alguns na minha faculdade!) e depois voltaram para lá. Cada qual tem suas razões, todas mais ou menos familiares.

O que mais me fez pensar, ainda assim, foi a parte em que reflectiram um pouco sobre o ser-se estrangeiro nos sítios. Ora... dava matéria para três ou quatro dissertações, é evidente, portanto vou tentar manter a reflexão sucinta. Diziam que se sentiam muito bem sendo estrangeiros em Portugal e que, quando se começavam a habituar a viver cá e a sentir-se "portugueses", que havia chegado a hora de partir outra vez. Residentes em Macau há já uma boa meia dúzia de anos, sentiam-se eternos estrangeiros.

E aqui está onde quero chegar. Agora que vou a caminho da Argentina, confesso que me sinto algo ambivalente em relação ao ser estrangeira. É uma posição muito cómoda, muito confortável, pois posso gozar as coisas boas que o país me oferece e simultaneamente distanciar-me dos aspectos negativos do sítio. Diziam lá no documentário que esta postura, para além de ser muito cómoda, era "oportunista e, paradoxalmente, de grande responsabilidade". Confesso que não alcancei a parte da responsabilidade; para mim parece-me precisamente o contrário, a sacudidela da água do capote. Parece-me que se aproveita o bom e se olha com alguma sobranceria (eventualmente "europocêntrica") para o mau.

Preocupa-me, é só isso.

terça-feira, 13 de março de 2007

Obrigado!

Não ligo muito a televisão cá em casa, por isso foi com surpresa que vi, noutro dia, um anúncio que não parecia bem um anúncio mas que também não parecia ser um programa da grelha normal daquele canal. Ia um homem pela rua e as pessoas agradeciam-lhe e acenavam-lhe e ele ia sorrindo, entre o curioso e o espantado com a vida. A primeira coisa que pensei foi que ele seria bombeiro - mas estava a achar muito estranho que estivessem a fazer assim uma publicidade institucional à classe (não que não merecessem... mas não me parecia plausível.).

Finalmente...

(um parêntesis: quem lê esta descrição poderá pensar que se trata de uma longa-metragem, mas não, é curtinho. Eu é que estou a descrever em câmara lenta, que é como a minha cabeça tem andado a processar os estímulos externos. Fecha parêntesis.)

...finalmente dá-se o desenlace da narrativa com a mensagem de "peça sempre a sua factura, sem facturação o país não avança".

Pois bem, concordo, está na altura de sensibilizar as pessoas para esta mensagem tão simples e acabar de vez (ou tentar!) com aquela pergunta idiota do "quer factura?". Claro que quero factura!

Só me lembro de, no Chile, ser absolutamente obrigatório passar um "boleto" a todo e qualquer cliente, mesmo que a quantia em questão se resuma a meia dúzia de pesos. Têm uns livrinhos de recibos muito práticos, com uns picotados que dividem cada folha em três ou quatro recibos. As pessoas preenchem cada fracção à mão, destacam e entregam ao cliente, mesmo que só tenham comprado um pacotito de pastilhas elásticas. E se, dados os meus maus hábitos portugueses, me esquecia de trazer o dito papel e saía porta fora, vinham atrás de mim a gritar: "su boleto, su boleto!". Quem pensava que a América Latina era só confusão...

quinta-feira, 8 de março de 2007

terça-feira, 6 de março de 2007

O poder da imagem

Da próxima vez que tiver uma insónia, juro que me ponho a fazer uma bela pesquisa de fotografia em bancos de imagem. Não há nada no meu trabalho com maior poder soporífero.

Pesquisar letras anda lá perto. Mas, apesar de tudo, como volta e meia há algumas que não estão boas e outras que podem ser classificadas noutras categorias, sempre há um ligeiro sobressalto de adrenalina quando tropeçamos numa delas.

Agora a pesquisa de imagem é que me baixa mesmo as ondas cerebrais a níveis jamais observados, nem mesmo se me fizessem uma TAC a ver televisão ao Domingo à tarde.

domingo, 4 de março de 2007

Fim de uma era

Ontem e hoje enfiei o atelier todo dentro de caixotes. Destino: arrecadação da casa dos pais. Acho que deve ser isto o que acontece aos pacotes de todos os emigrantes da minha geração.

Hoje estive também a ver onde vou colocar - dentro da algo ocupada arrecadação - os móveis, electrodomésticos, pratos, copos talheres, roupa de cama... enfim, as "coisas" daqui de casa. Parece-me característica do nosso mundo conseguirmos acumular uma impressionante quantidade de coisas absolutamente dispensáveis das quais não nos queremos desfazer.

Acho que a parte mais difícil de decidir que destino vai ter é todo aquele conjunto de fotografias, postais, recortes de revistas, bilhetes, cartões antigos e demais objectos caricatos que pregamos no painel de corticite na parede. Parece tão pouco para ir para um álbum mas tão valioso para ir para o lixo.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Felicidade II

Só de pensar na lula frita que vou comer hoje à noite no chinês da Baixa... hmmm... só por isso já se devia pintar Portugal de vermelho bem carregado no mapa da felicidade.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Felicidade


Em Portugal somos medianamente felizes, na Argentina um pouco mais... Esta diferença deve ter alguma coisa que ver com o gelado de banana do Freddo!

Meninos, comportem-se!

Alberto João demitiu-se, forçando assim a convocação de novas eleições na Madeira. No continente, fala-se da manobra política desnecessária e desestabilizadora (travessura?); os populares entrevistados pela Sic Notícias dizem que não, que o seu eterno líder tem toda a razão, que isto de se lhe cortar a mesada é que não pode ser.

A Madeira é mesmo um Jardim.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Almoço no jardim


Abençoado seja o nosso clima lisboeta, que nos proporcionou uma hora de almoço repleta de sol no jardim do atelier!

Veio a chuva, agora o sol

Porque hoje é o meu aniversário (e eu adoro fazer anos!), fiquei na sorna até mais tarde, gozando o concerto da chuva a cair na caixa do estore. Antes incomodava-me; agora, que quase já conto os dias até mudar de casa, embala-me. E dormi mais uma hora e meia depois do toque do despertador.

Com a travessa de crumble de courgettes numa mão, a mala noutra, o telemóvel sempre a tocar entalado entre o ombro e a orelha, as chaves em equilíbrio e o guarda-chuva pendurado no braço lá cheguei ao atelier. E agora, para minha satisfação, o sol começou a espreitar e a alegrar o dia.

Diriam as pessoas do ramo materno da minha família: "ó filha, tu queres o sol na eira e a chuva no nabal!". Pois quero! Quero a chuva para acompanhar a preguiça e o sol quando tenho de sair à rua. Parece-me bem.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

A vantagem da gripe...

...é a quantidade de horas de sono. Em 24 horas de um dia, 20 foram a dormir.

Mas isto tem uma clara desvantagem: quando se chega ao atelier, os fogos por apagar também são à proporção de 20 para 24.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Esta discussao toda...

Na revista Sábado desta semana (a que tem o Ricardo Araújo Pereira na capa, iupiii!) está um artigo, assinado por Jaime Martins Alberto, que compila alguns dos argumentos a favor e contra da despenalização do aborto. Divide-os em argumentos políticos, médicos e éticos e parece-me que o seu trabalho se limita a isso: a uma compilação dos argumentos, sem triagem quanto à sua pertinência.

Há argumentos de ambos os lados que são perfeitamente coerentes e nos colocam perante um dilema de consciência. Há outros que roçam o idiota, como é o caso deste a favor do "não":

"Se o aborto for legalizado, aumentará o número de casos de IVG. O que significa um aumento indeterminável de custos financeiros para o Estado."

Quem é que explica às pessoas que dizem isto que um bebé em Portugal tem mais de 70 anos de esperança média de vida
à nascença e que, durante as primeiras décadas, o Estado lhe assegura acesso à educação pública, universal e gratuita e que, durante toda a vida, tem acesso livre a cuidados de saúde? O que será mais caro? A intervenção que provoca a interrupção da gravidez ou o acompanhamento do indivíduo durante toda a sua vida?

Neste momento, o que está vigente é aquilo que as pessoas que apoiam o "não" pretendem. E sabemos que o problema de saúde pública do aborto clandestino se mantém e se tem mantido, mesmo após o debate gerado pelo anterior referendo. Sabemos já que a situação actual não é a melhor; talvez seja a altura de mudar, ou não?

Além disso, quem é a favor da despenalização não vai a correr fazer imensos abortos como forma contraceptiva só porque não é uma prática penalizada (se o sim ganhar e, sobretudo, se houver gente suficiente para validar a consulta). Um aborto é sempre uma intervenção traumatizante para a mulher e é algo que ninguém - no seu perfeito juízo - tem vontade de fazer.

Gato Fedorento - Assim Não

Um pouco, nada ou talvez ligeiramente muito divertido.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Guida em Israel

A Guida foi a Israel ao casamento dos amigos Lior e Orit. Para eles, e para as respectivas famílias e amigos, parabéns do Extremo Ocidente da Europa.

Viagem e preconceito

A viagem de expresso para o Fundão correu bem e nem seria digna de nota não fosse um episódio curioso. Tudo se passou na minha cabeça, claro, com alguns pequenos estímulos externos. Pequenos, mas ruidosos.

A experiência das viagens semanais ao Porto trouxe-me o "saber-fazer” (para usar a expressão portuguesa) da leitura no autocarro sem enjoar. Não é um feito fácil para mim, mas já consigo. E assim vim embrenhada na leitura de A viagem de Morgan, que terminei.

A páginas tantas, bem ao longe, comecei a ouvir um barulho, que se repetia em intervalos cada vez mais curtos. Fui desligando a pouco e pouco da leitura e identifiquei o ruído. Alguém aspirava ruidosamente o monco preso algures entre a cavidade nasal e a faringe.

A avaliar pelo ruído, cada vez mais forte e mais frequente, imaginei que só se poderia tratar de um taberneiro de nariz vermelho e inchado, constipado ou pneumónico, cheio de gota e colesterol e tensão alta. Construí toda uma imagem da personagem que tanto fungava, e com tanto entusiasmo. Sim, claramente, homem peludo com um casaco de cabedal feio e preto, ou então na mão a toalhita mais cinzenta que branca para limpar o balcão.

Finalmente, olhei. A personagem fungante era uma rapariga muito bonita, bem vestida, com imitações de brilhantes nas armações dos óculos e com um telemóvel topo de gama.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Ha designers e designers, ha clientes e clientes

Não resisto a transcrever a resposta que uma cliente hoje me enviou, a propósito de um trabalho que eu havia orçamentado.

Em Dezembro de 2006 fui contactada por uma pessoa para "apresentar propostas" para três projectos que a sua empresa estava a desenvolver. Tivemos uma longa reunião em que, entre outras coisas, esclareci que não apresentava "propostas" sem adjudicação de orçamento (expliquei, evidentemente, as razões - ficam para outro dia). Gerou-se um momento de incredulidade com a já habitual "mas os outros designers que contactei concordaram em apresentar propostas!". (Onde diz "propostas" leia-se "ideias materializadas" ou "maquetes".)

Hoje escrevi-lhe um email para saber se já tinham chegado a uma decisão, sabendo, obviamente, que as minhas probabilidades de conseguir o trabalho eram bastante reduzidas (mas mais vale um bom cliente na mão do que dois maus a voar!).

Esta foi a sua resposta:

Relativamente à sua proposta já temos uma decisão: todos os outros designers contactados apresentaram a sua proposta e o seu croqui. Sem ele não poderemos considerar propostas pois não fazemos a mínima ideia do que pretendem desenvolver.

Dado que a Ana decidiu não apresentar qualquer croqui esperando que nós possamos confiar nas suas ideias - que é algo que nós evidentemente não podemos fazer - nós não iremos considerar a sua proposta na nossa decisão final.


Evidentemente.

P.S. Ganha quem conseguir enfiar mais vezes do que a ex-futura-cliente a palavra "proposta" na frase.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

O pior de Lisboa

Há tempos pensei nas coisas da Argentina de que não guardaria saudades; hoje penso no pior de Lisboa, das coisas de que não vou sentir falta absolutamente nenhuma quando estiver em Buenos Aires.

Estava muito indecisa entre duas das maiores pragas lisboetas: os carros e os pombos. E depois de muito pensar, acho que o pior ainda são os pombos. Bem, os cocós de cão nos passeios também são uma valente praga. Mas os pombos... ui, os pombos.

Na minha varanda tentei semear amores perfeitos. Resultado? Pombos. Também tentei semear umas flores variadas que me trouxeram do Jardim Botânico de Nova Iorque. Resultado? Pombos. Experimentei manjerico - só lograram ver a luz do dia aqueles que estavam no vaso inacessível, ou seja, dentro de casa. A única planta que tem sucesso na minha varanda é uma trepadeira que herdei da anterior inquilina (pela razão óbvia de estar agarrada ao gradeamento) que tem como companhia no vaso uma urtiga. Esta urtiga deve picar os pombos... e a trepadeira subsiste.

Em Buenos Aires, certo dia comprei manjericão, que lá é vendido no supermercado, no meio das verduras, com pé, raízes e terra. Lavei e congelei parte e a outra plantei-a. No dia seguinte, tinham um ar perfeitamente moribundo e desolado. Apesar do aspecto, perseverei e hoje - conta-me o Paulo - estão enormes! (Embora o Paulo lhes chame "albahacas"... acho que já se esqueceu do nome em português!)

Lá, o pombo está onde deve estar: a fazer cocó na cabeça dos heróis da independência, não nas varandas das pessoas! Além disso, há para aí um pombo por bairro, não os vinte e três mil que infestam a minha varanda a arrulhar todo o dia e a bater com o bico nas janelas.

Pombo é rato com asas, yuck!

domingo, 14 de janeiro de 2007

Ementa colorida

Na quinta-feira ao almoço o meu prato estava tão bonito que não dá para não comentar aqui.

Copiei e adaptei uma receita da Ana com beterraba ("colhida à meia-noite de uma noite de luar"), que molhei em natas ("numa delicada cama de crème batido"). Para acompanhar, fiz um arroz simples, com um pouco de queijo de cabra por cima ("arroz perfumado de jasmim com raspas de chèvre DOP português").

O resultado foi uma refeição bicolor sobre o prato azul translúcido. A cor da beterraba, diluída no molho de natas, resulta num cor de rosa tão vivo que até parece estar recheado de corantes artificiais (mas não!)... e o resultado, com umas ervinhas aromáticas por cima, foi divinal. Só foi pena não fotografar!...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Keynote alternativa

Esta é a versão alternativa feita pela Greenpeace da apresentação do iPhone na Macworld, ontem, feita pelo próprio Steve Jobs. Para quem viu a original - e babou com o iPhone, como eu - esta versão alternativa está também bem conseguida. Como, aliás, toda a campanha "Green my apple" da Greenpeace.

Escrevam ao Steve Jobs a pedir-lhe maçãs mais verdes aqui:

http://www.greenmyapple.org/

(ainda não sei pôr links a funcionar... desculpem lá e façam copy-paste)

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

A cegonha chegou!

Parabéns aos nossos amigos pela chegada do pequenito! O colectivo de "tias" está muito contente e não pode deixar de manifestar a sua imensa alegria.

Muitas felicidades para a nova família de três!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

O meu calendario diz-me que acabaram as festas

Antigamente, as festas acabavam com o dia de Reis, ou seja, a 6 de Janeiro. E os saldos começavam. Hoje, os saldos (promoções!) começam logo a seguir ao Natal e as festas prolongam-se até 7 de Janeiro, dia em que se celebra o Natal ortodoxo (não sei se é assim no Leste, mas pelo menos na Praça da Figueira foi ontem, Domingo). Foi montado um palco coberto e tivemos cânticos serão adentro.

A Praça da Figueira, um pouco como a Praça do Comércio, está em constante transfiguração conforme a época do ano. É um novo calendário adaptado aos urbanitas que somos, cheio daqueles sinais que os citadinos reconhecem, já que não sabem qual o "tempo" da castanha ou da fava como aqueles que cultivam os campos. A Natureza dá os seus sinais, só que na cidade são de natureza humana: em Outubro (ou antes) começam a instalação das luzes de Natal (que hoje, dia 8, começaram a retirar); montam-se palcos e tendas em poucos dias, para o festival da época; montam-se as barraquinhas das farturas chegando o mês de Junho... e assim por diante.

É assim que vamos reconhecendo a época do ano na cidade: pelo andaime da Praça do Comércio a que chamam "a maior árvore de Natal da Europa" (é? ah...), pela tenda com aquecimento da Praça da Figueira, pelas barraquinhas coloridas com manjericos ou pelo palco do arraial gay.

domingo, 7 de janeiro de 2007

"Lisboa e um T0"

Parece que sim, que Lisboa é um T0. Um T0 cheio de pombos, mas um T0.

Hoje ia a caminho da Gulbenkian e vi uma pessoa que, de costas, me parecia uma colega de Liceu, alguém que já não via há dez anos. No caminho de regresso a casa, à saída do supermercado, volto a encontrar alguém que me fazia lembrar a Inês... e desta vez era ela mesmo! Já é mamã e está de volta a Lisboa, após um período londrino.

Que bom encontrar-te, Inês! :)

sábado, 6 de janeiro de 2007

As maravilhas de Portugal

Quanto mais viajo, mais gosto de Portugal. E porque gosto de Portugal e também de partilhar o meu entusiasmo pelas coisas de que gosto, convido as para aí três pessoas que lerem este blogue (optimismo!) a visitar o site em que estão a ser escolhidas por meio de votação as sete maravilhas de Portugal. (Um parêntesis: como não sei fazer hiperligações aqui no corpo do texto, por favor cliquem lá em cima no título - deve funcionar!)

Eu já votei!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

E quem e que condena os media?

Esta notícia está no portal do sapo:

"Exibição "gratuita"

Governo português condena execução de Saddam Hussein

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, reiterou hoje a condenação de Portugal à execução do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e condenou a exibição "gratuita" daquele tipo de mensagens e de imagens.

"Portugal é um país contra a pena de morte, é gratuito aquele tipo de mensagens e de imagens, nós próprios tivemos a oportunidade de condenar a aplicação da pena de morte, naquele caso em concreto", declarou o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, à margem de um almoço do Seminário Diplomático sobre a presidência da União Europeia.

Apesar de ter sido uma decisão do Governo iraquiano, Luís Amado afirmou que Portugal "acompanhou a posição muito firme que a União Europeia assumiu sobre essa matéria". "

Mas a dúvida persiste: quem é que condena os media?

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Uma mensagem de paz no fim do ano

As imagens da execução de Saddam Hussein foram repetidas pelo menos três vezes (contei eu, depois cansei-me) durante o telejornal do canal 1 (não esquecer que é a televisão pública) na noite de dia 30 de Dezembro.

Quem achou que esta é uma mensagem de paz e de esperança para o novo ano levante o dedo.

Ninguém?

Pois, bem me parecia. Mas então por que será que insistiram tanto na repetição daqueles poucos minutos de levar o homem pelo braço, enfiar-lhe a corda ao pescoço e, qual cereja no cimo do bolo, a imagem exageradamente ampliada e ultra violenta de uma cara conhecida a espreitar por entre as dobras de um lençol? Acham mesmo que assim se faz justiça? Ou será que pensam que sobem os índices de audiência?

O homem foi um ditador, sem dúvida, mas o tratamento que lhe foi dedicado pelos meios de comunicação roçou o nojento. Haja paciência para aturar quem nos informa assim.

Bom ano!

Já estou saudosa das festas. O Natal foi bom, bom, bom e o ano de 2007 entrou na minha vida com a tranquilidade de quem nem se lembrou de pegar em passas e champagne e gritou a contagem decrescente com seis minutos de atraso em relação à hora legal.

O fogo de artifício do João explodiu em conformidade no terraço dele e abençoou-nos com uma chuva de material queimado que decerto marcará positivamente a sorte neste novo ano.

Obrigada aos nossos fantásticos anfitriões!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Luvaria Ulisses


A Luvaria Ulisses é um mundo à parte ali na Rua do Carmo. Entalada num vão de escada, esta luvaria é uma entidade anacrónica que vive e respira e aparentemente continua a resistir. As luvas deles são tão lindas, umas muito clássicas, outras bem modernas, tão bem feitas e - ainda por cima - tão bem vendidas que eu tinha uma imensa vontade de comprar lá um par.

Mas o Pai Natal, figura muito bem informada, antecipou-se e trouxe-me um par de luvas castanhas com costuras a laranja. Não dá para explicar a sensação de as usar (podem marcar-me o blog como tendo "conteúdo objectável"), mas é bom... é como comer ceviche, mas em luvas calçadas.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Os designers ja tem profissao!

É com muita alegria que aqui transcrevo o comunicado da Associação Portuguesa de Designers:

"Design e designers entram com pé direito em 2007
13 de Dezembro de 2006

A Associação Portuguesa de Designers comunica que, na sequência de um trabalho aturado que efectuou na Assembleia da República, junto dos Partidos com assento Parlamentar e das comissões da especialidade, conseguiu finalmente que fosse aditada a actividade «Designers», sob o código 1336 à tabela de actividades para os trabalhadores independentes, do artigo 151º do Código do IRS.

O referido aditamento teve lugar na sessão plenária da especialidade na Assembleia da República do dia 29 de Novembro do corrente ano, por consequência da aprovação por unanimidade do aditamento do Artigo 45º -A à Proposta de Lei nº 99/X, conforme publicado na página 80 do Diário da Assembleia da República de 30 de Novembro, 1ª série nº 23. Este artigo passou assim a integrar a referida proposta de lei que, sendo a proposta de Orçamento de Estado para 2007, foi aprovada na sessão plenária do Parlamento no dia seguinte.

A pretensão da obtenção de código próprio para os Designers foi também alvo de uma Petição, segundo os direitos consignados na Constituição Política Portuguesa e promovida pela APD, que pela forte adesão que registou, funcionou também como forma de pressão, motivando assim também esta tomada de decisão por parte do governo.

O devido reconhecimento da sua profissão é uma pretensão da grande maioria dos Designers em Portugal. A APD, consciente que este objectivo só será alcançado através de uma estratégia efectivamente integral, que englobe um conjunto de acções a todos os níveis, desde o institucional ao social, está também a colaborar com o Instituto Nacional de Estatística e o Instituto de Emprego e Formação Profissional nos trabalhos que envolvem as revisões actualmente em curso do Código de Actividade Económica e da Classificação Nacional das Profissões, onde passarão a constar, respectivamente, as “Actividades de Design” e a profissão “Designers”.

A Direcção da APD considera assim que o ano de 2007 é um marco para o Design e os designers portugueses. A todos e, sem distinção o nosso muito obrigado, pelo apoio dado a uma iniciativa que prestigia quem na realidade se interessa pelo presente e futuro do Design em Portugal.

A Direcção da Associação Portuguesa de Designers"

Bem hajas, APD!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Machu Picchu II


O segundo dia em Machu Picchu foi assim: soalheiro e repleto de mosquitos.

Como só está a cerca de 2000m sobre o nível do mar e tem muita vegetação, o ar é muito oxigenado e os efeitos da altura sentidos no Cusco desaparecem.

Não senti uma "confluência de energias cósmicas", mas a cidadela "me mató": empoleirada em cima de um monte rodeado por montanhas ainda maiores, a canalização da água é escavada na e da pedra, tal como os templos, as casas, os silos, os socalcos ou as estruturas de observação astronómica. Lá em baixo, muito em baixo, correm regatos, que na verdade são rios que alimentam a central hidroeléctrica. Os trilhos incas marcam a face da montanha até à Porta do Sol, a entrada possível para gente e a entrada única dos raios da manhã do solstício.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Machu Picchu


Assim foi o primeiro dia de Machu Picchu.

De um momento para o outro, não se via nada, nada, absolutamente nada. Ficávamos completamente dentro das nuvens, e tudo o que sobrasse para fora do poncho-maravilha ficava molhado. E sobretudo frio. Depois as nuvens acotovelavam-se e abriam uma pequena clareira e tinha-se toda a cidadela por entre a neblina. Muito fotogénico, muito húmido, bastante oxigenado, um alívio em relação ao "soroche" (mal de altura) do Cusco.

Como toda a gente tinha os mesmos ponchos comprados aos mesmos vendedores à saída da estação, dava para nos dividirmos em equipas. "Ponchos amarelos, sigam para a esquerda; ponchos vermelhos, ala prá direita; malta do poncho azul, aqui comigo!", isto dito em voz de comando por um dos guias.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Pileta

Esta é provavelmente a minha palavra preferida do idioma espanhol falado na Argentina.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Uma achega ao design

É só mesmo uma achega, porque sobre o design e a sua relação (ou não) com a arte está a internet cheia de artigos (como a discussão recorrente no Foroalfa, em www.foroalfa.com).
O que é um bom design é uma questão cuja resposta tem variado ao longo da história da disciplina. Esta resposta já foi "um objecto de produção industrial que parece manufacturado" ou "um objecto cuja forma respeita totalmente a sua função". Hoje em dia, estamos perante a mudança do paradigma de design e a resposta é um pouco mais elaborada: o bom design é aquele que tem em conta a relação eficiente entre os factores económico, social e ambiental.

Design para os designers?

"Design para os designers" é como a Associação Nacional de Designers encerra o texto em que fala dos seus objectivos e planos para o futuro. Entre "reconhecer o exclusivo para o exercício da profissão a licenciados e diplomados" e "regulamentar e consciencializar para a obrigatoriedade da observância de regras ético/deontológicas", parece-me que a AND se fechou completamente à volta do seu próprio umbigo e se esqueceu do fundamental no design.
O design é para todos, menos para o designer. Se fosse para o designer, então não seria designer, mas sim artista. O design é uma ferramenta de trabalho para resolver problemas das pessoas (sejam problemas de comunicação gráfica ou de usabilidade), e não um atributo externo dos objectos. Ao contrário da arte, o objecto de design nasce de uma motivação externa ao sujeito. Por outras palavras, o designer - como o engenheiro - resolve problemas.
Dizer "design para os designers" remete para uma concepção distorcida de design, aquela que perpassa para a opinião pública. Fala-se de "objectos com design" (abrindo bem o "e" de "désaine") quando se pensa em mobília minimalista ou as cadeiras assinadas pelos famosos. Mas o design é aquele que não se vê, está nas BICs e nos clips e nessas invenções todas que nos facilitam tremendamente a vida. Isso é que é design.

Whatever

Gostava de saber porque é que os portugueses gostam tanto de dizer "whatever".
A mim faz-me lembrar uma pessoa com quem foi particularmente desagradável trabalhar. Cada vez que ouço esta palavra, lembro-me dele e tenho arrepios na espinha. Yuck.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Reunioes II

Outra característica do português, amante da reunião, é o facto de - apesar de tanto a amar - não a preparar.
Aqui há uns tempos fui a uma reunião em que esperava a aprovação de algumas propostas. Durante três horas, entraram e saíram interlocutores e ninguém aprovou nada, porque ninguém tinha "poder de decisão" para aprovar o que quer que fosse.
Algum tempo depois fui convocada para uma outra reunião. Já estava "escaldada" da experiência, portanto perguntei qual era a ordem dos trabalhos.
A resposta foi:

(silêncio)

(pigarreio)

"Ordem dos trabalhos? Eh... Ah, pode ser para fazer o ponto da situação."

Reunioes

O português gosta de reuniões.
Quanto mais longas, melhor. E então se passarem por cima da hora do almoço, melhor ainda: salientam o espírito de sacríficio de quem reúne. E quem reúne... trabalha!
Uma reunião longa, mesmo sem ordem dos trabalhos e preenchida de converseta sobre a família, as férias na neve e o fim-de-semana passado, é sinónimo de "muito trabalho". Uma reunião curta é como se nos estivessem a "despachar".
E a reunião pontual? Ui!, isso é sinónimo de intransigência: "mas julgas que estamos na Alemanha ou quê?". E todos sabemos que, se há coisa que o português não quer ser, é intransigente (nem alemão, ainda para mais a falar "essa língua de trapos"). A mim, parece-me que a eficiência e a pontualidade vêm de mãos dadas com esta intransigência, que também se poderia chamar "rigor".

domingo, 26 de novembro de 2006

Mnham II

Hoje almoçámos "iam tchá" no restaurante chinês do Casino Estoril. Para além do "dim sum", pedimos ainda massa de fita larga com carne de vaca (algo como "cong chau ngau hoc") e arroz chau chau, encomendando-nos respectivamente a uma "longa vida" cheia de "dinheiro". Complementámos ainda com um prato de vieiras com espargos e outro de legumes chineses variados. Com muita raiz de lótus, para fazer bem à pele.
Ensonada e afundada numa cadeira de crescidos com uma almofada debaixo do rabo, a Carolina imitava-nos com os pauzinhos, dando de comer a quem estivesse por perto. Enquanto isso, pedia "papa" à Mamã, e certificava a sua qualidade com expressivos "mnham mnham!".
Terminei com um pudim de manga do além, ou melhor, com O pudim de manga (tento conter a actividade das minhas glândulas salivares, protecção do teclado oblige). Agora tenho de ganhar coragem para arrumar a minha casa e "desmoer" o almoço... de preferência antes do jantar.

Mnham

Acabei ontem de ler "Fortune´s Rocks" de Anita Shreve. Está cheio de palavras saborosas como "chignon", "petticoat", "muslin" e "stockings". Mnham mnham.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Ainda sobre os clientes

Ou, mais especificamente, sobre a relação dos designers com os clientes, li hoje este artigo de Guillermo Brea e faço o meu exame de consciência e respectivo acto de contrição (para continuar com a metáfora religiosa que o autor sugere).

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Notas

Às vezes penso que os clientes podem ser classificados de um a cinco, como na escola. Um ou dois - vá lá - aos piorzinhos, aqueles que não aprovam as propostas, fornecem o material todo desorganizado (ou imagens em documentos word!), regateiam orçamentos e ainda por cima atrasam-se nos pagamentos. Enfim, aqueles clientes que reúnem todas estas características chatinhas e que merecem um puxão de orelhas. E que nos telefonam e pedem "o quadradinho um bocadinho mais para a direita" ou então "a fotografia do nosso director um bocado mais ampliada". E depois os outros, aqueles que merecem o cinco: o material todo organizado, ficheiros em alta, tabelinhas excel com a ordem dos logótipos dos patrocinadores e ainda por cima são simpáticos e não querem reuniões a toda a hora (daquelas em que nada se discute). São os que nos apresentam o problema, esperam que executemos o nosso trabalho e cujas correcções melhoram francamente o resultado final. Sim, existem clientes desses! Só que nem toda a gente tem a sorte de os encontrar...

A Grande Vantagem

A vantagem dos carros estacionados em cima dos passeios é que assim não pisamos os cocós dos canídeos.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Chegada a Buenos Aires


Esta é a chegada de barco a Buenos Aires.

Lisboa


Uma das minhas vistas preferidas de Lisboa. Com céu limpo, vê-se até à Serra da Arrábida. Mas para mim o mais impressionante é como a paisagem muda todos os dias.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Fumo

Após dois meses de América Latina, desabituei-me por completo (foi fácil!) do incómodo de sentir o fumo do cigarro alheio. Na Argentina, no Chile e no Uruguai é proibido fumar dentro dos espaços públicos fechados. Para quem não acredita e acha que esta medida é fundamentalista, a verdade é que é muito, muito cómodo ir a um restaurante, a um bar ou a uma discoteca e sair de lá com o cabelo a cheirar a champô e a roupa a cheirar a roupa - ou a suor, vá.
Segunda-feira fui ao cinema e já não me lembrava da compulsão que leva os fumadores a acender o cigarro assim que transpõem a porta da sala. Gera-se uma tremenda nuvem de fumo que, honestamente, não sei como é que as pessoas suportam. Será que é assim tão difícil esperar mais três minutos para chegar à rua e acender o cigarro? Caminhando da porta do cinema para a porta do Monumental demora-se, em passo lento, não mais de três minutos. Depois de um filme de duas horas e meia, o que são três minutos?
Não entendo toda a discussão sobre a proibição do fumo nos espaços públicos fechados. Não acredito que os restaurantes, os bares, as discotecas e os centros comerciais percam clientela por causa disso. Aliás, confirmei isso mesmo na Argentina, onde a lei entrou em vigor dia 1 de Outubro. Vi o antes e o depois e a verdade é que as pessoas continuam a frequentar os mesmos lugares. No final, até os fumadores apreciam a medida porque assim fumam só o seu cigarro, não o dos outros.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Concursos

Estive a ler o anúncio (e os respectivos comentários) para um concurso promovido pela revista New York para uma vinheta, publicado no blog "Speak Up". É inevitável pensar que quem promove o concurso está a tentar encontrar uma série de alternativas baratas, promovendo a filosofia do tudo ou nada: quando se ganha, é-se publicado; quando se perde, as horas investidas no trabalho são deitadas à rua.
Infelizmente, neste momento esta tem sido uma modalidade de recrutamento de novos designers em franco crescimento. Quem procurou trabalho novo nos últimos tempos sabe disso.
No entanto, parece-me que este concurso surge como uma oportunidade para todos aqueles designers que não são conhecidos o suficiente para serem convidados pelos editores a desenhar uma bela vinheta para a sua rubrica. E, quem sabe, a figurar na lista de "designers a convidar no futuro". Talvez este facto o afaste da situação perversa do empregador que quer ver provas do trabalho do designer, desvalorizando-o, e o transforme numa verdadeira oportunidade para nós. Mas só talvez.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

A Carolina


A Carolina é a minha sobrinha. Nasceu há quase dois anos e é aquário, como eu.
Gosta de desenhar, de andar de triciclo e de ajudar o Avô António a regar as plantas e até já sabe como se faz para cheirar os manjericos.
Adora as palavras terminadas em "inho" ou "inha" e diz, como se fosse crescida, "leitinho", "meinha", "vizinha".
E aqui está ela, no seu triciclo e com a caixa da chucha na mão, fotografada pela tia Guida.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Patanisca

Fui pagar a renda da minha casa. Claro que isto não teria história nenhuma, não fosse o facto de o meu senhorio ter uma tasquita ao Cais do Sodré e ser precisamente aí que eu vou entregar o cheque todos os meses. Bem, nem mesmo assim seria digno de nota, não fosse o meu senhorio um senhor galego muito simpático que, na sua gentileza, faz questão de me servir um "pastelito" e um "suminho", não importa a hora a que eu lá vá (serve "suminho" às meninas, um copo de vinho ou de cerveja aos rapazes). É aí que está o busílis: esta manhã, o pequeno-almoço ainda acabado de chegar ao estômago, o meu senhorio serve-me um prato de calamares (fritos) e outro com pataniscas (fritas, evidentemente). Nunca sei muito bem o que fazer nesta situação, portanto tento o meio-termo e como qualquer coisita, para não fazer a desfeita. E assim, às 9h30 da manhã, estava eu a comer de faca e garfo uma bela patanisca de bacalhau. Justiça seja feita: era mesmo muito saborosa.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

De volta ao trabalho

Após uma abstinência de quase dois meses, mergulhei em meados de Outubro na tese de mestrado. Desde esse dia, já passou praticamente um mês e é com alegria que anuncio que me começo a entusiasmar seriamente pelo projecto. "Só agora?", podem perguntar. Pois é, só agora é que lhe começo a dar uma forma concreta e a vê-lo com outros olhos. Penso que o afastamento de dois meses acabou por ser positivo.
Já em Lisboa, voltei em força ao trabalho com os meus clientes, nomeadamente ao meu primeiro cliente internacional, que me encontrou graças ao meu site. Por esta não esperava, mas fico feliz que assim seja.

Chove

Desde que cheguei a Lisboa que tem chovido quase ininterruptamente, e todos sabemos que a chuva em Lisboa é um tema inesgotável de conversa. É curiosa, contudo, a variante subtil da temática que escutei hoje no autocarro: um par de amigos discute como de seca extrema passámos tão rapidamente ao cenário oposto. Esta variante é claramente uma melhoria em relação à clássica converseta do "vai sair?" e "ó chefe, abra a porta aqui atrás!".

Outra vez o Ceviche, que e muito "fitxe"


Ceviche Super Power no La Mar, Lima.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Algumas imagens de Buenos Aires


Domingo em San Telmo.


A zona moderna de Puerto Madero, algo parecido com as Docas lisboetas (em intenção, não em dimensão).


A Casa Rosada, sede do Governo.

Coisas da Argentina de que vou ter muitas saudades

O gelado de banana do freddo é uma poesia. E também vou ter saudades da tarte de manga e côco da Carla. E dos "envios a domicilio".

Coisas da Argentina de que não vou ter saudades

Alguns autoclismos de Buenos Aires que não funcionam bem (e não vale a pena explicar mais).
O vocábulo usado lá para designar “sanita”: vá-se lá saber porquê, é “inodoro”.
Não vou ter saudades de comprar um frigorífico, uma tarefa bem difícil que necessitou de três tentativas – e finalmente tivemos sucesso porque estava a chover. É um processo complicado: depois de escolhido o modelo e confirmando que existe um exemplar em stock, chegou o momento do pagamento. Existe uma série de incentivos para o consumo, tal como infinitas prestações sem juros e descontos valentes para quem paga de uma vez só (ainda que a crédito). Ora estes dois maçaricos, vindos da terra dos multibancos e do “verde-código-verde”, estavam convencidos de que aqui seria algo semelhante. Não podíamos estar mais longe da verdade: os movimentos com cartão de débito têm um limite máximo por dia, limite esse que só compra meio frigorífico. Teríamos então de fasear os pagamentos em vários dias e deslocar-nos à loja igual número de vezes. Além disso, a mercadoria só seria entregue quando todos os pagamentos estivessem efectuados. Ora bem, tentemos o cartão de crédito e paga-se tudo de uma vez. Bem, mas o cartão retira todos os descontos que faziam da escolha daquele modelo naquela loja uma opção realmente vantajosa. Mudança de loja. Repetição do processo. Pagamento com cartão de crédito necessita de documento de identidade que ateste a nossa boa fé. Dado que o passaporte do Paulo estava retido para trâmites do visto, teria de ser o nosso velhinho BI. E não. BI, ainda que cheio de selos brancos, plastificado e em boas condições, não serve. Desistimos e fomos jantar ao restaurante Los Pinos, instalado numa antiga farmácia e onde a comida é booooooooa. Os meus tagliatelle al verdeo, regados com um bom vinho argentino, estavam deliciosos e ajudaram a minimizar a frustração. Passaram-se alguns dias (e mais tentativas) até que, num dia de muita chuva, a loja aprovou rapidamente o desconto proposto, e, com a correspondente autorização bancária (e passaporte) lá fizemos a transacção. Tivemos de comprar o modelo acima do que queríamos, dado que estava esgotado. E a partir daqui começámos verdadeiramente a sonhar com arrumar a manteiga e comprar víveres frescos e – como também ia uma máquina de lavar roupa – finalmente ter as camisolas sem cheiro de detergente industrial. Mas aventura que se preze não termina assim tão facilmente, e qual não é o espanto quando constatamos (eu e os dois senhores das entregas) que o frigorífico não passa pela porta de serviço e como tal não passa para o monta-cargas. Entra na porta principal, mas não no elevador, nem sequer na porta que dá acesso à escada de serviço. Pura e simplesmente, o frigorífico não cabe. Pânico. “E se, talvez se, talvez desembalando o frigorífico aqui no rés-do-chão...”. Uma meia hora depois e quatro lances de escadas mais tarde lá chega o bendito electrodoméstico, sem um arranhão sequer, ao quarto andar da Rodríguez Peña. Tenho de agradecer infinitamente a quem carregou aquele enorme monstro até lá acima e apenas me pediu “un vasito de água, señora, seria perfecto”.

Decorações de Natal

Hoje cheguei a Lisboa, depois de uma viagem sem pregar olho, um transfer em Malpensa que mais parecia gado num curral e deparo-me com um aeroporto lisboeta completamente decorado para o Natal. Tentei determinar a data, um pouco baralhada com a diferença das estações entre norte e sul. Estamos no primeiro dia de Novembro, o que nos deixa a mais de mês e meio do Natal. Hmmm. Esta deve ser uma das poucas coisas em que os portugueses trabalham com antecipação – dizem-me que muitas das decorações estão postas desde meados de Setembro. Não duvido, um destes anos as luzes não desceram da Ferreira Borges – e assim um atraso se transformou em avanço.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Ceviche

Eu tinha absolutamente que dizer algo sobre essa maravilha gastronómica que é o ceviche, um prato peruano feito com peixe cru marinado em sumo de limão, cebola e rocoto (uma espécie de malagueta). Para quem, como eu, não acha grande graça a sushi, o ceviche é para cima de verdadeiramente espantoso. Agora, as cevicherias são para mim espaços sagrados.

O que li nas ferias

As minhas férias não foram na praia. Foram em Buenos Aires, no fim do Inverno e início da Primavera. Para as celebrar, li, li, li. E quando me apeteceu, li ainda mais. É algo que não posso fazer quando estou embrenhada no ritmo de trabalho, e por isso dá ainda mais prazer fazer. Li "The life of Pi", de Yann Martel, deitada na relva de vários parques porteños, feliz da vida por poder ler mais um capítulo e o outro a seguir. Li como há muito não conseguia ler e deu-me o prazer que há muito não tinha. Também li o "Elogio de la lentitud", de Carl Honoré e, enquanto estive em Santiago do Chile, também de uma assentada li "El maestro de esgrima", de Arturo Pérez Reverte. Li outros pelo caminho, li revistas e - agora a loucura no estádio - fiz centenas de sudokus. Muitos sozinha e alguns a meias com o Paulo - é um novo modelo de namoro que inventámos, sudoku a duas cabeças e quatro mãos.

Entre Lisboa e Buenos Aires

Cheguei a Buenos Aires no dia 9 de Setembro e vou embora amanhã, dia 31 de Outubro, de regresso a Lisboa. Decidi marcar o meu último dia desta etapa cá com o primeiro post de toda a minha vida. Blog é coisa nova para mim.
Nestas últimas sete semanas visitei quatro países da América Latina: Argentina, Chile, Perú e Uruguai. Nunca tinha vindo - e agora acho que vai ser difícil deixar de cá vir. O coração está definitivamente dividido: para além do amor cá estar, Buenos Aires é uma cidade que acolhe de braços abertos, uma cidade híbrida, com muito de europeu, muito de latino e muito mais de sul-americano.
Amanhã é o dia da partida... até à próxima, claro está!