quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Estou a menos de nada...

...de ir para um centro comercial só para ter ar condicionado.

Ainda não são onze da manhã e o calor já é abrasador.

Uf.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Informática e informáticos

Ao ler este texto (é giro, é giro! Ide ler!), só me apeteceu comentar:

"Pudera, comprasse um mac e teria muito menos problemas!"

Mas talvez seja um pouco fora do âmbito do artigo.

(Encontrei o texto através do blog do Planeta Tangerina.)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Fim-de-semana na cidade, parte II

Agora vamos ao positivo do fds passado.

Quem já conhece o restaurante Osaka, escusa de continuar a ler. Quem não conhece, queira continuar, se faz favor, mas prepare-se para grandes momentos de salivagem desenfreada.

Depois de apanharmos o Miguel no Aeroparque obrigámo-lo a vir passear connosco para Palermo na nossa busca de estantes. Há que esclarecer que em Palermo, no meio de duas lojas de decoração, há umas vinte de roupas, roupinhas, sapatos, roupa interior, ténis... É impossível (praticamente) resistir ao chamamento!

Quando se fez hora de jantar, aproximámo-nos sorrateiramente do Osaka, restaurante que havia sido eleito pelo Miguel como o "melhor dos últimos tempos". Entre o que queríamos pedir e o que foi pedido por engano (um engano feliz), deliciámo-nos com os pratos que já conhecíamos e descobrimos outro nunca antes navegado. Falo aqui de ceviches, claro, ceviches, tiraditos e sushi, numa onda de fusão peruano-japonesa de fazer crescer água na boca.

O ceviche é aquilo que já se sabe: deliciosos pedacitos de peixe marinados em sumo de lima, uns chilis quaisquer cujos nomes desconheço, coentros e cebola, acompanhados de milho (para nós, é tudo milho; para eles, cada milho é um milho diferente e tem nome específico).

O tiradito é uma coisa género "carpaccio", neste caso de peixe: fatias muito fininhas de peixe com molhos diferentes. Um deles tem maracujá e resulta doce, o que provoca um contraste delicioso com o picante dos chilis e do agreste da cebola. O outro é género... ora deixa cá ver se me lembro do nome... "Bar-B-Q sauce" de lá de Macau, mas em bom. Deve ter molho de ostra, suponho, mas não sei.

Agora está-me a crescer tanta água na boca que tenho de parar de escrever antes que babe o teclado. Chiça.

Fim-de-semana na cidade

Este fim-de-semana não fomos à "escácara" (vocábulo da autoria da menina do "esquepoço" e do "fóscaro"). Entre idas ao aeroporto (fomos buscar o Miguel ao Aeroparque no Sábado e, no Domingo, fomos pô-lo a Ezeiza) fomos ver móveis (estantes, estantes, precisamos de estantes!) com pouco sucesso e vimos algo de máquinas de lavar louça (já falta menos para termos uma, esperemos que não seja uma saga semelhante à do frigorífico).

O ponto alto foi, sem dúvida, a ida ao hipermercado.

Não. Minto. Esse foi o ponto alto da monotonia da vida prática. Ou seja: é preciso ir, há que ir, vamos lá. Gostamos? Não. Não gostamos de ir ao hipermercado. É chato. Apesar da lista criteriosa, há sempre qualquer coisa que fica para trás. E demora-se sempre muito tempo a pagar.

Excepto, claro está, um Domingo de Fevereiro, que é como quem diz "Agosto em Portugal", ou melhor, "Agosto em Lisboa". Num dia de sol e de calor quem é que vai para o hipermercado? Só mesmo quem quer ter um bocado de ar condicionado à borla, e mesmo este "à borla" tem de ser revisto porque saímos sempre de lá com mais coisas do que as que necessitamos.

Os pontos super-positivos foram: compras despachadas; dois pares de sapatinhos muito lindos (prendinhas de aniversário) e uma casa arrumada.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Alvíssaras


Dão-se alvíssaras a quem adivinhar quem são estas meninas.

E mais a quem adivinhar a quem se destina este quadrinho.

E mais não digo!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Estou tão contente...

...com o resultado das minhas costuras que convido alegremente os leitores deste blog a visitarem o outro, para verem a minha bolsa para as agulhas do tricot. Ide, ide!

(Mais imagens no flickr.)

Aspectos em que a Argentina está muito à frente de Portugal

É inevitável a comparação entre os dois países, pelo menos para mim, que sou de um e vivo no outro. É certo que vivo em Buenos Aires, uma cidade que é uma bolha no seio da realidade argentina. Mas é a bolha em que vivo e é dessa bolha que vou falar. Não tenho dúvidas de que a minha percepção é perfeitamente unilateral e pouco rigorosa, mas é da minha percepção que se trata.

Assim sendo, que fique bem claro que as casas de banho na Argentina estão muito, mas muito mais limpas que as de Portugal. Tirando honrosas excepções (como a do restaurante em Beja cujo nome não recordo, onde fizemos o almoço da família Monteiro), as casas de banho em Portugal estão sujas. Se me dirijo a algum empregado, respondem-me, muito provavelmente: "oh, menina, isso agora a senhora das limpezas só vem amanhã". Cá, em contrapartida, o empregado calça umas luvas e vai limpar. Ou chama alguém para limpar. (para os mais incrédulos, já presenciei as duas situações!)

Cá já não se fuma em lugares públicos fechados desde 1 de Outubro de 2006. E é muito bom.

O "gran colectivo argentino" é uma invenção de quem tem muita terra, pouco caminho de ferro e pouco dinheiro para viajar de avião. O autocarro argentino de longo curso é um lugar em primeira classe, só que à velocidade do transporte rodoviário. Funciona maioritariamente durante a noite e o preço é acessível. Não há termo de comparação na Europa.

Os gelados. Só provando.

A carne de vaca. Não sou fã, mas admito que é muito boa. Na de porco e de galinha, ganha Portugal.

Os cafés e os restaurantes: em cada segmento, são todos (ou quase todos!) bonitos. Não há a cultura da tasca com parede de azulejo de casa de banho. Cá os sítios são bonitos, bem arranjados e não necessariamente caros. Tal como disse antes, há-os de todos os preços.

Disto me lembro agora, assim de repente. Quando me lembrar de mais, acrescento.

Como achei Portugal

Esta é uma reflexão que anda a marinar na minha cabeça há algum tempo e é sobre as mudanças que senti em Portugal, quando lá estive no Natal. Após algumas semanas aí, já não as sentia tanto e tive até de fazer algum esforço para me lembrar delas. Por isso, acho que este post poderá ter alguma utilidade para quem já não tem distanciamento suficiente para as apreciar (e só se lembra das horríveis casas assinadas pelo nosso Primeiro e outras desventuras semelhantes).

Tenho também a noção de ter notado essas diferenças talvez por estar a chegar da Argentina. Atenção, não quero aqui assumir um papel algo condescendente de "europeia a apreciar um país menos desenvolvido". Primeiro, porque a Argentina está muito à frente de Portugal em muitas coisas; segundo, porque ninguém gosta que um estrangeiro venha dizer mal do nosso país - acontece-nos a nós, portugueses, e também aos argentinos.

Assim sendo, vamos ao que interessa.

O comportamento na estrada e o respeito dos limites de velocidade: não tenho dúvidas nenhumas de que os tão badalados radares estão a surtir efeito. Honestamente, não poderia estar mais de acordo com a sua função pedagógica: estão lá, estão sinalizados, as pessoas sabem claramente que ali vai estar um radar e que, se forem em excesso de velocidade, serão multados. Funciona, e ainda bem. A verdade é que a circulação está mais regrada, não só dentro da cidade (em vias "semi-rápidas", por exemplo) como também em auto-estradas. E aqui sou corroborada pela opinião de mais emigrantes, que observaram que também na auto-estrada se respeitava mais o limite de velocidade (dentro da já assumida tolerância para os 140).

A sensação de haver uma maior fiscalização e de a impunidade já não ser total: pois é, acho que nos estamos a "suiçar". É uma boa coisa, diria eu, dado que na Suíça, como se sabe, há regras para tudo e fiscalização para ainda mais. Ainda estamos longe, mas não há como seguir bons exemplos. Em que é que notei este "suiçamento"? Notei em várias coisas: na questão supra mencionada dos radares e das multas que chegam a casa dos condutores, numa declaração de IVA que fiz fora do prazo cuja notificação da devida coima chegou em menos de uma semana; de poder consultar essa notificação por internet, imprimir o documento de pagamento e pagar tudo a partir de cá.

Poderia estar a tergiversar, mas não estou: a verdade é que a maioria dos serviços estão agora disponíveis por internet, o que não só me ajuda muito a mim, que estou cá longe, como a tantas outras pessoas que agora já escusam de perder horas a fio nas repartições.

Notei também que as casas de banho estão mais limpas. "Mais limpas", reforço a ideia. Mas não estão limpas. Aliás, em Buenos Aires é muito raro encontrar uma casa de banho suja e, quando isso acontece, avisa-se um qualquer empregado do estabelecimento e imediatamente a dita é limpa. Em Portugal, uma casa de banho suja num restaurante ou num centro comercial é um facto absolutamente normal e ninguém se preocupa por aí além com isso. Excepto, talvez, quem tenha filhos pequenos que precisam de se sentar nas sanitas. Mas não estou a ver que um empregado calce umas luvas de borracha e lave imediatamente a casa de banho, como vi por cá.

Outra coisa muito positiva: a nova lei do tabaco. Nem vale a pena entrar em mais discussões sobre o assunto. Os espaços estão muito mais respiráveis, inclusivamente aqueles em que o fumo é permitido. Até que enfim que se pensa na qualidade do ar que respiramos (todos: fumadores e não-fumadores)!

Para finalizar, acho que em Portugal há muita coisa que funciona: não tenho dúvida de que temos corrupção, mas não é um fenómeno omnipresente como noutros países da Europa e do Mundo, nomeadamente a Argentina. Os nosso tribunais demoram a deliberar, mas deliberam - e a decisão não é normalmente comprada. Além do mais, há instituições que regulamentam outras instituições, o que dá ao cidadão comum alguma protecção. Temos também o famoso "cruzamento de dados" e a lista de devedores ao fisco e aos poucos muda-se a percepção de que "fugir aos impostos" não é uma coisa assim tão louvável.

Posto isto, falta-me escrever sobre as coisas em que a Argentina está muito mais avançada.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O meu 30.º aniversário, o primeiro no Verão







Tinha muitas expectativas para o meu primeiro aniversário no Verão. Ser "no Verão" era uma espécie de recompensa por ser "longe", portanto o dia queria-se lindo e quente, para ter direito ao tão desejado piquenique.

(nota sobre o piquenique: na maioria dos meus aniversários em pleno Inverno lisboeta, um piquenique teria sido perfeitamente viável pois tenho tido a sorte de ter dias sempre luminosos e amenos para a estação. Infelizmente, dada a imprevisibilidade do tempo nessa estação, nunca consegui agendar tal evento. O mais parecido, ainda assim, foi no ano passado, com um almoço no pátio do atelier - parecia uma quinta no interior do país, embora fosse uma horta no centro de Lisboa.)

Mas, infelizmente, o dia amanheceu do contra: choveu, chuviscou, mas estava calor. Ao menos isso, senão ainda pensava que era Outono.

Assim sendo, cancelou-se o piquenique (não foi difícil, não havia assim tantos convidados) e optámos por soluções abrigadas da chuva: almoço no Osaka (mix-max de japonês e peruano - hmmmmmmmm!) e chá à beira da piscina (isto sim, uma novidade!).

À noite, (atenção, cena de miúda a aparecer!) estreei finalmente um vestido que comprei assim que cheguei a Buenos Aires mas que, dadas as vicissitudes da vida, ainda não tinha podido vestir. Ainda quis pôr um colar lindo que me ofereceram os meus pais mas o Paulo não autorizou: achava que já chamávamos suficientemente a atenção, não era preciso mais...

E assim se passou o meu 30.º (trigésimo? Já???) aniversário, o primeiro no hemisfério sul e no Verão.

(Dizem que) Já sou trintona.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A C fez três anos

Na segunda-feira a Czinha fez três anos.

Já não é um bebé: nas palavras dela, é "uma menina e uma pexoa".

Eu, deste lado do oceano, não me cansei de agradecer a quem inventou computadores, internet e, claro, o skype com vídeo. É que, espreitando através do skype, acompanhei a festa, dentro do possível que nos é facilitado desta forma. Falei com sobrinha (que estava com medo por estar sentada numa cadeira tão alta), com alguns tios e primos, amigos, irmãs e pais.

Mais tarde, o Avô António da C mandou-me o filme com a sua neta linda a apagar as três (já???!!!) velinhas do seu bolo em forma de "Hello Kitty".

Lembro-me tão bem do dia em que nasceu e da euforia que me agarrou durante meses, perante aquele embrulhinho lindo e cor-de-rosa no bercinho. Hoje, enche os espaços com as suas perguntas, o seu bom humor e as suas malandrices de menina (e "pexoa"). Já sabe que a Bi está na "Gentina" e há dias em que até quer cá vir jantar empanadas!

A pergunta que se impõe é: como é que teremos vivido até ela nascer? É que a vida mudou para tão melhor que até é difícil de compreender.

E sim, este post é meio lamechas.

Já vi como ficou...

...e agora volto à maneira "antiga" de escrever no blog. Assim, na interface própria do blogger.

Ainda tenho mais duas imagens para pôr aqui, portanto aqui vão:

Aqui está ele, o meu Bainbridge Scarf

E aqui um detalhe do dito

E aqui uma imagem de puro sofrimento: com o calor que está, tirar fotografias com cachecóis não é a melhor coisa do mundo. Que é como quem diz: estou com o síndrome formiguinha, a acumular recursos para o Inverno...

Ora bem, posto isto, vamos às informações "técnicas":

As instruções são as que estão no blog "Pepperknit". Naturalmente, e como não podia deixar de ser, não segui uma série de instruções (porque não as consegui decifrar e porque não tenho os conhecimentos suficientes). Usei umas agulhas com um "7" lá marcado. Que 7 será esse, não sei. Talvez 7 mm, mas quem sabe? Pode ser que daqui a uns dias volte atrás e me ria de toda esta minha ignorância, mas, de momento, não sei.

E mais: já tinha lido em algum lado o que era "knit" e o que era "purl", mas não tinha a certeza qual deles corresponde a malha de "mão" e a malha de "meia".

Por isso, meus amigos, há que sorrir sempre. Lá para o Inverno que vem, usarei este cachecol-cobaia. Até lá, gaveta com ele.

P.S. Aparentemente, as imagens ainda não ficaram visíveis e em condições. Vou carregá-las mesmo "à moda antiga" até perceber como se faz a escrita de mensagens a partir do flickr. Entretanto, perseverança é o que se quer.

P.S.2 A escolha do nome da etiqueta deste post é uma pequenina homenagem à nova gíria familiar que surge graças à eloquência de certo membro desta família cujo terceiro aniversário se celebrou há apenas dois dias. São as saudades, são as saudades!

Terminei o meu primeiro tricot!


DSC09060
Originally uploaded by Ana Isabel Ramos
Estou curiosa por saber como é que isto vai funcionar. Passo a explicar: estou a escrever um post a partir do flickr, e não sei muito bem como é que resulta. Queria pôr-lhe mais imagens, mas não sei como...

Ora aqui vai: esta é a primeira peça que faço em tricot depois de adulta. Já tinha contado antes, ou não?

As minhas primeiras "tricotagens" foram-me ensinadas por uma equipa de competentes tricotadeiras: Mãe e Avó Mariana.

(Parêntesis que se impõe:

Duas mães e duas filhas vão à missa com três mantilhas. E todas levam mantilha!

Neste caso: duas mães e duas filhas tricotam três cachecóis. E todas tricotam!

Fecha-se o parêntesis, talvez mais claro para quem conhecia a matriarca da família e a quem, de uma forma algo retorcida - se analisarem bem as costuras, vão ver que sim! - aqui rendo homenagem.)

Passaram-se anos e anos e, à beira dos trinta, voltei a tricotar, apesar de ser Verão e tirar fotografias com cachecóis seja puro sofrimento.

E pronto, o resto já sabem.

Vamos lá ver como fica este post, directamente a partir do flickr.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Tinha saudades do Verão...

...mas tenho mais saudades ainda da praia. Onde estás tu, praia querida?

A tarde de trabalho foi um período de quase sauna, quase a fazer lembrar os bons velhos tempos no atelier das Amoreiras, onde a temperatura atingia os 36ºC no Verão. Nem sei até onde descia no Inverno, mas era friooooo.

Parece que agora tenho tréguas. Vou mergulhar as mãos em água e comer morangos.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ode à Graciela

Nunca tinha vivido num prédio com porteiro. Nem porteira.

Espera. Quero dizer, minto. Tinha sim, em Macau. Os prédios tinham porteiros e portarias com luz fluorescente de cozinha e marmitas com comidas estranhas lá dentro. Havia um sofazinho esquálido e a relação com ele era de um "halo" e de um sorriso. Deve ter sido por isso que já não me lembrava.

Aqui em Buenos Aires vivemos num prédio com porteira e com casa da porteira. Não sei se depois me poderei habituar outra vez a viver sem esta companhia absolutamente útil - diria quase que imprescindível, não fosse já ter vivido muitos anos sem ela, em Lisboa.

A nossa porteira é o máximo. Tenho a dizer que a Graciela (é o nome dela) é o máximo. Ou então o supra-máximo. A Graciela tem o prédio sempre (e digo mesmo sempre!) num brinquinho. Acode a toda e qualquer emergência. Coordena a comunicação entre vizinhos. Ajuda em caso de infiltrações, elevadores bloqueados e demais assuntos do condomínio.

Mas, para além de tudo isso, a Graciela tem funcionado para mim como um género de páginas amarelas em forma de pessoa. Pergunto-lhe onde se encontra tal coisa e ela sabe sempre de alguém que pode ajudar ou que sabe onde encontrar. No dia seguinte, tem a resposta pronta para me dar.

Agora, a cereja em cima do bolo (por acaso até nem gosto de cerejas em cima de bolos, mas a expressão é esta, qué quessá de fazer?): a Graciela está constantemente a ler. E lê, lê, lê. Noutro dia perguntei-lhe o que estava a ler, Isabel Allende, "La suma de los días", e explicou-me que se tratava de um texto no seguimento de "Paula", o último livro da autora de que seriamente gostei. Pedi-lhe que mo emprestasse quando terminasse.

Sabem o que aconteceu agora mesmo? Veio aqui bater-me à porta para mo deixar.

Ode à Graciela.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Finde en la chacra

Este post leva título em castelhano porque se refere a uma experiência totalmente argentina para mim. Para quê traduzi-la?

Este fim-de-semana, o primeiro que passei por terras argentinas depois do regresso de Portugal, fui experimentar a vivência estival de campo. O que fazem os porteños durante o Verão? Não sei ao certo: uns vão à praia (a mais próxima fica a várias horas de viagem, o que para nós, lisboetas, é absolutamente surreal), outros vão para o campo (que fica bem mais perto: no nosso caso, a apenas 1h30).

E já que é para ter a verdadeira experiência argentina, aceitámos o convite de uns amigos para partilharmos uma casa de fim-de-semana durante o Verão. E é esta a história das idas à chacra.

Os dois dias são passados em absoluta borreguice. As únicas tarefas, mas tarefas mesmo, são cozinhar e lavar a louça. Tudo o resto resume-se a caminhadas, corridas, idas para a piscina, ler, ler, ler e - prazer renovado recentemente para mim - tricotar.

Mas não é (ainda) sobre o tricot que eu quero falar, é mesmo da experiência argentina da estancia. Para mim, habituada à escala europeia, aquilo é campo a perder de vista. À maneira do Novo Mundo, as ruas (naquele caso, caminhos de terra onde se vê o rodado dos carros) são direitas e longas a perder de vista. Se me disserem que têm para cima de 3km, eu não duvido. Há muitos plátanos, muitos eucaliptos (dos antigos, não madeira para móveis), há searas, há campos por cultivar, há vacas, cavalos e talvez outros bichos a pastar tranquilamente.

Não há internet nem televisão, pelo que a única coisa que se ouve é música, ou então a música natural: o vento, a chuva, a passarada, os bichos.

Para mim, que nunca tinha sabido o que eram "férias no campo", é uma vivência do mais exótico que pode haver. Tal como, dentro de alguns dias, fazer anos no Verão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Agora, um pouco de poesia gastronómica

Os percebes do nosso entendimento

Umas amêijoas como não há igual: com pouca coisa (azeite, alho e coentros) se faz a festa

E este belo espécime de santola

Ainda no Ramiro, essa instituição do marisco e do crustáceo, comemos estes belos acepipes. Têm um aspecto esquisito mas um sabor absolutamente maravilhoso a mar, que tanto nos falta por estas paragens.

Para quem não conhece (se é que algum leitor do meu blog não faz parte do universo-luso-marisqueiro), não se deixem impressionar pelos picos, tenazes ou aparência dos alimentos. É tudo absolutamente delicioso.

P.S. Cheguei à Argentina com um apetite louco de ceviche. Continuo com água na boca.

Um pouco de poesia de casa de banho

Desta vez misturada com um prático quadro de mensagens.




No Ramiro, na Avenida Almirante Reis, ao Intendente.

De volta a Buenos Aires

De volta ao Verão e de volta a uma casa desarrumada, apesar dos esforços do Paulinho. A deserção da Marta (foi comprar cigarros e nunca mais voltou, que é como quem diz: foi a Tucumán ver a mãe e não mais soubemos dela) deixou-nos a casa de pantanas. Hoje o meu dia foi passado de volta de algumas das funções dela, para só agora, às 16h, me sentar ao computador a começar a organizar a vida de trabalho. Com um post, claro está.

Os quinze dias que passei em Lisboa sem o Paulinho foram vividos numa autêntica roda-viva, excepção feita ao fim-de-semana passado no Algarve com os pais. Corri alegremente entre reuniões, almoços com amigos, consultas em médicos e, o mais possível, namoro de tia e sobrinha e muitos mimos da família.

Digamos que condensei em apenas 15 dias os encontros com amigos (vida social) e reuniões com clientes (parte da vida profissional) correspondentes a alguns meses. Não é de admirar que agora necessite de um pouco desta calmaria que caracteriza os meus dias por cá, sobretudo agora que são as férias grandes e porteño que é porteño foi para outras paragens.

Quanto à viagem, enfim, não há forma fácil de a fazer. É uma chatice, uma enorme, longa, aborrecida viagem com uns horários cada vez mais bizarros ditados pela Iberia. Não tem o monopólio da rota, mas trata os clientes como se assim fosse. Os bilhetes são caros, o atendimento é mau e os problemas com a marcação dos lugares são infinitos. Desta feita, em Madrid, estivemos cerca de uma hora entre o embarque e levantar voo num jogo absurdo de cadeiras: não havia uma única família sentada em perto uns dos outros; os casais estavam todos separados; filhos pequeninos a mais de dez filas dos pais, que tinham mais uns quantos passageiros entre eles. Sentei-me em três lugares diferentes e a brincadeira poderia ter continuado, dado que a minha companheira de viagem também tinha a mãe noutro assento qualquer distante.

Enfim, chegada à Argentina tudo correu bem: algumas lutas com uns passageiros mais apressados na fila da imigração, muita actividade do cotovelo para enxotar os infiltras e, finalmente, a oficial que me carimbou o passaporte demorou o total de um minuto em todo o trâmite. A mala chegou bem, apanhei uma remise e cheguei a casa.

Posto que terminei este desinteressante relato, resta-me apenas fazer um pequeno apontamento curioso, do aeroporto de Madrid.



Não notam nada? Ora vejam lá:
É sempre bom saber que a tradução de "Ibéricos" para inglês é "Spanish"...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

domingo, 6 de janeiro de 2008

Já em 2008

(suspiro)

Estas duas semanas passaram a voar. A viagem foi feita em grande ansiedade por chegar a Lisboa e rever Portugal após uma data de meses e não-sei-quantos acontecimentos marcantes. A Iberia ainda nos fez o favor de atrasar um voo (cancelá-lo, convenhamos) e de nos presentear com um "asiento libre" na conexão a Lisboa. Mas chegámos e a Ana (a dos aeroportos) - ou a Gateway (a do handling)! - deu-nos o presente de mais uma hora à espera das bagagens.

Resumindo: chegámos impacientes, cansados e com fome (passa-se muita fome no voo diurno), mas chegámos.

Nestes 15 dias penso que só se exceptuam 4 ou 5 refeições da dieta-Billy-em-Portugal; todas as outras foram de peixe. Peixe grelhado, assado, cozido. Quando digo "peixe" digo "coisas do mar": para além do pargo, robalo, dourada e bacalhau, ainda houve polvo, amêijoas, percebes e santola. Mnham.

A distância também me ajudou a ver coisas diferentes - e melhores - em Portugal. Talvez desenvolva o tema noutro post, que por enquanto o que se impõe é o balanço.

O Paulinho já voltou para a Argentina e é claro o ambiente de fim de festa: Natal, Ano Novo e Aniversário da Bau; agora resta desfazer a árvore e arrumar os enfeites.

Nas duas semanas portuguesas que tenho pela frente tenho de voltar ao trabalho e tentar rever os amigos que não vieram ao dia das Portas Abertas, tratar de burocracias e de documentos e - muito importante - retomar o tricô.

Bom 2008!