segunda-feira, 4 de maio de 2009

Desmentindo...

5. Percorremos a Tasmânia de lés a lés em duas rodas e tivemos encontros do décimo quarto grau com wallabies e com os famosos Tassie devils.

Falso. Percorremos a Tasmânia de lés a lés, sim senhora, e tivemos encontros do décimo quarto grau com wallabies, mas tudo se passou sobre quatro rodas (e não "duas para cada um", como sugeriu uma leitora demasiado informada - leia-se Mãe) e não vimos Tassie Devils a não ser no jardim zoológico.







A Tasmânia é fabulosa, não sei se já contei? É um estado-ilha, pequenino à escala australiana, e por isso pudemos percorrê-lo de lés a lés em poucos dias. As paisagens são fabulosas: desde montanhas e planícies que fazem lembrar o Alentejo, até à costa, com escarpas e também com muitas praias lindas. Os parques naturais têm trilhos bem sinalizados e dão acesso a miradouros de onde se vêem baías escondidas, às quais só se acede por barco ou caminhando. Bicheno, terrinha onde passámos uma das noites, tem um trilho pelas rochas à beira-mar, o Bicheno Foreshore. Com o terrível jetlag, acordei antes do sol e vi como a luz ia inundando a baía e enchendo a paisagem de cores. À medida que fomos fazendo o trilho, fomo-nos desfazendo de casacos e camisolas e apanhando o sol de outono, ainda morno apesar da latitude austral. Este foi um dos passeios mais bonitos de toda a viagem.



Passeio (memorável) na Foreshore de Bicheno: com o déficit de mar que tenho, era um bocadinho mais de calor e metia-me dentro de água!





Freycinet Park


As cidades talvez não sejam as mais vibrantes e excitantes da Austrália, mas a grande surpresa, para mim, foi Launceston. Enquanto que Hobart é a capital do estado e tem rio e mar, a segunda cidade está no interior do estado. Por isso, à partida, talvez pudesse ser menos interessante, pelo menos para mim... mas não. Launceston foi uma descoberta que adorei fazer, com os seus restaurantes animados, a sua arquitectura victoriana bem preservada e o maravilhoso Gorge Cataract Reserve, um parque urbano com piscina pública, rio, bastantes trilhos e muitos pavões que por ali deambulavam. E tudo isto a poucos minutos da cidade!

Launceston, a grande surpresa do interior da Tasmânia

O restaurante "Fresh", onde comemos uma das melhores refeições de toda a viagem!

Aqui fizemos um trilho onde, a páginas tantas, estávamos totalmente rodeados de natureza, sem qualquer contacto com outras pessoas. Quando havia movimento, eram cangurus e wallabies que nos vinham espreitar com curiosidade e depois seguiam animadamente as suas vidas. O passeio leva a uma central hidroeléctrica um par de quilómetros a montante do início do percurso, central essa que foi transformada em centro de interpretação onde explicam como ali se produzia a energia eléctrica. Não havia vigilantes, mas nem mesmo assim o material estava vandalizado ou deteriorado de alguma forma. Havia paredes destinadas a graffitis - que estavam pintadas - o demais estava devidamente cuidado e arranjado. Enfim, toda uma experiência para estes visitantes...





Gorge Cataract Reserve com os seus pavões

Na costa setentrional da ilha encontra-se uma formação geológica chamada "The Nut". Não se sabe bem o que é, portanto a explicação actualmente vigente é que a sua função seria a de válvula de escape da actividade vulcânica da zona. A verdade é que é um planalto, assim do nada, no final de uma península que entra mar adentro. Apesar de ter acesso por umas cadeirinhas do género das que se encontram nas estâncias de ski, nós subimos pelo trilho, a pé. Foi provavelmente uma das subidas mais íngremes de toda a minha vida, em que apoiar as mãos no chão não me obrigada a inclinar-me muito. Incrível, não é? Lá em cima, um paraíso para as muitas aves mgiratórias que vêm passar o verão austral ali, aproveitam para se reproduzir e depois partem em direcção ao norte. Quando visitámos, eram visíveis as muitas tocas que haviam feito e já abandonado na sua demanda por terras mais amenas.

The Nut

E depois da calma da ilha, fomos para Melbourne.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

E mais desmentidos

4. Depois da tentativa falhada no Rose Garden em Bangkok, há muito, muito tempo, no Australia Zoo consegui finalmente tirar a fotografia com uma grande cobra.

Argh. Falso. Falso, falso, falso. Mas vimos uma cobra gigantesca, gigantesca, enorme, daquelas de precisar de uma camioneta de caixa aberta para poder ser transportada. Nada de fotografias, que só de olhar já fico com pele de galinha.

Mais desmentidos



2. Com o meu conhecido jeito para a graçolita choné, fui convidada para o palco do Melbourne Comedy Festival.

Também verdade. Na primeira noite em Melbourne, depois de termos estado na Tasmania, decidimos aproveitar ao máiximo o que a cidade nos oferecia. Quando vimos que estava a decorrer o Festival de Comédia, procurámos um espectáculo que nos fosse fácil de entender, com poucas ou nenhumas referências políticas que nos escapariam. Com a simpatia habitual dos australianos, encaminharam-nos para o espectáculo "The boy with tape on his face".

E isso leva-nos ao ponto seguinte:

3. Dei um beijo a outro homem durante a nossa lua-de-mel. E o Paulo viu tudo.


Também verdade verdadeira. Chegámos cedo à sala de espectáculos e, quando entrámos, sentámo-nos na primeira fila. Ora eu já devia saber que em espectáculos de comédia (ou de magia ou de hipnose) nunca por nunca ser se deve sentar na primeira fila se não se tem vontade de subir ao palco para ajudar o comediante a ser cómico. E, tal como já esperava, a páginas tantas fui chamada para um numerito que incluía estar de gatas no palco (hmmm...) e ser par romântico do "boy". E o resto é história. E, sabem? Ele fez-me uma flor de fita-cola!

Desmentindo as mentiras, contando as verdades I

Esta cabeça jetlagada mentiu-vos. É verdade, mentiu-vos, ainda que de forma absolutamente involuntária e justificada pela terrível soneira que sentia no dia em que publicou a versão deluxe das verdades e mentiras. Tal era a nuvem em que me encontrava que afirmei haver três mentiras no meio das nove, mas na realidade só há duas.

Como cada um dos pontos dá pano para mangas para contar uma das partes da nossa viagem, passo a desmentir as (duas, não três) mentiras e a contar o contexto das (sete, não seis) verdades. Cada uma em seu post, porque entre histórias e fotografias a coisa pode ser bien jugosa. Ora aqui vamos!

1. A Milla, uma australiana de Brisbane, arranhou as costas do Paulo quando lhe deu um abraço mais apertado. E isto durante a nossa lua-de-mel!

É verdade sim senhora. Cabe apenas explicar que a Milla é uma simpática koala de três anos, querida, adorável e muito pegável ao colinho. O problema é que a Milla, como todos os koalas, tem umas garras muito afiadas, que lhe servem para se agarrar bem à árvore em que está a fazer as suas (muitas) sestas.






Este abraço à Milla aconteceu no Australia Zoo, um jardim zoológico diferente de tudo aquilo que já tinha visto. Há que dizer que não sou particular fã de jardins zoológicos: ainda não visitei o de Buenos Aires, nem visitaria o australiano não fosse o Paulo ter sugerido. Não sou fã de bichos, desculpem, o que é que hei-de dizer? Gosto muito mais de plantas...



Posto este preâmbulo, deixem-me que diga que AMEI o Australia Zoo. Amei, amei. É lindo, cheio de espaço para os bichos, cada animal tem um nome, tem uma história, uma data de nascimento e algum facto interessante sobre ele. As crocodilas defendem as suas crias e têm namorados que as protegem; para cada espécie há informação sobre o seu ciclo de vida, os seus hábitos, tudo de uma forma divertida e clara. Os funcionários são todos não só simpáticos como ultra-competentes. Perguntámos a uma das meninas qual a diferença entre um wallaby e um canguru e ela explicou-nos de-ta-lha-da-men-te, com um grande sorriso, que o primeiro é mais pequeno que o último e que "caminha" mais do que salta.



Também da colecção marsupial vimos os wombats, uns bichos fabulosos. As sestas, como com quase todos os marsupiais, são a melhor e mais importante actividade que desenvolvem nas suas vidas. E levam a sesta bem a sério!

sábado, 25 de abril de 2009

Verdades e mentiras, versão australiana

Depois da animação que foi o Verdades e Mentiras na sua edição clássica, estivemos, o Paulinho e eu, a compilar alegremente nove "coisas chiras" da nossa viagem à Austrália, das quais seis são a mais pura verdade e três são mentirinhas malandras. Aguardamos alegremente os vossos palpites e prepararemos o desmentido com toda a documentação fotográfica disponível. Ora aqui vai:

1. A Milla, uma australiana de Brisbane, arranhou as costas do Paulo quando lhe deu um abraço mais apertado. E isto durante a nossa lua-de-mel!

2. Com o meu conhecido jeito para a graçolita choné, fui convidada para o palco do Melbourne Comedy Festival.

3. Dei um beijo a outro homem durante a nossa lua-de-mel. E o Paulo viu tudo.

4. Depois da tentativa falhada no Rose Garden em Bangkok, há muito, muito tempo, no Australia Zoo consegui finalmente tirar a fotografia com uma grande cobra.

5. Percorremos a Tasmânia de lés a lés em duas rodas e tivemos encontros do décimo quarto grau com wallabies e com os famosos Tassie devils.

6. Surfei as minhas primeiras ondas - e até me pus de pé em cima da prancha! - em Byron Bay.

7. O Paulo fez o seu primeiro mergulho em mar aberto no Great Barrier Reef e viu um bivalve com mais de um metro de comprimento!

8. No fim do nosso passeio de balão de ar quente, depois de uma aterragem falhada, ficámos a pairar poucos metros acima de um cabo de alta tensão.

9. À quarta é que foi de vez: depois de três tentativas frustradas, o Paulinho lá conseguiu atirar-se em queda livre de um avião que funcionava perfeitamente.


Aceitam-se palpites, alvitres e todos os sinónimos que por aí existirem.

(Mães, chegámos bem, não se preocupem!)

25 de Abril, sempre! (II)

Para nós, a expressão 25 de Abril, sempre! ganhou um novo significado. Saímos do hotel em Sydney às 8 da manhã de Sábado, Anzac Day lá, Dia da Liberdade em Portugal. Depois de um check-in ultra-demorado, uma passagem atribulada pela alfândega e uma valente correria até ao portão de embarque, levantámos voo às 11 horas locais. Às 10h45 aterrámos em Buenos Aires, o que faz com que tenhamos chegado antes de termos partido, só que com mais de uma dúzia de horas de voo de permeio. Confuso? Sim, claro, mas foi assim que o Willy Fogg ganhou a aposta dele.

Portanto este dia 25 de Abril vai ter para nós um total de 37 horas, o que reveste o sempre! da expressão de todo um novo significado.

(Aqui para nós, chiiii, que sono...)

25 de Abril, sempre! (I)

Na Austrália, não sei se todos os anos ou se é um feriado móvel, celebra-se hoje o Anzac Day, um dia dedicado aos veteranos da Segunda Guerra Mundial. Foi bom sentir que se comemorava qualquer coisa de especial tão longe de Portugal, numa data que nos é tão querida.

Na sexta, num jantar ainda do outro lado do Pacífico, explicávamos o que se celebrava no dia 25 de Abril, em Portugal. Entre castelhano e inglês (o jantar era com argentinos, chilenos e um australiano) lá me fui lembrando das respectivas palavras para cravo e expliquei como é que esta singela flor se transformou no símbolo da revolução.

Mesmo longe, dá arrepios.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

De partida!



Armada de passaporte, e-visa e mais não sei quantas códigos de coisas electrónicas, aqui vamos nós para a nossa aventura australiana. Longe vão os dias em que os passaportes iam para a embaixada australiana em Paris (como nos aconteceu em 1998) e que os vistos custavam "pra cima de um conto e quinhentos". Agora é tudo um despacho, tudo electrónico, tudo feito através da internet. Viva!

O nosso périplo vai-nos levar a Sydney, Hobart, Melbourne, Cairns, Brisbane e, de novo, Sydney. Quando voltarmos, vamos sair de Sydney e aterrar em Buenos Aires no mesmo dia, à mesma hora, só que com umas quinze horas de intervalo entre um momento e outro. Foi assim que o Willy Fogg ganhou a aposta dele!

Já preparei a leitura e o tricot que vou levar e já registei as moradas de lojas de lãs, de livrarias e também a hora e o local do encontro de tricotadeiros e tricotadeiras em Sydney, ao qual vou tentar não faltar. Já comprei soro fisiológico para irrigar o nariz ressequido da viagem e já separei creme para as mãos, para aguentar o ar enlatado trans-oceânico e quiçá trans-polar. E... aqui vamos nós! Até à volta!

terça-feira, 31 de março de 2009

Sobre como os portugueses são nostálgicos e os brasileiros não

Um dos estereótipos que mais vezes ouço repetido é que os portugueses são nostálgicos e melancólicos, enquanto que os brasileiros são todo o oposto. A base para esta afirmação é, logicamente, o que cá chega destas duas culturas, a saber, o fado de Portugal e tudo o resto do Brasil.

Ontem, na aula de pintura, ouvia com atenção as letras de canções de Bossa Nova, canções que já ouvi tantas vezes, letras que sei de memória mas que talvez nunca tenha analisado à luz deste estereótipo. E pensei que os argentinos (e não só) falam tanto da nostalgia dos portugueses, comparando com a alegria dos brasileiros, claramente porque assentam a sua convicção num estereótipo que se vai reforçando e alimentando de si próprio.

Posto isto, cabe aqui então desmentir que nem toda a música portuguesa é fado (nem Madredeus, que a seu tempo também vinha constantemente à baila quando eu dizia ser portuguesa); nem todo o fado é triste (ora pensem na letra do Sr. Vinho e digam lá se não tenho razão) e, apesar de gostarmos de fado, nem só de fado vive um português.

Por outro lado, nem toda a música brasileira é animada e optimista, pois há muita poesia que fala da dor da separação, da nostalgia de se ser trocado por outra pessoa ou do sofrimento de se ser deixado para trás. Talvez esta seja uma reminiscência da herança portuguesa no Brasil, talvez, mas convenhamos que o Brasil já é independente há algum tempo e que Portugal não é o país do mundo mais conhecido pela exportação da sua cultura (ou sequer pela sua representação no estrangeiro) nos tempos que correm.

Imagino que muita gente saiba de que lado do oceano vem a letra que se segue. Não diminuindo nem um milímetro a beleza da sua poesia, acho que podemos concluir que é bastante (frisemos o bastante) triste e nostálgica:

Mais um adeus
Outra separação
Outra vez solidão
A ausência é um sofrimento

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma agonia
E de repente
Uma vontade de chorar

"Mais um adeus", letra de Vinicius de Moraes

terça-feira, 24 de março de 2009

Surpresas

Ainda antes da minha máquina virar impressionista, estava um dia a passear e a exercitar a minha nova visão quando me deparo com isto:



Por um momento, pareceu-me familiar e normal, até que me lembrei que estava na Argentina. Não só do outro lado do oceano, como também fora de zonas onde existem grandes comunidades portuguesas.

Olhei melhor e...



Vêem atrás? É a imagem da assimilação da imigração cá na Argentina e é também um pouco como me sinto, portuguesa por estas bandas. Com mais detalhe:

terça-feira, 17 de março de 2009

Impressionismo

A Ahimsa ganhou! Valha-nos o espírito optimista dela para fazer desta miopia electrónica uma coisa positiva. Ela é que tem razão, dêem-me os parabéns porque tenho uma máquina impressionista!

Para celebrar o facto, inicio aqui uma série de fotografias da minha "nova" máquina. Esta série poderá ser curta, mas também poderá ser longa. Esperemos que tenda para o primeiro caso, porque vou já esta tarde à assistência Sony.

Não é bem um Impression, soleil levant mas, com algum esforço...


...temos um Impression, Rodríguez Peña au midi.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Parece que uma de nós tinha de ser míope

Estou tão triste!

(vá, calma: electronicamente falando, estou triste; de resto, não estou triste, não senhora, a vida está até muito bem, sobretudo com a nova visão e também porque no Sábado almoçámos com a nossa amiga S., recuperada depois de tão dura doença. Força aí!)

Voltando à minha queixa: estou triste! A minha máquina fotográfica digital, que andava comigo para todo o lado, achou que uma de nós deveria continuar míope. Como não sou eu, agora é ela. Hoje ia fotografar o trabalho feito na aula de pintura e...



Alguém sabe o que lhe posso fazer para a ajudar? Não sei se o laser aqui funciona...

sexta-feira, 13 de março de 2009

summer is coming to an end

but it´s still warm to be outside sunbathing

summer

Não consigo estar muito tempo à frente do computador, sobretudo nos dias como hoje, de fim de Verão. Está calor, mas não muito; há nuvens no céu, mas não muitas; está uma brisa agradável.

Sobretudo tenho vontade de sair à rua para ver coisas, literalmente. Ver ao longe, então, é um sonho. Vou na rua e vejo os prédios; vejo cada janela e até vejo cortinados e candeeiros atrás dos vidros. Olho para longe e vejo tabuletas e números e mesteres e nomes de loja e leio tudo. Consigo ler tudo. Chego ao jardim e vejo árvores, folhas, ramos com uma nitidez desconhecida para mim. Olho para baixo e vejo pequenos fragmentos de folhas e de flores a moverem-se sozinhos; espreito, e vejo as formigas por baixo, atarefadas a trabalhar para o Inverno que se avizinha. Passa uma borboleta por mim e é laranja com pintinhas pretas - e eu vejo-as.

Este presente em forma de visão renovada é... é maior do que eu posso sequer verbalizar. Não que eu vivesse mal com as minhas dioptrias e os meus óculos permanentemente dedados e gordurosos, por muito que os limpasse. Mas assim, depois de verdadeiramente ver a luz, a vida é diferente.

Quem tiver dúvidas quanto à operação laser aos olhos, perca-as. A mim mudou-me a vida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Chic Gamine

Costumo ser a última a ouvir falar de novidades musicais e portanto já toda a gente deve conhecer esta pérola com que me encontrei hoje. Estava num podcast que estava a ouvir hoje ("Definitely Not the Opera", para o caso de não conseguir fazer deste texto uma hiperligação) e fiquei hipnotizada. É que este quinteto não usa instrumentos, só voz e percussão. Chamam-se Chic Gamine e são o máximo. Ora ouçam!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Predisposición laboral

Predisposición laboral

Predisposição laboral não é coisa que todos os candidatos a um trabalho tenham, ok?

Ensaimada sanpedrina

Ensaimada Sanpedrina

Quem me conhece sabe que eu não sou rapariga de doces. Exceptuando o chocolate (o mais escuro possível, se faz favor!), não sou assim muito fã. Gosto de alguns doces menos doces, como aqueles algarvios em forma de fruta. Dispenso os fios de ovos do interior, mas se vierem, bem, também não é o fim do mundo. (Só não consigo mesmo comer os que têm forma de gamba. Não dá.)

Ora bem, o preâmbulo serve para dizer que, apesar de não gostar de doces, gostei muito da ensaimada sanpedrina que, para as gentes de San Pedro, é mallorquina. Tem forma de focaccia, massa parecida à da bola de Berlim e, no seu interior, creme de pasteleiro ou doce de leite. Preferimos o primeiro, porque entre um e outro o creme de pasteleiro ainda consegue ser menos doce.

Contrariamente a tudo o que eu poderia esperar, gostei da ensaimada. A textura da massa é muito leve, a massa praticamente não é doce e o creme de pasteleiro estava com uma textura muito agradável. Pelo tamanho da porção, é um doce para partilhar com alguém.

Acreditem, a mais surpreendida aqui fui eu.

One eyed Billy

Making of IF Breeze_05

Ontem, apesar de ter a visão totalmente descompensada por ter um olho a ver bem e o outro mal, pus-me a fazer uma ilustração em papel cortado. Documentei todo o processo e a respectiva série de fotografias está To check it out, click aqui. Espero que gostem!

A história do olho: fui fazer a correcção laser da miopia. O médico decidiu fazer um olho de cada vez e, apesar de ter começado pelo meu olho pior, a verdade é que me sinto a navegar num mar de nevoeiro quando tenho os dois olhos abertos ao mesmo tempo. Enfim, é uma semana em versão "one-eyed-Billy" (como nos Goonies) e na próxima segunda já tudo deverá estar bem. Mas olhem que é uma emoção ver anulados, em cinco minutos, mais de vinte anos de óculos, de distâncias nebulosas, de vistas cansadas. Viva o raio laser! Tenho ali os óculos pousados na mesa de cabeceira sem saber o que lhes fazer...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Desmentidos e confirmações

Ora aqui vai a verdade verdadeira, o desmentido das três mentiras e a contextualização das verdades escritas neste post, em resposta ao desafio lançado pelo Pedro Aniceto (Pedro? Uma das minhas irmãs já se converteu à maçã!).

1. Tenho queda para as quedas. Que é como quem diz: quando vejo alguém cair, não consigo (é que não consigo mesmo) evitar uma gargalhada (ou mais). O mesmo se passa quando sou eu a cair: quando vejo o chão perto de mim, dá-me um ataque de riso ao pensar como posso ser tão desastrada ao ponto de perder a vertical.
Verdade. Não dá para resistir. A menos que a pessoa se magoe muito, claro. Para verem a extensão do fenómeno, uma das actividades do meu dia de aniversário foi proporcionada pelo senhor meu marido, também conhecido por "Príncipe", que pesquisou filminhos do you tube que atendessem por "funny fall". Estivemos uma boa meia-hora a rir às gargalhadas, eu pelas quedas que via, ele por me ver a mim a rir que nem uma perdida.

Realmente, sou muito básica.

2. Também tenho queda para as estrelas: aonde quer que vá, encontro sempre alguém famoso. Aqui há uns meses vi o realizador Francis Ford Coppola na Boca, bairro porteño, quando esteve de visita à cidade.
Mentira. Mentira desavergonhada, mesmo. Nunca, jamais, vejo conhecidos na rua, sejam eles famosos ou não. Para além da miopia, sou terrivelmente distraída. Desde que vim para a Argentina estou absolutamente convencida de que não conheço ninguém na rua (o que era verdade quando cheguei, agora já não é) e que portanto nem vale a pena estar com atenção. Quando alguém me encontra na rua, tem de me chamar, tocar-me no ombro, acenar até que eu dê por ela. E depois vem a parte de me lembrar do nome, o que também é divertido.

Deposito a minha esperança de mudança próxima na cirurgia laser que vou fazer aos meus olhinhos míopes. No vas a quedar la mujer bionica, disse-me o médico, mas desconfio que quando o Francis Ford Coppola voltar cá eu o vou encontrar, mesmo que ele esteja noutro bairro qualquer.


3. Apesar das muitas quedas, nunca parti braços, pernas ou cabeça. Nem sequer um dedinho do pé. Em contrapartida, a minha barriga parece a cara de um pirata das Caraíbas, tal é a quantidade de cicatrizes.
Verdade. A minha mãe acha que eu exagero, como aliás podem ler nos comentários, mas mãe é mãe e é fofinha e quer cuidar da auto-estima da filha. Ora, que fique bem claro, as minhas cicatrizes na barriga são muitas (duas grandes incisões, várias pequenas) e agora até já não me aborrecem. Como não há muita volta a dar-lhes, é "botar pra Deus", como diz uma amiga minha, e fazer delas parte do meu "charme" (sim, o mesmo "charme" de quem se ri com quedas).

Em contrapartida, nem cabeça nem queixo partido, como as minhas duas irmãs. Nem pernas, braços, pés, dedos ou sequer a ponta do dente. Nada. Já tenho que chegue com a barriga!


4. O meu baptismo da vida em Buenos Aires foi feito com duas semanas de hospitalização, onde aprendi interessantes expressões em castelhano como dar de cuerpo.
Verdade. Directamente relacionado com a afirmação anterior, quando cheguei fui hospitalizada de emergência e operada duas vezes, para terem a certeza de que tudo tinha ficado bem. Como consequência fiquei com a barriga inchada durante meses a fio, o que se traduziu por muitas ofertas de lugar no autocarro e muitas mãos na minha barriga acompanhadas de então e é para quando?, por pensarem que estava grávida.


5. Adoro tudo quanto seja desportos radicais e atiro-me sem hesitar de uma ponte em bungee jumping, de um avião em sky diving ou de uma rocha de mais de 12m para uma piscina natural num rio.
Mentira. Não adoro. Bungee jumping está totalmente fora de questão e para vir a fazer sky diving vou ter de me mentalizar. Já atirar-me da rocha para a piscina natural, ah, isso sim. E gostei. Mas não repito.


6. A minha mãe já foi convidada a sair da igreja (e levar-me com ela) durante a celebração de uma missa. Não sei se faltou a luz ou se fazia parte da celebração, mas as muitas velas acesas levaram-me a cantar os "Parabéns".
Verdade. E este era o momento em que a minha mãe entrava aqui e contava a história, um pouco ao jeito do comentário no post das mentiras... Ora reza a lenda que estávamos em certa pequena (mas seguramente a mais linda) aldeia de Portugal, dotada de coreto e igreja, onde se celebrava uma missa com muita vela acesa. Eu era pequenina (um ano? Dois? Mãe..?) e, ao ver tanta vela acesa, o que fiz foi espoletar um reflexo pavloviano que tinha sido gravado em mim: "velas, logo parabéns". Assim foi. O celebrante (que felizmente ainda é amigo dos meus pais) não achou muita graça e a celebração não continuou enquanto a minha mãe não fez desaparecer a arruaceira em potência que eu era.


7. Já recebi propostas de prestação de serviços sexuais de uma tailandesa de nome (ou alcunha?) "Bee", num arranha-céus em Bangkok. A dita senhora adorou sobretudo a coincidência dos nossos nomes e achou que devia ser "coisa do destino".
Verdade. A história é curiosa e é mais um exemplo daquela estrelinha que tenho tatuada na testa e que me traz tanta alegria (sim, na minha mente simples, havendo disparate, há alegria). Encurtando muito, mas mesmo muito a história, a minha "quase-amiga" Bee ofereceu-se a páginas tantas para me fazer uma special massage (que, com o sotaque local, era "spéchá massááá"). No meu estado de torpor e de sinapses pouco cooperantes, perguntei-lhe o que era isso. A resposta foi elucidativa: massage heeeeeeeeeere...


8. Nos idos tempos da primária, liguei para o programa de rádio infantil que dava à hora do pequeno-almoço, antes do começo das aulas. À pergunta "gostas da tua professora?", eu respondi que "nem por isso". E ela ouviu.
Verdade. Não foi fácil, esse ano. No ano seguinte entrei para o ciclo, que era leccionado numa escola diferente. Encontrei a então a ex-professora na rua e ela perguntou-me se eu estava a gostar da escola nova. E como eu não aprendo mesmo, respondi-lhe que adorava, sobretudo porque quando não gostava de uma professora a aula só demorava uma hora em vez de uma manhã inteira.


9. No início dos anos noventa, numa qualquer remota aldeia da China rural, propuseram ao meu pai o vantajoso negócio de me trocar por um valioso lote de sete cabras e um serviço completo de jantar em porcelana. O meu pai não aceitou (e pensar que antigamente os pais é que pagavam o dote para se desfazerem das filhas! Deve ser amor...).
Mentira. Que me lembre, o senhor ofereceu a filha dele para vir connosco para Macau para poder ter uma vida melhor e poder entrar na universidade. Apesar de todo o glamour que o Oriente aparenta ter para os europeus, a vida na China não era (e desconfio que continua a não ser) fácil.

E pronto, está desfeito o mistério (vá, já estava). Estou curiosa por ler os desmentidos nos outros blogs!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Caiu o 3


Ando a receber sinais muito contraditórios: por um lado, aparecem-me novos cabelos brancos a um ritmo diário (não estava a contar com isto...); por outro, cai o 3 do 31.

No outro dia fui cortar o cabelo e cheguei a casa com menos de metade do que tinha, com uns farripos aqui e ali a tocar ligeiramente os ombros. O veredicto foi: gosto e pareces ter 21 anos (ainda agora se casou e já trocou a mulher por uma mais nova... ao que chegámos!).

juro que não lhe paguei para dizer tal coisa. Mas agora que caiu o 3 fico a pensar: será que estou com aquilo que atacou o Benjamin, o Button?

Verdades e mentiras sobre mim

Toda a gente sabe que este é um blog com um elevado grau de palermice e que não costuma ter um conteúdo particularmente interessante. Portanto, até nem vem destoar por aí além o presente post, em que tenho de dizer nove coisas sobre mim, três das quais desavergonhadas mentiras. Foi um desafio lançado pelo Pedro Aniceto, e como ao Pedro Aniceto não se nega nada (pigarreios), aqui vai.

1. Tenho queda para as quedas. Que é como quem diz: quando vejo alguém cair, não consigo (é que não consigo mesmo) evitar uma gargalhada (ou mais). O mesmo se passa quando sou eu a cair: quando vejo o chão perto de mim, dá-me um ataque de riso ao pensar como posso ser tão desastrada ao ponto de perder a vertical.

2. Também tenho queda para as estrelas: aonde quer que vá, encontro sempre alguém famoso. Aqui há uns meses vi o realizador Francis Ford Coppola na Boca, bairro porteño, quando esteve de visita à cidade.

3. Apesar das muitas quedas, nunca parti braços, pernas ou cabeça. Nem sequer um dedinho do pé. Em contrapartida, a minha barriga parece a cara de um pirata das Caraíbas, tal é a quantidade de cicatrizes.

4. O meu baptismo da vida em Buenos Aires foi feito com duas semanas de hospitalização, onde aprendi interessantes expressões em castelhano como dar de cuerpo.

5. Adoro tudo quanto seja desportos radicais e atiro-me sem hesitar de uma ponte em bungee jumping, de um avião em sky diving ou de uma rocha de mais de 12m para uma piscina natural num rio.

6. A minha mãe já foi convidada a sair da igreja (e levar-me com ela) durante a celebração de uma missa. Não sei se faltou a luz ou se fazia parte da celebração, mas as muitas velas acesas levaram-me a cantar os "Parabéns".

7. Já recebi propostas de prestação de serviços sexuais de uma tailandesa de nome (ou alcunha?) "Bee", num arranha-céus em Bangkok. A dita senhora adorou sobretudo a coincidência dos nossos nomes e achou que devia ser "coisa do destino".

8. Nos idos tempos da primária, liguei para o programa de rádio infantil que dava à hora do pequeno-almoço, antes do começo das aulas. À pergunta "gostas da tua professora?", eu respondi que "nem por isso". E ela ouviu.

9. No início dos anos noventa, numa qualquer remota aldeia da China rural, propuseram ao meu pai o vantajoso negócio de me trocar por um valioso lote de sete cabras e um serviço completo de jantar em porcelana. O meu pai não aceitou (e pensar que antigamente os pais é que pagavam o dote para se desfazerem das filhas! Deve ser amor...).

As demais regras desta corrente de mentiras e verdades ditam que eu deveria determinar quais são as mentiras do Pedro Aniceto. Furto-me a isso porque já li as respostas (e ainda bem, porque me ri que nem uma perdida - entre verdade e mentira a linha que separa o verosímil do inverosímil é muito ténue).

Mais devo indicar nove pessoas para seguirem esta corrente. Ora Artur, ora Artur, deixa cá ver, deixa-me pensar, tentar não repetir... Pois então os próximos nove a quem passo a batata quente são os autores dos seguintes blogs:

Beautiful stranger
Prainha
Refogado e Hortelã
Dicforte
O pulo e o laranjo
A soma dos dias
Correio Azul
Kafka na Praia
Macau

As soluções, para breve...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O chamado amor à camisola

...I´m actually wearing the pure wool sweater!

Diz que o amor à camisola não é bem isto, que é outra coisa assim, sei lá, mais nobre. Mas esta camisola com mochinhos deixou-me totalmente apaixonada e desejosa (eu, desejosa!) que chegue o Inverno (eu, desejosa que chegue o Inverno, sendo que de há dois anos para cá me sinto perseguida por Invernos atrás de Invernos, sejam austrais ou setentrionais!).

Acabei-a no Sábado, aliás, para verem a extensão do fenómeno, até me levantei mais cedo do que a hora a que me levanto durante a semana para lhe poder ir coser os botões. E, para verem mesmo a loucura, quando terminei de coser os botões vesti-a (apesar do calor e da humidade que se faziam sentir), fotografei-me e fiz-me fotografar em diversas poses, com diferentes graus de detalhe, ao sol e à sombra, enfim, toda uma miríade de opções.

Depois disto, não sei. É como terminar um livro tão, mas tão bom, que uma pessoa se sente um bocado órfã. Sim, é isso, sinto-me órfã de camisola.

(Para os possíveis interessados, a receita, gratuita, encontra-se aqui.)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ah! Abri a minha loja online!

01_leafy garden

Bem sei que não é o âmbito deste blog, mas como considero isto um objectivo cumprido, não resisto a anunciá-lo aqui no "Entre...": tenho uma nova loja online!

Ali à direita pus um botãozinho-passagem directa para lá, sem passar pela casa da partida, nem receber dois contos, como no Monopólio. Espero que gostem do que lá encontrarem!

(Um pequeno parêntesis para referir ainda que de momento, estão dois conjuntos de cartões à venda. Se quiserem ver mais fotografias do que aquelas que aparecem na loja, aqui vão os links:

Four seasons cards
Leafy garden cards

Aaaaai, que emoção!)



Ontem tive aula de pintura. Durante o Verão, as aulas têm um formato diferente das do ano lectivo normal. Por um lado, os colegas são outros, maioritariamente pessoas que querem começar a pintar e que aproveitam os cursos de curta duração dos meses de Janeiro e de Fevereiro. Por outro, ao contrário do que acontece entre Março e Novembro, não há modelo.

Ao princípio, a ausência de modelo deixou-me um pouco aflita, pensando assustada que iria pintar, no meio de tantas possibilidades. Aos poucos (ontem foi a terceira aula de quatro), o pânico desapareceu e aproveitei para pintar o que não costumo fazer durante o ano, ou seja, experimentar coisas novas e tentar exprimir-me de maneiras diferentes. Até ao momento, estou a divertir-me - aliás, pasarla bien, para usar a terminologia local carregada de rigor científico, sempre foi o que tentei fazer. Tem-me servido muito, esta atitude: quando não me importo demasiado com o resultado, este costuma ser melhor do que quando me preocupo com o que estou a fazer.

O exercício de ontem foi o de fazer uma composição com contrastes feitos com misturas das cores primárias e branco. Essas misturas teriam de ser feitas na paleta e aplicadas lisas no suporte. Ora toda a gente sabe (hmm, se calhar não é toda a gente, mas eu sei muito bem!) que sou um bocado preguiçosa na hora de estar a remexer as tintas até as misturas ficarem bem homogéneas, portanto aquilo que deveria ser uma cor lisa é uma cor "cheia de matizes de outras", o que - apesar de fugir do exerício proposto - me enche de alegria visual (será que isso existe?)

Este foi o resultado, que me deixou muito satisfeita.

Para ver mais pinturas, aqui.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A minha camisolinha dos mochos


Ai, vida, até que ponto é que uma pessoa pode gostar de uma camisola que está a tricotar? Hmmm? Pois é. Eu estou apaixonada por esta.

Vêem as agulhas lindas? Presente de aniversário de um Príncipe!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Colonia de Sacramento, agora e sempre

la dulzura puede cambiar el mundo
É com alguma surpresa que reparo que há já uma semana que nada escrevo aqui no "Entre...". E não é que não se tenha passado nada por estas bandas - pelo contrário, está sempre a acontecer qualquer coisa, mesmo que de importância mínima para o resto do mundo (e todos nós sabemos que a relevância do que aqui se publica é bem diminuta).

Na semana passada fui até Colonia de Sacramento, cidade uruguaia fundada por portugueses, cujo centro histórico guarda muito encanto sobretudo para quem vive no bulício de Buenos Aires. Entre uma e outra existem 60km de Río de la Plata, o que marca toda uma miríade de diferenças. O que deste lado tem de agitado, tem Colonia de descanso e de tranquilidade.



Contudo, esta visita foi especial: enquanto passeávamos com um passo ajustado ao ritmo que lá se vive, a mãe do Paulinho encontrou um aviso para um café que prometia ser o "best well kept secret" de Colonia. E não mentiram.

Tea at Lentas Maravillas, in Colonia de Sacramento, Uruguay

Neste sítio, onde a lotação de um jardim imenso é de apenas quatro mesas, onde o serviço é simpático, sorridente e muito tranquilo, onde tricotei quase uma manga inteira da camisola que estou a fazer, o chá é chá e a bolacha com pepitas de chocolate é feita com chocolate verdadeiro. Verdadeiramente Lentas Maravillas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ontem



(Obrigada por todas as mensagens fofas!)

Aqueduto de Lisboa

Nota: lembrei-me agora que ainda não consegui decorar a palavra "aqueduto" em castelhano. Aaaargh! A idade não perdoa...



Mesmo antes de regressar à Argentina tive a belíssima oportunidade de visitar o Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, graças à iniciativa da minha amiga Noor. Para quem não sabe, a Noor, para além de talentosa pintora em batik, também é uma belíssima guia, contando as histórias da história entremeadas com as histórias do dia-a-dia. Na visita, explicou-nos coisas tão complexas como as inúmeras datas da construção do aqueduto como também nos falou dos rituais da utilização da água naquele tempo. Ficámos a saber, por exemplo, quem se lavava primeiro na hierarquia doméstica. E, há que dizê-lo, contou-nos isto sempre com muita graça.

Mas da visita ao Aqueduto ficou-me mais do que os episódios curiosos da sua história: foi também um passeio que funcionou como despedida de Lisboa e dos amigos que me acompanharam na travessia do vale de Alcântara, numa manhã em que São Pedro nos deu um bocadinho de tréguas.

A minha cidade é linda, não é? Mesmo com chuva...

Acrescento aqui outra nota: a partir de Março, penso eu, o Aqueduto volta a abrir as portas ao público. Na Epal devem saber informar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O chamado "haja saudinha"

Hoje, enquanto esperávamos na escada pelo início da nossa aula, reuniu-se um grupo internacional com dois argentinos, uma brasileira, uma portuguesa (eu mesma) e três espanholas. Comentávamos como estava a ser horrível o Inverno no hemisfério norte, cada qual com respectiva experiência feita durante a estadia natalícia. O Inverno, claro, e a crise, que só se fala em crise, que há uma depressão generalizada por causa da crise, do frio e da chuva, que parece não querer dar tréguas.

Aí, os argentinos riram-se da nossa fraca capacidade de lidar com a dita crise (ou, pelo menos, de nos animarmos apesar da crise):

Crise? Em crise vivemos nós desde sempre, já não é novidade...!

Tive de me rir, realmente, haja saudinha (como diziam as avós), tranquilidade (como dizia o Paulo Bento) e boa disposição (digo eu?) porque a vida não acaba com a crise.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Fim-de-semana, tão longe me vais ficando...

Juro que não é para fazer inveja a quem está a passar dos Invernos mais rigorosos dos últimos anos, mas a verdade é que já tinha muitas saudades do Verão. Para quem está no Brasil, nada desta converseta faz sentido. Mas para quem está em Portugal, lembrem-se que enquanto vocês estavam na praia, eu estava a ter Inverno. Aliás, às vezes sinto que estou sempre no Inverno, ou que o Inverno me persegue, com frio, chuva e pés molhados.

Ainda bem que isso acabou, pelo menos por mais um par de meses - espero!

by the pool - oh, how I love you, dear summer

Mas entre banhos de sol e de piscina comecei a leitura de um livro muito perturbante, "As Benevolentes", de Jonathan Littel. Foi presente da minha tia há já um ano, mas só agora o comecei. Não só a temática é pesada como o próprio livro também: na balança digital do quarto do hotel onde estivemos aproveitei para o pesar com exactidão e o mostrador devolveu-me um valente kilograma e meio. É muita cultura, poderia eu pensar, mas dada a temática é mesmo muita matança.

(a história, resumindo-a muito, é a Segunda Guerra Mundial contada por um oficial alemão. Que isto não vos desencoraje porque o texto é muito interessante, sobretudo por nos permitir ler algo que foge da perspectiva "dos bons" e "dos maus" da guerra. Não é aconselhável a estômagos fracos, mas é realmente um livro marcante.)

Voltando às coisas boas do Verão (e quantas vezes pensei eu, ao ler aquelas páginas, que bom era estar a lê-las e não a vivê-las), descobri que o tricot à beira da piscina é uma actividade muito relaxante. E não estando o dia abafado, ninguém chega de facto a torrar apesar de ter uma ovelhinha em forma de camisola a nascer no colo.

Portanto tricotei, tricotei, tricotei.

Owls today

Quando me cansei, li, li, li. Nadei, apanhei sol, jantei muito bem, passeei ainda mais. Viva o Verão!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Esta malandreca

lost luggage
A malandreca da minha mala achou que devia ficar mais uns dias no Brasil, sozinha, sem mim. Tem algum jeito? Felizmente ganhou juízo e veio ter comigo, inteirinha, fechadinha, completinha. Linda menina. Trouxe-me iguarias como doce de tomate da mãe e azeite do pai, novas lãs, lindas e as minhas queridas agulhas de madeira. Chegou tudo. Ufa.

Vou ali dar-lhe mais uns beijinhos e as boas-vindas a casa.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um momento de Portugal no seu melhor


Há muito que dizer sobre as coisas que eu achei francamente melhoradas em Portugal mas também há o momento "há coisas que não mudam", ou quiçá mesmo "coisas que não mudão".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Conversa entre tia e sobrinha

Contexto: sente-se cheiro suspeito no ar. Pergunto:

- C, deste um pum?

- Não, não fui eu. Foi a Hello Kitty.

(nota: isto provavelmente não tem piada para mais ninguém, mas quem viu aquela caroca malandra a fingir que está inocente não consegue deixar de rir quando se lembra disto. Digo eu, não sei, ideias minhas.)

Kung hei fat choi!

Bom Ano Novo Lunar do Búfalo!

Estou de volta a Buenos Aires com muito que contar. Mas antes vou almoçar.

(rimou e tudo...)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Mais dias importantes

Este blog ultimamente tem sido um constante anúncio de festas e acontecimentos importantes e este post não vai ser diferente. Faz-me lembrar o slogan que os serviços de turismo de Hong Kong inventaram para a cidade, Wonders never cease. Pois aqui apesar da necessária adaptação, parece-me que vem mesmo a calhar: nesta família, "festas never cease".

E isto porque depois do casamento, da passagem de ano, do aniversário da outra irmã emigrante, vamos agora adicionar às datas importantes o dia 11 de Janeiro, com o nascimento da minha segunda sobrinha.

A família aumentou com esta pequenina que tem umas grandes bochechas, uns pulmões capazes e uma garganta possante. Parabéns a todos nós, especialmente aos papás e à maninha, que está numa excitação por agora ser "a irmã mais velha".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

E mais festas!


No dia 29 de Dezembro de 2008, o meu Príncipe e eu casámo-nos! A vida é bela!

(só é pena ele já estar do outro lado do lago Atlântico...)

Festas e mais festas...



Uma das particularidades do Natal de uma emigrante - ou, pelo menos, do meu Natal - é o facto de as festividades começarem assim que se aterra em Lisboa. Não me refiro só aos jantares próprios da época, mas também ao reencontro com a família e os amigos e, especialmente, quem está em idade de mudar mais em poucos meses: a minha sobrinha.

E como eu gosto do Natal! A mesa está quase sempre posta, entra e sai gente a toda a hora, há muito chazinho, chocolate quente, bolinhos e biscoitos, a lareira acesa, uma maravilha!

Este ano o stresse das prendas foi evitado graças às opções minimalistas que tomámos (menos presentes, comprados ou feitos com antecedência). Em contrapartida, o que houve foi uma sucessão de serões agradáveis passados à volta da lareira (ou do aquecedor), a ocasional partida de scrabble e muito tricot.

A consoada teve uma ementa sui generis, com uma escolha muito particular de amêijoas e de polvo à Lagareiro, iguarias difíceis de encontrar em paragens mais austrais, por muito estranho que pareça num país com tanto mar.

Com bolinhos, biscoitos, muito aconchego da lareira, miminhos e abracinhos da família, passámos um Natal e preparámos as festas seguintes...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Afinal é possível

O taxista que nos levou de casa até ao aeroporto de Ezeiza alvitrou, a meio caminho entre a cidade e o aeroporto, aquilo que tantos outros alvitram, com a pontaria que é comum a quase todos os outros.

Brasileiros ou italianos?

(suspiro imperceptível)

Ni uno, ni otro: portugueses!

E aí já estávamos preparados para o que é costume: o ser vizinho (por ter ascendência espanhola), o ter estado quase lá (porque viajaram a Espanha) ou então a vertente futebolística da coisa, com Cristianos Ronaldos, Dimarias e Aimares.

Mas não:

O meu apelido é português, é Coelho! O meu avô era português!

E daí em diante foi um desfiar de pérolas portuguesas, desde o nosso "pollo a la portuguesa" (que até hoje não sei como é confeccionado) até à canção popular que tinha manjericos a rimar com "aqui eu não fico" e, a dada altura, um "dá-me a tua mão". Eis senão quando o nosso taxista, uruguaio de Montevideo, neto de português, diz numa dicção perfeita o fonema impronunciável por quase todos os não-lusófonos: a "mão", a este taxista, saiu perfeita.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

É quase Natal!



E como tal, por cá preparam-se malas e ultimam-se detalhes pré-natalícios. Sobre a cama do quarto das visitas, tudo o que me fui lembrando que temos de levar. E já é muito! E ainda não é tudo...

Mas o importante é que nos próximos dias as circunstâncias extraordinárias que são estar em Portugal, a comer feijoada, a namorar com a sobrinha e a pôr a conversa em dia com pais, irmãs e amigos farão com que as minhas contribuições para o "Entre..." sejam mais esporádicas.

Assim sendo, a todos quantos por aqui passarem, desejo Boas Festas, sejam elas no frio ou no calor.

Até breve!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quem vive numa cidade cosmopolita, tal como eu...

...pode ser que tenha a sorte que temos nós, os habitantes desta rua. Explico: o empregado municipal que aqui passa todas as manhãs, vulgo "varredor de rua", também é cantor. E não só é cantor como é um excelente cantor que não nos priva do prazer de o escutar. Enquanto trabalha, canta, enquanto canta, trabalha. E nós ouvimos. Eu ouço, pelo menos.

Sugeriram-me que gravasse a sua voz para a colocar aqui. Se conseguir ultrapassar as minhas limitações técnicas, assim o farei.

E lembrem-se: Carlos Gardel começou assim, enquanto trabalhava no mercado porteño do Abasto.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Grande concerto!

O palco estava instalado sobre umas escadas que vão do pátio até à entrada de um dos pavilhões onde se realizam espectáculos

Ao lado, a tal de pantalla onde eram projectadas as imagens de Liniers a pintar. Nesta música, "Hindue Blues", projectaram um quadro que o artista fez e ofereceu ao outro artista, o da música.

Na sexta-feira passada fomos a um concerto fabuloso: Kevin Johansen+The Nada+Liniers. As duas primeiras parcelas desta soma são os músicos; a segunda, um cartoonista, que está nos concertos a desenhar e a pintar ao vivo e a cores, para nosso deleite. Em cima da mesa dele instalam uma câmara e projectam essas imagens num ecrã gigante (já ia escrever "numa pantalla gigante", mas corrigi a tempo).

Ora como todos as letras das músicas são muito divertidas, as melodias e os arranjos das ditas são muito bons, a banda é excelente e todos, mas todos são rapazes muito bem dispostos, o concerto resultou em três horas de gargalhada sem parar e muitas cãibras nas bochechas.

A páginas tantas, e como relata aqui o próprio Liniers, e podem comprovar aqui em filminho no youtube, vocalista e cartoonista decidem inverter os papéis.

Quem segue o blog de Liniers sabe que ele tem uma guitarra desde o aniversário e que o pouco que sabe tocar não alcança para muito mais que um par de acordes do Knocking on heaven´s door... mas nem mesmo assim o rapaz se descaiu, para gáudio da plateia, que ria e aplaudia sem parar.

Não sei qual a agenda de concertos para o ano que vem, mas se alguém os apanhar numa cidade perto de si, é mesmo um concerto a não perder. Amanhã tocam em Asunción, no Paraguai, para o caso de interessar a algum destes leitores. Fora eu uma fã mais dedicada e lá estaria...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Claudine Caron

chez-Claudine.jpg

Nos idos de 2000 estava de viagem com um casal amigo, regressando a Lisboa depois de uma estadia no sul de França. Com algum receio disseram-me que teríamos de parar para visitar uma prima afastada que vivia numa aldeia perto da fronteira espanhola, que teríamos de lá ficar a dormir e que assim só chegaríamos a Lisboa um dia mais tarde. Foi coisa que não me preocupou, até porque para passeio estou sempre pronta.

A verdade é que essa noite em casa da prima foi um daqueles momentos em que a vida muda um bocadinho, ou talvez até muito. Ao princípio estava preocupada por me sentir vagamente intrusa pois a prima não sabia que eu estava a viajar com eles. Mas rapidamente se dissipou tal sensação: a conversa ao jantar e depois do jantar, a noite bem dormida, embalada pelo som do Atlântico ao alcance da mão e o pequeno-almoço do dia seguinte fizeram daquelas poucas horas um momento absolutamente inesquecível.

Quando cheguei a Lisboa, recebi uma carta da nossa anfitriã a perguntar-me porque não havia escrito no livro das visitas e a pedir-me para o fazer a posteriori. Fiz então esta ilustração, que lhe enviei numa cartinha para ela colar no livro.

A prima chamava-se Claudine Coron e morreu esta semana. Depois deste encontro, nunca mais a vi, mas também nunca mais a esqueci. Esta é a minha homenagem a esta pessoa que em tão pouco tempo me deixou uma impressão tão forte. Bem haja e que descanse em paz.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Argentinizada

Para além de já ter descartado o "tú" e só usar o "vos", eu cebo e bebo mate, digo buendía em vez de buenos días e nunca, por nunca ser uso a palavra c...er, que em Espanha serve para tudo, desde apanhar, agarrar ou tomar.

Mas, apesar de argentinizada, uma pessoa não esquece de onde vem e quem é português, português fica. É o que prova a imagem abaixo:

Pastéis de Feijão de Torres Vedras acompanhados de um mate amargo, à verdadeira gaúcha!