quinta-feira, 5 de junho de 2008

Bolívia parte I: La Paz

Não consigo imaginar um nome mais bonito para uma cidade: La Paz. Não consigo. Acho que se pode tratar da cidade mais feia do mundo e ainda assim ser bonita, só pelo nome.

Realmente, é disso que se trata. La Paz não é uma cidade bonita, bem longe disso. Mas tem um nome poético e um cume nevado por detrás, a enquadrá-la, e a dar-lhe o resto de beleza que cronicamente lhe falta.

A isto acresce a sua altitude: o aeroporto, na cidade de El Alto, que lá do alto vigia a paz, está a 4000m sobre o nível do mar. Descendo 400m por uma vertiginosa auto-estrada (atenção, "auto-estrada" aqui tem um significado diferente de "auto-estrada" em Portugal), entramos finalmente no burgo. E que há aqui? Um centro histórico mínimo mas relativamente bem conservado e um emaranhado de caos, trânsito e confusão generalizada. Vêem-se muitas mulheres vestidas com as roupas tradicionais, as cholas, muitas mulheres de jeans modernos, muita gente, muita confusão. O que há aqui que sublinhar é que se vê "muito". Muito, muito, muita gente, muitos carros, muitos miúdos, muitas barraquinhas a vender fetos de lama e bebidas e talismãs e roupas de alpaca e roupas sintéticas a imitar alpaca. Ou seja: muito. E muito com tão pouco oxigénio é realmente fatigante. E atravessar estradas a correr com o ar tão rarefeito é ainda mais cansativo.

Quando chegámos já sabíamos que nos íamos sentir "cansados, com dores de cabeça e talvez também dores no peito", dizia o guia. Mas sentir a dor de cabeça e o nariz que não se habitua ao ar seco, isso sim, é outra conversa. Comprámos logo os fantásticos comprimidos para o "soroche", ou "mal de altura", e foi realmente o que nos valeu. Irriguei o nariz com meia garrafa de soro fisiológico e levei a loção corporal mais gorda e hidratante que por cá tinha. E assim passámos uma semana, entre os 2800m e os 4200m e temperaturas entre os muitos graus negativos (-10º? -15º? Ao certo não sabemos) e os 25ºC.

Em La Paz, para além do centro histórico, há o mercado das bruxas - lugar de visita obrigatória - e a prisão - lugar agora de vista proibida, dizem. Mas, mais do que um lugar de visita, a cidade é um ponto de partida para outros lugares. Para nós, para o lago Titicaca.



Centro histórico de La Paz: a Plaza de Armas e o "El Prado", o passeio público (que designação tão queirosiana!).

Não cheguei a perceber se o parque automóvel da cidade era "velho" ou "antiquado". Quem andar à procura de exemplares antigos bem estimados, já sabe onde os procurar.



Emaranhado de ruas e fios na zona do Mercado de las Brujas, onde se compra de tudo para a adoração à Pachamama, a Mãe-Terra.


Como não podia deixar de ser, a secção "comida e bebida": um ceviche que foi devorado antes de o conseguir fotografar e o imprescindível mate de coca, para ajudar a combater o mal de altura.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Já cá estamos

Hoje a alvorada nem sequer foi com as galinhas: foi antes delas. Não sou pessoa de me levantar assim tão cedo e, surpreendentemente, acordei exactamente um minuto antes de tocar o despertador: 5h29. Fiquei na cama mais dez minutos e depois foi a chamada correria para chegarmos às 6h00 à recepção do hotel.

A história seguinte é a normal: esperas nos aeroportos. Mas chegámos bem a Buenos Aires e voltar a casa soube bem.

Sobre a Bolívia, algum dia desta semana. Agora não.

sábado, 24 de maio de 2008

Até logo!


Duche. Trabalho que ainda falta. Mala. Decisões difíceis tipo "que máquina fotográfica levamos". Perguntas repetidas como "tens o guia?" ou "viste que esta noite prometem neve?". Farmácia. "Chamamos um táxi para o aeroporto?".

Desconfio que deve ser igual em todo o lado.

P.S. Tempo cortesia do www.weather.com.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Mais um...

...restaurante bom da cena porteña.



Chama-se Sucre e é aqui em Buenos Aires. Fomos lá no último dia de visitas e tivemos a imensa sorte de nos terem sentado ao balcão, que é a divisória com a cozinha. Vimos o cozinheiro preparar os nossos pratos (e os dos outros) e só foi pena termos tido que sair à pressa para chegarem a horas ao show de tango (que, disseram as nossas visitas, também valeu a pena).

Resumindo: mnham.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sem título

Tarefas do dia despachadas e obrigações fiscais e sociais cumpridas, vou agora enfrentar a confusão habitual do supermercado para comprar os víveres que faltam para confeccionar a refeição de logo à noite. Temos convidados para o jantar e, como sempre, o objectivo é preparar uns pratinhos deliciosos (o risotto de espargos do Paulinho, o "meu" pudim de espinafres - hoje, de acelga; para sobremesa um fondant de chocolate) para nos deleitarmos e sairmos do regime de "à noite, sopa e fruta" das últimas semanas.

Para sair do regime da sopa e da fruta vai também ser a viagem à Bolívia, já daqui a pouco tempo. Ontem, enquanto tricotava a gola da minha camisola (tricoto devagar, o que querem?), o Paulo esteve a ler o que dizia o guia de viagens. Confesso que o que me ficou foi mesmo a comida: já me tinham mencionado que o ceviche é omnipresente à mesa e ontem fiquei a saber que uma refeição boliviana tem sopa, prato principal e sobremesa! Que saudades de sopa, prato principal e sobremesa! Aqui sopa é sinónimo ou de água com coisas a boiar ou então de sopa a saber a natas. O prato principal por cá é só carne. Ou só peixe. Nada de acompanhamento (tem de ser pedido à parte...). Como será lá? Sopa verdadeira? Prato verdadeiro? Sobremesas com fruta, talvez? Hmmm... Estou curiosa.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Pós-visitas

Os dias pós-visitas são sempre dias esquisitos: por um lado, vai-se toda a animação vivida nos últimos dias; por outro, a casa e o tempo voltam a ser completamente nossos, com tudo o que isso tem de bom e de mau.

Na semana passada negligenciei o mais possível o trabalho e as minhas actividades locais para poder estar com as amigas e pôr a conversa em dia. Esta semana, pago a negligência com muitas mensagens para ler e responder e mais trabalho acumulado. Mas valeu a pena. Quando quiserem encontrar amigas que não viam há anos numa cidade longínqua, não combinem nada! Foi essa a "estratégia"...

Soube-me especialmente bem ter amigas com quem conversar, amigas que já me conhecem há anos e anos, com histórias de adolescência pelo meio (creio que o Paulo e o Pedro se sentiram um bocado perdidos nesta fase da conversa...) e muitos episódios cómicos das nossas maluquices de outros tempos (e deste também).

Agora este acampamento que era a nossa casa está vazio. A mesa voltou a ficar pequena (já lhe retirámos a extensão), a mesa do escritório voltou para a posição correcta, as camas já se desfizeram e o sofá já voltou a ter gente sentada (e deitada de vez em quando, mas só para a sesta).

Foi muito bom ter-vos cá. Onde é o próximo encontro, mesmo?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Passeios

Ter visitas é sempre uma óptima desculpa para passear pela cidade, sobretudo pela Feira de San Telmo, aos Domingos, e ver pares a dançar tango.


(mas não só)

Numa fase em que me encontro um pouco impaciente com as idiossincrasias argentinas, voltar a ver a cidade com olhos de turista, mas de turista que já é familiar, é mesmo muito bom. Aos poucos, parece que há coisas da cidade que já me pertencem, como os inúmeros cafezinhos agradáveis, um pouco por todo o lado,


ou os pedacinhos de padrões que vão polvilhando o pavimento.


Não é calçada portuguesa, mas é bonito.

(Não liguem, isto são as saudades a falar.)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Dia da Liberdade

Já se passaram uns dias largos sobre o dia 25 mas só hoje realmente soube o que escrever sobre o assunto.

Por cá o dia passou-se sem notícia. Não foi feriado nem fim-de-semana prolongado e as únicas celebrações foram através dos parágrafos nos blogs que visito regularmente.

Só hoje, ao escutar o podcast das notícias em português da Deutsche Welle desse dia, é que me arrepiei ao ouvir uma pausa na narração e depois a batida da Grândola Vila Morena.

Se é certo que não vivi o "antes", só o "depois", a vivência argentina tem sido muito útil para imaginar como terá sido o passado. Não que aqui se viva em ditadura, porque não é verdade. Mas vive-se num ambiente de desinformação (o lápis azul cá mudou de tom, mas funciona na mesma, umas vezes a favor de uns, outra a favor de outros), de propagandismo, de convocação coerciva de (algumas) massas a alguns actos públicos de apoio ao governo, e assim por diante.

Não querendo estar a cuspir na sopa - porque a Argentina lá me vai acolhendo - a democracia por cá ainda é uma criança. E esse facto deixa-me muito grata por ter havido um 25 de Abril no meu país, quatro anos antes de eu nascer.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Abençoados sejam os narigudos...


...com um bom olfacto para cheirar a sopinha da Mamã.

Ontem já falei da hortelã na canja; hoje salivo a pensar nos cozinhados da minha Mãe. Em Portugal "abriu" a época de favas...

(É a ilustração para o Illustration Friday, cujo tema esta semana é "primitive".)




P.S. Há que adicionar aqui um detalhe deveras importante: o Paulinho faz uns cozinhados muito bons e até consegue aproximar-se bastante da sopinha da minha Mãe. Mas ele também entende que Mãe é Mãe, e cozinha da Mãe... é mesmo assim, exclusiva.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Hortelã

Pôr menta na canja não é o mesmo que pôr hortelã na canja. É parecido. Até é bom. Mas não é a mesma coisa.

Estas diferenças, ainda que pequenas, a esta distância revestem-se de toda uma importância vagamente desproporcionada. Mas é através dos cheirinhos e sabores (e do Skype, naturalmente) que vamos matando as saudades de Portugal e da comida da Mamã.

Como tal, deixo aqui o registo do transplante de hortelã (aparentemente bem sucedido) que começou em Lisboa e terminou algum tempo depois, do outro lado do lago Atlântico. Em três vasos diferentes, pelo sim, pelo não.

Hortelã...

...mais hortelã...

...e o "folhudo" manjericão, que pega em todo o lado.

Feiras do Livro

Não deve faltar muito para a Feira do Livro de Lisboa, de que tanto gosto, abrir as suas portas. Ou melhor, as suas barraquinhas Parque Eduardo VII acima.

Sem nougat nem cheiro a sardinha assada a anunciar o Verão, começa amanhã a 34.ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires. É num pavilhão fechado (Outono oblige) e não há a alegria dos vendedores ambulantes. Mas é o que há e é bem bom.

Este ano não quero deixar passar ao meu lado alguma da programação cultural paralela. E a ver se descubro em que dia é o dia de Portugal para ir lá ver o autor deste ano (que ainda não sei quem é).

Fim-de-semana em Colonia del Sacramento, no Uruguay

Tínhamos de ir ao Uruguay e a história de Buenos Aires estar praticamente soterrada ("sofumada"?) em fumos (alegadamente não-tóxicos) foi um incentivo extra para irmos.

Cruzamos o rio no meio de uma atmosfera branca e chegámos à margem oriental do Río de la Plata. Uma inspiração mais profunda de algum alívio revelou-se muito frustrante: já cheirava a fumo.

Mas o Uruguay é um paraíso aqui ao lado da poluída Buenos Aires: os carros andam devagar, param nas passadeiras, bebe-se mate por todo o lado... o ritmo é consideravelmente mais lento e a pausa sabe bem. Buenos Aires tem muitas vantagens, mas um abrandamento de quando em vez sabe sempre bem. Dormir sem barulho de autocarros, apesar de o nosso hotel ser numa das ruas principais de Colónia, foi uma novidade também muito bem-vinda.

No dia seguinte acordámos e já cheirava a fumo. Como é que estes vizinhos podem gostar uns dos outros se se tratam assim? Uns queixam-se das fábricas papeleiras, vai daí respondem com um manto de fumo impenetrável... o ar que se respirava no Sábado passado em Colonia arruma as picardias entre Portugal e Espanha num chinelo.

Ainda assim, passeámos. Que podíamos fazer? Dentro do hotel cheirava a fumo; fora também. Então, fora. Vamos lá. E fomos.











terça-feira, 22 de abril de 2008

O vento mudou de direcção...

...e por isso não temos tido fumo por cá. Mas os incêndios continuam activos e o fumo, misturado com o nevoeiro, hoje provocou mais uma série de acidentes nas estradas do norte da província de Buenos Aires.

Este post é curtinho: da incredulidade já passámos à resignação e da resignação a uma certa tristeza.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Porcos a voar

Ok. Vamos lá pôr os pontos nos ii . Quem dizia que em Macau só faltava ver porcos a voar que tente viajar para a Argentina. Agora. Quero ver.

Porque é absolutamente inacreditável, aqui vão as fotografias:

Olhando para a direita...

...olhando para a esquerda.

E não. Não é "neblina matinal". É fumo.

Fumo de quê, será que há aqui algum incêndio? Mas não acabou já o Verão? Pois é, acabou o Verão e não há um, mas muitos incêndios. E não são incêndios quaisquer: são queimadas, "quemas de pastizales".

Nas notícias só se fala da interdição das estradas, da visibilidade reduzida a alguns metros, das partículas de dióxido de carbono. Já se insinuou ligeiramente a polarização que se abriu com o conflito entre produtores agro-pecuários e governo. Depois deita-se água na fervura e diz-se que muitos produtores também são contra esta prática. E assim por diante.

A questão fundamental para mim é que as "queimadas" são fogos controlados e pequenos, não são incêndios com emissão de fumo capaz de cobrir uma cidade do tamanho de Buenos Aires. E não é só a cidade, é também uma grande parte da província de Buenos Aires, que, para se ter uma ideia, tem uma superfície semelhante à da Península Ibérica. Imaginem que há um incêndio em Madrid e que se sente o fumo em Lisboa: surrealista, não é?

Pois. Não. Não é surrealista. Aqui acontece.

Quero acrescentar mais uma coisa: o aeroporto internacional de Ezeiza está praticamente encerrado (no ano passado a falta de radares sofreu com o nevoeiro do Inverno; este ano o sofrimento começa já no Outono, com a fumarada! O Aeroparque está encerrado, ou seja, não se sai por via áerea da cidade. Por estrada, também não. Esperemos que não nos estraguem os planos de evasão de barco.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Parabéns!


Até agora eram secretos... mas como os destinatários já os receberam, aqui estão os cartões de parabéns que lhes enviei. O vermelhinho, para o meu Pai; o cor-de-rosa, para a Mélanie.

Parabéns aos dois e espero que tenham gostado!



Mais imagens de todas as fases entre o desenho e o produto acabado.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Parabéns

Muitos, ao meu Pai.

No ano passado a coisa não correu tão bem: acho que nem sequer lhe consegui dar os parabéns. Estava internada e tinha sido operada de urgência aos intestinos. Quando fechava os olhos, viajava numa tripe demasiado surrealista provocada pela anestesia. Quando acordava, voltava a adormecer.

Felizmente este ano está tudo bem: embora a barriga ainda continue grande (continuo a ouvir a sempre pertinente questão: "estás grávida?"), a cicatriz de talhante que me fizeram está com muito boa cara e bem sarada. Os intestinos, maravilha. E a boa forma vai sendo recuperada gradualmente.

Tudo isto para dizer: parabéns Pai! Pena não ter estado aí para celebrar contigo, mas acho que já não foi nada má a ajuda que o skype nos deu, não é verdade?

Final-de-semana legal

(Atenção: este post deve ser lido com sotaque brasileiro)

Esse final-de-semana foi legal demais. Tivemos nossos amigos brasileiros, mais precisamente cariocas, de visita. Uma viagem de trabalho a Buenos Aires se prolongou por mais dois dias para poderem aproveitar Sábado e Domingo por cá.

Logicamente os convidámos para ficarem cá em casa: não perdemos uma oportunidade pra falar português, não é? Tanto falámos que, no final de sexta-feira, já eu estava pensando em português brasileiro, colocando uma série de "...pra cacete" ("bom pra cacete", "cheio pra cacete",...) no meio de minhas frases. As pensadas, claro. O que eu falava, eu tentava que soasse português lusitano.

Daí que foi legal demais. Nossos amigos são muito gente fina (adoro esta expressão!), nos fizeram uma companhia muito bacana, fomos no Osaka comer ceviches e tiraditos, na Feria Puro Diseño e, inclusivamente, passámos pelo Easy, esse hipermercado de materiais de construção que está faltando no Rio. Ou, pelo menos, está faltando com os preços de cá.

Os serões foram passados em casa, olha só: Paulo tocando piano, acompanhado no violão pelas mãos de D e pela voz de F. Eu, no tricô.

Que pena que finais-de-semana beleza como esse tenham um fim tão rápido. Mas agora tá mesmo vindo a vontade de ir no Rio. Outra vez.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Os disparates do costume

Quem me conhece sabe. Sabe que eu gosto destes disparates. E de tipografia. E de tipografia na cidade.

Mas, claramente, este post não é propriamente sobre a tipografia na cidade mas sim sobre as aventuras da tipografia na cidade.

Ora estava eu a sair alegremente com a minha amiga F. do Ateneo, livraria porteña instalada dentro de um teatro (no palco, o café onde tínhamos ido comer a sobremesa do ceviche), e não é que olho em frente e vejo uma loja com este nome?



"Nossa", disse, sob influência claramente carioca. E deixei-me ficar a apreciar a sensação de encontrar uma loja sofisticada com um nome destes. Depois desviei-me, o poste saiu do caminho e vi aparecer o "l". "Clona", chama-se.

Caiu um mito.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

FAQ

Faz hoje um ano da minha chegada à Argentina. Para comemorar a efeméride, faço um post sobre as perguntas mais frequentes destes últimos 12 meses.

Diálogo A:
- De dónde sos?
- De Portugal.

- De qué parte de Portugal?
- De Lisboa.

- Ah. Y cuándo volvés a Rio?
- Bueno, no sé, algún día voy a visitar.


Diálogo B
- De dónde sos?
- De Portugal.

- De qué parte de Portugal?
- De Lisboa.

- Y que hacés acá?
- Vivo acá.

- Sí? Mirá vos. Y te gusta vivir acá?
- Sí.

- Extrañás mucho?
- Sí.

Diálogo C
(farmacêutico põe ar sedutor:)
- Vivís en Francia?
- No.

- En Italia?
- No.

- Dónde vivís?
- Acá en Buenos Aires.

- Bueno, sí. (sorriso, bate a pestana) Pero de dónde sos?
- De Portugal.

- Ah! De Portugal... Mirá vos.
(peço-lhe o talão e vou-me embora porque já sei que pergunta se segue.)

Eu chamo a este fenómeno "perguntite aguda". Manifesta-se sobretudo na população masculina mas é inegável que há uma certa curiosidade pelos estrangeiros que é comum a toda a gente. Invariavelmente, pensam que sou brasileira. Às vezes, mesmo depois de dizer que sou portuguesa (vide Diálogo A). E, sendo brasileira, obviamente que sou do Rio.

Só em Ushuaia nos aconteceu uma coisa extremamente curiosa, que muito me (nos) surpreendeu. Estávamos num restaurante a escolher os pratos e o rapaz que nos atendia percebeu que falávamos português. Muito gentilmente começou a falar português connosco. Quando chegou ao ingrediente "alho-francês" de um dos pratos, disse-nos que tinha "alho-porro". "Ah, alho-francês", dissemos, um pouco como quem pensa alto, enquanto imaginávamos o prato - e salivávamos. Responde o gaiato: "dizem alho-francês? São portugueses, não é?".

Merece a minha admiração.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A minha primeira camisola tricotada!


Ora aqui vai o início da minha primeira camisola. Quero dizer, tricotada por mim!

"Ter pano para mangas" ganhou um novo sentido...



Mais fotografias aqui.

Argentinizada

Parece que sim, estou definitivamente argentinizada. Falo castelhano com sotaque de Buenos Aires, uso vos em vez de , atravesso a rua à maluca, já me oriento a a andar de autocarro.

E agora já cebo mate em casa:

Desmentindo a mentira

Ora bem, apesar de ninguém ter reagido à minha mentira (esta é directamente enviada às visitas que cá estiveram e ao coabitante desta casa!), desminto já a mentira: não há mancha nenhuma na despensa, o tecto está branquinho e parece-me que as sessões de raspadela, estuque, selante, primário e pintura final terminaram.

Tenho dito.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A tia com o avental da sobrinha


Imagino que esta fotografia não tenha graça absolutamente nenhuma para ninguém, excepto para mim.

Mas não faz mal, não interessa nada, é mais uma manifestação de saudades e de absoluta adoração pela minha sobrinha Carolina, a única até ao momento e, como tal, a preferida.

(tenho de aproveitar enquanto posso dizer que é a minha sobrinha favorita, tout court, porque quando houver mais sobrinhos tenho de dizer a minha sobrinha favorita de x anos, estratégia diligentemente aprendida com a minha Mãe.)

Acho que ela gostou do presentinho. Eu, deste lado, adorei fazê-lo e imaginá-la a vesti-lo para "achudar a Avó".

Mais imagens aqui.

Vicissitudes da vida

Para quem não sabe, aqui há uns meses tivemos uma mega-infiltração no tecto da cozinha.

Não, não. "Mega-infiltração" não descreve o fenómeno. Tivemos, sim, uma pintura abstracta no tecto da cozinha, uma instalação digna de um museu de arte contemporânea (ou mesmo de arte futura).

Apareceu em Dezembro, fomos de férias, voltámos de férias e estava (bem) maior. Um certo dia em Fevereiro tivemos cá o pintor na sua primeira sessão. Raspou, raspou, raspou mas chegou à conclusão de que o estuque ainda não estava bem seco e, portanto, não lhe podia aplicar nova massa.

Próxima sessão: daí a uns dez dias.

Vou abreviar, não quero que isto se torne toda uma saga parecida com a do frigorífico e da máquina de lavar louça. Até porque, em bom rigor, o pintor só se esqueceu da data de uma das muitas sessões de raspanço, estuque, selante, primário, secundário e talvez também terciário.

Encurtando razões, terminou hoje o trabalho: o tecto da cozinha está lindo e quase como novo.

Não é que agora tenho uma mancha no tecto da despensa?

quarta-feira, 26 de março de 2008

Ando com um problema no meu K


Sabem lá, isto é uma chatice. A minha tecla do K saltou pela primeira vez poucos dias depois de comprar o computador. Quando escrevo em português, não há qualquer problema. Felizmente não temos K na esmagadora maioria dos nossos vocábulos, e eu não uso substituir o "qu" por "k", à maneira das SMS. Não, eu sou bastante conservadora nesse aspecto: para escrever, há que escrever bem.

O problema chega quando quero escrever em inglês, por exemplo, língua que tem "k" com muito mais frequência do que a que imaginaria à partida. Dei-me conta disso quando a tecla K saltou de vez e perdeu os encaixes, talvez por eu a martelar com alguma força e pouco jeito de volta ao teclado.

Hoje em dia, parece que já nem com fita-cola esta desgraçada tecla se sustém. Saltou. E o meu teclado sem K fica tão feio, tão nu, tão ferido na sua integridade macintoshiana.

Estou triste porque tenho um problema no meu K.

(E os argentinos também.)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Boa Páscoa

Desejo a todos uma boa Páscoa.

Aos participantes do piquenique deste ano, um beijinho com muitas saudades. E desculpem lá ter-vos roubado alguns representantes da nossa família em território nacional...

A quem está longe, beijinhos com saudades. Voamos amanhã para Ushuaia, para celebrar a entrada no Outono com um mergulho naquilo que para nós já é bem Inverno. Para os austrais, é apenas o início da escuridão. Até Novembro ou Dezembro.

Pelo sim pelo não, levo o casaco de ski.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Andam parcas

...as minhas vindas ao blog. De uma forma algo retorcida, é bom sinal: tenho tido bastante trabalho e, desde ontem, duas visitas muito fofas, que se renderam a uma sesta reparadora de jetlag (é que mudou a hora... agora são três horas de diferença, o que para estes pacotitos, habituados a voar para Macau, é toda uma verdadeira imensidade) e dos cansaços produzidos pelo trabalho de turista.

Como já conhecem Buenos Aires, hoje andámos de compras (às compras!) de botões, linhas, agulhas, tecidos e lãs para diversos projectitos, alguns para serem levados dentro de duas semanas para Portugal.

Fomos muito mal atendidos na Merceria Raquel, uma loja muito mínima, muito gira, muito cheia de botões e fios e fechos e coisas assim, mas com as empregadas mais antipáticas e mal educadas que o mundo do atendimento ao cliente já viu. Quase que se teve de reunir o sindicato dos fregueses descontentes numa defesa colectiva da nossa causa para ver se as mulheres nos atendiam e não se zangavam.

Enfim, é pena, mas não volto lá. Chuif.

Já em Palermo, na "Botonera Buenos Aires", fomos bem atendidas por uma muito prestável vendedora, que nos mostrou caixas e caixas de botões de vários tamanhos e feitios. Tinha uns móveis adoráveis, cheios de prateleirinhas e gavetinhas onde tinha arquivada a mercadoria. Apetecia-me trazer as estantes para casa, mas limitei-me às agulhas e, novamente, aos botões.

E, para meu espanto, para terminar o safari de compra de lã no universo do acrílico, encontrei uma loja que tem toda uma parede de lãs (pura lana, ou seja, sem misturas de acrílicos) em muitas cores. Não sendo propriamente o paraíso da variedade em termos de fios, é, sem dúvida, um oásis no deserto de poliamida e nylon dos fios de Buenos Aires. Iupiii!!!!

E agora vou aproveitar o resto da sestinha dos pacotinhos para terminar o TPC de alemão, depois de cumpridas as tarefas profissionais mais urgentes.

Fotos? Qualquer dia.

terça-feira, 11 de março de 2008

Regresso às aulas de alemão


Porque amanhã regresso às aulas de alemão, que são uma autêntica ginástica mental, aqui fica uma ilustração feita para celebrar o acontecimento. Papercut, claro, agora é a minha febre.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Hoje


Hoje estive a trabalhar nestas folhinhas. Bem sei que o âmbito deste blog não é propriamente de trabalho (para isso, cá está o outro), mas gostei tanto de cortar estas folhinhas e de fazer esta ilustração que decidi pô-las aqui também.

Num dia vindouro, num incerto porvir, terei uma loja online com estas coisinhas à venda.

Um dia.

(Foi para o Illustration Friday desta semana.)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Vale a pena ver

Recebi por email um link para este vídeo, chamado "Story of Stuff". Vale a pena ver. (Obrigada, Rui!)

Fez-me lembrar aquelas campanhas de solidariedade que tanto existem em Portugal em que se compra um peluchinho, ou um bonequinho, ou um porta-chavezinho, ou uma porcariazinha qualquer que fica lá para casa e ninguém usa.

Uma vez, escandalizei uma senhora que se aproximou a anunciar mais uma campanha desse género. Disse-lhe que não precisava de "mais tralha" (talvez o termo não tenha sido o mais diplomático possível) lá para casa mas que sim, estaria disponível para fazer um donativo através de transferência bancária.

"Ai, mas é que ainda não temos conta..."

E não estou a falar daqueles que nos andam a enganar com um pseudo-livro de recibos a dizer que os nossos donativos dão para o IRS! Estou a falar de barraca montada em feira-tipo-solidariedade, para que conste.

Enfim, foi só um aparte.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Para a Bauzinha

Ó Bau!

Um beijinho grande e boa sorte lá por terras de Sua Majestade.

Vê se reactivas o Pulo, sim?

Chegou!

O brinquedo novo foi hoje entregue. É lindo, prateado como os outros seus companheiros e só falta o Paulinho instalá-lo definitivamente para começar a funcionar. Iupiii!!!!

Acabaram-se as lavagens de louça à mão! Viva a máquina de lavar louça nova, vivaaaaaa!!!!!


(calha bem para compensar o facto de termos a cozinha com o tecto cheio de remendos - houve uma infiltração na cozinha do andar de cima que nos pintalgou o tecto de figuras abstractas. E com relevo. Iaque!)

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Era uma vez

Era uma vez uma boa ideia.

Era uma vez uma boa ideia.

Era uma vez uma boa ideia?

Era uma vez um guia de restaurantes de uma cidade austral. Certo ajuntamento de duas pessoas tinha por missão verificar se esse guia estaria a dar uma visão objectiva do panorama gastronómico local. Ao abrigo desse projecto, dito ajuntamento de dois decidiu-se a experimentar um restaurante indiano, numa quinta-feira ao jantar.

Como em tantas outras cidades de tradição hispânica, jantar que é jantar começa tarde. E assim nasceu esta boa ideia: vamos a um restaurante italiano e indiano, mesa para dois reservada para as 21h, cá estaremos à sua espera.

Em primeiro lugar, que coisa é este de restaurante italiano e indiano? É a mistura mais improvável do mundo, em termos culinários, mas mesmo assim este não é o primeiro restaurante do género que encontro e, certamente, não será o último. Em Lisboa também os há e sempre me perguntei se os respectivos donos tiveram dúvidas sobre que comida servir, olharam para o índice alfabético de especialidades gastronómicas e só encontraram o volume da letra "I". Daí ao mix-max, um passinho.

Como em todos os restaurante novos para nós, quisemos saber as recomendações. E aqui, a recomendação única foi um menuzinho de degustação, não se preocupe, não fica nada cheia, as porções são pequeninas, há alguma coisa que não possam comer ou à qual têm alergia e qual o nível de picante que desejam. E assim nos vimos perante um soberbo menu de degustação de comida indiana, numa quinta-feira ao jantar (tardio para o género culinário em causa), como se fôssemos os campeões da enzima e dos movimentos peristálticos (que é como quem diz, "da digestão").

Primeiro passo: uma salada de mariscos e um ceviche. Os dois deliciosos, mas estou em dúvida quanto à proveniência indiana do ceviche. Pensei que fosse latino-americano, mas talvez seja eu a sonhar. Em todo o caso, foi bom comer peixe e mariscos frescos. Mnham.

Segundo passo: "somosas" e "pakoras" com chutneys de ameixa e de tomate e limão. Mais uma vez, tudo delicioso e comido até ao último pedacinho. Prato impecável, pronto para arrumar no armário e voltar a usar.

Terceiro passo, e aqui começamos a falar a sério: guisado de lentilhas. O meu estava suave (com pouco picante) e muito delicioso. Já o do Paulo, estava fogo. "Médio", foi o nível de picante requerido, mas o chefe era indiano, não italiano, e a mão saiu-lhe pesada como sai normalmente na Índia, onde o "mild" é um nível de picante que, a mim, me faz suar em bica. O Paulo não ficou atrás e sofreu com o picante. Não com as lentilhas, coisa de que, por sinal, ele não gosta. (Como o queijo. Alguém já o ouviu dizer que não gosta de queijo? É um mito. Vejam-no a comer fondue de queijo provoleta fumado. Depois conversamos.)

Quarto passo: frango com o molho vermelho, com um arroz delicioso e chapati. (É raro lembrar-me dos nomes dos molhos indianos, para mim funciona por cores: molho vermelho, molho amarelo que não tem caril e assim por diante.) Delicioso também, tudo delicioso, mnham.

Quinto passo: cordeiro com o molho de caril, acompanhado do tal arroz delicioso. O molho, mnham. O cordeiro, para mim, tem sempre aquele sabor a ... (queria dizer "a bedum", mas será que fica mal?) que me faz lembrar a Páscoa e os piqueniques no Alentejo, com os ensopados de borrego das várias tias a terem de ser provados. Estás a comer o ensopado da tia Maria Carolina? Sim, sim, e tu? Ai, eu o da tia Maria Carolina já provei, agora estou no da tia Maria José. Resumindo: não sendo fã de borrego, que não sou, adorei o molho com o arroz delicioso. Mnham, mais uma vez. E já vão cinco.

Sexto passo: mix-max de sobremesas. Uma mousse de baunilha, um cheese-cake e um bolo de chocolate. Tudo porções generosas, tudo tipicamente indiano. E, mais ou menos por esta altura, capitulámos. Mas ainda não tinha acabado, só vem mais uma coisinha pequenina, garantiu-nos o empregado.

Sétimo passo: um "sabayón" com uma bola de gelado de baunilha e morangos confitados. Não sei o que são morangos confitados, nem o "sabayón" (é algo com muita gema de ovo e outra coisa qualquer que vai ao forno muito brevemente para queimar a crosta). Só conhecia o gelado de baunilha e, mais uma vez, nada disto me parecia muito indiano. Este sétimo passo só debicámos. Nada de comer à séria. Aqui, as barrigas já estavam perigosamente cheias.

Contados os sete passos, respirámos de alívio e recostámo-nos nas cadeiras, prometendo umas quantas voltas ao quarteirão quando chegássemos a casa. Bebericámos o vinho ("será que ajuda a digestão?") e recusámos os chazinhos e os cafezinhos da praxe, já não dava. Mas, apesar de não haver chá nem café, houve bolachinhas, deliciosas por sinal. Já estava tão cheia que não iam ser aquelas duas mini-bolachinhas que iam fazer a diferença, certo?

Quando me levantei, ui, aí dei-me verdadeiramente conta de que tinha comido demais e que já eram dez e meia. Chegámos à rua e estava a chover, o que pôs de lado o nosso plano do passeio higiénico e digestivo pelo bairro.

Na cama, uma hora mais tarde, pus as almofadas para me manterem a cabeça para cima e o sono acabou por me vencer. Até às cinco da manhã, hora a que acordei com calor e com a digestão a meio (a meio?). A partir daí, só rebolei e transpirei. O Paulo levantou-se da cama e informou-me esta manhã que tinha estado a ver as notícias, havia alerta por causa das inundações na província de Buenos Aires e que tinha revisto o "Ana e o Rei", "aquele com a Jodie Foster na Tailândia, sabes?".

Moral da história: foi uma vez, foi uma ideia.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Sapatinhos



Eu gosto de sapatinhos.

E porque gosto de sapatinhos, aqui vão estes, tão lindos, tão a minha cara ("tão a minha cara" até ao ponto em que uma cara se parece com sapatos, ou sapatos com cara. Quem é que entende estas expressões?).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Deve ser do calor!

Não é que estava aqui animadamente a fazer a mão do Daniel (personagem do livro que estou a ilustrar), distraidíssima, e dou conta que o fiz com seis dedos?



Quero acreditar que é do calor...

Estou a menos de nada...

...de ir para um centro comercial só para ter ar condicionado.

Ainda não são onze da manhã e o calor já é abrasador.

Uf.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Informática e informáticos

Ao ler este texto (é giro, é giro! Ide ler!), só me apeteceu comentar:

"Pudera, comprasse um mac e teria muito menos problemas!"

Mas talvez seja um pouco fora do âmbito do artigo.

(Encontrei o texto através do blog do Planeta Tangerina.)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Fim-de-semana na cidade, parte II

Agora vamos ao positivo do fds passado.

Quem já conhece o restaurante Osaka, escusa de continuar a ler. Quem não conhece, queira continuar, se faz favor, mas prepare-se para grandes momentos de salivagem desenfreada.

Depois de apanharmos o Miguel no Aeroparque obrigámo-lo a vir passear connosco para Palermo na nossa busca de estantes. Há que esclarecer que em Palermo, no meio de duas lojas de decoração, há umas vinte de roupas, roupinhas, sapatos, roupa interior, ténis... É impossível (praticamente) resistir ao chamamento!

Quando se fez hora de jantar, aproximámo-nos sorrateiramente do Osaka, restaurante que havia sido eleito pelo Miguel como o "melhor dos últimos tempos". Entre o que queríamos pedir e o que foi pedido por engano (um engano feliz), deliciámo-nos com os pratos que já conhecíamos e descobrimos outro nunca antes navegado. Falo aqui de ceviches, claro, ceviches, tiraditos e sushi, numa onda de fusão peruano-japonesa de fazer crescer água na boca.

O ceviche é aquilo que já se sabe: deliciosos pedacitos de peixe marinados em sumo de lima, uns chilis quaisquer cujos nomes desconheço, coentros e cebola, acompanhados de milho (para nós, é tudo milho; para eles, cada milho é um milho diferente e tem nome específico).

O tiradito é uma coisa género "carpaccio", neste caso de peixe: fatias muito fininhas de peixe com molhos diferentes. Um deles tem maracujá e resulta doce, o que provoca um contraste delicioso com o picante dos chilis e do agreste da cebola. O outro é género... ora deixa cá ver se me lembro do nome... "Bar-B-Q sauce" de lá de Macau, mas em bom. Deve ter molho de ostra, suponho, mas não sei.

Agora está-me a crescer tanta água na boca que tenho de parar de escrever antes que babe o teclado. Chiça.

Fim-de-semana na cidade

Este fim-de-semana não fomos à "escácara" (vocábulo da autoria da menina do "esquepoço" e do "fóscaro"). Entre idas ao aeroporto (fomos buscar o Miguel ao Aeroparque no Sábado e, no Domingo, fomos pô-lo a Ezeiza) fomos ver móveis (estantes, estantes, precisamos de estantes!) com pouco sucesso e vimos algo de máquinas de lavar louça (já falta menos para termos uma, esperemos que não seja uma saga semelhante à do frigorífico).

O ponto alto foi, sem dúvida, a ida ao hipermercado.

Não. Minto. Esse foi o ponto alto da monotonia da vida prática. Ou seja: é preciso ir, há que ir, vamos lá. Gostamos? Não. Não gostamos de ir ao hipermercado. É chato. Apesar da lista criteriosa, há sempre qualquer coisa que fica para trás. E demora-se sempre muito tempo a pagar.

Excepto, claro está, um Domingo de Fevereiro, que é como quem diz "Agosto em Portugal", ou melhor, "Agosto em Lisboa". Num dia de sol e de calor quem é que vai para o hipermercado? Só mesmo quem quer ter um bocado de ar condicionado à borla, e mesmo este "à borla" tem de ser revisto porque saímos sempre de lá com mais coisas do que as que necessitamos.

Os pontos super-positivos foram: compras despachadas; dois pares de sapatinhos muito lindos (prendinhas de aniversário) e uma casa arrumada.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Alvíssaras


Dão-se alvíssaras a quem adivinhar quem são estas meninas.

E mais a quem adivinhar a quem se destina este quadrinho.

E mais não digo!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Estou tão contente...

...com o resultado das minhas costuras que convido alegremente os leitores deste blog a visitarem o outro, para verem a minha bolsa para as agulhas do tricot. Ide, ide!

(Mais imagens no flickr.)

Aspectos em que a Argentina está muito à frente de Portugal

É inevitável a comparação entre os dois países, pelo menos para mim, que sou de um e vivo no outro. É certo que vivo em Buenos Aires, uma cidade que é uma bolha no seio da realidade argentina. Mas é a bolha em que vivo e é dessa bolha que vou falar. Não tenho dúvidas de que a minha percepção é perfeitamente unilateral e pouco rigorosa, mas é da minha percepção que se trata.

Assim sendo, que fique bem claro que as casas de banho na Argentina estão muito, mas muito mais limpas que as de Portugal. Tirando honrosas excepções (como a do restaurante em Beja cujo nome não recordo, onde fizemos o almoço da família Monteiro), as casas de banho em Portugal estão sujas. Se me dirijo a algum empregado, respondem-me, muito provavelmente: "oh, menina, isso agora a senhora das limpezas só vem amanhã". Cá, em contrapartida, o empregado calça umas luvas e vai limpar. Ou chama alguém para limpar. (para os mais incrédulos, já presenciei as duas situações!)

Cá já não se fuma em lugares públicos fechados desde 1 de Outubro de 2006. E é muito bom.

O "gran colectivo argentino" é uma invenção de quem tem muita terra, pouco caminho de ferro e pouco dinheiro para viajar de avião. O autocarro argentino de longo curso é um lugar em primeira classe, só que à velocidade do transporte rodoviário. Funciona maioritariamente durante a noite e o preço é acessível. Não há termo de comparação na Europa.

Os gelados. Só provando.

A carne de vaca. Não sou fã, mas admito que é muito boa. Na de porco e de galinha, ganha Portugal.

Os cafés e os restaurantes: em cada segmento, são todos (ou quase todos!) bonitos. Não há a cultura da tasca com parede de azulejo de casa de banho. Cá os sítios são bonitos, bem arranjados e não necessariamente caros. Tal como disse antes, há-os de todos os preços.

Disto me lembro agora, assim de repente. Quando me lembrar de mais, acrescento.

Como achei Portugal

Esta é uma reflexão que anda a marinar na minha cabeça há algum tempo e é sobre as mudanças que senti em Portugal, quando lá estive no Natal. Após algumas semanas aí, já não as sentia tanto e tive até de fazer algum esforço para me lembrar delas. Por isso, acho que este post poderá ter alguma utilidade para quem já não tem distanciamento suficiente para as apreciar (e só se lembra das horríveis casas assinadas pelo nosso Primeiro e outras desventuras semelhantes).

Tenho também a noção de ter notado essas diferenças talvez por estar a chegar da Argentina. Atenção, não quero aqui assumir um papel algo condescendente de "europeia a apreciar um país menos desenvolvido". Primeiro, porque a Argentina está muito à frente de Portugal em muitas coisas; segundo, porque ninguém gosta que um estrangeiro venha dizer mal do nosso país - acontece-nos a nós, portugueses, e também aos argentinos.

Assim sendo, vamos ao que interessa.

O comportamento na estrada e o respeito dos limites de velocidade: não tenho dúvidas nenhumas de que os tão badalados radares estão a surtir efeito. Honestamente, não poderia estar mais de acordo com a sua função pedagógica: estão lá, estão sinalizados, as pessoas sabem claramente que ali vai estar um radar e que, se forem em excesso de velocidade, serão multados. Funciona, e ainda bem. A verdade é que a circulação está mais regrada, não só dentro da cidade (em vias "semi-rápidas", por exemplo) como também em auto-estradas. E aqui sou corroborada pela opinião de mais emigrantes, que observaram que também na auto-estrada se respeitava mais o limite de velocidade (dentro da já assumida tolerância para os 140).

A sensação de haver uma maior fiscalização e de a impunidade já não ser total: pois é, acho que nos estamos a "suiçar". É uma boa coisa, diria eu, dado que na Suíça, como se sabe, há regras para tudo e fiscalização para ainda mais. Ainda estamos longe, mas não há como seguir bons exemplos. Em que é que notei este "suiçamento"? Notei em várias coisas: na questão supra mencionada dos radares e das multas que chegam a casa dos condutores, numa declaração de IVA que fiz fora do prazo cuja notificação da devida coima chegou em menos de uma semana; de poder consultar essa notificação por internet, imprimir o documento de pagamento e pagar tudo a partir de cá.

Poderia estar a tergiversar, mas não estou: a verdade é que a maioria dos serviços estão agora disponíveis por internet, o que não só me ajuda muito a mim, que estou cá longe, como a tantas outras pessoas que agora já escusam de perder horas a fio nas repartições.

Notei também que as casas de banho estão mais limpas. "Mais limpas", reforço a ideia. Mas não estão limpas. Aliás, em Buenos Aires é muito raro encontrar uma casa de banho suja e, quando isso acontece, avisa-se um qualquer empregado do estabelecimento e imediatamente a dita é limpa. Em Portugal, uma casa de banho suja num restaurante ou num centro comercial é um facto absolutamente normal e ninguém se preocupa por aí além com isso. Excepto, talvez, quem tenha filhos pequenos que precisam de se sentar nas sanitas. Mas não estou a ver que um empregado calce umas luvas de borracha e lave imediatamente a casa de banho, como vi por cá.

Outra coisa muito positiva: a nova lei do tabaco. Nem vale a pena entrar em mais discussões sobre o assunto. Os espaços estão muito mais respiráveis, inclusivamente aqueles em que o fumo é permitido. Até que enfim que se pensa na qualidade do ar que respiramos (todos: fumadores e não-fumadores)!

Para finalizar, acho que em Portugal há muita coisa que funciona: não tenho dúvida de que temos corrupção, mas não é um fenómeno omnipresente como noutros países da Europa e do Mundo, nomeadamente a Argentina. Os nosso tribunais demoram a deliberar, mas deliberam - e a decisão não é normalmente comprada. Além do mais, há instituições que regulamentam outras instituições, o que dá ao cidadão comum alguma protecção. Temos também o famoso "cruzamento de dados" e a lista de devedores ao fisco e aos poucos muda-se a percepção de que "fugir aos impostos" não é uma coisa assim tão louvável.

Posto isto, falta-me escrever sobre as coisas em que a Argentina está muito mais avançada.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O meu 30.º aniversário, o primeiro no Verão







Tinha muitas expectativas para o meu primeiro aniversário no Verão. Ser "no Verão" era uma espécie de recompensa por ser "longe", portanto o dia queria-se lindo e quente, para ter direito ao tão desejado piquenique.

(nota sobre o piquenique: na maioria dos meus aniversários em pleno Inverno lisboeta, um piquenique teria sido perfeitamente viável pois tenho tido a sorte de ter dias sempre luminosos e amenos para a estação. Infelizmente, dada a imprevisibilidade do tempo nessa estação, nunca consegui agendar tal evento. O mais parecido, ainda assim, foi no ano passado, com um almoço no pátio do atelier - parecia uma quinta no interior do país, embora fosse uma horta no centro de Lisboa.)

Mas, infelizmente, o dia amanheceu do contra: choveu, chuviscou, mas estava calor. Ao menos isso, senão ainda pensava que era Outono.

Assim sendo, cancelou-se o piquenique (não foi difícil, não havia assim tantos convidados) e optámos por soluções abrigadas da chuva: almoço no Osaka (mix-max de japonês e peruano - hmmmmmmmm!) e chá à beira da piscina (isto sim, uma novidade!).

À noite, (atenção, cena de miúda a aparecer!) estreei finalmente um vestido que comprei assim que cheguei a Buenos Aires mas que, dadas as vicissitudes da vida, ainda não tinha podido vestir. Ainda quis pôr um colar lindo que me ofereceram os meus pais mas o Paulo não autorizou: achava que já chamávamos suficientemente a atenção, não era preciso mais...

E assim se passou o meu 30.º (trigésimo? Já???) aniversário, o primeiro no hemisfério sul e no Verão.

(Dizem que) Já sou trintona.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A C fez três anos

Na segunda-feira a Czinha fez três anos.

Já não é um bebé: nas palavras dela, é "uma menina e uma pexoa".

Eu, deste lado do oceano, não me cansei de agradecer a quem inventou computadores, internet e, claro, o skype com vídeo. É que, espreitando através do skype, acompanhei a festa, dentro do possível que nos é facilitado desta forma. Falei com sobrinha (que estava com medo por estar sentada numa cadeira tão alta), com alguns tios e primos, amigos, irmãs e pais.

Mais tarde, o Avô António da C mandou-me o filme com a sua neta linda a apagar as três (já???!!!) velinhas do seu bolo em forma de "Hello Kitty".

Lembro-me tão bem do dia em que nasceu e da euforia que me agarrou durante meses, perante aquele embrulhinho lindo e cor-de-rosa no bercinho. Hoje, enche os espaços com as suas perguntas, o seu bom humor e as suas malandrices de menina (e "pexoa"). Já sabe que a Bi está na "Gentina" e há dias em que até quer cá vir jantar empanadas!

A pergunta que se impõe é: como é que teremos vivido até ela nascer? É que a vida mudou para tão melhor que até é difícil de compreender.

E sim, este post é meio lamechas.

Já vi como ficou...

...e agora volto à maneira "antiga" de escrever no blog. Assim, na interface própria do blogger.

Ainda tenho mais duas imagens para pôr aqui, portanto aqui vão:

Aqui está ele, o meu Bainbridge Scarf

E aqui um detalhe do dito

E aqui uma imagem de puro sofrimento: com o calor que está, tirar fotografias com cachecóis não é a melhor coisa do mundo. Que é como quem diz: estou com o síndrome formiguinha, a acumular recursos para o Inverno...

Ora bem, posto isto, vamos às informações "técnicas":

As instruções são as que estão no blog "Pepperknit". Naturalmente, e como não podia deixar de ser, não segui uma série de instruções (porque não as consegui decifrar e porque não tenho os conhecimentos suficientes). Usei umas agulhas com um "7" lá marcado. Que 7 será esse, não sei. Talvez 7 mm, mas quem sabe? Pode ser que daqui a uns dias volte atrás e me ria de toda esta minha ignorância, mas, de momento, não sei.

E mais: já tinha lido em algum lado o que era "knit" e o que era "purl", mas não tinha a certeza qual deles corresponde a malha de "mão" e a malha de "meia".

Por isso, meus amigos, há que sorrir sempre. Lá para o Inverno que vem, usarei este cachecol-cobaia. Até lá, gaveta com ele.

P.S. Aparentemente, as imagens ainda não ficaram visíveis e em condições. Vou carregá-las mesmo "à moda antiga" até perceber como se faz a escrita de mensagens a partir do flickr. Entretanto, perseverança é o que se quer.

P.S.2 A escolha do nome da etiqueta deste post é uma pequenina homenagem à nova gíria familiar que surge graças à eloquência de certo membro desta família cujo terceiro aniversário se celebrou há apenas dois dias. São as saudades, são as saudades!

Terminei o meu primeiro tricot!


DSC09060
Originally uploaded by Ana Isabel Ramos
Estou curiosa por saber como é que isto vai funcionar. Passo a explicar: estou a escrever um post a partir do flickr, e não sei muito bem como é que resulta. Queria pôr-lhe mais imagens, mas não sei como...

Ora aqui vai: esta é a primeira peça que faço em tricot depois de adulta. Já tinha contado antes, ou não?

As minhas primeiras "tricotagens" foram-me ensinadas por uma equipa de competentes tricotadeiras: Mãe e Avó Mariana.

(Parêntesis que se impõe:

Duas mães e duas filhas vão à missa com três mantilhas. E todas levam mantilha!

Neste caso: duas mães e duas filhas tricotam três cachecóis. E todas tricotam!

Fecha-se o parêntesis, talvez mais claro para quem conhecia a matriarca da família e a quem, de uma forma algo retorcida - se analisarem bem as costuras, vão ver que sim! - aqui rendo homenagem.)

Passaram-se anos e anos e, à beira dos trinta, voltei a tricotar, apesar de ser Verão e tirar fotografias com cachecóis seja puro sofrimento.

E pronto, o resto já sabem.

Vamos lá ver como fica este post, directamente a partir do flickr.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Tinha saudades do Verão...

...mas tenho mais saudades ainda da praia. Onde estás tu, praia querida?

A tarde de trabalho foi um período de quase sauna, quase a fazer lembrar os bons velhos tempos no atelier das Amoreiras, onde a temperatura atingia os 36ºC no Verão. Nem sei até onde descia no Inverno, mas era friooooo.

Parece que agora tenho tréguas. Vou mergulhar as mãos em água e comer morangos.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ode à Graciela

Nunca tinha vivido num prédio com porteiro. Nem porteira.

Espera. Quero dizer, minto. Tinha sim, em Macau. Os prédios tinham porteiros e portarias com luz fluorescente de cozinha e marmitas com comidas estranhas lá dentro. Havia um sofazinho esquálido e a relação com ele era de um "halo" e de um sorriso. Deve ter sido por isso que já não me lembrava.

Aqui em Buenos Aires vivemos num prédio com porteira e com casa da porteira. Não sei se depois me poderei habituar outra vez a viver sem esta companhia absolutamente útil - diria quase que imprescindível, não fosse já ter vivido muitos anos sem ela, em Lisboa.

A nossa porteira é o máximo. Tenho a dizer que a Graciela (é o nome dela) é o máximo. Ou então o supra-máximo. A Graciela tem o prédio sempre (e digo mesmo sempre!) num brinquinho. Acode a toda e qualquer emergência. Coordena a comunicação entre vizinhos. Ajuda em caso de infiltrações, elevadores bloqueados e demais assuntos do condomínio.

Mas, para além de tudo isso, a Graciela tem funcionado para mim como um género de páginas amarelas em forma de pessoa. Pergunto-lhe onde se encontra tal coisa e ela sabe sempre de alguém que pode ajudar ou que sabe onde encontrar. No dia seguinte, tem a resposta pronta para me dar.

Agora, a cereja em cima do bolo (por acaso até nem gosto de cerejas em cima de bolos, mas a expressão é esta, qué quessá de fazer?): a Graciela está constantemente a ler. E lê, lê, lê. Noutro dia perguntei-lhe o que estava a ler, Isabel Allende, "La suma de los días", e explicou-me que se tratava de um texto no seguimento de "Paula", o último livro da autora de que seriamente gostei. Pedi-lhe que mo emprestasse quando terminasse.

Sabem o que aconteceu agora mesmo? Veio aqui bater-me à porta para mo deixar.

Ode à Graciela.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Finde en la chacra

Este post leva título em castelhano porque se refere a uma experiência totalmente argentina para mim. Para quê traduzi-la?

Este fim-de-semana, o primeiro que passei por terras argentinas depois do regresso de Portugal, fui experimentar a vivência estival de campo. O que fazem os porteños durante o Verão? Não sei ao certo: uns vão à praia (a mais próxima fica a várias horas de viagem, o que para nós, lisboetas, é absolutamente surreal), outros vão para o campo (que fica bem mais perto: no nosso caso, a apenas 1h30).

E já que é para ter a verdadeira experiência argentina, aceitámos o convite de uns amigos para partilharmos uma casa de fim-de-semana durante o Verão. E é esta a história das idas à chacra.

Os dois dias são passados em absoluta borreguice. As únicas tarefas, mas tarefas mesmo, são cozinhar e lavar a louça. Tudo o resto resume-se a caminhadas, corridas, idas para a piscina, ler, ler, ler e - prazer renovado recentemente para mim - tricotar.

Mas não é (ainda) sobre o tricot que eu quero falar, é mesmo da experiência argentina da estancia. Para mim, habituada à escala europeia, aquilo é campo a perder de vista. À maneira do Novo Mundo, as ruas (naquele caso, caminhos de terra onde se vê o rodado dos carros) são direitas e longas a perder de vista. Se me disserem que têm para cima de 3km, eu não duvido. Há muitos plátanos, muitos eucaliptos (dos antigos, não madeira para móveis), há searas, há campos por cultivar, há vacas, cavalos e talvez outros bichos a pastar tranquilamente.

Não há internet nem televisão, pelo que a única coisa que se ouve é música, ou então a música natural: o vento, a chuva, a passarada, os bichos.

Para mim, que nunca tinha sabido o que eram "férias no campo", é uma vivência do mais exótico que pode haver. Tal como, dentro de alguns dias, fazer anos no Verão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Agora, um pouco de poesia gastronómica

Os percebes do nosso entendimento

Umas amêijoas como não há igual: com pouca coisa (azeite, alho e coentros) se faz a festa

E este belo espécime de santola

Ainda no Ramiro, essa instituição do marisco e do crustáceo, comemos estes belos acepipes. Têm um aspecto esquisito mas um sabor absolutamente maravilhoso a mar, que tanto nos falta por estas paragens.

Para quem não conhece (se é que algum leitor do meu blog não faz parte do universo-luso-marisqueiro), não se deixem impressionar pelos picos, tenazes ou aparência dos alimentos. É tudo absolutamente delicioso.

P.S. Cheguei à Argentina com um apetite louco de ceviche. Continuo com água na boca.

Um pouco de poesia de casa de banho

Desta vez misturada com um prático quadro de mensagens.




No Ramiro, na Avenida Almirante Reis, ao Intendente.

De volta a Buenos Aires

De volta ao Verão e de volta a uma casa desarrumada, apesar dos esforços do Paulinho. A deserção da Marta (foi comprar cigarros e nunca mais voltou, que é como quem diz: foi a Tucumán ver a mãe e não mais soubemos dela) deixou-nos a casa de pantanas. Hoje o meu dia foi passado de volta de algumas das funções dela, para só agora, às 16h, me sentar ao computador a começar a organizar a vida de trabalho. Com um post, claro está.

Os quinze dias que passei em Lisboa sem o Paulinho foram vividos numa autêntica roda-viva, excepção feita ao fim-de-semana passado no Algarve com os pais. Corri alegremente entre reuniões, almoços com amigos, consultas em médicos e, o mais possível, namoro de tia e sobrinha e muitos mimos da família.

Digamos que condensei em apenas 15 dias os encontros com amigos (vida social) e reuniões com clientes (parte da vida profissional) correspondentes a alguns meses. Não é de admirar que agora necessite de um pouco desta calmaria que caracteriza os meus dias por cá, sobretudo agora que são as férias grandes e porteño que é porteño foi para outras paragens.

Quanto à viagem, enfim, não há forma fácil de a fazer. É uma chatice, uma enorme, longa, aborrecida viagem com uns horários cada vez mais bizarros ditados pela Iberia. Não tem o monopólio da rota, mas trata os clientes como se assim fosse. Os bilhetes são caros, o atendimento é mau e os problemas com a marcação dos lugares são infinitos. Desta feita, em Madrid, estivemos cerca de uma hora entre o embarque e levantar voo num jogo absurdo de cadeiras: não havia uma única família sentada em perto uns dos outros; os casais estavam todos separados; filhos pequeninos a mais de dez filas dos pais, que tinham mais uns quantos passageiros entre eles. Sentei-me em três lugares diferentes e a brincadeira poderia ter continuado, dado que a minha companheira de viagem também tinha a mãe noutro assento qualquer distante.

Enfim, chegada à Argentina tudo correu bem: algumas lutas com uns passageiros mais apressados na fila da imigração, muita actividade do cotovelo para enxotar os infiltras e, finalmente, a oficial que me carimbou o passaporte demorou o total de um minuto em todo o trâmite. A mala chegou bem, apanhei uma remise e cheguei a casa.

Posto que terminei este desinteressante relato, resta-me apenas fazer um pequeno apontamento curioso, do aeroporto de Madrid.



Não notam nada? Ora vejam lá:
É sempre bom saber que a tradução de "Ibéricos" para inglês é "Spanish"...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

domingo, 6 de janeiro de 2008

Já em 2008

(suspiro)

Estas duas semanas passaram a voar. A viagem foi feita em grande ansiedade por chegar a Lisboa e rever Portugal após uma data de meses e não-sei-quantos acontecimentos marcantes. A Iberia ainda nos fez o favor de atrasar um voo (cancelá-lo, convenhamos) e de nos presentear com um "asiento libre" na conexão a Lisboa. Mas chegámos e a Ana (a dos aeroportos) - ou a Gateway (a do handling)! - deu-nos o presente de mais uma hora à espera das bagagens.

Resumindo: chegámos impacientes, cansados e com fome (passa-se muita fome no voo diurno), mas chegámos.

Nestes 15 dias penso que só se exceptuam 4 ou 5 refeições da dieta-Billy-em-Portugal; todas as outras foram de peixe. Peixe grelhado, assado, cozido. Quando digo "peixe" digo "coisas do mar": para além do pargo, robalo, dourada e bacalhau, ainda houve polvo, amêijoas, percebes e santola. Mnham.

A distância também me ajudou a ver coisas diferentes - e melhores - em Portugal. Talvez desenvolva o tema noutro post, que por enquanto o que se impõe é o balanço.

O Paulinho já voltou para a Argentina e é claro o ambiente de fim de festa: Natal, Ano Novo e Aniversário da Bau; agora resta desfazer a árvore e arrumar os enfeites.

Nas duas semanas portuguesas que tenho pela frente tenho de voltar ao trabalho e tentar rever os amigos que não vieram ao dia das Portas Abertas, tratar de burocracias e de documentos e - muito importante - retomar o tricô.

Bom 2008!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Com muita dranquilidade

São 23h23 de quinta-feira, véspera da partida. Vamos para o aeroporto pela fresca, embora o voo seja depois do almoço. E aqui estamos, com muita dranquilidade, na converseta, na onda da procrastinação. Em cima da cama das visitas já há algumas coisas para serem metidas em malas. Mas o melhor de tudo é que há muita coisa que ainda não está em cima da cama, ainda tem de ir ser pescada a gavetas e armários. Ou, melhor mesmo mesmo mesmo!, é que ainda temos de ir buscar as roupas de inverno, guardadas em algum recanto escondido.

Chii!, tanto problema filosófico com o facto de estar calor em Dezembro e agora está-me a custar pensar no frio de rachar europeu.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Boas Festas


É o que desejo a todos (ainda que apenas três) os leitores deste blog.

Free Rice

Free Rice é um jogo de palavras (em inglês) para crianças até aos 10 anos (como é em inglês e é jogo de palavras, acho que podemos subir um pouco a idade. Esta criança de quase 30 ainda se divertiu um bocado!) em que, cada vez que se acerta, se está a doar vinte (eles contarão?) grãos de arroz através das Nações Unidas.

Se não for por mais nada, seja então pelo enriquecimento do vocabulário.

Este ano não vai haver presépio

O Jimbrinhas assim o diz e com muita graça.