terça-feira, 22 de abril de 2008

O vento mudou de direcção...

...e por isso não temos tido fumo por cá. Mas os incêndios continuam activos e o fumo, misturado com o nevoeiro, hoje provocou mais uma série de acidentes nas estradas do norte da província de Buenos Aires.

Este post é curtinho: da incredulidade já passámos à resignação e da resignação a uma certa tristeza.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Porcos a voar

Ok. Vamos lá pôr os pontos nos ii . Quem dizia que em Macau só faltava ver porcos a voar que tente viajar para a Argentina. Agora. Quero ver.

Porque é absolutamente inacreditável, aqui vão as fotografias:

Olhando para a direita...

...olhando para a esquerda.

E não. Não é "neblina matinal". É fumo.

Fumo de quê, será que há aqui algum incêndio? Mas não acabou já o Verão? Pois é, acabou o Verão e não há um, mas muitos incêndios. E não são incêndios quaisquer: são queimadas, "quemas de pastizales".

Nas notícias só se fala da interdição das estradas, da visibilidade reduzida a alguns metros, das partículas de dióxido de carbono. Já se insinuou ligeiramente a polarização que se abriu com o conflito entre produtores agro-pecuários e governo. Depois deita-se água na fervura e diz-se que muitos produtores também são contra esta prática. E assim por diante.

A questão fundamental para mim é que as "queimadas" são fogos controlados e pequenos, não são incêndios com emissão de fumo capaz de cobrir uma cidade do tamanho de Buenos Aires. E não é só a cidade, é também uma grande parte da província de Buenos Aires, que, para se ter uma ideia, tem uma superfície semelhante à da Península Ibérica. Imaginem que há um incêndio em Madrid e que se sente o fumo em Lisboa: surrealista, não é?

Pois. Não. Não é surrealista. Aqui acontece.

Quero acrescentar mais uma coisa: o aeroporto internacional de Ezeiza está praticamente encerrado (no ano passado a falta de radares sofreu com o nevoeiro do Inverno; este ano o sofrimento começa já no Outono, com a fumarada! O Aeroparque está encerrado, ou seja, não se sai por via áerea da cidade. Por estrada, também não. Esperemos que não nos estraguem os planos de evasão de barco.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Parabéns!


Até agora eram secretos... mas como os destinatários já os receberam, aqui estão os cartões de parabéns que lhes enviei. O vermelhinho, para o meu Pai; o cor-de-rosa, para a Mélanie.

Parabéns aos dois e espero que tenham gostado!



Mais imagens de todas as fases entre o desenho e o produto acabado.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Parabéns

Muitos, ao meu Pai.

No ano passado a coisa não correu tão bem: acho que nem sequer lhe consegui dar os parabéns. Estava internada e tinha sido operada de urgência aos intestinos. Quando fechava os olhos, viajava numa tripe demasiado surrealista provocada pela anestesia. Quando acordava, voltava a adormecer.

Felizmente este ano está tudo bem: embora a barriga ainda continue grande (continuo a ouvir a sempre pertinente questão: "estás grávida?"), a cicatriz de talhante que me fizeram está com muito boa cara e bem sarada. Os intestinos, maravilha. E a boa forma vai sendo recuperada gradualmente.

Tudo isto para dizer: parabéns Pai! Pena não ter estado aí para celebrar contigo, mas acho que já não foi nada má a ajuda que o skype nos deu, não é verdade?

Final-de-semana legal

(Atenção: este post deve ser lido com sotaque brasileiro)

Esse final-de-semana foi legal demais. Tivemos nossos amigos brasileiros, mais precisamente cariocas, de visita. Uma viagem de trabalho a Buenos Aires se prolongou por mais dois dias para poderem aproveitar Sábado e Domingo por cá.

Logicamente os convidámos para ficarem cá em casa: não perdemos uma oportunidade pra falar português, não é? Tanto falámos que, no final de sexta-feira, já eu estava pensando em português brasileiro, colocando uma série de "...pra cacete" ("bom pra cacete", "cheio pra cacete",...) no meio de minhas frases. As pensadas, claro. O que eu falava, eu tentava que soasse português lusitano.

Daí que foi legal demais. Nossos amigos são muito gente fina (adoro esta expressão!), nos fizeram uma companhia muito bacana, fomos no Osaka comer ceviches e tiraditos, na Feria Puro Diseño e, inclusivamente, passámos pelo Easy, esse hipermercado de materiais de construção que está faltando no Rio. Ou, pelo menos, está faltando com os preços de cá.

Os serões foram passados em casa, olha só: Paulo tocando piano, acompanhado no violão pelas mãos de D e pela voz de F. Eu, no tricô.

Que pena que finais-de-semana beleza como esse tenham um fim tão rápido. Mas agora tá mesmo vindo a vontade de ir no Rio. Outra vez.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Os disparates do costume

Quem me conhece sabe. Sabe que eu gosto destes disparates. E de tipografia. E de tipografia na cidade.

Mas, claramente, este post não é propriamente sobre a tipografia na cidade mas sim sobre as aventuras da tipografia na cidade.

Ora estava eu a sair alegremente com a minha amiga F. do Ateneo, livraria porteña instalada dentro de um teatro (no palco, o café onde tínhamos ido comer a sobremesa do ceviche), e não é que olho em frente e vejo uma loja com este nome?



"Nossa", disse, sob influência claramente carioca. E deixei-me ficar a apreciar a sensação de encontrar uma loja sofisticada com um nome destes. Depois desviei-me, o poste saiu do caminho e vi aparecer o "l". "Clona", chama-se.

Caiu um mito.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

FAQ

Faz hoje um ano da minha chegada à Argentina. Para comemorar a efeméride, faço um post sobre as perguntas mais frequentes destes últimos 12 meses.

Diálogo A:
- De dónde sos?
- De Portugal.

- De qué parte de Portugal?
- De Lisboa.

- Ah. Y cuándo volvés a Rio?
- Bueno, no sé, algún día voy a visitar.


Diálogo B
- De dónde sos?
- De Portugal.

- De qué parte de Portugal?
- De Lisboa.

- Y que hacés acá?
- Vivo acá.

- Sí? Mirá vos. Y te gusta vivir acá?
- Sí.

- Extrañás mucho?
- Sí.

Diálogo C
(farmacêutico põe ar sedutor:)
- Vivís en Francia?
- No.

- En Italia?
- No.

- Dónde vivís?
- Acá en Buenos Aires.

- Bueno, sí. (sorriso, bate a pestana) Pero de dónde sos?
- De Portugal.

- Ah! De Portugal... Mirá vos.
(peço-lhe o talão e vou-me embora porque já sei que pergunta se segue.)

Eu chamo a este fenómeno "perguntite aguda". Manifesta-se sobretudo na população masculina mas é inegável que há uma certa curiosidade pelos estrangeiros que é comum a toda a gente. Invariavelmente, pensam que sou brasileira. Às vezes, mesmo depois de dizer que sou portuguesa (vide Diálogo A). E, sendo brasileira, obviamente que sou do Rio.

Só em Ushuaia nos aconteceu uma coisa extremamente curiosa, que muito me (nos) surpreendeu. Estávamos num restaurante a escolher os pratos e o rapaz que nos atendia percebeu que falávamos português. Muito gentilmente começou a falar português connosco. Quando chegou ao ingrediente "alho-francês" de um dos pratos, disse-nos que tinha "alho-porro". "Ah, alho-francês", dissemos, um pouco como quem pensa alto, enquanto imaginávamos o prato - e salivávamos. Responde o gaiato: "dizem alho-francês? São portugueses, não é?".

Merece a minha admiração.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A minha primeira camisola tricotada!


Ora aqui vai o início da minha primeira camisola. Quero dizer, tricotada por mim!

"Ter pano para mangas" ganhou um novo sentido...



Mais fotografias aqui.

Argentinizada

Parece que sim, estou definitivamente argentinizada. Falo castelhano com sotaque de Buenos Aires, uso vos em vez de , atravesso a rua à maluca, já me oriento a a andar de autocarro.

E agora já cebo mate em casa:

Desmentindo a mentira

Ora bem, apesar de ninguém ter reagido à minha mentira (esta é directamente enviada às visitas que cá estiveram e ao coabitante desta casa!), desminto já a mentira: não há mancha nenhuma na despensa, o tecto está branquinho e parece-me que as sessões de raspadela, estuque, selante, primário e pintura final terminaram.

Tenho dito.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A tia com o avental da sobrinha


Imagino que esta fotografia não tenha graça absolutamente nenhuma para ninguém, excepto para mim.

Mas não faz mal, não interessa nada, é mais uma manifestação de saudades e de absoluta adoração pela minha sobrinha Carolina, a única até ao momento e, como tal, a preferida.

(tenho de aproveitar enquanto posso dizer que é a minha sobrinha favorita, tout court, porque quando houver mais sobrinhos tenho de dizer a minha sobrinha favorita de x anos, estratégia diligentemente aprendida com a minha Mãe.)

Acho que ela gostou do presentinho. Eu, deste lado, adorei fazê-lo e imaginá-la a vesti-lo para "achudar a Avó".

Mais imagens aqui.

Vicissitudes da vida

Para quem não sabe, aqui há uns meses tivemos uma mega-infiltração no tecto da cozinha.

Não, não. "Mega-infiltração" não descreve o fenómeno. Tivemos, sim, uma pintura abstracta no tecto da cozinha, uma instalação digna de um museu de arte contemporânea (ou mesmo de arte futura).

Apareceu em Dezembro, fomos de férias, voltámos de férias e estava (bem) maior. Um certo dia em Fevereiro tivemos cá o pintor na sua primeira sessão. Raspou, raspou, raspou mas chegou à conclusão de que o estuque ainda não estava bem seco e, portanto, não lhe podia aplicar nova massa.

Próxima sessão: daí a uns dez dias.

Vou abreviar, não quero que isto se torne toda uma saga parecida com a do frigorífico e da máquina de lavar louça. Até porque, em bom rigor, o pintor só se esqueceu da data de uma das muitas sessões de raspanço, estuque, selante, primário, secundário e talvez também terciário.

Encurtando razões, terminou hoje o trabalho: o tecto da cozinha está lindo e quase como novo.

Não é que agora tenho uma mancha no tecto da despensa?

quarta-feira, 26 de março de 2008

Ando com um problema no meu K


Sabem lá, isto é uma chatice. A minha tecla do K saltou pela primeira vez poucos dias depois de comprar o computador. Quando escrevo em português, não há qualquer problema. Felizmente não temos K na esmagadora maioria dos nossos vocábulos, e eu não uso substituir o "qu" por "k", à maneira das SMS. Não, eu sou bastante conservadora nesse aspecto: para escrever, há que escrever bem.

O problema chega quando quero escrever em inglês, por exemplo, língua que tem "k" com muito mais frequência do que a que imaginaria à partida. Dei-me conta disso quando a tecla K saltou de vez e perdeu os encaixes, talvez por eu a martelar com alguma força e pouco jeito de volta ao teclado.

Hoje em dia, parece que já nem com fita-cola esta desgraçada tecla se sustém. Saltou. E o meu teclado sem K fica tão feio, tão nu, tão ferido na sua integridade macintoshiana.

Estou triste porque tenho um problema no meu K.

(E os argentinos também.)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Boa Páscoa

Desejo a todos uma boa Páscoa.

Aos participantes do piquenique deste ano, um beijinho com muitas saudades. E desculpem lá ter-vos roubado alguns representantes da nossa família em território nacional...

A quem está longe, beijinhos com saudades. Voamos amanhã para Ushuaia, para celebrar a entrada no Outono com um mergulho naquilo que para nós já é bem Inverno. Para os austrais, é apenas o início da escuridão. Até Novembro ou Dezembro.

Pelo sim pelo não, levo o casaco de ski.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Andam parcas

...as minhas vindas ao blog. De uma forma algo retorcida, é bom sinal: tenho tido bastante trabalho e, desde ontem, duas visitas muito fofas, que se renderam a uma sesta reparadora de jetlag (é que mudou a hora... agora são três horas de diferença, o que para estes pacotitos, habituados a voar para Macau, é toda uma verdadeira imensidade) e dos cansaços produzidos pelo trabalho de turista.

Como já conhecem Buenos Aires, hoje andámos de compras (às compras!) de botões, linhas, agulhas, tecidos e lãs para diversos projectitos, alguns para serem levados dentro de duas semanas para Portugal.

Fomos muito mal atendidos na Merceria Raquel, uma loja muito mínima, muito gira, muito cheia de botões e fios e fechos e coisas assim, mas com as empregadas mais antipáticas e mal educadas que o mundo do atendimento ao cliente já viu. Quase que se teve de reunir o sindicato dos fregueses descontentes numa defesa colectiva da nossa causa para ver se as mulheres nos atendiam e não se zangavam.

Enfim, é pena, mas não volto lá. Chuif.

Já em Palermo, na "Botonera Buenos Aires", fomos bem atendidas por uma muito prestável vendedora, que nos mostrou caixas e caixas de botões de vários tamanhos e feitios. Tinha uns móveis adoráveis, cheios de prateleirinhas e gavetinhas onde tinha arquivada a mercadoria. Apetecia-me trazer as estantes para casa, mas limitei-me às agulhas e, novamente, aos botões.

E, para meu espanto, para terminar o safari de compra de lã no universo do acrílico, encontrei uma loja que tem toda uma parede de lãs (pura lana, ou seja, sem misturas de acrílicos) em muitas cores. Não sendo propriamente o paraíso da variedade em termos de fios, é, sem dúvida, um oásis no deserto de poliamida e nylon dos fios de Buenos Aires. Iupiii!!!!

E agora vou aproveitar o resto da sestinha dos pacotinhos para terminar o TPC de alemão, depois de cumpridas as tarefas profissionais mais urgentes.

Fotos? Qualquer dia.

terça-feira, 11 de março de 2008

Regresso às aulas de alemão


Porque amanhã regresso às aulas de alemão, que são uma autêntica ginástica mental, aqui fica uma ilustração feita para celebrar o acontecimento. Papercut, claro, agora é a minha febre.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Hoje


Hoje estive a trabalhar nestas folhinhas. Bem sei que o âmbito deste blog não é propriamente de trabalho (para isso, cá está o outro), mas gostei tanto de cortar estas folhinhas e de fazer esta ilustração que decidi pô-las aqui também.

Num dia vindouro, num incerto porvir, terei uma loja online com estas coisinhas à venda.

Um dia.

(Foi para o Illustration Friday desta semana.)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Vale a pena ver

Recebi por email um link para este vídeo, chamado "Story of Stuff". Vale a pena ver. (Obrigada, Rui!)

Fez-me lembrar aquelas campanhas de solidariedade que tanto existem em Portugal em que se compra um peluchinho, ou um bonequinho, ou um porta-chavezinho, ou uma porcariazinha qualquer que fica lá para casa e ninguém usa.

Uma vez, escandalizei uma senhora que se aproximou a anunciar mais uma campanha desse género. Disse-lhe que não precisava de "mais tralha" (talvez o termo não tenha sido o mais diplomático possível) lá para casa mas que sim, estaria disponível para fazer um donativo através de transferência bancária.

"Ai, mas é que ainda não temos conta..."

E não estou a falar daqueles que nos andam a enganar com um pseudo-livro de recibos a dizer que os nossos donativos dão para o IRS! Estou a falar de barraca montada em feira-tipo-solidariedade, para que conste.

Enfim, foi só um aparte.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Para a Bauzinha

Ó Bau!

Um beijinho grande e boa sorte lá por terras de Sua Majestade.

Vê se reactivas o Pulo, sim?

Chegou!

O brinquedo novo foi hoje entregue. É lindo, prateado como os outros seus companheiros e só falta o Paulinho instalá-lo definitivamente para começar a funcionar. Iupiii!!!!

Acabaram-se as lavagens de louça à mão! Viva a máquina de lavar louça nova, vivaaaaaa!!!!!


(calha bem para compensar o facto de termos a cozinha com o tecto cheio de remendos - houve uma infiltração na cozinha do andar de cima que nos pintalgou o tecto de figuras abstractas. E com relevo. Iaque!)