segunda-feira, 11 de maio de 2009

Obrigada!


Já há muuuuuuuuuuito tempo recebi de "Muipiti" e do blog Ideias em Contas este simpático selo. Como tenho tido a cabeça noutros planetas (Planeta Lua-de-mel, Planeta Jetlag, Planeta Volta ao Trabalho) só hoje surgiu a oportunidade de o pôr aqui.

Até porque de caminho aproveito a boleia de outro simpático selo, que recebi nos últimos dias, desta feita do blog Utopie Calabresi.



Desde já agradeço a Muipiti e a Domenico Condito pelas duas distinções e peço-lhes infinitas desculpas por não indicar mais blogs a quem enviar a mesma alegria que eu senti. Por um lado, são tantos os blogs de que gosto, que seria difícil escolher; por outro, se já demorei tanto tempo a acusar a recepção destes, se ainda fosse fazer a lista de blogs escolhidos poderia demorar até ao ano que vem...

Assim sendo, muito obrigada a ambos e espero que tenham vontade de voltar sempre!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Daquelas coisas que acontecem cá

O que é que se faz num monumento (a um herói da independência, claro está!) numa tarde de sol?

what to do on a monument I

Admira-se a escultura e o graffiti, admira-se o calorzinho que se sente, observa-se pessoas que bebem mate, lêem, jogam ao disco ou passeiam os cães.

what to do on a monument II

E há quem aproveite para tostar um bocadinho, armazenando energia para o Inverno. Uma autêntica formiguinha no trabalho para o bronze.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dia da Mãe



Ontem foi Dia da Mãe em Portugal. Aqui é só em Outubro, o que significa que, na prática, a minha Mãe tem direito a dois telefonemas especiais de Dia da Mãe. Na verdade, a minha Mãe é tão o máximo que merece estes dois e mais dois, ou talvez mais duzentos e vinte e dois.

Mãe, és mega-fofa e eu gosto de ti. Tenho saudades das favas e das ervilhas e das conversas muito de-ta-lha-das e de todas essas coisas que te fazem a Mãe mais fixe e querida do mundo. Fica combinado para Agosto?

E, para terminar...

9. À quarta é que foi de vez: depois de três tentativas frustradas, o Paulinho lá conseguiu atirar-se em queda livre de um avião que funcionava perfeitamente.

Verdade!







Palavras para quê?

Balonismo ou "Sempre quis fazer e nunca tinha surgido a oportunidade"

8. No fim do nosso passeio de balão de ar quente, depois de uma aterragem falhada, ficámos a pairar poucos metros acima de um cabo de alta tensão.

Também verdade!









Levantámo-nos antes das quatro da manhã, ou seja, muito antes das galinhas, e lá fomos a caminho de Mareeba, uma cidade a uns 80km de Cairns, situada no planalto de Atherton, no interior do estado de Queensland. Mareeba, aparentemente, é a meca do balonismo porque tem 300 dias por ano de condições favoráveis à prática desta actividade: pouca nebulosidade, pouca precipitação, ventos favoráveis e temperatura fresca o suficiente para o balão poder subir. E sim, "pela fresca", em Mareeba, ganha todo um novo significado: quando saímos, apesar de estarmos no trópico, o fresquinho convidava a um casaco. Às dez da manhã, a torreira era tanta que me questionei muitas vezes sobre o que me teria passado pela cabeça para ter levado um agasalho.

Sempre tive vontade de experimentar o voo em balão mas nunca tinha surgido a oportunidade. Ali, em lua-de-mel, era o momento de fazer todas aquelas coisas que se calhar não voltaríamos fazer.

Levantar voo, num balão, é uma sensação... linda, mas não pelo que se sente. Não há sobressaltos, apenas um levitar ligeiro, que depois se vai aumentando à medida que ganhamos altura e nos afastamos do chão. Lá em baixo, víamos cangurus aos saltos, a fazer os seus afazeres de cangurus. Nunca tinha visto um canguru de cima, nem nunca me tinha apercebido realmente do tamanho de um dos seus saltos. Apanhar com um canguru a voar não deve ser coisa agradável, diria eu, porque aqueles bichos vão rápido.

Lá em cima, tirando o ruído do gás em combustão, apenas ouvíamos o vento, já que ninguém tinha vontade de quebrar aquele encanto. Em baixo, quadrados de terras cultivadas, bananeiras, mangueiras, tudo quanto é fruta tropical se dá bem ali.

Aterrar, tal como a própria rota do voo, é matéria de sorte: o balão vai para onde sopra o vento. Para mudar de direcção, tem de subir ou descer para apanhar uma corrente de ar que siga outro caminho. Por isso, a nossa aterragem teve várias tentativas: começou com a aproximação a um dos quadradinhos não cultivados. Paulatinamente fomos perdendo altitude e, por fim, batemos no chão. Só que o vento não cooperou e deu-nos um empurrão, não deixando ao nosso "skipper" (não sei se nos balões têm este nome...) outra alternativa senão a de ganhar novamente altitude. É que entre aquele quadradinho onde havíamos pousado e o seguinte havia uma estrada e uns cabos de alta tensão, obstáculos que não são de desprezar.

E depois... depois esperámos. Esperámos que vento nos acabasse de empurrar até à propriedade do lado, sem ganhar muita altitude. Logo ali abaixo estavam os cabos...

Aterrámos, suavemente como da primeira vez, já com muito calor, muita luz diurna, muita fome também. Afinal de contas, já estávamos acordados há várias horas e ainda em jejum! Mas ainda tivemos de arrumar o balão, tarefa facilitada pelo número de ajudantes. Quem diria, mas um balão pesa!



A verdade do mergulho

7. O Paulo fez o seu primeiro mergulho em mar aberto no Great Barrier Reef e viu um bivalve com mais de um metro de comprimento!

Também verdade. Não faço ideia de como se chama o bivalve mas seguramente apareceu no Finding Nemo e também no Under the sea, filme que vimos em 3D no IMAX de Darling Harbour, em Sydney.



"Fatiotas sexy" de uns e de outros!

Em Cairns comprámos uma excursão ao Great Barrier Reef e, apesar de ser a segunda vez que lá fui, adorei. Adorei, adorei. E também me escaldei, apesar do imenso cuidado a espalhar o creme protector. O sol australiano não brinca em serviço!

Porque quando estamos longe, qualquer referência a Portugal nos aquece o coração!

A excursão foi num barco estilo catamarã, que saiu da marina de Cairns e foi até uma ilha, pertencente ao Parque Natural. Nessa ilha havia uma corda que separava o espaço dos pássaros do espaço dos humanos - e não é que ambos os grupos a respeitavam? Essa ilha, mínima, é produto de sedimentos trazidos pelos pássaros; aos poucos foi-se fixando com um pouco de vegetação e hoje é um ninho gigante para aquela passarada toda, que gralha todo o dia - afinal de contas, está em casa e um pássaro tem de governar a sua vida.

Aí na ilha podíamos nadar e fazer snorkel para ver os corais, os cardumes de peixes e também os bivalves; eu fiquei pela ilha. O Paulo, desejoso de experimentar um mergulho em mar aberto, lá foi vestir uma fatiota sexy e experimentar a botija de oxigénio nas costas. Veio encantado, mas continua a preferir o ski, segundo consta.

Aos poucos vêm as desmentiras à superfície...

6. Surfei as minhas primeiras ondas - e até me pus de pé em cima da prancha! - em Byron Bay.

É a mais pura verdade! Verdade verdadeira! E fiquei viciada. Pensar que vivi tantos anos da minha vida numa "Meca" do surf e nunca me ocorreu experimentar.



É, como diria a minha irmã advogada, o "pleno domínio do facto"!



Gostei tanto, mas tanto desta experiência que já estou a pensar onde poderei fazer as próximas aulas. Se for ao Rio de Janeiro agora no Inverno, já sei que há uma escola em Ipanema, outra na Tijuca... hmmm...

(Que estranho efeito será este que faz com que uma pessoa, mal chegada de viagem, se ponha logo a pensar na próxima?)

Desmentindo...

5. Percorremos a Tasmânia de lés a lés em duas rodas e tivemos encontros do décimo quarto grau com wallabies e com os famosos Tassie devils.

Falso. Percorremos a Tasmânia de lés a lés, sim senhora, e tivemos encontros do décimo quarto grau com wallabies, mas tudo se passou sobre quatro rodas (e não "duas para cada um", como sugeriu uma leitora demasiado informada - leia-se Mãe) e não vimos Tassie Devils a não ser no jardim zoológico.







A Tasmânia é fabulosa, não sei se já contei? É um estado-ilha, pequenino à escala australiana, e por isso pudemos percorrê-lo de lés a lés em poucos dias. As paisagens são fabulosas: desde montanhas e planícies que fazem lembrar o Alentejo, até à costa, com escarpas e também com muitas praias lindas. Os parques naturais têm trilhos bem sinalizados e dão acesso a miradouros de onde se vêem baías escondidas, às quais só se acede por barco ou caminhando. Bicheno, terrinha onde passámos uma das noites, tem um trilho pelas rochas à beira-mar, o Bicheno Foreshore. Com o terrível jetlag, acordei antes do sol e vi como a luz ia inundando a baía e enchendo a paisagem de cores. À medida que fomos fazendo o trilho, fomo-nos desfazendo de casacos e camisolas e apanhando o sol de outono, ainda morno apesar da latitude austral. Este foi um dos passeios mais bonitos de toda a viagem.



Passeio (memorável) na Foreshore de Bicheno: com o déficit de mar que tenho, era um bocadinho mais de calor e metia-me dentro de água!





Freycinet Park


As cidades talvez não sejam as mais vibrantes e excitantes da Austrália, mas a grande surpresa, para mim, foi Launceston. Enquanto que Hobart é a capital do estado e tem rio e mar, a segunda cidade está no interior do estado. Por isso, à partida, talvez pudesse ser menos interessante, pelo menos para mim... mas não. Launceston foi uma descoberta que adorei fazer, com os seus restaurantes animados, a sua arquitectura victoriana bem preservada e o maravilhoso Gorge Cataract Reserve, um parque urbano com piscina pública, rio, bastantes trilhos e muitos pavões que por ali deambulavam. E tudo isto a poucos minutos da cidade!

Launceston, a grande surpresa do interior da Tasmânia

O restaurante "Fresh", onde comemos uma das melhores refeições de toda a viagem!

Aqui fizemos um trilho onde, a páginas tantas, estávamos totalmente rodeados de natureza, sem qualquer contacto com outras pessoas. Quando havia movimento, eram cangurus e wallabies que nos vinham espreitar com curiosidade e depois seguiam animadamente as suas vidas. O passeio leva a uma central hidroeléctrica um par de quilómetros a montante do início do percurso, central essa que foi transformada em centro de interpretação onde explicam como ali se produzia a energia eléctrica. Não havia vigilantes, mas nem mesmo assim o material estava vandalizado ou deteriorado de alguma forma. Havia paredes destinadas a graffitis - que estavam pintadas - o demais estava devidamente cuidado e arranjado. Enfim, toda uma experiência para estes visitantes...





Gorge Cataract Reserve com os seus pavões

Na costa setentrional da ilha encontra-se uma formação geológica chamada "The Nut". Não se sabe bem o que é, portanto a explicação actualmente vigente é que a sua função seria a de válvula de escape da actividade vulcânica da zona. A verdade é que é um planalto, assim do nada, no final de uma península que entra mar adentro. Apesar de ter acesso por umas cadeirinhas do género das que se encontram nas estâncias de ski, nós subimos pelo trilho, a pé. Foi provavelmente uma das subidas mais íngremes de toda a minha vida, em que apoiar as mãos no chão não me obrigada a inclinar-me muito. Incrível, não é? Lá em cima, um paraíso para as muitas aves mgiratórias que vêm passar o verão austral ali, aproveitam para se reproduzir e depois partem em direcção ao norte. Quando visitámos, eram visíveis as muitas tocas que haviam feito e já abandonado na sua demanda por terras mais amenas.

The Nut

E depois da calma da ilha, fomos para Melbourne.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

E mais desmentidos

4. Depois da tentativa falhada no Rose Garden em Bangkok, há muito, muito tempo, no Australia Zoo consegui finalmente tirar a fotografia com uma grande cobra.

Argh. Falso. Falso, falso, falso. Mas vimos uma cobra gigantesca, gigantesca, enorme, daquelas de precisar de uma camioneta de caixa aberta para poder ser transportada. Nada de fotografias, que só de olhar já fico com pele de galinha.

Mais desmentidos



2. Com o meu conhecido jeito para a graçolita choné, fui convidada para o palco do Melbourne Comedy Festival.

Também verdade. Na primeira noite em Melbourne, depois de termos estado na Tasmania, decidimos aproveitar ao máiximo o que a cidade nos oferecia. Quando vimos que estava a decorrer o Festival de Comédia, procurámos um espectáculo que nos fosse fácil de entender, com poucas ou nenhumas referências políticas que nos escapariam. Com a simpatia habitual dos australianos, encaminharam-nos para o espectáculo "The boy with tape on his face".

E isso leva-nos ao ponto seguinte:

3. Dei um beijo a outro homem durante a nossa lua-de-mel. E o Paulo viu tudo.


Também verdade verdadeira. Chegámos cedo à sala de espectáculos e, quando entrámos, sentámo-nos na primeira fila. Ora eu já devia saber que em espectáculos de comédia (ou de magia ou de hipnose) nunca por nunca ser se deve sentar na primeira fila se não se tem vontade de subir ao palco para ajudar o comediante a ser cómico. E, tal como já esperava, a páginas tantas fui chamada para um numerito que incluía estar de gatas no palco (hmmm...) e ser par romântico do "boy". E o resto é história. E, sabem? Ele fez-me uma flor de fita-cola!

Desmentindo as mentiras, contando as verdades I

Esta cabeça jetlagada mentiu-vos. É verdade, mentiu-vos, ainda que de forma absolutamente involuntária e justificada pela terrível soneira que sentia no dia em que publicou a versão deluxe das verdades e mentiras. Tal era a nuvem em que me encontrava que afirmei haver três mentiras no meio das nove, mas na realidade só há duas.

Como cada um dos pontos dá pano para mangas para contar uma das partes da nossa viagem, passo a desmentir as (duas, não três) mentiras e a contar o contexto das (sete, não seis) verdades. Cada uma em seu post, porque entre histórias e fotografias a coisa pode ser bien jugosa. Ora aqui vamos!

1. A Milla, uma australiana de Brisbane, arranhou as costas do Paulo quando lhe deu um abraço mais apertado. E isto durante a nossa lua-de-mel!

É verdade sim senhora. Cabe apenas explicar que a Milla é uma simpática koala de três anos, querida, adorável e muito pegável ao colinho. O problema é que a Milla, como todos os koalas, tem umas garras muito afiadas, que lhe servem para se agarrar bem à árvore em que está a fazer as suas (muitas) sestas.






Este abraço à Milla aconteceu no Australia Zoo, um jardim zoológico diferente de tudo aquilo que já tinha visto. Há que dizer que não sou particular fã de jardins zoológicos: ainda não visitei o de Buenos Aires, nem visitaria o australiano não fosse o Paulo ter sugerido. Não sou fã de bichos, desculpem, o que é que hei-de dizer? Gosto muito mais de plantas...



Posto este preâmbulo, deixem-me que diga que AMEI o Australia Zoo. Amei, amei. É lindo, cheio de espaço para os bichos, cada animal tem um nome, tem uma história, uma data de nascimento e algum facto interessante sobre ele. As crocodilas defendem as suas crias e têm namorados que as protegem; para cada espécie há informação sobre o seu ciclo de vida, os seus hábitos, tudo de uma forma divertida e clara. Os funcionários são todos não só simpáticos como ultra-competentes. Perguntámos a uma das meninas qual a diferença entre um wallaby e um canguru e ela explicou-nos de-ta-lha-da-men-te, com um grande sorriso, que o primeiro é mais pequeno que o último e que "caminha" mais do que salta.



Também da colecção marsupial vimos os wombats, uns bichos fabulosos. As sestas, como com quase todos os marsupiais, são a melhor e mais importante actividade que desenvolvem nas suas vidas. E levam a sesta bem a sério!

sábado, 25 de abril de 2009

Verdades e mentiras, versão australiana

Depois da animação que foi o Verdades e Mentiras na sua edição clássica, estivemos, o Paulinho e eu, a compilar alegremente nove "coisas chiras" da nossa viagem à Austrália, das quais seis são a mais pura verdade e três são mentirinhas malandras. Aguardamos alegremente os vossos palpites e prepararemos o desmentido com toda a documentação fotográfica disponível. Ora aqui vai:

1. A Milla, uma australiana de Brisbane, arranhou as costas do Paulo quando lhe deu um abraço mais apertado. E isto durante a nossa lua-de-mel!

2. Com o meu conhecido jeito para a graçolita choné, fui convidada para o palco do Melbourne Comedy Festival.

3. Dei um beijo a outro homem durante a nossa lua-de-mel. E o Paulo viu tudo.

4. Depois da tentativa falhada no Rose Garden em Bangkok, há muito, muito tempo, no Australia Zoo consegui finalmente tirar a fotografia com uma grande cobra.

5. Percorremos a Tasmânia de lés a lés em duas rodas e tivemos encontros do décimo quarto grau com wallabies e com os famosos Tassie devils.

6. Surfei as minhas primeiras ondas - e até me pus de pé em cima da prancha! - em Byron Bay.

7. O Paulo fez o seu primeiro mergulho em mar aberto no Great Barrier Reef e viu um bivalve com mais de um metro de comprimento!

8. No fim do nosso passeio de balão de ar quente, depois de uma aterragem falhada, ficámos a pairar poucos metros acima de um cabo de alta tensão.

9. À quarta é que foi de vez: depois de três tentativas frustradas, o Paulinho lá conseguiu atirar-se em queda livre de um avião que funcionava perfeitamente.


Aceitam-se palpites, alvitres e todos os sinónimos que por aí existirem.

(Mães, chegámos bem, não se preocupem!)

25 de Abril, sempre! (II)

Para nós, a expressão 25 de Abril, sempre! ganhou um novo significado. Saímos do hotel em Sydney às 8 da manhã de Sábado, Anzac Day lá, Dia da Liberdade em Portugal. Depois de um check-in ultra-demorado, uma passagem atribulada pela alfândega e uma valente correria até ao portão de embarque, levantámos voo às 11 horas locais. Às 10h45 aterrámos em Buenos Aires, o que faz com que tenhamos chegado antes de termos partido, só que com mais de uma dúzia de horas de voo de permeio. Confuso? Sim, claro, mas foi assim que o Willy Fogg ganhou a aposta dele.

Portanto este dia 25 de Abril vai ter para nós um total de 37 horas, o que reveste o sempre! da expressão de todo um novo significado.

(Aqui para nós, chiiii, que sono...)

25 de Abril, sempre! (I)

Na Austrália, não sei se todos os anos ou se é um feriado móvel, celebra-se hoje o Anzac Day, um dia dedicado aos veteranos da Segunda Guerra Mundial. Foi bom sentir que se comemorava qualquer coisa de especial tão longe de Portugal, numa data que nos é tão querida.

Na sexta, num jantar ainda do outro lado do Pacífico, explicávamos o que se celebrava no dia 25 de Abril, em Portugal. Entre castelhano e inglês (o jantar era com argentinos, chilenos e um australiano) lá me fui lembrando das respectivas palavras para cravo e expliquei como é que esta singela flor se transformou no símbolo da revolução.

Mesmo longe, dá arrepios.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

De partida!



Armada de passaporte, e-visa e mais não sei quantas códigos de coisas electrónicas, aqui vamos nós para a nossa aventura australiana. Longe vão os dias em que os passaportes iam para a embaixada australiana em Paris (como nos aconteceu em 1998) e que os vistos custavam "pra cima de um conto e quinhentos". Agora é tudo um despacho, tudo electrónico, tudo feito através da internet. Viva!

O nosso périplo vai-nos levar a Sydney, Hobart, Melbourne, Cairns, Brisbane e, de novo, Sydney. Quando voltarmos, vamos sair de Sydney e aterrar em Buenos Aires no mesmo dia, à mesma hora, só que com umas quinze horas de intervalo entre um momento e outro. Foi assim que o Willy Fogg ganhou a aposta dele!

Já preparei a leitura e o tricot que vou levar e já registei as moradas de lojas de lãs, de livrarias e também a hora e o local do encontro de tricotadeiros e tricotadeiras em Sydney, ao qual vou tentar não faltar. Já comprei soro fisiológico para irrigar o nariz ressequido da viagem e já separei creme para as mãos, para aguentar o ar enlatado trans-oceânico e quiçá trans-polar. E... aqui vamos nós! Até à volta!

terça-feira, 31 de março de 2009

Sobre como os portugueses são nostálgicos e os brasileiros não

Um dos estereótipos que mais vezes ouço repetido é que os portugueses são nostálgicos e melancólicos, enquanto que os brasileiros são todo o oposto. A base para esta afirmação é, logicamente, o que cá chega destas duas culturas, a saber, o fado de Portugal e tudo o resto do Brasil.

Ontem, na aula de pintura, ouvia com atenção as letras de canções de Bossa Nova, canções que já ouvi tantas vezes, letras que sei de memória mas que talvez nunca tenha analisado à luz deste estereótipo. E pensei que os argentinos (e não só) falam tanto da nostalgia dos portugueses, comparando com a alegria dos brasileiros, claramente porque assentam a sua convicção num estereótipo que se vai reforçando e alimentando de si próprio.

Posto isto, cabe aqui então desmentir que nem toda a música portuguesa é fado (nem Madredeus, que a seu tempo também vinha constantemente à baila quando eu dizia ser portuguesa); nem todo o fado é triste (ora pensem na letra do Sr. Vinho e digam lá se não tenho razão) e, apesar de gostarmos de fado, nem só de fado vive um português.

Por outro lado, nem toda a música brasileira é animada e optimista, pois há muita poesia que fala da dor da separação, da nostalgia de se ser trocado por outra pessoa ou do sofrimento de se ser deixado para trás. Talvez esta seja uma reminiscência da herança portuguesa no Brasil, talvez, mas convenhamos que o Brasil já é independente há algum tempo e que Portugal não é o país do mundo mais conhecido pela exportação da sua cultura (ou sequer pela sua representação no estrangeiro) nos tempos que correm.

Imagino que muita gente saiba de que lado do oceano vem a letra que se segue. Não diminuindo nem um milímetro a beleza da sua poesia, acho que podemos concluir que é bastante (frisemos o bastante) triste e nostálgica:

Mais um adeus
Outra separação
Outra vez solidão
A ausência é um sofrimento

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma agonia
E de repente
Uma vontade de chorar

"Mais um adeus", letra de Vinicius de Moraes

terça-feira, 24 de março de 2009

Surpresas

Ainda antes da minha máquina virar impressionista, estava um dia a passear e a exercitar a minha nova visão quando me deparo com isto:



Por um momento, pareceu-me familiar e normal, até que me lembrei que estava na Argentina. Não só do outro lado do oceano, como também fora de zonas onde existem grandes comunidades portuguesas.

Olhei melhor e...



Vêem atrás? É a imagem da assimilação da imigração cá na Argentina e é também um pouco como me sinto, portuguesa por estas bandas. Com mais detalhe:

terça-feira, 17 de março de 2009

Impressionismo

A Ahimsa ganhou! Valha-nos o espírito optimista dela para fazer desta miopia electrónica uma coisa positiva. Ela é que tem razão, dêem-me os parabéns porque tenho uma máquina impressionista!

Para celebrar o facto, inicio aqui uma série de fotografias da minha "nova" máquina. Esta série poderá ser curta, mas também poderá ser longa. Esperemos que tenda para o primeiro caso, porque vou já esta tarde à assistência Sony.

Não é bem um Impression, soleil levant mas, com algum esforço...


...temos um Impression, Rodríguez Peña au midi.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Parece que uma de nós tinha de ser míope

Estou tão triste!

(vá, calma: electronicamente falando, estou triste; de resto, não estou triste, não senhora, a vida está até muito bem, sobretudo com a nova visão e também porque no Sábado almoçámos com a nossa amiga S., recuperada depois de tão dura doença. Força aí!)

Voltando à minha queixa: estou triste! A minha máquina fotográfica digital, que andava comigo para todo o lado, achou que uma de nós deveria continuar míope. Como não sou eu, agora é ela. Hoje ia fotografar o trabalho feito na aula de pintura e...



Alguém sabe o que lhe posso fazer para a ajudar? Não sei se o laser aqui funciona...

sexta-feira, 13 de março de 2009

summer is coming to an end

but it´s still warm to be outside sunbathing

summer

Não consigo estar muito tempo à frente do computador, sobretudo nos dias como hoje, de fim de Verão. Está calor, mas não muito; há nuvens no céu, mas não muitas; está uma brisa agradável.

Sobretudo tenho vontade de sair à rua para ver coisas, literalmente. Ver ao longe, então, é um sonho. Vou na rua e vejo os prédios; vejo cada janela e até vejo cortinados e candeeiros atrás dos vidros. Olho para longe e vejo tabuletas e números e mesteres e nomes de loja e leio tudo. Consigo ler tudo. Chego ao jardim e vejo árvores, folhas, ramos com uma nitidez desconhecida para mim. Olho para baixo e vejo pequenos fragmentos de folhas e de flores a moverem-se sozinhos; espreito, e vejo as formigas por baixo, atarefadas a trabalhar para o Inverno que se avizinha. Passa uma borboleta por mim e é laranja com pintinhas pretas - e eu vejo-as.

Este presente em forma de visão renovada é... é maior do que eu posso sequer verbalizar. Não que eu vivesse mal com as minhas dioptrias e os meus óculos permanentemente dedados e gordurosos, por muito que os limpasse. Mas assim, depois de verdadeiramente ver a luz, a vida é diferente.

Quem tiver dúvidas quanto à operação laser aos olhos, perca-as. A mim mudou-me a vida.