segunda-feira, 4 de junho de 2007

Telegoelando

Estamos em Junho!

Junho, para mim, era sinónimo de manjerico, calor, dias longos, decorações de papel pelas ruas, santos populares, sardinha assada, bailaricos improvisados e a minha fartura anual ("fartura anual" é ambíguo... explico-me: refiro-me especificamente ao frito coberto de açúcar e canela, na única vez que o como durante todo o ano).

Este ano, Junho é mais parecido com Novembro ou Dezembro, com frio, casacos e camisolas. Sim, e sol, é verdade, e vento. E nada de castanhas, porque as que encomendei na mercearia e que paguei a preço de ouro vinham podres.

Este ano, Junho é televisão! A primeira semana (esta que começa hoje - ou talvez ontem) é marcada pela "semana clímax" do WB Channel, em que todas séries têm o seu último episódio. Portanto prevejo uma barrigada de sofá, televisão como se não houvesse amanhã (ou próxima semana... o que será que vão pôr no ar na próxima semana?). E até calhou bem, dado que o Paulo está no Chile.

Bau in Rio, estás preparada? Podemos sempre ligar-nos pelo skype e ir comentando tudo durante no intervalo, o que te parece?

Encontro de Empresas de Design

Enquanto escrevo isto, decorre em Lisboa, na Fundação Portuguesa das Comunicações, o Encontro de Empresas de Design. Organizado por quatro designers com grande espírito de iniciativa (força, Margarida!), este Encontro pretende fornecer um espaço de discussão (e esperemos que de algum consenso) em termos das questões éticas e deontológicas da profissão. Isto num país onde o design ainda é uma disciplina bastante recente, com uma imagem percepcionada pelo público talvez bastante afastada da "realidade"; ou, melhor dizendo, daquilo que para mim é o design.

Na minha opinião, o design é compreendido pelo público como um atributo "bónus" de certa peça, algo que lhe é exterior e que se limita a algo estético: se tem "design", é mais bonito e, muito provavelmente, mais caro. Compreende-se então um objecto de "design" como tendo um certo carácter de obra de arte. Contudo, o design é uma disciplina que pretende a optimização da relação entre a forma do objecto e a respectiva função. De uma maneira simples, o design é uma disciplina de resolução de problemas. Tal como a arquitectura, diria eu, ou mesmo a medicina.

Claro que esta visão de "resolução de problemas" não combina em nada com a visão do design como luxo... Esta é a grande cisão dentro do design e entre designers. Mas adiante.

Voltando ao Encontro, que é o verdadeiro assunto deste post. Embora esteja longe de Portugal, acalento grandes expectativas em relação a esta ocasião de discussão de problemas que são comuns a todos os que praticam esta actividade em Portugal (e, quem sabe, noutras partes do mundo). Tenho esperança de que sejam consolidadas algumas directivas (ou sugestões de direcção!) que sejam consensuais na comunidade em relação a assuntos como a orçamentação de trabalhos ou a participação em concursos como forma de angariação de trabalho.

Estou curiosa por saber os resultados!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A descoberta da polvora ou talvez a maior invencao depois da roda

Os transportes colectivos em Buenos Aires são confusos. Sejamos justos: o metro (subte) não é assim tão confuso. Mas pode oferecer algumas armadilhas ocultas, nomeadamente em alguns acessos que só servem uma das direcções da estação em causa. Enfim, uma pessoa engana-se a primeira vez e depois já sabe.

O mesmo não se passa com os autocarros. Deve ser a rede de autocarros mais confusa que eu alguma vez vi na minha vida, embora devamos admitir que nem tudo é mau. O preço do bilhete, por exemplo, é ridiculamente baixo: custa cerca de 20 cêntimos de euro (oitenta centavos de peso); e a frequência de passagem também é surpreendente. Nunca se espera muito tempo.

Mas a verdade é que também há muitos aspectos negativos e eu demorei alguns meses a ousar entrar no mundo do autocarro porteño. E atenção que eu sou uma defensora do transporte público. A primeira vez mereceu um post aqui no blog. Sacudidelas, voltas pela cidade e o desconhecimento absoluto do itinerário e da localização das paragens de autocarro (saí na paragem "a seguir", porque só depois de se passar por ela se sabe qual é a melhor paragem). Ainda demorei um pouco a recuperar, mas quando comecei as aulas de castelhano aproveitei para me colar à colega inglesa que sabia que autocarro apanhar. E assim recomecei. E assim tomei conhecimento daquela que é a maior invenção depois da roda, a verdadeira pólvora porteña.

Trata-se de um guia de bolso da cidade.

O Guía T, o melhor amigo do homem (e da mulher) que precisa de andar de autocarro em Buenos Aires

No início há um índice de ruas e a esquematização das plantas da cidade. Depois, em cada página há uma planta, que se subdivide em sectores definidos por uma grelha ortogonal. Para cada sector, existe na página ao lado a lista dos autocarros que aí passam (não se sabe bem onde, mas em alguma das vinte ruas do quadrado). Aí, encontrados os pontos de partida e chegada, procuram-se coincidências nos números dos autocarros que lá passam.

À direita, a planta subdividida em quadradinhos; à esquerda, as linhas de autocarro que passam por cada um deles.

E pronto, a partir daí é consultar o itinerário da linha ou linhas que estão assinalados em ambos quadrados. Ou seja: ou se conhece bem, ou aventura total. Isto porque a descrição que lá se faz do circuito não é particularmente clara, como também existem paragens por todo o lado, com algumas a servir só uma linha - mas nunca a que nós queremos.

Do que mais gosto é dos desenhos dos autocarros!

Resumindo. O truque é ir com quem sabe. Mais nada.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Queria so dizer...

Telma, lembrei-me muito de ti enquanto passeei pelo Rio de Janeiro!

Foi tao bom...

Vota no Cristo!

Cantemos todos: "Fomos a um país tropical, abeçoado por Deus e gelámos de frio!"

E outra música: "Copa Copacabana!"

Passeio no Calçadão, a dois passos da casa da Bau e amigas

"É bom passar uma tarde no Arpoador/ Ao sol que arde no Arpoador/ Ouvir o mar do Arpoador/ Falar de amor no Arpoador"

Ups... palavras para quê?

O "caminho aéreo" para o morro do Pão de Açúcar (com o sol a pôr-se lá atrás!)

Praia de Botafogo vista do Pão de Açúcar (só de ouvir os nomes dá vontade de lá ir!)

Orquestra republicana anima salão "Kananga do Japão"

Tem o Chico vindo no Circo Voador!

O bondinho que passa em cima dos arcos (sem resguardo para além de uma frágil redezinha) da Lapa

Cartaz no bairro de Santa Teresa

Só foi pena não fotografar a feijoada... não fui a tempo!

Ou então raio da droga, ora pois!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Assim se protesta em bom castelhano


É uma praça com um jardim, bem bonita por sinal. Estava lá ontem esta manifestação. Ora atenção a quem reivindica melhores salários:

Não sei que fenómeno é este que na Latinamérica as "Comissões Nacionais" são todas abreviadas desta forma...

E mais! De quem será a dita cuja?

Ja estou a ouvir a musica...


Brasiuuuuuuuu! Ta ta rarararararan... Ta ta rarararararan... Ta ta rarararararan... Brasiuuuuuuu, Brasiuuuuuuu!

Tal é o meu entusiasmo com esta visita relâmpago à Bau no Rio de Janeiro que até cedo à parvoíce de tentar reproduzir uma letra que desconheço (e sua melodia, que conheço) neste registo textual. Não dá, bem sei, mas vamos imaginar a musiquinha com uma qualquer Gal Costa a cantá-la e a arrastar ligeiramente as notas mais altas. Com montes de ferrinhos e pandeiretas por trás, evidentemente, que é mesmo assim que eu me sinto: contente, com ferrinhos e pandeiretas e, à falta de agilidade para o passinho de samba, um atrapalhado movimento de ancas e uma vontade tremenda de chegar lá. Iupiiiii!!!!!

P.S. Que alegria poder catalogar este post dentro das "viagens". Iupiiiii outra vez!!!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Pao de especie

A célebre receita de pão de espécie que me foi dada pela Filipa tem feito tremendo furor em Buenos Aires. O Paulo aprendeu-a e todos os Domingos me faz um, que me fica para os lanchinhos de quase toda a semana (e sempre que tenha fome e vontade de comer algo docinho). Diria que faz parte do plano de engorda esboçado por certa pessoa que quer que eu recupere rapidamente o pneuzito; ou a poignet d´amour (literalmente, maçaneta do amor), como dizem os franceses. Com a interdição chocolateira na minha dieta, o pão de espécie fez-me companhia durante estes dias de travessia do deserto. E agora já posso voltar ao chocolate. Estreei-me na sexta-feira com um "100% Xocolat". Sim, sim, um "peti catu" ou "petit gâteau" ou "fondant" ou como lhe queiram chamar. E caiu-me muito bem!

Cursinho II

Hoje comecei com as aulas de castelhano. Estou tão contente! Senti-me tão feliz ao voltar às aulas!

E mais um comentário: apesar das instalações da Universidade de Buenos Aires serem absolutamente decadentes, têm aquecimento! Têm aquecimento! Não tive frio na aula, pelo contrário: até tive algum calor e tirei o casaco, vejam a loucura... Quando me lembro que quando ia para as aulas no Convento de São Francisco às vezes tinha de levar uma mantinha na mochila para tapar as pernas...

Viva a constipacao!

Oh, que alegria a minha ao dizer que tenho uma constipação! Tenho uma constipação! Vivam estas pequenas maleitas que só nos dão sono, entopem o nariz e nos aborrecem com o malfadado pingo. Vivam! Desde que sejam passageiras e que se possa dormir a sesta, lógico...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Cursinho

Fui-me inscrever no curso de castelhano para estrangeiros leccionado na Faculdade de Letras da Universidade de Buenos Aires. Fica no Microcentro, num edifício lindo por fora e completamente escaqueirado por dentro. Se achava que a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa era decrépita, tive de rever o conceito após a visita a estas instalações.

Apesar da ruína física, as pessoas são muito simpáticas e até têm seguranças a mandar-nos avançar na fila para pagar as propinas. Poder-se-ia dizer que era na "Tesoraria", mas a Tesoraria não tem instalações próprias, apenas um guiché protegido com vidro duplo e grades com um aspecto bem ameaçador. E, à boa maneira latina, há imensas fases no processo da inscrição, passando por várias janelinhas e balcões, tudo com o já falado aspecto (pausa para pensar em novo qualificativo... sem sucesso!) ruinoso.

Começo as aulas na terça-feira que vem e já vi que tenho mais cinco colegas (até à hora da minha inscrição). Estou tão contente!

Olha quem chegou!

Olha quem chegou à blogosfera! É o dicforte! Depois d´O Pulo e o Laranjo, aqui está mais um blog familiar. Já só faltam dois...

Como não sei pôr hiperligações aqui (sou tão século passado...), estão ambas na coluninha ali à direita que diz "Amigos".

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Misteeeeeerio


Não se sabe por que caminhos da Latinamérica andou este postal. Foi expedido do Rio de Janeiro, tal como outros em direcção a Portugal, no início do mês de Maio. Aparentemente, o caminho marítimo para a Europa é mais curto que o terrestre "intra-continente" entre países vizinhos, de maneira que só hoje chegou cá o postal de Ouro Preto!

Reparem a quem é endereçado... tem algum jeito? :)

terça-feira, 15 de maio de 2007

Compartamos, compartamos

Ontem tocaram à campainha. Estranhei: não tinha pedido comida do restaurante da esquina, não tinha comprado mais nenhum livro da amazon, não estava à espera das compras do supermercado e, na verdade, não estava à espera mesmo de ninguém.

Vou antender, meio desconfiada. E ouço uma voz que me diz:

Hola, soy Pablo. Queiro compartir com vos un pensamiento bíblico.

Chiça, estão por todo o lado!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Cabeleireiro

Tal como andar de autocarro pela primeira vez, ir ao cabeleireiro é todo um ritual de passagem porteño. Ou talvez de todas as cidades.

Fui cortar o cabelo para celebrar a recuperação e erradicar as abundantes pontas espigadas e decidi, assim como se não houvesse amanhã, que era altura de mudança. Ainda hesitei um pouco e perguntei ao cabeleireiro o que ele achava. A resposta - não verbal - foi uma bela franja, cortada de imediato e antes de qulquer outra intervenção capilar.

Apesar da alegria que esta franja me tem dado nas últimas horas, não é dela que quero falar, mas sim do ritual que é a ida ao cabeleireiro. Nunca na vida me tinha um cabeleireiro feito tantas perguntas. Nem a menina que me lavou o cabelo, que conversou comigo todo o tempo, apesar de eu estar a fechar os olhos e a tentar relaxar enquanto me massajava a cabeça. Será que esperava uma resposta minha naquela posição?

Tudo começou com o já habitual "de acá no sos", o desbloqueador de conversa mais conhecido dos argentinos. E por aí fora. O rapaz que me cortou o cabelo ficou a saber o meu primeiro nome, o meu segundo nome; disse-me o seu primeiro nome, revelou-me o segundo. Perguntou-me o meu aniversário e disse logo que adorava aquarianas, por serem tão... (o barulho do secador de cabelo camuflou esta parte; vi pelo espelho que continuou a falar, mas eu nada ouvi, um pouco como num filme mudo. Tratei de esboçar um ligeiro sorriso e emiti, de tempos a tempos, um "hmm, hmm", para lhe dar segurança.).

E agora, superada a prova, começa o dilema: volto lá? Não volto? Se voltar lá, pode ser (vá, existe a possibilidade) que não queira repetir todas as perguntas e eu possa estar caladinha e tranquila, a franzir a minha miopia para ver no espelho o progresso do corte. Se for a outro diferente, será que tenho de passar pelo exame outra vez?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

terça-feira, 8 de maio de 2007

Filipas de parabens

Hoje a Filipa R., amanhã a Filipa S.!

Na verdade, com a diferença horária, a Filipa S. não faz anos "amanhã", mas sim daqui a uma hora... portanto podemos afirmar que as duas Filipas vão fazer anos ao mesmo tempo e que os dias 8 e 9 de Maio se vão sobrepor. Curioso...

(Acho que estou a sentir os efeitos secundários das anestesias gerais na minha capacidade de raciocínio...)

Pudim de espinafres

Pudim de espinafres: fácil e ultra-mnham
Na semana passada, o Paulo e eu fomos à estação de correios-alfândega buscar as três caixas que eu tinha enviado de Lisboa com roupas, sapatos e... um livro de receitas, oferecido pela minha tia Alcinda.

O livro está perto de ter caído do céu (a avaliar pelo estado da embalagem, caiu mesmo): tem várias dezenas de receitas com vegetais. Não são necessariamente vegetarianas, mas a base é um ou mais tipos de vegetais. Ideal para mim, certo?

Ontem, já me sentindo com mais forças, decidi presentear o Paulinho com a primeira refeição por mim confeccionada após o regresso a casa. Comecei com algo fácil, o pudim de espinafres. Como é costume, adaptei uma série de coisas da receita, substituí uns quantos ingredientes, usei o forno um pouco às apalpadelas (é a gás... como é que eu sei se está a 180ºC?)... mas o resultado compensou! O pudim é delicioso e o calorzinho do forno sabe mesmo bem agora que a temperatura lá fora começou a baixar. Mnham!