Depois do ceviche de Lima, na cevicheria La Mar (imperdível, inesquecível, quem foi não volta igual), é difícil encontrar uma versão local à altura. Não só porque cá em Buenos Aires temos a dificuldade da escassez de peixe fresco (leia-se "fresco" como "pescado na noite passada e comprado hoje na lota"), como também será muito difícil encontrar algo parecido com a mistura alquímica certa e exacta dos ingredientes peruanos in loco (em in loco leia-se "no La Mar").
Moral da história: quem procura sempre alcança, quem busca sempre encontra e, por um acaso do destino, a minha colega da aula de castelhano, a Clare falou-me no Carlitos.
O Carlitos é um tasco peruano na zona de Abasto, a zona famosa por ser onde o Carlos (Gardel) viveu e cantou. O Carlitos, por si só, merecia todo um post, todo um blog, na verdade. Só sobre o Carlitos se poderia escrever um livro e se rodaria todo um filme. Mas isso é outra conversa. O que interessa aqui é que no Carlitos encontrei finalmente um bom ceviche. Não é La Mar, nada disso; é um ceviche atascado, comido numa sala de paredes de azulejo de cozinha e luz fluorescente a condizer. As doses são lautas e saborosas mas tão económicas que fazem lembrar um daqueles restaurantes de província em Portugal (e o tapinlou no tasco na Areia Preta).
O ceviche do Carlitos é o oásis no deserto de carne que é Buenos Aires (e toda a Argentina, convenhamos). A par do sushi, é a alternativa possível para consumir peixe.
Enfim, não me alargo. Aqui vão fotografias para ilustrar. Não se assustem com o aspecto. O sabor é mnham. Muito mnham. Os próximos visitantes que se preparem, o Carlitos é obrigatório!

E sim, a toalha é de plástico!











