terça-feira, 7 de agosto de 2007

Quebrada de Humahuaca











O que há de lindo em Jujuy está fora da cidade, mas dentro da província, que se divide em zonas turísticas de acordo com os ecossistemas. Têm a zona de selva, a zona dos vales, a zona dos salares e a da Quebrada de Humahuaca, que foi a que visitámos.

É uma paisagem desértica, seca, poeirenta e ventosa, mas o olhar nunca se cansa. Nem sequer posso dizer que a cada curva temos uma vista linda, porque a estrada raramente tem curvas. Mas a vista, essa, é sempre linda. Linda na sua versão abandonada, hostil e luminosa, tudo em partes iguais. No aconchego do aquecimento do carro, não sentimos o frio nem o vento, apenas o ar seco. Sequíssimo, na verdade, a humidade não ultrapassa os vinte e poucos pontos percentuais. A temperatura varia entre cerca dos zero graus e os vinte e qualquer coisa a meio do dia. À sombra, treme-se, seja a que hora for. Para combater a amplitude térmica, as construções típicas dos índios locais são construídas em adobe e têm a capacidade de manter a temperatura interior entre os 15º e os 20º C.

A pouca vegetação resume-se a cactos e a plantas espinhosas mas, segundo nos conta Omar, o guia turístico mais nostálgico da sociedade patriarcal que alguma vez conheci, a terra é tão fértil que basta atirar as sementes à terra. E regar com a (pouca) água do Rio Grande (que talvez seja grande em comprimento, não em caudal, pelo menos em dez dos doze meses do ano).

Ao longo da estrada, surgem aqui e ali uns aglomerados urbanos. Custa acreditar que haja quem viva aqui, todo o ano, por escolha própria. Mas sim. E muitas das aldeias foram posteriormente colonizadas pelos espanhóis, com o seu característico urbanismo ortogonal, praça de armas, igreja e cabildo.

O mate de coca faz o seu quinhão para ajudar a aclimatização (rima e é verdade), mas a altitude e a secura dão-me sonolência. Acrescido ao facto de a noite ter sido dura com a noite mal dormida na residencial. Adormeço no caminho de regresso, mas só depois de me certificar de haver visto a paleta dos pintores, uma sucessão de formações geológicas coloridas pela combinação vencedora dos minerais.

À chegada a Jujuy, a alma cheia de espaço e de paisagem; a mente já ocupada a pensar na última noite de Rio de Janeiro, a residencial de todos os horrores.

Do melhor


Jujuy é tão feio, tão triste e tão seco que este é um dos pontos altos da cidade.

Não vale a pena ficar lá a dormir, sobretudo se tiverem o azar de seguir o Guide du Routard e forem para a Residencial Rio de Janeiro. A única coisa que vale a pena é a comida. Óptima. Como sempre.

Padroes de Salta











sábado, 4 de agosto de 2007

A menina Salta?

Salta la Linda esteve linda esta semana. Menos linda esteve Jujuy, a última "grande" cidade argentina antes da Bolívia. Talvez também devesse pôr "argentina" entre aspas, porque aquela Argentina é completamente diferente desta daqui de Buenos Aires. Ou então aqui é que é uma Argentina entre parêntesis, uma bolha de gente, negócios e algum dinheiro.

Em Salta comemos empanadas, humitas e tamales, já para não falar do fantástico locro (que, dependendo da receita, tem um pouco mais - ou demais - cartilagens e ossos a dar o gosto ao estufado em forma de sopa). É uma pequena cidade de interior, que, tal como a capital federal, se divide por eixos que definem a contagem dos números das portas. Para baixo do eixo, tal como aqui, a cidade tem claramente menos dinheiro e é feita de pequeno comércio, oficinas e residências mais modestas. Para cima do eixo, todo um outro mundo: o centro histórico colonial e casas lindas, algumas apalaçadas.

Está rodeada de montanhas - os Andes - e no centro há um teleférico que sobe ao topo do cerro de São Bernardo. De lá, vê-se tudo. A cidade é pequenina, e na brochura que o teleférico faculta vem uma plantinha com os pontos de interesse. Na lista, até supermercados aparecem, a par da estrada para San Antonio de los Cobres e da Catedral.

As igrejas são lindas - a Catedral de Salta enfia a de Buenos Aires num chinelo - mas sempre com a bandeira nacional ao lado da do Vaticano... aqui, a autoridade é uma entidade meio confusa, uma mistura de Estado e Igreja.

De Jujuy não vale a pena falar muito. Noutra altura, uma palavrinha sobre a sinistra residencial onde ficámos alojadas e a onda esfumada de surrealismo sem limites do "dueño". Noutra altura.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

As despedidas

É tão bom termos visitas mas depois custa despedirmo-nos!

A Sílvia e o Ricardo foram hoje embora e foi com "uma lágrima no canto do olho" (dizer a cantar, como os Tubarões) que me despedi deles lá em baixo, junto ao táxi para o aeroporto. Foram dias de verdadeiro prazer! Pequenos-almoços com medias lunas (os croissants de cá), jantares de empanadas no Sanjuanino seguidos (sempre) de gelado de banana do Freddo, pão de espécie... ai, fida!

O serão de despedida foi na Viruta, onde finalmente dei os meus primeiros passos de tango. O Ricardo salvou-me das insistências de certo neo-zelandês até à chegada do Paulinho, com quem pude praticar o abraço tangueiro. Com a Sílvia concluí que o tango parece ser mais fácil que a salsa, pelo menos a um nível básico, e que requer menos meneio de ancas. E mais agarração!

E hoje a casa parece tão vazia...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Feria del Libro Infantil

Hoje foi dia de feira. Começou meio torto com o frio, a chuva e a ida em vão até ao centro de exposições "La Rural". É um centro de exposições absolutamente enorme, com duas entradas nos dois extremos das instalações que, de acordo com a escala americana, ficam a muitos, muitos minutos a pé uma da outra. Na segunda entrada, e depois de entrar num parque de estacionamento e encontrar finalmente um segurança que nos soubesse informar, ficámos a saber que a feira do livro infantil estava noutro pavilhão... pertíssimo de casa.

Lá nos metemos num taxi e finalmente chegámos. Foi com alívio, confesso, que ouvi algumas pessoas a contarem que tinham ido à "Rural"... Encontraram o mesmo que nós, a montagem de uma feira de gado!

No espaço da feira, havia stands da responsabilidade de diferentes entidades: editoras, institutos e escolas, organismos estatais. Aqui e ali, havia uma clareira onde decorriam espectáculos com malabarismos, cantorias e até ginástica! Como fomos de manhã, não apanhámos muitos ateliês de actividades artísticas, mas dava para perceber espaços dedicados ao conto de contos e também às pinturas. Havia várias bibliotecas, que tinham um pouco de tudo, e que expunham os livros sem estarem à venda.

Confesso que fiquei um pouco desiludida... não tanto pela quantidade de livros expostos mas sim pela qualidade da ilustração, do design e da encadernação. Havia histórias com ilustrações lindas, mas encadernações e papéis feios; havia livros de capa dura e papel de muita qualidade com ilustrações feias e texto mal imposto... Que pena!

Mas, lá no meio, encontrámos algumas verdadeiras pérolas. Um deles era um livro-almofada; outro, sobre os opostos, mas com touros. E o terceiro, o que mais de perto me falou, foi um sobre pulgas. É verdade.

Visitas

No Domingo chegaram as primeiras visitas e, de agora até Setembro, esta vai ser uma casa cheia! Os pequenos-almoços são agora partilhados com viajantes, em vez da televisão. Ao jantar, temos sempre a mesa cheia! Já não me lembrava de como era cozinhar para mais pessoas. E há que dizer: até nem tenho cozinhado porque não só o Paulinho o faz com muito mais gosto que eu, como também estes dois amigos parecem umas verdadeiras formiguinhas trabalhadeiras a pôr mesa, levantar mesa, lavar a loiça, aquecer jantar, cozinhar...

Vivam as visitas!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Sai do video!

Isto é o que me diz a Carolina quando falamos no Skype, com a câmara ligada.

A Carolina já pede para ligar o Skype, mas quando se depara com a chamada, já não acha tanta piada. Afinal a Bi está só no ecrã, que ainda para mais é frio, parece de plástico e não responde aos beijinhos que ela dá. Aí começa o disparate: cansa-se da converseta, mas que coisa é esta de estar a fazer como faz o pato para alguém que fala segundos depois de ter aberto a boca? Ainda para mais, ó Bi, tu sabes perfeitamente como é que faz o pato, portanto olha: "cuncunco!", que é como quem diz "não estou com paciência e tudo o que me perguntares daqui para a frente vai ser cuncunco.".

Às vezes, há soluções bastante engenhosas para dar a volta ao texto: o Avô põe o computador em cima da mesinha onde ela faz os seus desenhos. E assim lá me vai contando: "um sol", a cor do lápis é "amaielo" e "olha o lápiche pequenininho".

Vou matando as saudades e vendo (e ouvindo) os progressos da minha sobrinha. Os caracóis vão-lhe crescendo e há sempre um mais selvagem que lhe cai para a testa. Todos os dias tem uma palavra nova. Ontem perguntou-me: "ó Bi, que é isto, xabes?". Ou então diz: "é giro, não é?".

Não só é giro como também é super giro, re-giro, mas eu estou cá tão longe e fico sempre com um sabor agridoce na boca: viva o skype por nos permitir ver imagens pixelizadas das sobrinhas lindas (e do resto da família, claro) e fora o skype por não nos deixar sair do vídeo quando a nossa sobrinha pede.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Quem é que aguenta isto?

Está um "piiiiiiii" tão agudo a tocar há uns minutos. Ao princípio não se nota, mas quando finalmente se nota, torna-se um som perfuranto-horribilis dos ouvidos.

Vou ter mesmo de recorrer aos tampões. Misericórdia!

Ades cá vir


O meu novo vício, intercalado com o Cachamai, é o Ades de morango e kiwi, edição de Verão.

O Verão já se foi há muito, muito tempo (para mim já terminou em Setembro do ano passado, quando vim de férias para a Argentina), mas a bebida ficou. Felizmente: é uma bebida de soja com morango e kiwi. Boas notícias para quem não gosta de leite de soja: não sabe a leite. Boas notícias para quem gosta de morango: sabe muito a morango e pouco a kiwi. Estou absolutamente rendida. Não. Estou viciada. As instruções nesta casa são: "quem vai ao super, traz Ades de morango". E assim vou repondo o stock.

Ainda por cima, tem o nome certo para o trocadilho, que mais poderia eu querer?

sexta-feira, 13 de julho de 2007

O cachamai é uma instituição


O cachamai é um chá argentino. Quem diz chá diz infusão: uma infusão de várias ervas digestivas, dizem eles.

Eu digo que é um chá mnham que voou em poucos dias. Cá em casa já tem música (a do Dartacão) e canto-a sempre que vou aquecer a água e preparar o bule. Já que não aderi ao mate, adiro ao cachamai e sinto-me integrada. E já sei que quando me for embora da Argentina vou ter de levar um carregamento. Até porque me quer parecer que a Carolina, fã de "chachinho", vai gostar!

Cavalheirismo existe

Ando há algum tempo para escrever um post sobre este assunto, o cavalheirismo, e agora, que estou a fazer uma pausa no trabalho, chegou o momento.

Da primeira vez que me deparei com isto, não percebi realmente o que se estava a passar, pareceu-me mais uma hesitação. Falo da fila para o autocarro. Os argentinos, um pouco como os portugueses, fazem filas para tudo, sobretudo nos supermercados. Neste cenário, o panorama é sempre assustador: meia hora de espera para pagar é algo bastante comum. Embora seja muito chato, compreendo que as pessoas tentem passar à frente...mas a tarefa não é nada fácil, porque quem espera desespera e quem desespera tem olho de lince, ouvido fino, pé leve e cotovelo aguçado para espantar os penetras.

Quando chegamos à fila do autocarro, talvez porque passem tantos e a oferta seja abundante, as coisas invertem-se. Os homens, pura e simplesmente, não sobem para o veículo (devia dizer "não escalam o veículo", porque é disso que se trata) enquanto houver uma mulher à espera. É mesmo verdade. Deixam passar as senhoras t-o-d-a-s antes de entrar. E se calha a estarem em primeiro lugar na fila, olham para trás para ver se há mulheres à espera.

Da segunda vez que me aconteceu é que percebi bem o que se estava a passar. Ofereci ao simpático cavalheiro a passagem, mas claro que ele não aceitou. Confesso que me senti um pouco constragida, que isto das filas para os autocarros lisboetas deixam calo na consciência de uma pessoa. E agora, enfim, já me adaptei a esta situação.

Tenho duas teorias, mas desde já aviso que gosto mais da primeira: é cavalheirismo puro e duro e os homens fazem isso porque, a maior parte das vezes, os autocarros retomam a marcha antes de toda a gente subir e antes de poderem fechar as portas.

Ou então é para poder olhar para os traseiros das mulheres.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Exames

Há já algum tempo que não tinha que estudar nem tinha exames de nada e por isso agora até sabe bem pôr à prova os conhecimentos adquiridos no curso intensivo de castelhano que agora termina. Hoje foi dia de exame oral, amanhã é dia de exame escrito. Só espero não me distrair e não fazer daqueles erros super parvos em coisas perfeitamente simples. Sou bastante especialista nisso.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Entretém de Inverno


Nos serões de Inverno há coisas que vêm mesmo a calhar: um chazinho quente, uma mantinha e um puzzle. Acho que este vai dar para alguns dias...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O bom tempo é aqui


Apesar do frio lá fora, aqui está-se bem.

Está a nevar


Na fotografia não se vê muito bem, mas está a nevar em Buenos Aires. Tal como em Lisboa, o fenómeno cá é raro. Mas hoje vêem-se floquitos a cair do céu.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Turista em Buenos Aires

Já não me lembrava do que era ser turista em Buenos Aires e nestes dias estive a recuperar essa sensação a passear com a Guida. Hoje andámos por Palermo, visitámos a livraria Ateneo na Santa Fé, instalada num antigo teatro e, ao final da tarde, estivémos no Tortoni a absorver as vibrações à la Majestic portuense.

Agora esperamos a chegada chilena do Paulinho para um jantar mais tardio. E a Guida quer aprender a tocar cavaquinho.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Porque será...

...que fica nevoeiro quando está para chegar alguém de avião a Ezeiza? O voo da Guida já está atrasado duas horas... e o do Paulo saiu (apenas) meia-hora atrasado esta manhã.

Estou a fazer figas e a rezar a Santa Ezeiza. Parece um paradoxo esta mistura de rezas e de figas, mas não é, é mais ou menos a mesma coisa. É como um "chover no molhado" ou "subir para cima", um pleonasmo. Mas pode ser que ajude.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Sabem quem chega amanhã?

É a Bau!

Vem do Rio aos Ares passar uma semana connosco. Calha mesmo bem porque assim tenho companhia na ausência chilena do Paulinho.

Vou já preparar o casaco para levar amanhã para o aeroporto, que isto quem vem do Rio não traz abrigo-abrigado, só camisolita-pele-de-batata.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Colômbia parte V: de pulseirinha posta

Três dias in-tei-ros de sol e de sesta, de banhos e de leituras à beira-mar ou perto da piscina. Ao longe, no horizonte, uma ilhota tropical cheia de palmeiras a emergir de um mar de uma cor entre o turquesa e o celeste. Enfim, pouco habitual para os nossos olhos destas zonas temperadas.

A pulseirinha posta significava que tudo estava incluído e, durante três dias, soube bem não ter de pensar onde íamos jantar ou almoçar. Já sabíamos que era algures por ali, que não íamos ter trabalho nem esperar muito pela refeição. E, já que estamos nisto, a qualidade e a variedade da oferta não era nada má.

Nos bares do hotel, o Paulo ficou fã do Malecón de los Enamorados que, para ele, se transformou em Molocotón de los Enamorados. Por falar em melocotón, de repente na Colômbia o léxico já é mais parecido com o de Espanha: frutilla já é fresa outra vez, tal como durazno volta a ser melocotón.

(A anedota, a respeito dos nomes das frutas, foi mesmo em Bogotá, alguns dias depois, quando quis pedir um batido de banana. Havia lá um batido de banano, mas uma pessoa nunca sabe ao certo até que ponto estes nomes são verdadeiros ou falsos amigos, dado que, na língua espanhola, uma palavra super comum num país pode ser uma asneira odiosa noutro. E por isso, fiz a figura de parva do ano ao perguntar ao rapaz se banano era banana... Aqui na Argentina, banana é banana, mas por exemplo batata é papa e batata doce é batata. Uma pessoa confunde-se!)

Voltando a San Andrés e ao Malecón de los Enamorados das predilecções do Paulo, nos bares do hotel até os cigarros estavam incluídos, imagine-se!!! Pela parte que me toca, fiquei-me pelos sumos naturais e olá se bebi muito sumo de maracujá, de morango, de guanabana, de lulu, de banana... (não me perguntem que frutas esquisitas são estas pois não faço ideia dos respectivos nomes em português).

Li o livro do Murakami num ápice: depois do da Almudena Grandes, com para cima de trinta mil páginas, despachei uns quantos em muito pouco tempo. Foi bom, bom não ter de parar de ler para ir trabalhar ou para outro compromisso qualquer. Foi ler, e depois ler e no intervalo dormir a sesta.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Cartagena: algumas fotografias

Gosto desta







A Heróica chiva do nosso contentamento





Momento embaraçoso

Hoje fui pagar uma factura de electricidade já vencida. Para quem não sabe, não sei se em toda a Argentina, mas pelo menos em Buenos Aires há uma coisa chamada "Pago Fácil" e que, supostamente, devia facilitar o pagamento das contas. Mas não facilita. Em todo o caso, como a factura estava vencida, já não dava para pagar no "Pago Fácil" (que é difícil) e tive de ir directamente a uma das sucursais da companhia de electricidade, que por sinal até ficava pertinho da aula de castelhano.

Quando cheguei, o segurança sorriu-me e perguntou-me se me podia ajudar (até aí tudo bem), indicou-me onde é que devia pagar a factura (tudo bem também) e lá fui eu.

Paguei a factura sem novidade (confesso que estranhei!) e dirigi-me à saída, passando, naturalmente, pelo segurança.

Disse-me qualquer coisa que não percebi, aproximei-me, depois percebi que estava a ser simpático e a oferecer a mesa dele para eu apoiar o meu saco enquanto arrumava a tralha toda lá dentro. Aproximei-me e sorri, ele estava a ser simpático, vá, e vai daí ele sai de trás da mesa e vem dar-me um beijo.

Na cara, sim, também era o que mais faltava.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Colômbia parte III: Cartagena City Tour

Uma das atracções na visita a Cartagena é o city tour numa típica chiva, um veículo local de passeio adequado ao calor e ao carácter festivo, com ventilação natural e muita, muita cor. No fundo, é uma camioneta parecida com um eléctrico de São Francisco, só que muito, mas mesmo muito ruidosa. Cada uma tem um nome e a que nos calhou era "Heróica". Heróica, sim, porque lá subiu a inclinada ladeira até ao convento, sobretudo tendo em conta que o peso médio dos passageiros era largamente superior aos nossos (somados).

Arranjámos, na boa tradição da família Monteiro Ramos, nominhos para todos os participantes do passeio, inclusivamente para o tonto que ia a fazer a reportagem em vídeo e que vendia o DVD a 50 000 pesos colombianos (algo como 25 euros, após consultar o meu conversor humano de divisas). Explicou-nos, entre dois monumentos, o conteúdo do seu magnífico DVD e pediu-nos que manifestássemos atempadamente o nosso interesse para que pudesse filmar-nos mais... claro está que o meu jogo durante a tarde passou a ser a "fuga ao filme", escondendo-me sempre subtilmente atrás de alguém. Ele percebeu e passou a chamar-nos o tempo todo: "Portugal, Portugal! Donde está el cabrón? En la mochila?".

(faço aqui uma pausa dramática para enfatizar a pergunta anterior e esboçar a que se impõe: "cabrón? hmmm?". Preocupação no rosto da minha Mãe: "ai, desgraça da rapariga agora aqui a dizer tantos disparates, para o que lhe deu!". Mãe, nada temas: tudo tem uma explicação.)

No convento, o guia contou uma lenda sobre um "cabrón" que tinha desaparecido. Confesso que não me lembro bem dos pormenores mas aparentemente o tal "cabrón" refere-se a um bicho que era adorado e provavelmente sacrificado por seitas não-cristãs, o que provocou o estupor nos primeiros missionários que lá chegaram ao alto do monte e se depararam com o espectáculo.

No meio disto tudo, o choné do homem-vídeo teve sorte: esboçámos o nosso melhor sorriso amarelo e não respondemos torto...

Colômbia parte II: em Cartagena

Cartagena é uma cidade com um centro histórico muralhado e, diga-se de passagem, muito bem conservado. A traça é espanhola, claro, com ruas mais ou menos ortogonais, muitas praças e casas com entre um e três pisos, as mais baixas para os estratos sociais mais baixos, subindo em altura à medida que o seu proprietário sobe na pirâmide social. Isto, claro, na época colonial, dado que agora todo o centro é a área de maior excelência com o metro quadrado mais caro da Colômbia, se não estou em erro. É lá que está a casa de veraneio do Gabriel Garcia Márquez, por exemplo.

A cidade colonial é linda. Muito bem conservada e pintada com cores vivas, nas varandas de madeira vêem-se plantas trepadeiras e muitas flores. Nas ruas, as pessoas sentam-se e tentam combater o calor com o ocasional leque, ou então apenas prostradas à sombra de uma árvore, à espera da brisa. O calor, pelo menos em Junho, é perto do infernal, a humidade não lhe fica atrás e dá o golpe de misericórdia no banho fresco acabado de tomar. A mosquitagem não ajuda, é certo, mas há sempre um suminho natural delicioso para beber.

(Um pequenino à parte: bebi uma limonada com leite de coco que ainda hoje me deixa de água na boca...)

Fora das muralhas há algumas ruas coloniais, o castelo de São Felipe de Barajas e, em cima da única colina, um convento (achava que era de Santa Clara mas diz o Paulo que é de Santo Agostinho).

As zonas novas têm encantos naturais parecidos com o Rio de Janeiro (numa escala mais pequena), com o recorte da costa a fazer praias em plena cidade, e os desencantos da paisagem humanizada não planeada. Apesar disso, por não ser muito grande, é uma cidade que mantém o seu encanto praticamente intacto e um passeio no seu centro histórico numa carruagem puxada por cavalos é um momento absolutamente inesquecível.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Colômbia parte I: aventuras e desventuras nos aeroportos desta América Latina

As férias começaram numa fria madrugada porteña.

Contrariamente ao que temia, os radares do aeroporto e a meteorologia não nos decepcionaram. O que nos ia deixando em terra, isso sim, foi a velocidade (ou a falta dela!) do check-in para o voo Buenos Aires-Bogotá. Estivemos na fila mais de hora e meia e, quando chegámos ao balcão, lá pudemos compreender o porquê de tanta demora. A emissão dos cartões de embarque, bem como as demais operações, era feita manualmente. Sim, manualmente! O cartão de embarque vinha preenchido à mão... Enquanto o funcionário preenchia o dito cartão, era preciso ir a outro balcão pagar a taxa de entrada na Colômbia. Assim é, paga-se uma taxa para entrar no país.

A viagem é bastante longa, algo entre seis e sete horas. E estamos sempre na América do Sul! Estes passageiros dormiram o tempo quase todo porque a alvorada havia sido antes das cinco da manhã.

A escala em Bogotá foi, provavelmente, a escala mais rápida da história. A imigração foi completada em menos de nada, com acesso às filas preferenciais da tripulação e de diplomatas e umas meninas da Avianca, localizadas em pontos estratégicos, chamavam-nos e registavam o nosso progresso naquele jogo de pista em direcção ao terminal doméstico. Ali entrámos por uma porta e saímos imediatamente por outra, num verdadeiro "sem passar pela casa da partida nem receber dois contos". A ida à casa-de-banho foi um novo contra-relógio em que desembaraçar-me do cinto foi um problema.

Chegámos por fim ao avião e, uma hora e uns trocos depois, a Cartagena de Indias, a nossa primeira paragem na Colômbia, terra de calor húmido e mar caribenho, ceviche e outras iguarias com peixinho fresco.

Colômbia: introdução

Em primeiro lugar, desengane-se quem pensa que a Colômbia é toda igual àquilo que aparece nos filmes de Hollywood. A Colômbia que visitei é sítio de boa comida, peixe bem fresco e gente muito simpática. Já me estava a esquecer de que o castelhano que falam é o mais cortês e bonito que ouvi até agora: não há frase sem floreado e até a simples resposta a um "gracias" é um "con mucho gusto, para servirle".

Os primeiros três dias foram passados em Cartagena de Indias, uma cidade muralhada no mar das Caraíbas, ou seja, na costa colombiana atlântica. Daí voámos para San Andrés, uma ilha mais perto da Nicarágua que da Colômbia, mas que "por adopção" (como nos explicou o taxista assim que chegámos) pertencia a este último país. Os últimos três dias foram passados em Bogotá, que funcionou como plataforma de readaptação ao frio e à cidade.

Chegámos a Buenos Aires em dia de eleições municipais com o bom auspício do radar de Ezeiza e hoje foi o regresso ao trabalho.

Ora foi assim...

domingo, 24 de junho de 2007

De regresso

O radar cooperou tanto na ida como no regresso e hoje chegámos a uma Buenos Aires com -2ºC. O estágio em Bogotá, que está num planalto a 2800m sobre o nível do mar, ajudou a fazer a transição do calor tropical de San Andres para o Inverno austral.

Brevemente, neste "sítio do costume", relatos e imagens da Colômbia.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Colombia

Amanhã, se o nevoeiro e o radar do aeroporto de Ezeiza não se opuserem, lá vamos nós em direcção à Colômbia, país de grandes cidades, belas praias e espero que fantástica comida. Estou desejosa de comer peixinho fresco verdadeiro!

Estou ainda mais desejosa de visitar este país e de opôr àquilo que vou encontrar todas aquelas imagens feitas vendidas pelos filmes americanos e pela distância (mais que física, do desconhecimento) que separa a Colômbia da Europa. Para além de Gabriel García Márquez, Shakira, droga e violência, certamente que a Colômbia tem muito, muito mais para mostrar. Acho que só Bogotá tem mais habitantes que "todó" Portugal...!

Também estive a ver a previsão do tempo: ora em Buenos Aires amanhã vamos ter chuva e temperaturas entre os 3º e os 14º. Para Cartagena de las Indias, onde já vamos passar a tarde (lá está, se o radar cooperar), a previsão indica 31º!

Bem, tenho de ir escolher a roupa e fazer a mala! :D

A tareia

"A tareia" é o título das três minhas últimas noites: sonho leve, com pesadelos e uma sensação geral de "ter levado uma sova" ao acordar. Mudámos de colchão.

Tenho saudades do meu querido e já algo gasto colchão de Portugal. Até já tenho saudades do colchão IKEA que estava antes na cama. Agora é um ferrari (qual ferrari, eu gosto mais de porsche!) do mundo dos colchões, mas deixa-me toda dorida.

Como diria certa mini-pessoa (cujo nome não podemos revelar): "ai, fida!".

terça-feira, 12 de junho de 2007

Santo Antoninho, tao longe me vais ficando!

Até nem sou uma fanática das multidões e dos apertões característicos da data, mas não posso deixar de sentir alguma nostalgia quando penso na sangria má, na barulheira até de manhã, no cheiro a fritos das farturas e na sardinha com salada de tomate e pimento verde, no bailarico (nos últimos anos ao som de um sucedâneo de Ivete Sangalo) e na dor de pés ao final da noite.

Mas, agora que estou cá longe, todas estas coisas adquirem um carácter pitoresco e o saborzinho a Lisboa, a bairro e a Verão, trazem-me saudosa e suspirante.

Nitidamente as raparigas argentinas não precisam de pôr ao luar o nome dos seus pretendentes: são tão lindas de cair para o lado que o Santo António aqui não tem trabalho nenhum.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Diz que e uma especie de uniformizacao

Só que sem ser.

Este post também podia ter como título "formatos há muitos, seu palerma", porque é mesmo isso. É uma uniformização de formatos sem ser (qual A4, qual letter!) e a multiplicação da dimensão.

É que aqui na Argentina não há factura que tenha o mesmo formato que a seguinte. E que nem se pense que a largura máxima do envelope DL (esse sim, obedece à uniformização) constitui barreira à variedade de tamanhos. Cada folha é uma folha e, na sua autêntica unidade, tem um formato diferente da folha seguinte.

O dossier das facturas, que em Portugal fica tão arrumadinho (e gordo, pois...), cá é uma paleta de formatos de papel cujos modelos provavelmente nem nomes têm. A Telefónica, por exemplo, que é a mãe da Movistar (acho que não estou a cometer um grande erro, mas sabe-se lá!), tem uma factura com uma dimensão diferente da sua filha. Talvez porque a Movistar é filha e seja mais pequena? Não me parece. Uma é mais larga, a outra mais comprida. Ambas cabem no envelope, mas uma mais folgada, a outra menos.

Isto é um problema grande para uma designer! Eu gosto de ver as folhas arrumadinhas e com os furos para entrar no dossier no sítio certo, nem mais acima, nem mais abaixo! Mas não. Cá não. Agora a minha política é marcar-lhes o meio, a cada uma, e furá-las aí.

Quanto ao aspecto do dossier... nem vale a pena falar.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

As maravilhas da tecnica

Tenho vindo a descobrir as maravilhas do leitor mp3 que os meus pais me ofereceram de forma algo progressiva. Primeiro, delirei com o facto de ter rádio. Depois comecei a gostar de lá ter música. E agora descobri a maravilha dos podcasts. Estou feliz com esta descoberta porque é um óptimo substituto para a leitura enquanto almoço. Muito mais ergonómico também: como não posso pôr o livro dentro do prato e tenho a chamada "miopia" (embora os anglófonos o digam muito mais explicitamente com o seu "shortsighted"), às vezes não consigo ver bem as letritas e tenho de repetir tudo até me cansar.

E aqui surge a descoberta do podcast. Neste momento, subscrevo uns podcasts do Nuno Markl, umas coisas curtinhas para a palhaçada, e um podcast sobre ilustração, ilustradores e ilustradores-designers. São entrevistas que demoram cerca de hora, hora e meia e que brotam uma conversa informal para dentro dos meus ouvidos enquanto me reabasteço. É quase como se estivesse a almoçar com eles, mas sem ter de me preocupar com ter boas maneiras à mesa. Também ouço nas viagens de autocarro, embora aqui seja mais difícil por causa do ruído de fundo dos motores e das buzinas. Ou enquanto estou no supermercado, tentando perceber a diferença entre ovos brancos e castanhos.

Quando chego a casa, vou espreitar as páginas dos entrevistados e ver os seus trabalhos, para construir uma imagem visual do trabalho referido na entrevista.

Estou absolutamente rendida e já decidi que o próximo passo é um audiobook.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Telegoelando

Estamos em Junho!

Junho, para mim, era sinónimo de manjerico, calor, dias longos, decorações de papel pelas ruas, santos populares, sardinha assada, bailaricos improvisados e a minha fartura anual ("fartura anual" é ambíguo... explico-me: refiro-me especificamente ao frito coberto de açúcar e canela, na única vez que o como durante todo o ano).

Este ano, Junho é mais parecido com Novembro ou Dezembro, com frio, casacos e camisolas. Sim, e sol, é verdade, e vento. E nada de castanhas, porque as que encomendei na mercearia e que paguei a preço de ouro vinham podres.

Este ano, Junho é televisão! A primeira semana (esta que começa hoje - ou talvez ontem) é marcada pela "semana clímax" do WB Channel, em que todas séries têm o seu último episódio. Portanto prevejo uma barrigada de sofá, televisão como se não houvesse amanhã (ou próxima semana... o que será que vão pôr no ar na próxima semana?). E até calhou bem, dado que o Paulo está no Chile.

Bau in Rio, estás preparada? Podemos sempre ligar-nos pelo skype e ir comentando tudo durante no intervalo, o que te parece?

Encontro de Empresas de Design

Enquanto escrevo isto, decorre em Lisboa, na Fundação Portuguesa das Comunicações, o Encontro de Empresas de Design. Organizado por quatro designers com grande espírito de iniciativa (força, Margarida!), este Encontro pretende fornecer um espaço de discussão (e esperemos que de algum consenso) em termos das questões éticas e deontológicas da profissão. Isto num país onde o design ainda é uma disciplina bastante recente, com uma imagem percepcionada pelo público talvez bastante afastada da "realidade"; ou, melhor dizendo, daquilo que para mim é o design.

Na minha opinião, o design é compreendido pelo público como um atributo "bónus" de certa peça, algo que lhe é exterior e que se limita a algo estético: se tem "design", é mais bonito e, muito provavelmente, mais caro. Compreende-se então um objecto de "design" como tendo um certo carácter de obra de arte. Contudo, o design é uma disciplina que pretende a optimização da relação entre a forma do objecto e a respectiva função. De uma maneira simples, o design é uma disciplina de resolução de problemas. Tal como a arquitectura, diria eu, ou mesmo a medicina.

Claro que esta visão de "resolução de problemas" não combina em nada com a visão do design como luxo... Esta é a grande cisão dentro do design e entre designers. Mas adiante.

Voltando ao Encontro, que é o verdadeiro assunto deste post. Embora esteja longe de Portugal, acalento grandes expectativas em relação a esta ocasião de discussão de problemas que são comuns a todos os que praticam esta actividade em Portugal (e, quem sabe, noutras partes do mundo). Tenho esperança de que sejam consolidadas algumas directivas (ou sugestões de direcção!) que sejam consensuais na comunidade em relação a assuntos como a orçamentação de trabalhos ou a participação em concursos como forma de angariação de trabalho.

Estou curiosa por saber os resultados!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A descoberta da polvora ou talvez a maior invencao depois da roda

Os transportes colectivos em Buenos Aires são confusos. Sejamos justos: o metro (subte) não é assim tão confuso. Mas pode oferecer algumas armadilhas ocultas, nomeadamente em alguns acessos que só servem uma das direcções da estação em causa. Enfim, uma pessoa engana-se a primeira vez e depois já sabe.

O mesmo não se passa com os autocarros. Deve ser a rede de autocarros mais confusa que eu alguma vez vi na minha vida, embora devamos admitir que nem tudo é mau. O preço do bilhete, por exemplo, é ridiculamente baixo: custa cerca de 20 cêntimos de euro (oitenta centavos de peso); e a frequência de passagem também é surpreendente. Nunca se espera muito tempo.

Mas a verdade é que também há muitos aspectos negativos e eu demorei alguns meses a ousar entrar no mundo do autocarro porteño. E atenção que eu sou uma defensora do transporte público. A primeira vez mereceu um post aqui no blog. Sacudidelas, voltas pela cidade e o desconhecimento absoluto do itinerário e da localização das paragens de autocarro (saí na paragem "a seguir", porque só depois de se passar por ela se sabe qual é a melhor paragem). Ainda demorei um pouco a recuperar, mas quando comecei as aulas de castelhano aproveitei para me colar à colega inglesa que sabia que autocarro apanhar. E assim recomecei. E assim tomei conhecimento daquela que é a maior invenção depois da roda, a verdadeira pólvora porteña.

Trata-se de um guia de bolso da cidade.

O Guía T, o melhor amigo do homem (e da mulher) que precisa de andar de autocarro em Buenos Aires

No início há um índice de ruas e a esquematização das plantas da cidade. Depois, em cada página há uma planta, que se subdivide em sectores definidos por uma grelha ortogonal. Para cada sector, existe na página ao lado a lista dos autocarros que aí passam (não se sabe bem onde, mas em alguma das vinte ruas do quadrado). Aí, encontrados os pontos de partida e chegada, procuram-se coincidências nos números dos autocarros que lá passam.

À direita, a planta subdividida em quadradinhos; à esquerda, as linhas de autocarro que passam por cada um deles.

E pronto, a partir daí é consultar o itinerário da linha ou linhas que estão assinalados em ambos quadrados. Ou seja: ou se conhece bem, ou aventura total. Isto porque a descrição que lá se faz do circuito não é particularmente clara, como também existem paragens por todo o lado, com algumas a servir só uma linha - mas nunca a que nós queremos.

Do que mais gosto é dos desenhos dos autocarros!

Resumindo. O truque é ir com quem sabe. Mais nada.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Queria so dizer...

Telma, lembrei-me muito de ti enquanto passeei pelo Rio de Janeiro!

Foi tao bom...

Vota no Cristo!

Cantemos todos: "Fomos a um país tropical, abeçoado por Deus e gelámos de frio!"

E outra música: "Copa Copacabana!"

Passeio no Calçadão, a dois passos da casa da Bau e amigas

"É bom passar uma tarde no Arpoador/ Ao sol que arde no Arpoador/ Ouvir o mar do Arpoador/ Falar de amor no Arpoador"

Ups... palavras para quê?

O "caminho aéreo" para o morro do Pão de Açúcar (com o sol a pôr-se lá atrás!)

Praia de Botafogo vista do Pão de Açúcar (só de ouvir os nomes dá vontade de lá ir!)

Orquestra republicana anima salão "Kananga do Japão"

Tem o Chico vindo no Circo Voador!

O bondinho que passa em cima dos arcos (sem resguardo para além de uma frágil redezinha) da Lapa

Cartaz no bairro de Santa Teresa

Só foi pena não fotografar a feijoada... não fui a tempo!

Ou então raio da droga, ora pois!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Assim se protesta em bom castelhano


É uma praça com um jardim, bem bonita por sinal. Estava lá ontem esta manifestação. Ora atenção a quem reivindica melhores salários:

Não sei que fenómeno é este que na Latinamérica as "Comissões Nacionais" são todas abreviadas desta forma...

E mais! De quem será a dita cuja?

Ja estou a ouvir a musica...


Brasiuuuuuuuu! Ta ta rarararararan... Ta ta rarararararan... Ta ta rarararararan... Brasiuuuuuuu, Brasiuuuuuuu!

Tal é o meu entusiasmo com esta visita relâmpago à Bau no Rio de Janeiro que até cedo à parvoíce de tentar reproduzir uma letra que desconheço (e sua melodia, que conheço) neste registo textual. Não dá, bem sei, mas vamos imaginar a musiquinha com uma qualquer Gal Costa a cantá-la e a arrastar ligeiramente as notas mais altas. Com montes de ferrinhos e pandeiretas por trás, evidentemente, que é mesmo assim que eu me sinto: contente, com ferrinhos e pandeiretas e, à falta de agilidade para o passinho de samba, um atrapalhado movimento de ancas e uma vontade tremenda de chegar lá. Iupiiiii!!!!!

P.S. Que alegria poder catalogar este post dentro das "viagens". Iupiiiii outra vez!!!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Pao de especie

A célebre receita de pão de espécie que me foi dada pela Filipa tem feito tremendo furor em Buenos Aires. O Paulo aprendeu-a e todos os Domingos me faz um, que me fica para os lanchinhos de quase toda a semana (e sempre que tenha fome e vontade de comer algo docinho). Diria que faz parte do plano de engorda esboçado por certa pessoa que quer que eu recupere rapidamente o pneuzito; ou a poignet d´amour (literalmente, maçaneta do amor), como dizem os franceses. Com a interdição chocolateira na minha dieta, o pão de espécie fez-me companhia durante estes dias de travessia do deserto. E agora já posso voltar ao chocolate. Estreei-me na sexta-feira com um "100% Xocolat". Sim, sim, um "peti catu" ou "petit gâteau" ou "fondant" ou como lhe queiram chamar. E caiu-me muito bem!

Cursinho II

Hoje comecei com as aulas de castelhano. Estou tão contente! Senti-me tão feliz ao voltar às aulas!

E mais um comentário: apesar das instalações da Universidade de Buenos Aires serem absolutamente decadentes, têm aquecimento! Têm aquecimento! Não tive frio na aula, pelo contrário: até tive algum calor e tirei o casaco, vejam a loucura... Quando me lembro que quando ia para as aulas no Convento de São Francisco às vezes tinha de levar uma mantinha na mochila para tapar as pernas...

Viva a constipacao!

Oh, que alegria a minha ao dizer que tenho uma constipação! Tenho uma constipação! Vivam estas pequenas maleitas que só nos dão sono, entopem o nariz e nos aborrecem com o malfadado pingo. Vivam! Desde que sejam passageiras e que se possa dormir a sesta, lógico...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Cursinho

Fui-me inscrever no curso de castelhano para estrangeiros leccionado na Faculdade de Letras da Universidade de Buenos Aires. Fica no Microcentro, num edifício lindo por fora e completamente escaqueirado por dentro. Se achava que a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa era decrépita, tive de rever o conceito após a visita a estas instalações.

Apesar da ruína física, as pessoas são muito simpáticas e até têm seguranças a mandar-nos avançar na fila para pagar as propinas. Poder-se-ia dizer que era na "Tesoraria", mas a Tesoraria não tem instalações próprias, apenas um guiché protegido com vidro duplo e grades com um aspecto bem ameaçador. E, à boa maneira latina, há imensas fases no processo da inscrição, passando por várias janelinhas e balcões, tudo com o já falado aspecto (pausa para pensar em novo qualificativo... sem sucesso!) ruinoso.

Começo as aulas na terça-feira que vem e já vi que tenho mais cinco colegas (até à hora da minha inscrição). Estou tão contente!

Olha quem chegou!

Olha quem chegou à blogosfera! É o dicforte! Depois d´O Pulo e o Laranjo, aqui está mais um blog familiar. Já só faltam dois...

Como não sei pôr hiperligações aqui (sou tão século passado...), estão ambas na coluninha ali à direita que diz "Amigos".

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Misteeeeeerio


Não se sabe por que caminhos da Latinamérica andou este postal. Foi expedido do Rio de Janeiro, tal como outros em direcção a Portugal, no início do mês de Maio. Aparentemente, o caminho marítimo para a Europa é mais curto que o terrestre "intra-continente" entre países vizinhos, de maneira que só hoje chegou cá o postal de Ouro Preto!

Reparem a quem é endereçado... tem algum jeito? :)

terça-feira, 15 de maio de 2007

Compartamos, compartamos

Ontem tocaram à campainha. Estranhei: não tinha pedido comida do restaurante da esquina, não tinha comprado mais nenhum livro da amazon, não estava à espera das compras do supermercado e, na verdade, não estava à espera mesmo de ninguém.

Vou antender, meio desconfiada. E ouço uma voz que me diz:

Hola, soy Pablo. Queiro compartir com vos un pensamiento bíblico.

Chiça, estão por todo o lado!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Cabeleireiro

Tal como andar de autocarro pela primeira vez, ir ao cabeleireiro é todo um ritual de passagem porteño. Ou talvez de todas as cidades.

Fui cortar o cabelo para celebrar a recuperação e erradicar as abundantes pontas espigadas e decidi, assim como se não houvesse amanhã, que era altura de mudança. Ainda hesitei um pouco e perguntei ao cabeleireiro o que ele achava. A resposta - não verbal - foi uma bela franja, cortada de imediato e antes de qulquer outra intervenção capilar.

Apesar da alegria que esta franja me tem dado nas últimas horas, não é dela que quero falar, mas sim do ritual que é a ida ao cabeleireiro. Nunca na vida me tinha um cabeleireiro feito tantas perguntas. Nem a menina que me lavou o cabelo, que conversou comigo todo o tempo, apesar de eu estar a fechar os olhos e a tentar relaxar enquanto me massajava a cabeça. Será que esperava uma resposta minha naquela posição?

Tudo começou com o já habitual "de acá no sos", o desbloqueador de conversa mais conhecido dos argentinos. E por aí fora. O rapaz que me cortou o cabelo ficou a saber o meu primeiro nome, o meu segundo nome; disse-me o seu primeiro nome, revelou-me o segundo. Perguntou-me o meu aniversário e disse logo que adorava aquarianas, por serem tão... (o barulho do secador de cabelo camuflou esta parte; vi pelo espelho que continuou a falar, mas eu nada ouvi, um pouco como num filme mudo. Tratei de esboçar um ligeiro sorriso e emiti, de tempos a tempos, um "hmm, hmm", para lhe dar segurança.).

E agora, superada a prova, começa o dilema: volto lá? Não volto? Se voltar lá, pode ser (vá, existe a possibilidade) que não queira repetir todas as perguntas e eu possa estar caladinha e tranquila, a franzir a minha miopia para ver no espelho o progresso do corte. Se for a outro diferente, será que tenho de passar pelo exame outra vez?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

terça-feira, 8 de maio de 2007

Filipas de parabens

Hoje a Filipa R., amanhã a Filipa S.!

Na verdade, com a diferença horária, a Filipa S. não faz anos "amanhã", mas sim daqui a uma hora... portanto podemos afirmar que as duas Filipas vão fazer anos ao mesmo tempo e que os dias 8 e 9 de Maio se vão sobrepor. Curioso...

(Acho que estou a sentir os efeitos secundários das anestesias gerais na minha capacidade de raciocínio...)

Pudim de espinafres

Pudim de espinafres: fácil e ultra-mnham
Na semana passada, o Paulo e eu fomos à estação de correios-alfândega buscar as três caixas que eu tinha enviado de Lisboa com roupas, sapatos e... um livro de receitas, oferecido pela minha tia Alcinda.

O livro está perto de ter caído do céu (a avaliar pelo estado da embalagem, caiu mesmo): tem várias dezenas de receitas com vegetais. Não são necessariamente vegetarianas, mas a base é um ou mais tipos de vegetais. Ideal para mim, certo?

Ontem, já me sentindo com mais forças, decidi presentear o Paulinho com a primeira refeição por mim confeccionada após o regresso a casa. Comecei com algo fácil, o pudim de espinafres. Como é costume, adaptei uma série de coisas da receita, substituí uns quantos ingredientes, usei o forno um pouco às apalpadelas (é a gás... como é que eu sei se está a 180ºC?)... mas o resultado compensou! O pudim é delicioso e o calorzinho do forno sabe mesmo bem agora que a temperatura lá fora começou a baixar. Mnham!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Limpezas de... Outono?

Estou a fazer a limpeza da minha biblioteca de fontes no computador. É uma tarefa chata, aborrecida, que consome muito tempo e pouco intelecto e que jamais é viável em épocas em que tenho muito trabalho.

Estou a ver ficheiro por ficheiro e a catalogá-las de acordo com algumas categorias que são padrão na tipografia (com e sem serifa, por exemplo) e por outras categorias que já vi que são necessárias no trabalho que desenvolvo ("infantis" ou com "aspecto digital"). E mando fora carradas de lixo, que digo "carradas", pazadas de lixo, que digo "pazadas", imenso lixo! Fontes com nomes diferentes e desenho muito semelhante, fontes que não têm todos os caracteres, algumas que são apenas feias e que não estão aqui a fazer nada.

E depois há as que têm nomes bizarros. Quando me deparei com uma chamada "AssCrack" nem pensei duas vezes. Lixo com ela. Não pode ser boa com esse nome.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Um vencedor

Sirop Folie, mnham mnham!

Ontem fomos jantar fora, para celebrar... ora, para celebrar qualquer coisa, que quando uma pessoa sai do hospital só tem vontade é de celebrar (mas devagarinho...).

Íamos experimentar um restaurante sobre o qual tinha lido uma boa crítica numa revista, um restaurante aqui pertinho de casa, para podermos ir a pé ao ritmo estonteante que eu consigo atingir. Quando lá chegámos, estava fechado para obras. Mas nesse mesmo becozito a oferta gastronómica não se esgotou numa porta fechada. E aí vimos o Sirop e, em frente, o irmão endiabrado Sirop Folie. Porque tinha um ar mais descontraído e uma iluminação mais clara, entrámos no Folie - e não nos arrependemos.

A decoração é simpática e o melhor de tudo é que tem sofás como cadeiras. Quem se senta do lado da parede, senta-se num sofá. Para mim, foi ouro sobre azul porque só desejava descansar as costas e encostá-las a algo confortável.

Passo a fase da ementa, que é resumida mas muito bonita, e passo directamente à comida. Vinho também não provei, portanto o ponto forte é mesmo, mesmo a comida.

Começámos com um "tapeo" em que o que os vencedores foram, claramente, as bolinhas de pão com gravlax (um salmão... curado, acho eu) e uns cogumelos dentro de uma massa frita muito delicada e saborosa. O resto era bom, sim, mas perto disto nem vale a pena referir. Mas o melhor estava para vir com o prato principal. Tanto eu como o Paulo escolhemos a corvina rubia a la plancha. E peixe, em Buenos Aires, é francamente um luxo. É tão raro haver peixe que até acho que eles não o cozinham bem, parece que o cozinham demasiado - pelo menos foi essa a sensação que tive no Chile, onde sim, há peixe, mas ultra-cozinhado. Mas o de ontem estava absolutamente de-li-ci-o-so. Dois lombinhos de corvina vinham acompanhados de uma salada de abacate e tomate e um arroz pilaf com uns toques de lima absolutamente divinais. Todos os sabores estavam equilibrados: os naturais dos alimentos com os complementares. Uma autêntica delícia.

A mim, soube-me pela vida, sobretudo depois de 15 dias a comer por via intra-venosa. Viva a comida verdadeira!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

A Greener Apple

Estou muito contente com esta carta publicada um destes dias pelo Steve Jobs da Apple (cliquem no título em cima, que ainda não sei pôr hiperligações no texto). Aos poucos, podemos começar a partilhar o entusiasmo da Carolina quando vê a maçã no meu computador e exclama, excitadíssima: "mnham, mnham!".

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Particularidades do castelhano argentino

Se há coisa de que gosto é das pequenas minudências linguísticas que se vão apreendendo ao longo de uma estadia num país. E, claro, na estadia hospitalar pude apanhar algumas delas, logicamente dentro de uma temática difícil de encontrar em qualquer outro sítio.

É engraçado como o espanhol argentino está mais perto do português de Portugal que o espanhol de Espanha. Por exemplo, diz-se "casamiento" cá, em vez da "boda" espanhola. Mas a grande curiosidade, para mim, é quando cá se usam expressões parecidas a algumas caídas em desuso em Portugal.

Um exemplo desses, ganho logo no primeiro dia de hospital, é a expressão ir de cuerpo. Perguntavam-me sobre ir de cuerpo e eu fazia um scan mental e nada. Até que me lembrei do meu Pai contar que a sua Mãe dizia dar de corpo quando se falava em "fazer cocó". Significa isto que na Argentina se usa uma expressão semelhante a uma utilizada pela minha Avó da Beira Baixa! É lindo!

Por que caminhos terá esta expressão - bem metafórica - migrado?

sexta-feira, 27 de abril de 2007

De volta

Chiiii... que maneira de começar a experiência porteña...

Estou de volta a casa após duas semanas de internamento no Hospital Alemán de Buenos Aires. Tinha que ser a minha tripa a pregar-nos uma partida!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Colectivo 93

Confesso que estava um pouco receosa relativamente à "experiência autocarro" em Buenos Aires. Têm um ar antigo, barulhento e, sobretudo, não há em lado algum a indicação do trajecto. São colectivos para iniciados.

Hoje foi o dia de passar esta prova e apanhei, conforme indicações de uma das companheiras de almoço, o 93, que vinha directo de Palermo para a Recoleta. Claro está que ninguém sabe (ninguém que nunca tenha andado!) onde é a paragem na Recoleta... mas cheguei! Saí numa paragem mais à frente, evidentemente falhei a mais próxima, mas cheguei.

E o melhor é que os autocarros cá têm pelo menos dois aspectos onde batem os da Carris aos pontos: são baratos (80 cêntimos de peso... qualquer coisa como 20 cêntimos de euro) e passam cada... sei lá, 30 segundos? É incrível! Enquanto me despedia das pessoas com quem almocei passaram dois (e não foi uma despedida à portuguesa em que ficamos mais meia-hora à conversa à porta); depois atravessei a estrada e preparava-me para uma espera valente quando apareceu novo autocarro. Já lá dentro, avançámos uns metros e fomos ultrapassados pelo seguinte.

Não há horários de autocarros. Para quê, se passam com tanta frequência?

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Irifune

Só para dizer que me reconciliei com o sushi, graças à perseverança do Paulinho e à mestria destes senhores:
Ah, como é difícil não fazer uma piadita parva com o nome do restaurante!