segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O meu 30.º aniversário, o primeiro no Verão







Tinha muitas expectativas para o meu primeiro aniversário no Verão. Ser "no Verão" era uma espécie de recompensa por ser "longe", portanto o dia queria-se lindo e quente, para ter direito ao tão desejado piquenique.

(nota sobre o piquenique: na maioria dos meus aniversários em pleno Inverno lisboeta, um piquenique teria sido perfeitamente viável pois tenho tido a sorte de ter dias sempre luminosos e amenos para a estação. Infelizmente, dada a imprevisibilidade do tempo nessa estação, nunca consegui agendar tal evento. O mais parecido, ainda assim, foi no ano passado, com um almoço no pátio do atelier - parecia uma quinta no interior do país, embora fosse uma horta no centro de Lisboa.)

Mas, infelizmente, o dia amanheceu do contra: choveu, chuviscou, mas estava calor. Ao menos isso, senão ainda pensava que era Outono.

Assim sendo, cancelou-se o piquenique (não foi difícil, não havia assim tantos convidados) e optámos por soluções abrigadas da chuva: almoço no Osaka (mix-max de japonês e peruano - hmmmmmmmm!) e chá à beira da piscina (isto sim, uma novidade!).

À noite, (atenção, cena de miúda a aparecer!) estreei finalmente um vestido que comprei assim que cheguei a Buenos Aires mas que, dadas as vicissitudes da vida, ainda não tinha podido vestir. Ainda quis pôr um colar lindo que me ofereceram os meus pais mas o Paulo não autorizou: achava que já chamávamos suficientemente a atenção, não era preciso mais...

E assim se passou o meu 30.º (trigésimo? Já???) aniversário, o primeiro no hemisfério sul e no Verão.

(Dizem que) Já sou trintona.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A C fez três anos

Na segunda-feira a Czinha fez três anos.

Já não é um bebé: nas palavras dela, é "uma menina e uma pexoa".

Eu, deste lado do oceano, não me cansei de agradecer a quem inventou computadores, internet e, claro, o skype com vídeo. É que, espreitando através do skype, acompanhei a festa, dentro do possível que nos é facilitado desta forma. Falei com sobrinha (que estava com medo por estar sentada numa cadeira tão alta), com alguns tios e primos, amigos, irmãs e pais.

Mais tarde, o Avô António da C mandou-me o filme com a sua neta linda a apagar as três (já???!!!) velinhas do seu bolo em forma de "Hello Kitty".

Lembro-me tão bem do dia em que nasceu e da euforia que me agarrou durante meses, perante aquele embrulhinho lindo e cor-de-rosa no bercinho. Hoje, enche os espaços com as suas perguntas, o seu bom humor e as suas malandrices de menina (e "pexoa"). Já sabe que a Bi está na "Gentina" e há dias em que até quer cá vir jantar empanadas!

A pergunta que se impõe é: como é que teremos vivido até ela nascer? É que a vida mudou para tão melhor que até é difícil de compreender.

E sim, este post é meio lamechas.

Já vi como ficou...

...e agora volto à maneira "antiga" de escrever no blog. Assim, na interface própria do blogger.

Ainda tenho mais duas imagens para pôr aqui, portanto aqui vão:

Aqui está ele, o meu Bainbridge Scarf

E aqui um detalhe do dito

E aqui uma imagem de puro sofrimento: com o calor que está, tirar fotografias com cachecóis não é a melhor coisa do mundo. Que é como quem diz: estou com o síndrome formiguinha, a acumular recursos para o Inverno...

Ora bem, posto isto, vamos às informações "técnicas":

As instruções são as que estão no blog "Pepperknit". Naturalmente, e como não podia deixar de ser, não segui uma série de instruções (porque não as consegui decifrar e porque não tenho os conhecimentos suficientes). Usei umas agulhas com um "7" lá marcado. Que 7 será esse, não sei. Talvez 7 mm, mas quem sabe? Pode ser que daqui a uns dias volte atrás e me ria de toda esta minha ignorância, mas, de momento, não sei.

E mais: já tinha lido em algum lado o que era "knit" e o que era "purl", mas não tinha a certeza qual deles corresponde a malha de "mão" e a malha de "meia".

Por isso, meus amigos, há que sorrir sempre. Lá para o Inverno que vem, usarei este cachecol-cobaia. Até lá, gaveta com ele.

P.S. Aparentemente, as imagens ainda não ficaram visíveis e em condições. Vou carregá-las mesmo "à moda antiga" até perceber como se faz a escrita de mensagens a partir do flickr. Entretanto, perseverança é o que se quer.

P.S.2 A escolha do nome da etiqueta deste post é uma pequenina homenagem à nova gíria familiar que surge graças à eloquência de certo membro desta família cujo terceiro aniversário se celebrou há apenas dois dias. São as saudades, são as saudades!

Terminei o meu primeiro tricot!


DSC09060
Originally uploaded by Ana Isabel Ramos
Estou curiosa por saber como é que isto vai funcionar. Passo a explicar: estou a escrever um post a partir do flickr, e não sei muito bem como é que resulta. Queria pôr-lhe mais imagens, mas não sei como...

Ora aqui vai: esta é a primeira peça que faço em tricot depois de adulta. Já tinha contado antes, ou não?

As minhas primeiras "tricotagens" foram-me ensinadas por uma equipa de competentes tricotadeiras: Mãe e Avó Mariana.

(Parêntesis que se impõe:

Duas mães e duas filhas vão à missa com três mantilhas. E todas levam mantilha!

Neste caso: duas mães e duas filhas tricotam três cachecóis. E todas tricotam!

Fecha-se o parêntesis, talvez mais claro para quem conhecia a matriarca da família e a quem, de uma forma algo retorcida - se analisarem bem as costuras, vão ver que sim! - aqui rendo homenagem.)

Passaram-se anos e anos e, à beira dos trinta, voltei a tricotar, apesar de ser Verão e tirar fotografias com cachecóis seja puro sofrimento.

E pronto, o resto já sabem.

Vamos lá ver como fica este post, directamente a partir do flickr.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Tinha saudades do Verão...

...mas tenho mais saudades ainda da praia. Onde estás tu, praia querida?

A tarde de trabalho foi um período de quase sauna, quase a fazer lembrar os bons velhos tempos no atelier das Amoreiras, onde a temperatura atingia os 36ºC no Verão. Nem sei até onde descia no Inverno, mas era friooooo.

Parece que agora tenho tréguas. Vou mergulhar as mãos em água e comer morangos.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ode à Graciela

Nunca tinha vivido num prédio com porteiro. Nem porteira.

Espera. Quero dizer, minto. Tinha sim, em Macau. Os prédios tinham porteiros e portarias com luz fluorescente de cozinha e marmitas com comidas estranhas lá dentro. Havia um sofazinho esquálido e a relação com ele era de um "halo" e de um sorriso. Deve ter sido por isso que já não me lembrava.

Aqui em Buenos Aires vivemos num prédio com porteira e com casa da porteira. Não sei se depois me poderei habituar outra vez a viver sem esta companhia absolutamente útil - diria quase que imprescindível, não fosse já ter vivido muitos anos sem ela, em Lisboa.

A nossa porteira é o máximo. Tenho a dizer que a Graciela (é o nome dela) é o máximo. Ou então o supra-máximo. A Graciela tem o prédio sempre (e digo mesmo sempre!) num brinquinho. Acode a toda e qualquer emergência. Coordena a comunicação entre vizinhos. Ajuda em caso de infiltrações, elevadores bloqueados e demais assuntos do condomínio.

Mas, para além de tudo isso, a Graciela tem funcionado para mim como um género de páginas amarelas em forma de pessoa. Pergunto-lhe onde se encontra tal coisa e ela sabe sempre de alguém que pode ajudar ou que sabe onde encontrar. No dia seguinte, tem a resposta pronta para me dar.

Agora, a cereja em cima do bolo (por acaso até nem gosto de cerejas em cima de bolos, mas a expressão é esta, qué quessá de fazer?): a Graciela está constantemente a ler. E lê, lê, lê. Noutro dia perguntei-lhe o que estava a ler, Isabel Allende, "La suma de los días", e explicou-me que se tratava de um texto no seguimento de "Paula", o último livro da autora de que seriamente gostei. Pedi-lhe que mo emprestasse quando terminasse.

Sabem o que aconteceu agora mesmo? Veio aqui bater-me à porta para mo deixar.

Ode à Graciela.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Finde en la chacra

Este post leva título em castelhano porque se refere a uma experiência totalmente argentina para mim. Para quê traduzi-la?

Este fim-de-semana, o primeiro que passei por terras argentinas depois do regresso de Portugal, fui experimentar a vivência estival de campo. O que fazem os porteños durante o Verão? Não sei ao certo: uns vão à praia (a mais próxima fica a várias horas de viagem, o que para nós, lisboetas, é absolutamente surreal), outros vão para o campo (que fica bem mais perto: no nosso caso, a apenas 1h30).

E já que é para ter a verdadeira experiência argentina, aceitámos o convite de uns amigos para partilharmos uma casa de fim-de-semana durante o Verão. E é esta a história das idas à chacra.

Os dois dias são passados em absoluta borreguice. As únicas tarefas, mas tarefas mesmo, são cozinhar e lavar a louça. Tudo o resto resume-se a caminhadas, corridas, idas para a piscina, ler, ler, ler e - prazer renovado recentemente para mim - tricotar.

Mas não é (ainda) sobre o tricot que eu quero falar, é mesmo da experiência argentina da estancia. Para mim, habituada à escala europeia, aquilo é campo a perder de vista. À maneira do Novo Mundo, as ruas (naquele caso, caminhos de terra onde se vê o rodado dos carros) são direitas e longas a perder de vista. Se me disserem que têm para cima de 3km, eu não duvido. Há muitos plátanos, muitos eucaliptos (dos antigos, não madeira para móveis), há searas, há campos por cultivar, há vacas, cavalos e talvez outros bichos a pastar tranquilamente.

Não há internet nem televisão, pelo que a única coisa que se ouve é música, ou então a música natural: o vento, a chuva, a passarada, os bichos.

Para mim, que nunca tinha sabido o que eram "férias no campo", é uma vivência do mais exótico que pode haver. Tal como, dentro de alguns dias, fazer anos no Verão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Agora, um pouco de poesia gastronómica

Os percebes do nosso entendimento

Umas amêijoas como não há igual: com pouca coisa (azeite, alho e coentros) se faz a festa

E este belo espécime de santola

Ainda no Ramiro, essa instituição do marisco e do crustáceo, comemos estes belos acepipes. Têm um aspecto esquisito mas um sabor absolutamente maravilhoso a mar, que tanto nos falta por estas paragens.

Para quem não conhece (se é que algum leitor do meu blog não faz parte do universo-luso-marisqueiro), não se deixem impressionar pelos picos, tenazes ou aparência dos alimentos. É tudo absolutamente delicioso.

P.S. Cheguei à Argentina com um apetite louco de ceviche. Continuo com água na boca.

Um pouco de poesia de casa de banho

Desta vez misturada com um prático quadro de mensagens.




No Ramiro, na Avenida Almirante Reis, ao Intendente.

De volta a Buenos Aires

De volta ao Verão e de volta a uma casa desarrumada, apesar dos esforços do Paulinho. A deserção da Marta (foi comprar cigarros e nunca mais voltou, que é como quem diz: foi a Tucumán ver a mãe e não mais soubemos dela) deixou-nos a casa de pantanas. Hoje o meu dia foi passado de volta de algumas das funções dela, para só agora, às 16h, me sentar ao computador a começar a organizar a vida de trabalho. Com um post, claro está.

Os quinze dias que passei em Lisboa sem o Paulinho foram vividos numa autêntica roda-viva, excepção feita ao fim-de-semana passado no Algarve com os pais. Corri alegremente entre reuniões, almoços com amigos, consultas em médicos e, o mais possível, namoro de tia e sobrinha e muitos mimos da família.

Digamos que condensei em apenas 15 dias os encontros com amigos (vida social) e reuniões com clientes (parte da vida profissional) correspondentes a alguns meses. Não é de admirar que agora necessite de um pouco desta calmaria que caracteriza os meus dias por cá, sobretudo agora que são as férias grandes e porteño que é porteño foi para outras paragens.

Quanto à viagem, enfim, não há forma fácil de a fazer. É uma chatice, uma enorme, longa, aborrecida viagem com uns horários cada vez mais bizarros ditados pela Iberia. Não tem o monopólio da rota, mas trata os clientes como se assim fosse. Os bilhetes são caros, o atendimento é mau e os problemas com a marcação dos lugares são infinitos. Desta feita, em Madrid, estivemos cerca de uma hora entre o embarque e levantar voo num jogo absurdo de cadeiras: não havia uma única família sentada em perto uns dos outros; os casais estavam todos separados; filhos pequeninos a mais de dez filas dos pais, que tinham mais uns quantos passageiros entre eles. Sentei-me em três lugares diferentes e a brincadeira poderia ter continuado, dado que a minha companheira de viagem também tinha a mãe noutro assento qualquer distante.

Enfim, chegada à Argentina tudo correu bem: algumas lutas com uns passageiros mais apressados na fila da imigração, muita actividade do cotovelo para enxotar os infiltras e, finalmente, a oficial que me carimbou o passaporte demorou o total de um minuto em todo o trâmite. A mala chegou bem, apanhei uma remise e cheguei a casa.

Posto que terminei este desinteressante relato, resta-me apenas fazer um pequeno apontamento curioso, do aeroporto de Madrid.



Não notam nada? Ora vejam lá:
É sempre bom saber que a tradução de "Ibéricos" para inglês é "Spanish"...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

domingo, 6 de janeiro de 2008

Já em 2008

(suspiro)

Estas duas semanas passaram a voar. A viagem foi feita em grande ansiedade por chegar a Lisboa e rever Portugal após uma data de meses e não-sei-quantos acontecimentos marcantes. A Iberia ainda nos fez o favor de atrasar um voo (cancelá-lo, convenhamos) e de nos presentear com um "asiento libre" na conexão a Lisboa. Mas chegámos e a Ana (a dos aeroportos) - ou a Gateway (a do handling)! - deu-nos o presente de mais uma hora à espera das bagagens.

Resumindo: chegámos impacientes, cansados e com fome (passa-se muita fome no voo diurno), mas chegámos.

Nestes 15 dias penso que só se exceptuam 4 ou 5 refeições da dieta-Billy-em-Portugal; todas as outras foram de peixe. Peixe grelhado, assado, cozido. Quando digo "peixe" digo "coisas do mar": para além do pargo, robalo, dourada e bacalhau, ainda houve polvo, amêijoas, percebes e santola. Mnham.

A distância também me ajudou a ver coisas diferentes - e melhores - em Portugal. Talvez desenvolva o tema noutro post, que por enquanto o que se impõe é o balanço.

O Paulinho já voltou para a Argentina e é claro o ambiente de fim de festa: Natal, Ano Novo e Aniversário da Bau; agora resta desfazer a árvore e arrumar os enfeites.

Nas duas semanas portuguesas que tenho pela frente tenho de voltar ao trabalho e tentar rever os amigos que não vieram ao dia das Portas Abertas, tratar de burocracias e de documentos e - muito importante - retomar o tricô.

Bom 2008!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Com muita dranquilidade

São 23h23 de quinta-feira, véspera da partida. Vamos para o aeroporto pela fresca, embora o voo seja depois do almoço. E aqui estamos, com muita dranquilidade, na converseta, na onda da procrastinação. Em cima da cama das visitas já há algumas coisas para serem metidas em malas. Mas o melhor de tudo é que há muita coisa que ainda não está em cima da cama, ainda tem de ir ser pescada a gavetas e armários. Ou, melhor mesmo mesmo mesmo!, é que ainda temos de ir buscar as roupas de inverno, guardadas em algum recanto escondido.

Chii!, tanto problema filosófico com o facto de estar calor em Dezembro e agora está-me a custar pensar no frio de rachar europeu.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Boas Festas


É o que desejo a todos (ainda que apenas três) os leitores deste blog.

Free Rice

Free Rice é um jogo de palavras (em inglês) para crianças até aos 10 anos (como é em inglês e é jogo de palavras, acho que podemos subir um pouco a idade. Esta criança de quase 30 ainda se divertiu um bocado!) em que, cada vez que se acerta, se está a doar vinte (eles contarão?) grãos de arroz através das Nações Unidas.

Se não for por mais nada, seja então pelo enriquecimento do vocabulário.

Este ano não vai haver presépio

O Jimbrinhas assim o diz e com muita graça.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Correria, stresse

Bem, stresse, stresse, não propriamente, só algunzito. Aqui por estas bandas comem-se morangos e trabalha-se longas horas. Até sexta-feira, dia da partida, os minutos estão praticamente todos contados.

A minha ausência blóguica deve-se a isso! Mas é bom pensar que no Sábado já almoço em Lisboa!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Lisboa em segundo lugar!

E não é de uma lista negra qualquer, pelo contrário! O artigo chama-se "The 53 places to go in 2008" e foi publicado no New York Times.

Não vi a lista até ao fim, mas vi que em 21.º lugar está Bogotá (pela comida merecia estar logo em 3.º!) e, em 27.º, Buenos Aires.

Bem, falta dizer qual é o destino que ocupa o primeiro lugar. Quem estiver à espera de uma Itália qualquer, desengane-se. É mesmo o Laos, com menção especial para Luang Prabang, aparentemente um pedaço de paraíso na Terra.

Como diria alguém que eu conheço, com um longo e sentido suspiro, ai, fida!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Quero lá saber do problema existencial

Pronto, decidi a focalizar-me em ultrapassar o problema existencial de ser quase Natal e estar calor, andar de T-shirt e havaianas na rua.

Como a focalização em ultrapassar não estava a funcionar, decidi pôr o problema de lado.

Neste momento, estou oficialmente a desfrutar intensamente o bom tempo, o céu azul e a temperatura amena. De manhã fui correr e babei com os hibiscos e os jacarandás em flor. Viva a Primavera!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Todo um problema existencial

O Natal está aí e parece que não.

Hoje, por acaso, caiu uma daquelas tempestades de Verão desde a madrugada até agora. Está a amainar, mas não é certo que saia o sol. Mas, de resto, temos tido dias lindos, daqueles de céu azul sem interrupção, e calor, calor, calor. E, já se sabe, calor não combina com Natal.

Só que depois, olhando para o calendário, vejo que sim, que já estamos em Dezembro. Olho para trás e a retrospectiva deste ano de 2007 promete...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Algumas fotografias da viagem à Patagónia

Como prometido, aqui vão algumas imagens da nossa viagem-relâmpago à Patagónia.

(Nota: "relâmpago" porque eu, cá deste lado, não sabia de nada de nada de nadinha de nada. Para mim foi surpresa! E das boas...)

Ora aqui vão. Espero que "certas" pessoas fiquem com ainda mais vontade de lá ir na Páscoa!

(mais um parêntesis: tenho muita dificuldade com duplas consoantes, o que significa que muito provavelmente escrevi mal os nomes dos glaciares Upsala e Spegazini. Para este facto peço a vossa compreensão... é que dado o adiantado da hora já não tenho forças para ir confirmar a grafia!)


Um arco-íris a sair do Lago Argentino.


Blocos de gelo do glaciar Upsala a boiar nas águas do Lago Argentino.


O glaciar Spegazini.


Pés com grampones para o mini-trekking no glaciar - recomendo, recomendo!


Todos a olharmos para um dos lados (o Sul) do glaciar Perito Moreno. Tem desprendimentos de gelo com frequência, mas espera-se o GRANDE desprendimento durante este Verão. Se assim acontecer, vamos ver nas notícias, com certeza!


Mais Perito Moreno, face Norte. É tão lindo, tão lindo, que é difícil parar de tirar fotografias, ainda que resultem ligeiramente parecidas umas com as outras... Lá em baixo vêem-se duas coisinhas pequeninas... são pessoas!


O Perito Moreno visto das plataformas de observação, ou seja, a sua face Norte.


E, para terminar, umas florinhas primaveris do Sul do Mundo.

De volta à rotina...

Depois de duas semanas de amor e paixão entre tia e sobrinha e muitos passeios com os Maias, o Paulinho pensou - com muita razão - que a despedida seria coisa bastante dolorosa.

Vai daí, preparou-me a surpresa (disse "mega-surpresa"? Se não disse, deveria ter dito!) de irmos passar um fim-de-semana prolongado à Patagónia. E lá fomos no Sábado de madrugada, para voltamos ontem. Espero ter tempo ainda hoje de pôr aqui algumas fotografias das paisagens magníficas que vimos, mas agora o mais urgente mesmo é voltar ao trabalho e começar a abater itens da minha lista de afazeres.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Novas palavras

A Czinha nestes dias aprendeu a dizer "máscaras" e "empanadas" (famosa iguaria criola argentina e muito amada aqui nesta casa).

Eu aprendi a dizer "fóscaros" e "esquepoço" ("fósforos" e "pescoço", respectivamente, em carolinês).

Percebeu também que desta cama pode sair sozinha, ao contrário daquela que tem em casa e da outra em casa dos Avós. Portanto agora apareceu-me aqui, ao computador, a pedir para ver o filme das "taratas".

Viva a Diana!

Vou manter este post bastante críptico e apenas aconselhar os meus leitores (três, para aí) a visitarem este post da Diana. Viva a Diana!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Mais um dia de paixão e amor entre tia e sobrinha

O relato das gracinhas da Czinha não tem a menor graça comparado com a realidade. Estes dias têm sido tão, mas tão cheios de coisinhas boas e doces para contar que só com isso escreveria um blog inteiro (e espalharia diabetes por todos os leitores).

Hoje a Czinha falou no Skype com os avós maternos e a sua querida Bau. Fez tantas festinhas às carinhas deles no monitor que eu desisti de tentar evitar as dedadas. Deu beijinhos, fez festinhas, procurou-os atrás do monitor (mas, coitada, só encontrou uma maçã), enfim, amor, amor e muito mel.

Aterrou cedinho na cama e desde então tenho aproveitado todas as oportunidades para ir lá ver como está. Se está destapada, tapo-a. Se tem a Júlia em cima da cara, afasto-a e ponho-a a dormir com os outros "amigos". Se está tudo bem, limito-me a olhar os caracóis dos cabelitos e os olhinhos fechados numa expressão de descanso absoluto totalmente merecido depois de um dia de muitas aventuras, pinturas e tropelias.

Ai, como vou ter saudades destes dias...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Semana de muita ocupação

Aqui por estas paragens a novidade é que sou tia a tempo inteiro durante cinco dias inteirinhos de felicidade. Os pacotinhos chegaram no Sábado e a Czinha aguentou até às 2h da manhã locais, 5h em Lisboa, com toda a excitação de estar numa casa nova, num país diferente, noutro continente e do outro lado do seu oceano.

O Domingo foi o dia do festejo da aniversariante, dividido entre San Telmo, um jogo de polo do "Abierto Argentino" e, para terminar, um gelado do Freddo. Sim, foi um dia totalmente argentino!

Hoje já foi um dia de descanso, pelo menos para alguns. Duas grandes sonecas durante o dia e agora uma caminha a tempo de se preparar para todas as aventuras de amanhã.

E assim se passa o dia da tia babada.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

As fotografias da corrida de ontem

Estão aqui, no site da Nike Corre 10k Buenos Aires. Ide ver, ide! Eu estive lá!

Há aí certas pessoas...

...que parece estarem ligeiramente enciumadas de eu só falar na vinda da C. Ora que coisa, senhores pais dela, acham por acaso que não quero que venham?

A diferença é que convosco eu falo no Skype e troco emails, com ela não! E ela, dentro do vosso grupo de três, é a única que diz e faz coisinhas novas todos os dias!

Será anormal a minha vontade de a ver?

Ai, ai, ai, ai! Pois fiquem sabendo que já tenho o planinho de passeios feito e vou agora buscar-vos os vouchers para o vosso passeio a dois.

E que certa pessoa já tem prenda de aniversário à sua espera!

Passados estes dois eventos...

...resta-me contar os poucos dias que já faltam para a chegada da Czinha! É já no Sábado e tenho de me mentalizar de que não pode haver choradeira senão ela ainda se assusta...!

E que nos ajude Santa Ezeiza!

O Nike Corre 10k...

Billy feliz

...foi a minha estreia mundial em corridas com mais pessoas. Bem, na escola éramos sempre obrigados a participar no corta-mato e nos campeonatos de atletismo, portanto vou fazer uma subtil correcção à afirmação acima: o Nike Corre 10k foi a minha estreia mundial em corridas com mais pessoas de forma voluntária.

O ambiente foi tão giro! Quando lá cheguei tive pena de não ter levado a máquina, pois parecia uma festa gigante com 25000 pessoas de t-shirt azulinha e pulseira conforme a cor do clube. A minha era a verde, dos "no corredores que corren", e parece que até me deu sorte. De cada vez que passávamos mais um quilómetro, eram festejos atrás de festejos.

Os primeiros 5km para mim foram em modo "deixa cá ver até onde aguento, e se não aguentar sempre vou vendo a paisagem porque não conheço esta parte da cidade". Quando passei os 5km e continuava a sentir-me bem e tranquila, comecei a transitar para a corrida em modo "epá, isto está melhor do que eu pensava". Quando cheguei ao km9 já me sentia a vencedora de toda a corrida e foi com muita emoção que cheguei ao final sem parar uma única vez! :)

Os dois últimos quilómetros foram os mais emocionantes: as pessoas nos passeios acenavam e gritavam incentivos e eu sentia-me uma vedeta numa parada. Numa "parada-corrida", convenhamos! Havia batuques e muita música, enfim, um ambiente de festa autêntica. Foi emocionante e a endorfina que libertei e a sensação de duplo objectivo cumprido deixaram-me num high o dia todo, até à hora da sesta.

(mais uma notinha quanto ao meu duplo objectivo: o primeiro era acabar os 10km e o segunda, não ser a última. Cumpri os dois e nem sequer fiquei em 24999.º!)

sábado, 10 de novembro de 2007

Já passou

O exame já passou e de hoje a uma semana chegam as nossas próximas visitas! Por aqui reina a excitação (bem, mais eu que o Paulo, convenhamos!)

(abre-se aqui um parêntesis que se impõe: o Paulo leu o rascunho deste post e decidiu fazer uma pequena intervenção que eu aqui transcrevo: "NÃO É VERDADE!", escreveu ele. Ou o entusiasmo é contagioso, ou então ele próprio tem vontade de cantar com a Cantarolina que aí vem!)

Enfim, felizmente esta semana tenho bastante trabalho para fazer, o que ajuda a que o tempo vá mais lesto. Já falta pouco!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Castelhano

Hoje é dia de estudar castelhano. Exclusivamente. É o que vou fazer, é o que estou a fazer. Quando puser a roupa na máquina, será em castelhano. Quando fizer o almoço, será certamente em castelhano.

Tenho de ir rever os condicionais e todas as outras coisas que aprendi só de ouvido e que, certamente, estão permeadas de erros portunhóis.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Sai-te!

Ai, que título foleiro para um post que promete ser ainda pior. Ainda ando aqui às voltas com o site, o novo, o de trabalho. Vale-me a ajuda do Nuno, que está atrás do sol posto. Ou se calhar sou eu que estou ao sul do sol posto.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Bom para a rabiga

Não sei o que seria bom para a minha "rabiga", como diria a Carolina, mas preciso urgentemente de encontrar algo que a faça baixar. Sim, ainda continuo com um alto significativo que faz muita gente pensar que estou grávida. De quatro meses, pelo menos.

Ontem entrei no autocarro e, rapidamente, alguém me deu o lugar. Eu agradeci, mas só quando me sentei percebi o porquê do gesto.

Cheguei a casa e examinei bem a silhueta: desgraça, não há roupa que disfarce isto...

À noite, vinha da aula de yoga, e ouço uma voz vinda de dentro de um carro: "relinda, la pancita!"

Foi a gota de água, mas também não sei para quê porque não há muito que eu possa fazer para além de esperar. Pacientemente.

domingo, 4 de novembro de 2007

Sobre o artista



Com o puzzle terminado pude finalmente virar a caixa ao contrário. Para minha surpresa, os senhores fabricantes do puzzle tiveram a amabilidade de escrever qualquer coisita sobre o artista (depois de terem mudado o enquadramento da imagem e terem retirado a assinatura do pintor).

O primeiro texto é algo parecido com uma breve biografia, em castelhano. O segundo, uma tradução para inglês do texto acima. O terceiro é uma outra tradução para um idioma obscuro e misterioso (que só eles sabem qual é). Não resisto a transcrever:

Claude Monet

Nace em Paris en 1840. Em 1858 se hacha, com o pintor Boudin e nace o desejo de dedicarse a pintar e viajar a Paris.
Na Academia Suiza coñéese a Pisarro y depois de dois años de servicio militar em Argelia, forma un grupo de pintores independentes com Reinor, Bazille é Sisley.
Organiza a primeira mostra impresionista donde expoe a sua tela impresao: Saida do Sol, que dara o nome ao grupo todo.
O ultimo periodo da sua vida ele pasa em Giverny, onde morreu em 1926.



Nota: o texto nem sequer tem ponto final. Pu-lo porque sim, vá, já chega de bater no ceguinho.

Missão cumprida!!!


Após quase quatro meses, terminei finalmente o puzzle com a pintura de Claude Monet em que retrata a mulher com o filho.

Obrigada a todos os que me ajudaram nesta tarefa hercúlea!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Primeiro aniversário

Este blog fez cumpriu um ano de vida na semana que passou. Quando ainda faltavam algumas semanas pensei que havia de celebrar a efeméride de alguma maneira especial. Quando chegou o dia, não tive tempo e a celebração resumiu-se a uma breve menção à família: "ah, vejam lá, hoje faço um ano de blog".

E pronto.

Estive a pensar no que havia de fazer para celebrar o aniversário a posteriori e decidi apresentar umas estatísticas sobre o dito. E para o ano há mais.

Número total de posts: 170
Dos quais 34 em 2006 e 136 em 2007.

59 posts foram sobre Buenos Aires ou a minha vida na Argentina, 19 sobre a que será sempre a minha cidade (Lisboa, para quem estiver com dúvidas), 30 sobre viagens e 22 sobre comida (o ceviche, o ceviche!). Ainda há uns quantos (minoritários) sobre assuntos tão pouco importantes para mim como o Design e a Ilustração (para ler sobre estes assuntos, remeto-vos para o meu outro blog).

2 posts para o Blog Action Day, a primeira (e, até ao momento, única) iniciativa global a que aderi com o meu blog.

Número total de visitas: 6051

Provenientes de vários países: Portugal, Reino Unido, Argentina, Brasil, Macau, Suíça, Estados Unidos, Turquia, Canadá, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia, Espanha, Israel e Sérvia e Montenegro.

Que eu saiba (esta estatística não é rigorosa), tenho como leitores mais assíduos a família (pais, irmãs, alguns primos), alguns amigos e depois os "acidentais" que vêm cá parar.

Para não falar do Paulo, que lê o meu blog sob coacção.

E para os meus queridos leitores hispanófonos, agradeço-vos de todo o coração a paciência e a perseverança para lerem o que aqui escrevo e ainda por cima voltarem.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A minha veia culinária

Isto não me dá com frequência. Mas, quando dá, costuma sair bem (tirando o assado de alcachofra).

Ontem cheguei a casa muito cansada e totalmente desinspirada. A cozinha parecia o Sahara; nem uma palmeirita para me dar uma ideia de qualquer coisa rápida e pouco trabalhosa para fazer para o jantar.

E, de repente, olhei para um imenso molho de coentros que tinha deixado de molho.

(espera lá... esta frase soa estranha! Ó Mãe! Aproveita a frase para ensinar as palavras homo-qualquer coisa aos teus alunos! E, de caminho, a mim também, eu seja santa, tanto acusativo, tanto dativo que agora me esqueço do português)

Ora bem, molho de coentros... vai daí, pesto de coentros! E não é que ficou bom? Tudo feito a olhómetro, está claro: coentros, azeite (de preferência do bom), queijo (era parmesão, mas não havia), um pouco de nozes e outro pouco de avelãs (dizem que era pinhões, mas não havia) e tudo passadinho na varinha mágica. A páginas tantas juntei-lhe um nico-tico de água. E cozi a massa.

Mnham.

Hoje (a febre culinária durou até agora) fiz umas favinhas à moda da "Avvvvvó" e uma sopinha de brócolos. Vamos ver no que resulta.

sábado, 20 de outubro de 2007

TPC de alemão

Depois de um dia inteiro a adiar a evidência ("tenho de fazer o TPC de alemão!"), lancei-me ao trabalho para apenas conseguir aquela que é muito provavelmente a composição mais estúpida jamais escrita. Estará pelo menos no top das composições mais estúpidas que já escrevi. E atenção que isto não é dizer pouco.

Espero ao menos que não tenha muitos erros. E "muitos" é quando a professora tem de rescrever parágrafos inteiros porque não se aproveita quase nada. É assim tão baixinha que está a minha fasquia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O nosso contributo para a campanha eleitoral



Aproximam-se as presidenciais cá na Argentina. E, como em tantos outros países, cresce a histeria na proporção inversa do tempo que falta.

Apesar da Cristina ser esta boneca que aqui se vê, apesar de se contestar o seu diploma de jurista e apesar de agora se começar a contestar a utilização de fundos públicos para a sua campanha (hmmm... talvez me tenha esquecido de mencionar que a Cristina é a mulher do actual presidente, que, curiosamente, assiste aos seus comícios como apoiante ferrenho), parece que é a vencedora incontestável, pelo menos a julgar pelas sondagens feitas até ao momento.

Honestamente, já não sei o que pensar... por isso, aqui vai o nosso contributo para a campanha.

Esquerdo ou direito?

Digo já que a minha bailarina dança alternadamente no sentido dos ponteiros do relógio e no sentido contrário. Quando olho para o lado, a desgraçada muda!

Pois, e do que é que estou a falar? É deste artigo-barra-teste que vem no Herald Sun, "Australia´s biggest-selling daily newspaper". Aparentemente, conforme percepcionamos o movimento da garota, assim utilizamos mais um dos lados do cérebro.

Como diria alguém que eu conheço: "é xiro, não é?"

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Facebook

Estou contente. O meu facebook diz que eu tenho 21 amigos. E que agora eu e Paulo Romeiro já somos amigos. Que bom.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Este é o post para o Blog Action Day

Estive a pensar bastante no que havia de escrever para o post do Blog Action Day, este ano com a temática do "salvemos o planeta" (ou semelhante).

Quem me conhece sabe que sou (ou era) bastante "eco-melga" (uso aqui o termo da Margarida, da Inês e da Danuta - e desde já peço desculpa se me esqueço de algum nome, não é intencional.). Mas o estudo para a tese de mestrado e a vinda para a Argentina fizeram-me alterar um pouco a minha posição anterior, talvez um bocado extrema e, inclusivamente, zangada.

Vamos então por partes. Primeiro vamos ao termo "eco-melga".

O termo é lindo. É lindo porque descreve exactamente aquilo que todos deveríamos ser - com contenção - e aquilo que muitos são - excessivamente. A verdade é que uma coisa é tentar mudar hábitos e incorporar novas práticas no dia-a-dia, como a separação do lixo ou a utilização de sacos de pano, prescindindo dos de plástico. São coisas que, aos poucos, se tornam tão naturais ("como a sua sede") que já nem se consegue imaginar fazê-las de outra forma. Outra coisa muito distinta é tornar-se um pregador dos hábitos "verdes" e zangar-se com quem não colabora. Isso é chato, talvez mesmo chatinho e não ajuda. Não ajuda porque, em primeiro lugar, gastamos neurónios e paciência de forma inútil; em segundo lugar porque nos tornamos nos "chatos" que não deixam que se faça nada.

E aqui chegamos ao segundo ponto: os ambientalistas muitas vezes são vistos como "os chatos que não deixam que se faça nada", ou seja, aqueles que se opõem ao progresso. Para mim, este é o ponto mais importante de todo o post: é que a defesa do ambiente muitas vezes é vista como um entrave ao desenvolvimento. E, por incrível que pareça, será que muitas vezes não o é?

Através do Nuno, tive acesso a este artigo muito interessante sobre o conceito de "carbon offsetting" (peço desculpa mas não sei o termo em português: "compensação de emissões de carbono"?). O conceito é simples: o pagamento de determinado valor correspondente à emissão de carbono de certa actividade que vamos desenvolver, como uma viagem, por exemplo. Esse valor é pago a uma empresa que o destina a certo fim, supostamente ecológico. O que este artigo critica é a escolha dos fins "ecológicos" a que se destinam estes valores. Apontam como exemplo a ajuda dada a certa comunidade de um país do Terceiro Mundo: bombas de água movidas a energia humana, para não emitir mais carbono. Resumindo: eu posso viajar à vontade porque alguém vai receber dinheiro para continuar a trabalhar a energia humana. Ou seja, algo que eu não quero fazer, porque senão iria a pé ou de bicicleta!

Parece-me que esta "consciência ecológica" é um verdadeiro entrave ao desenvolvimento humano: não é justo, na minha opinião, que os agricultores do Terceiro Mundo tenham de trabalhar com a energia muscular só porque é melhor para o ambiente. E os agricultores do Primeiro Mundo? Alguma vez estariam dispostos a abdicar da sua maquinaria? A tal que produz emissões de carbono? E que permite que eu pague um preço relativamente baixo pelo quilograma de farinha de trigo? É justo que se viva tão bem no Primeiro Mundo e tão mal no Terceiro? É justo que se viva tão bem no Primeiro Mundo à custa das más condições de vida no Terceiro?

Suavizei um pouco a minha posição "eco-melgueira" quando estudei para a tese de mestrado e, posteriormente, vim para a Argentina. Cá, a recolha de resíduos separados é praticamente inexistente. A instalação de contentores para a reciclagem foi feita em vésperas de eleições e denota clara falta de planeamento. Os contentores estão colocados longe das casas, ou seja, para alguém ir deitar um saco cheio de embalagens ou de garrafas de vidro tem de andar, pelo menos, uns 300 ou 400 metros. É fazível? É. É prático? Nada. Será que temos mesmo legitimidade de andar a insistir com as pessoas para que separem o lixo se depois têm de andar tanto para o ir depositar nos contentores? E, finalmente, depois de despejados os contentores, para onde vão os resíduos? Que informação temos de que são mesmo reciclados? Nenhuma. Pois é, cá na Argentina deixei de separar o lixo.

Os parágrafos anteriores servem de preâmbulo àquilo que eu acho que é verdadeiramente o cerne da questão para o desenvolvimento sustentável: a solução está na tecnologia. O progresso tem de ser visto como um avanço para o bem-estar de todos, ou seja, vamos pôr a tecnologia ao serviço das pessoas, e não de apenas alguns negócios. A solução está em novas tecnologias que encontrem fontes de energias não-poluentes (eu não incluo nesta categoria a energia nuclear!), para podermos deixar de vez a nossa dependência do petróleo (e para os agricultores do Terceiro Mundo poderem descansar mais, produzir mais, comer mais e viver melhor). A tecnologia que permita o acesso de todos a água potável, para que as pessoas que vivem em África (e em tantos outros sítios) não tenham que andar quilómetros para poderem hidratar-se.

E, depois disto, claro, a erradicação da corrupção. Mas isso é matéria para outro post, que este já vai bem longo.

domingo, 14 de outubro de 2007

Los Pumas

Por aqui há um clima de ansiedade e excitação com a semi-final dos Pumas (selecção argentina de rugby) contra a África do Sul.

Confesso que partilho alguma dessa emoção: desde que comecei a perceber um bocadinho (pequenino) do jogo, acho-o muito, mas muito mais interessante do que o futebol.

Para além do óbvio (homens altos, fortes e espadaúdos e muito contacto físico), a ideia de ser um jogo de conquista de território parece-me ser muito interessante. É um jogo que mistura perícia, estratégia, táctica e velocidade, tudo isto embebido de disciplina e lealdade. Ao final do jogo, cumprimentam-se e cumprimentam-se e voltam a cumprimentar-se... ainda não apanhei o cerimonial todo, mas é tudo lindo. E o árbitro, a maioria das vezes com um ar muito mais pequeno e frágil que qualquer um dos jogadores, sopra no apito (não dourado) e toda aquele molho de homens a ponto de se arrancarem os dentes uns aos outros se separam e se entreajudam a levantar do chão.

Além disso, muitos ficam com as roupas feitas em fanicos... e quem é a mulher que não gosta de entrever um pouco de músculo num homem?

Blog Action Day

Bloggers Unite - Blog Action Day

É simples, é fácil, talvez seja eficaz.

Tomei conhecimento desta iniciativa no blog da Rosa Pomar e também vou participar. A ideia é que se escreva um artigo relacionado com o tema proposto anualmente. E este ano é a defesa do meio ambiente.

De maneira que, amanhã, cá postarei um artigo sobre o assunto. Quem tiver vontade, vá ao site do Blog Action Day e registe também o seu blog.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Sudoku

O Manel mandou-me este link e disse-me que tinha "a minha cara".

Dou-lhe razão.

(Viram como fiz a menção à ligação anterior? Assim críptica, tal como eu criticava há uns posts atrás? Pois é, mas neste caso acho que se justifica. Há que manter a dignidade.)

E no dia 11...

...vamos correr no Nike Corre 10k! Já estamos inscritos e agora é continuar os treinos. Só espero que no dia 11 não esteja esta chuva porque com óculos não dá jeito nenhum.

Devo dizer que achei toda a campanha publicitária muito engraçada. Os senhores lá da Nike inventaram três clubes para a prova: o "Clube dos Corredores que não correm" (o símbolo é um caracol! E é o meu, claro!), o "Aves de fogo" (para os que correm mais regularmente do que "de vez em quando") e o "Cartel endorfina" (para os aficionados). Têm blogs para cada um dos clubes (eu estou a seguir apaixonadamente o do meu clube), têm grupos de treino aos Sábados de manhã (treinar de manhã ao Sábado??? É o que vou fazer no fds em que o Paulo não estiver. Mas até hoje ainda não tive coragem!), enfim, toda uma animação. Só é pena mesmo o tempo não estar a ajudar.

Sim, é verdade, também eu estou espantada com o meu entusiasmo por ir correr 10km. É o que faz o amor...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Esta Primavera fajuta

Esta Primavera fajuta está chuvosa. Deve ser o Abril águas mil versão hemisfério sul. Só sei é que chove, chove, chove há dias a fio. Não há maneira de vir o bom tempo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Não sei se ficou bem claro...

Por isso dou um exemplo:

Há parágrafos que falam de um trabalho que se está a fazer hoje. E então o autor do blog escreve qualquer coisa como:

"estou a fazer este desenho a pensar neste (hiperligação) e inspirei-me nisto (hiperligação) e nisto (hiperligação). Depois comprei este material (hiperligação) na loja do costume (hiperligação). E a seguir fui fazer yoga (hiperligação) e meditar sobre a minha viagem (hiperligação)."

Moral da história: para saber em quem ou em que o autor se inspirou, tenho de ir clicar, ir para outro sítio, perder o fio à meada, distrair-me com as coisas interessantes que lá há e depois voltar. Releio a frase e vou ver que material afinal é aquele. Perco-me. Volto. Qual será a loja do costume? Hmmm, curioso, também vendem "não sei o quê". Boa, agora já tenho mais este contacto. Relembro que estava a ler o artigo inicial e volto atrás. Ai, faz yoga? Que giro, deixa cá ver o que diz sobre o assunto. Clico. Será que ainda me lembro de voltar atrás? Se sim, fico a saber que medita sobre uma viagem qualquer, mas qual?

Chiiii! Já chega!

Lembro-me de ser miúda e de gostar de ficar a ler artigos da enciclopédia. Era passatempo para algumas horas andar a saltar de artigo em artigo, conforme indicado lá. Eram as hiperligações daquele tempo, com um ícone de uma mãozinha com o indicador espetado e o título do outro artigo a consultar a negrito.

Hoje em dia, estas hiperligações fazem-se com apenas um clic do rato. É giro e é útil, mas só até certo ponto.

Na minha rotina blóguica tenho vindo a aperceber-me de uma certa tendência para os autores exagerarem nas hiperligações que põem nos seus artigos. São links para fotografias no flickr, para artigos em jornais e revistas, para posts seus anteriores, para os blogs dos amigos, e a lista continua, praticamente sem fim. Os artigos aparecem polvilhados de palavras de cor diferente, já que a maior parte dos blogs que leio tem as palavras com ligações numa cor diferente do texto normal, o que acaba por ser uma distracção.

Distracção também é pensar em todos os vínculos que ali estão: quando é que os vou consultar? Quando terminar de ler o texto todo? À medida que o vou lendo?

De uma maneira muito mais século XXI ("sofisticada" poderá ser a palavra adequada), parece-se vagamente com o que aconteceu quando as pessoas começaram a ter computador e o word trazia "aquelas letras todas": de repente, tudo quanto era material impresso era feito com várias letras, algumas com efeitos de luz, cor e volume, umas em três dimensões...

Não é bem o mesmo, mas cansa da mesma maneira.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Rosas



Estas são as rosas oferecidas por alguém muito fofo a uma outra pessoa muito querida, que celebrou o seu aniversário cá connosco em Buenos Aires.

Já as sequei (algumas não resistiram a essa "Operação Triunfo") e agora não sei bem o que lhes fazer. Mas queria fazer algo.

Ando a pesquisar na net mas ainda não encontrei nenhuma solução que me agrade (e que não transforme este apartamento num "mar de velinhas e pot-pourri", ou seja, que não "cor-de-rose" demasiado o espaço).

Continuo a pesquisa.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Outra vez o ceviche

Já tinha falado aqui do ceviche mas volto a falar nessa maravilha da gastronomia peruana. É inevitável.

Depois do ceviche de Lima, na cevicheria La Mar (imperdível, inesquecível, quem foi não volta igual), é difícil encontrar uma versão local à altura. Não só porque cá em Buenos Aires temos a dificuldade da escassez de peixe fresco (leia-se "fresco" como "pescado na noite passada e comprado hoje na lota"), como também será muito difícil encontrar algo parecido com a mistura alquímica certa e exacta dos ingredientes peruanos in loco (em in loco leia-se "no La Mar").

Moral da história: quem procura sempre alcança, quem busca sempre encontra e, por um acaso do destino, a minha colega da aula de castelhano, a Clare falou-me no Carlitos.

O Carlitos é um tasco peruano na zona de Abasto, a zona famosa por ser onde o Carlos (Gardel) viveu e cantou. O Carlitos, por si só, merecia todo um post, todo um blog, na verdade. Só sobre o Carlitos se poderia escrever um livro e se rodaria todo um filme. Mas isso é outra conversa. O que interessa aqui é que no Carlitos encontrei finalmente um bom ceviche. Não é La Mar, nada disso; é um ceviche atascado, comido numa sala de paredes de azulejo de cozinha e luz fluorescente a condizer. As doses são lautas e saborosas mas tão económicas que fazem lembrar um daqueles restaurantes de província em Portugal (e o tapinlou no tasco na Areia Preta).

O ceviche do Carlitos é o oásis no deserto de carne que é Buenos Aires (e toda a Argentina, convenhamos). A par do sushi, é a alternativa possível para consumir peixe.

Enfim, não me alargo. Aqui vão fotografias para ilustrar. Não se assustem com o aspecto. O sabor é mnham. Muito mnham. Os próximos visitantes que se preparem, o Carlitos é obrigatório!


E sim, a toalha é de plástico!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Trovoada

Tivesse eu uma vista mais ampla da janela e estaria certamente a ver relâmpagos cinematográficos seguidos de estrondosos trovões.

Mas não. Na frente vejo o vizinho e as plantas da vizinha. E a chuva, que não parou ainda de cair.

De costas para a janela e virada para o computador, pelo canto do olho vejo os clarões da trovoada, que está aqui mesmo em cima. Não é que tenha propriamente medo, mas convenhamos que com sol tudo fica mais bonito.

Fim-de-semana de Primavera-Verão, segunda-feira de Outono-Inverno

Não há dúvida de que desde que os homens chegaram à Lua e mexeram lá nas anteninhas que o tempo anda todo ao contrário.

Sexta, Sábado e Domingo foram dias de Primavera-Verão. Sol e mangas curtas eram coisas que não se viam juntas há muito tempo - e aconteceram ainda ontem! Hoje, em contrapartida, tem sido trovoada (de acordar quem dorme que nem uma pedra) e chuva, humidade e escuridão. De repente, parece que fui teletransportada para... não sei, talvez a Escandinávia outonal.

Apesar das saudades que já sinto do fim-de-semana, os três dias de bonança foram bem aproveitados: na sexta, almocei numa esplanada e fui bombardeada pelos passarinhos que, também eles na faina primaveril, andavam numa lufa-lufa a alimentar as crias e a fazer as suas necessidades fisiológicas sem ter em conta que lá em baixo se almoçava.

No Sábado, apesar da busca do restaurante certo ter saído gorada, lá conseguimos comer peixe em forma de sushi (praticamente a única maneira de comer peixe fresco aqui; a outra é o ceviche, e era isso que procurávamos e não encontrámos). Depois do almoço, caminhámos por Palermo até ao roseiral, um jardim magnífico que tem sido todo recuperado pelo governo da cidade de acordo com os planos de 1914, se não estou em erro. Nos canteiros, há roseiras, roseiras e mais roseiras. Rosas ainda não há muitas, mas já se começa a adivinhar que daqui a mais algumas semanas aquele jardim vai ser um mar de cor e cheiro.

Como quase todos os jardins de cá, também este estava cheio de gente a tomar o seu mate ou apenas a apanhar sol. Uma maravilha.

O roseiral de Palermo está dentro do parque 3 de Febrero, também conhecido por "bosques de Palermo". Aqui juntam-se todos os aficionados do desporto: ele é gente a patinar, a jogar hóquei em patins (em linha), a correr, a jogar à bola, a andar de bicicleta... às vezes tenho pena que em Lisboa não se aproveitem assim os espaços públicos, sobretudo com a magnífica faixa à beira-rio de que a cidade dispõe.

Com um tempo tão bonito, quem é que quer estar em casa a fazer arrumações? Ficam para o próximo fds...

Viva o "Rosedal" de Palermo, talvez um dos espaços mais bonitos de toda a cidade!


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Estamos em época de milagres

Diz a minha Mãe e tem muita razão. O fatimense desta casa exultou com a notícia de ontem da eliminação do FCP pelo Fátima. Milagre, certamente.

Milagre também a saída de Santana Lopes a meio da entrevista, após a interrupção feita pela chegada de Mourinho em directo, notícia de suma importância nacional.

Não é frequente o Fátima ganhar ao FCP; também não é nada frequente o Santana Lopes fazer uma bem feita. Mas às vezes acontece.

Fight For Kisses

Gostei tanto que tive que o pôr aqui.

Encontrei-o aqui.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Recomeçou a Operação Triunfo!

E eu tão longe, sem RTPi...

(chamem-me "cursi", se quiserem, mas eu não quero saber. Sou fã, sou triunfeira, gostei tanto da segunda edição! Como é que hei-de fazer agora?)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Adeus ao sol de Inverno




Diz quem fotografa que não há nada como o sol de Inverno. Devo confessar que também gosto muito do sol das outras estações do ano (talvez mais para ir à praia que para fotografar).

Agora que o Inverno acabou e a Primavera se está a instalar, digo adeus ao frio com estas duas fotografias da Buenos Aires de uma tarde soalheira de Inverno. Digam lá se não é uma cidade fotogénica?

domingo, 23 de setembro de 2007

Sos un bombon parte II

O episódio do bombón do post anterior fez-me lembrar a viagem de táxi na semana passada até ao escritório do Paulo para depois partirmos para Las Leñas.

Cá, nos semáforos, há muita gente a ganhar a vida a vender coisas ou a fazer malabarismos ou afins. Os vendedores de rosas, que, em Lisboa, actuam principalmente nos restaurantes e nas ruas do Bairro Alto, aqui estão no meio do trânsito, sobretudo nos semáforos.

Estávamos nós num sinal vermelho e vem um senhor vender-me rosas.

"-Una rosa, bombón?"

Eu, pela janela semi-fechada, ri-me, agradeci e disse que não.

Mas o taxista não perdoou:

"-Ellos dicen lo que sea para vender, pero la verdad es que no se equivocó: sos un bombón!"

Se precisarem de tradução, avisem.

Sos un bombon

Cenário: restaurante de bairro, aqui perto de casa. Estou a tentar escolher a sobremesa e chamo o empregado para lhe fazer algumas perguntas.

"-Perdoná, el bombón suizo que es?
-Es como vos!"


Traduzo, para que não restem dúvidas: pergunto ao empregado o que era um "bombom suíço", ao que ele responde que é "como tu", ou seja, como eu.

Aqui, pausa.

De repente, um raio de compreensão ilumina-me e começo a rir-me, a rir-me que nem uma perdida. Olho para o Paulo, ele ri-se às gargalhadas com o descaramento do empregado de mandar um piropo destes à frente dele. Depois finalmente começou a descrição do bombom suíço.

Fiquei-me por uma mousse de chocolate.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

air: work in progress

A partir de hoje, vai estar disponível aqui um blog sobre o trabalho que estou a desenvolver. Está escrito em inglês e em português, para que os actuais clientes (portugueses e estrangeiros) o possam ler e, claro, com a esperança de que o grupo de leitores não-lusófonos aumente - e se converta em nova clientela.

Espero que gostem!

Filete porteño

Que grande trabalheira para pôr a imagem ali em cima! Para quem estiver distraído, é a imagem do título do blog. Não consegui pô-la exactamente como queria, mas a batalha entre mim e o HTML não foi totalmente perdida.

É a minha primeira ilustração com base no filete porteño, uma técnica nada e criada aqui em Buenos Aires que era usada nos camiões de distribuição de bens, para os diferenciar uns dos outros. Começou por ser uma aventura lírica de um pioneiro e, como o cliente gostou, passou a ser uma vantagem comparativa em relação à concorrência. Em poucos anos, camião que era camião, autocarro que era autocarro, veículo que era veículo e que se quisesse diferenciar tinha de ter um belo fileteado porteño.

Uma directiva do governo da cidade proíbe actualmente a sua utilização nos autocarros, por alegadamente dificultar a leitura. Então o que hoje temos é panelas fileteadas, chapinhas e caixas para pôr o mate. Bem, há mais coisas, mas não na loucura do antigamente.

Eu gosto do fileteado porteño e por isso decidi estudar um bocadinho mais. Ainda não uso a técnica completa (tinta esmaltada sobre metal, aplicada com pulso firme e pincel fininho), mas pode ser que um dia venha a fazê-lo. Até lá, vou-me entretendo com estas coisas.

Digamos sim à Primavera!

A ida a Las Leñas marcou a despedida do Inverno e a tão desejada chegada da Primavera. Qual tormenta de Santa Rosa, qual carapuça. Enquanto lutava para manter os esquis paralelos e uma pose absolutamente intocável de esquiadora experiente, ouvi o instrutor dizer que a neve estava má porque era aquilo a que costumam chamar neve de Primavera.

Estas palavrinhas, apesar de serem tristes para os amantes dos desportos de Inverno, fizeram desabrochar em mim - qual botão de flor - uma alegria tão intensa que se torna francamente indescritível. Sim, finalmente Primavera! Como explicar? Para mim é Inverno desde Dezembro... estou farta! Em Lisboa, apanhei "um dos Invernos mais frios desde há ...(muitos, não sei quantos) anos". Chego a Buenos Aires e tunfas, outro Inverno fenomenal, com queda de neve na cidade como bónus, como não acontecia há ... (acho que 80) anos. É bonito e tal, mas estou farta. Sinto-me uma sueca que vai a Lisboa em Fevereiro e veste uma camisa com palmeiras, calções e sandálias com meias brancas, só porque está sol e o termómetro marca a loucura de 11ºC.

No ano passado, quando cá estive, notei que havia muitas celebrações na rua relativas ao equinócio. Achei curioso que se celebrasse tanto a Primavera, não estava bem a compreender o entusiasmo de quem tem um Inverno bastante temperado. (Impõe-se aqui um parêntesis: aparentemente, nas culturas latino-americanas celebravam-se os equinócios, não os solstícios como acontece no hemisfério norte. Fecha parêntesis.) Já este ano, estou aí para as curvas! Sim, celebremos a Primavera! Celebremos o tempo ameno! Celebremos os parques, os jardins e o roseiral em flor dos bosques de Palermo! Sim! Sim!

Aaaaah...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O que aprendi no fim-de-semana

Aprendi muita coisa este fim-de-semana.

Primeiro, e talvez mais importante, aprendi a esquiar sem recorrer à famosa técnica de travagem que consiste em se atirar ao chão. Agora já travo. Não com muito estilo, vá, mas já travo.

Segundo, que funciona como alínea do primeiro, aprendi a descer as encostas aos ziguezagues. Já sabia a teoria, claro, mas no ski, como em tantas outras coisas, uma coisa é saber a teoria e outra muito diferente é praticá-la. Percebi que o ziguezague funciona. É cansativo, mas funciona.

Terceiro, que quem manda nos meus esquis sou eu. Era outra daquelas coisas que já sabia em teoria mas que parecia que na prática não resultava assim tão bem. Agora já sei que os posso inclinar um bocadinho mais ou um bocadinho menos, que os posso pôr mais paralelos ou mais concorrentes e que tudo isso tem um efeito prático no deslizamento (ou não) sobre a neve.

Quarto, aprendi o termo "macanudo", pertencente ao lunfardo não sei se argentino se exclusivamente porteño (hei-de averiguar). "Remacanudo", que é ainda mais que "macanudo" só, é a pessoa "porreira". E é o que era o instrutor que me instruiu durante estes dias, um chico cheio de paciência e boa onda que nos levou a descer as pistas lá para cima, pistas daquelas que eu nunca na vida haveria de sonhar descer. E desci!

(Abro um parêntesis para esclarecer aqui uma coisa muito importante: o primeiro instrutor de ski que tive foi o Paulo. Fez um óptimo trabalho, há que dizer, só que não foi ajudado por dois factores: o medo e a neve congelada do último dia em Chamonix. Ainda assim, os ensinamentos dele nessa altura valeram-me para estes três dias e pude rapidamente acompanhar o grupinho das aulas nas incursões a pistas mais difíceis. Ou mais intermédias, talvez seja mais rigoroso. Fecho parêntesis.)

Resumindo e concluindo: foi bom.





sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Ai fida

Suspiro.

Apesar de estar contente com a ida a Las Leñas, tenho muita pena de não estar amanhã em Beja, no casamento dos meus primos. Serve o presente post para manifestar o karma de emigrante transatlântico, algo que já conhecia (mas talvez não me afectasse tanto) da vivência macaense.

Vai então um abraço oceânico para os Noivos, com uma lagrimita no olho e o coração apertado. E um beijinho a toda a família. Espero que gostem da minha participação sui generis na boda.

Palavras magicas

Las Leñas: 1ºC con probabilidad de nevadas...

Estas são hoje palavras mágicas para mim e para todos os colegas do Paulo que vamos até Las Leñas passar o fim-de-semana prolongado do feriado dos jaboneros. A viagem começa hoje em direcção aos Andes. Sábado, Domingo e segunda serão três dias de esqui! Chegamos a Buenos Aires na terça pela fresca, eles todos directos para o escritório para mais um dia de trabalho.

Bem, para alguns vão ser três dias de esqui; para outros, como eu, três dias de sobrevivência nos esquis. Iupi!!!!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Tormenta de Santa Rosa

A tormenta de Santa Rosa, ou - em bom português - a tempestade de Santa Rosa, é um fenómeno climático anual que tem lugar no final do Inverno austral, ou seja, agora. E é um pouco como deus: é omnipresente e omnipotente. Por esta altura, claro está.

Em Iguaçú apanhámos um frio, mas um frio!, de rachar. Um frio frio, com chuva e vento à mistura. A água das cataratas vinha mais quentinha que o ar... Aparentemente a tormenta de Santa Rosa não chegou lá, mas causou o frio.

Este fim-de-semana que passou, Buenos Aires - onde há apenas dois meses nevou - foi inundada por uma onda de calor de trinta graus centígrados. Que fazer com isto?

É bom saber que esta onda de calor é normal e se deve à já célebre tormenta da Santa e não às alterações climáticas e à chegada do homem à lua e consequente mexidela lá nas antenas. Diz que é normal, que é a chegada da Primavera, que agora desce outra vez a temperatura e começa a subir gradualmente.

Estamos à espera, mas já deu para ver que vai ser o cabo dos trabalhos para secar a roupa lavada.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Agora que sou seculo XXI...

...não dá para não comentar duas, ok, três notícias que vi no Público (aliás, vi no Google Reader, por isso é que sou século XXI, 2007, e não século XXI, 2001).

A primeira é a da morte do Luciano Pavarotti. Foi com pena que a li, sobretudo porque nunca pensei que um homem daquele tamanho (hmmm... literal e metaforicamente) pudesse morrer. Pois, bem sei, é idiota. Mas não pensei mesmo. Fica na minha memória como um cantor lírico que não só abriu as portas da música "erudita" à música "pop" e vice-versa, como também se fartou de fazer algo pelos que não tinham maneira de ir ver os concertos dele.

A segunda é da ideia de José Saramago fundar uma nova Ibéria em que Portugal e Espanha são estados federados. Bem, como dizer, não quero entrar no óbvio da nossa independência de Espanha já há algum tempo. Penso que já ultrapassámos essa fase. Mas, honestamente, que sentido faz federalizar dois Estados dentro da União Europeia? Não é a União já um caminho para a federação de todos os Estados? Os bascos querem a independência, José Saramago a fusão...

A terceira é boa: não é que Portugal está no sétimo lugar do ranking mundial da modalidade "Governo Electrónico"? Estamos sempre tão habituados a estar na cauda de todas as listas (sejam elas quais forem) que este sétimo lugar mundial (e segundo europeu) é uma surpresa e uma alegria. A mim, facilita-me bastante a vida dado agora estar deste lado do lago Atlântico. Só falta mesmo é ser possível pagar a contribuição à Segurança Social através da Caixadirecta. Para quando?

(e agora um pequeno parêntesis, sobre outra notícia do Público: um motard a fazer um rali por estas bandas teve um acidente em "Antofagasta, a cerca de 300km de Buenos Aires". Alguém explique ao jornalista que Antofagasta não só fica no Norte do Chile como também a muito mais que 300km de Buenos Aires. 300km cá não são nada, são pinhões.)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Terminou a chilly season

Diz que sim. Espero que sim.

Com a chilly season foram também todas as visitas, que trocaram a silly por esta. Acabaram-se os dias de trabalho de turista, de passeios pela cidade e também pelo país, em que a planificação das actividades incluía inevitavelmente os restaurantes a visitar e os pratos novos a experimentar, os monumentos a ver e as ruas a percorrer.

O saldo é positivo: pisei apenas dois cocós, vi muitas coisas novas, comi pejerrey e visitei as quedas do Iguaçú, que elejo como o mais excitante de tudo. E recebi muitos, muitos miminhos, também em forma de favas e de ervilhas com ovos escalfados. Só para apreciadores!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Vamos a La Plata oh oh oh oh oh








Campanhas


Amanhã começam sessenta dias de campanha eleitoral para as presidenciais argentinas.

A Cristina aparece na fotografia com o rímel todo empastelado, parece uma boneca (poderia parecer qualquer outra coisa? A dúvida persiste). Os outros candidatos... ora, que dizer? Os argentinos encolhem os ombros; eu divirto-me com estes disparates.

A Argentina é um país único


E estas coisas só podem acontecer cá. Ou em Macau, que também é um território único. Uma das coisas de que me lembro de me dizerem sempre no início da estadia lá era que, em Macau, só faltava ver porcos a voar. Pois isso aplica-se na perfeição à Argentina, com todas estas idiossincrasias locais. É giro.