quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Chegou a zine de Fevereiro

It´s out!

Ora aí está, fresquinha-fresquinha, a zine de Fevereiro. A temática desta feita é o acontecimento mais importante do mês (e quiçá mesmo do ano inteiro, digo eu, ideias minhas...!). Enquanto decorriam as celebrações de três dias - nada mais, nada menos - arejei a caneta e o diário gráfico e fiz alguns desenhos, já a pensar que este mês a zine seria assim, com os meus desenhos de observação.

Por isso, aqui está ela, espero que gostem!

No mês de Março vou apresentar a zine na Pecha Kucha Night Panamá. Para isso, estou a pedir a colaboração dos leitores para me enviarem fotografias a ler a zine, a fazer actividades com ela, o que a vossa imaginação ditar. Gostava de ver de onde a lêem, como a lêem, o que fazem com ela... ele há quem faça actividades com as crianças, há quem as coleccione, há quem as pendure num painel na parede. Mostrem-me isso, sim? Agradeço desde já! Entretanto, vou pensar numa maneira de vos compensar (a intriga, o mistério...).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O meu aniversário

San Blás, Panamá

Eu adoro fazer anos. Adoro. Adoro celebrar o dia, o facto de estar viva, saudável, feliz. Adoro pensar que hoje sei um pouco mais que há um ano atrás e que neste meu novo ano vou aprender muitas coisas novas, que jamais imaginei poder fazer.

Sabendo tudo isto, o Príncipe todos os anos se supera nos preparativos para as celebrações. E este ano, gente minha, foi a maior loucura de sempre, um dia (três, em boa verdade) que jamais esquecerei.

Os meus pais vieram de Lisboa, numa folguinha entre aniversários, para estar connosco duas semanas. E assim partimos para um mini-cruzeiro de catamaran: nada de luxuoso, só nós e o nosso capitão-cozinheiro-pescador-anfitrião.

are there enough seats for everyone?

Voámos da Cidade do Panamá para o aeroporto de Corazón de Jesús, aeroporto esse que é, na verdade, uma pista de aterragem numa das ilhas. Em circunstâncias normais dá para aceder à reserva indígena em automóvel, mas devido a uma enxurrada a estrada está intransitável. Não se sabe se e quando estará novamente operacional, por isso os voos da Air Panama são a única forma de chegar.

Quero dizer, minto: também dá para chegar de barco desde Portobelo (perto de Colón e a uns 80km da Cidade do Panamá) e, claro, desde a costa colombiana, tudo isto em viagens marítimas charter.

San Blás, Panamá
A chamada "dureza da vida".

San Blás é um arquipélago pertencente ao lado caribenho do país. É também uma reserva indígena e está inserido numa região autónoma. É constituído por muitas ilhas - alguns dizem que 365, uma para cada dia do ano - e por recifes de coral. Há ilhas habitadas, outras desertas, outras só com habitantes diurnos (gente como nós). É um paraíso na terra, excepto em noites de chitras, umas mosquinhas minúsculas que picam, picam e picam vorazmente, deixando um rasto de dor, ardor e comichão.

(Um parêntesis para adicionar um pedaço de informação absolutamente vital para o bem-estar pós-picada: vinagre de maçã faz maravilhas na recuperação, cortando bastante a comichão e encurtando o período de ardor. Diz que também funciona em queimaduras por alforreca. Nunca experimentei, mas, em caso de desespero, não custa tentar.)

Ficámos alojados no catamaran Chi, sendo o nosso anfitrião um austríaco, Chico de alcunha. Levou-nos em segurança a todos os lados, contou-nos histórias, pescou e cozinhou para nós, até me fez uma sobremesa especial no meu aniversário. Bom interlocutor, deu-nos imenso espaço no barco, que, para além de pequeno, também é a sua casa.

Tivemos três dias de sol, água transparente, peixinhos, corais, decisões difíceis como vamos dar uma volta à ilha? para a esquerda ou para a direita? ou nadamos até àquela ilha? sim? depois da cerveja?.

birthday meal

Fizemos piqueniques na praia com peixinho fresco, acabado de pescar. Ensaiei acrobacias e equilibrismos aquáticos, às vezes com sucesso...

a fazer o pino em água rasa!

...e fizemos concursos de mergulhos:

concurso de mergulhos

Fizemos parte da cadeia alimentar como predadores:

dinner!

...mas também como presas:

chitras suck

E assim foi. Mais fotos aqui.

De volta

Chiiii, há tanta, tanta coisa para contar! Tanta foto para mostrar, tanta actividade para partilhar! Tenho de ir ali fazer uma selecção das fotografias para começar o relato das duas últimas semanas.

Para os mais impacientes, no Dicforte já há muitos "postios" sobre a visita ao Panamá.

Já volto.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ausência justificadíssima

It´s not that I´m not here...

Não é que não esteja cá - estou. Ando é ocupada a fazer bolinhos deliciosos (e outras actividades) com as pessoas fofas que estão de visita. E isso mantém-me longe da vida digital.

Na semana que vem, conversamos. Até lá!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A minha primeira exposição!

Junglewood gallery in Casco Viejo, Panama City

Getting ready

all set up

My first solo art show!

Ainda estou na ressaca da excitação que foi a minha primeira exposição. Quinta-feira passada, no âmbito do Artblock Panamá, expus alguns dos meus quadros na galeria Junglewood, ali no Casco Viejo. O programa incluía uma banda ao vivo, que tocou tangos, milongas, zambas e outras canções sul-americanas e, a páginas tantas, um par de bailarinos de tango deliciou-nos com a sua aparição em versão impromptu.

O serão foi muito animado e repleto daquelas coincidências divertidas: lá estávamos nós, com os amigos C. e L. (obrigada!), em amena cavaqueira em português, surpreende-nos uma visitante da galeria com o imprescindível "vocês são portugueses?"

Diz que estamos por todo o mundo.

E a segunda coincidência da noite foi parecida: de onde é que vocês são para aqui, somos portugueses para ali, e quem havia de dizer que a dona da galeria, ela própria, também é portuguesa. (Obrigada, Z.!)

Para fechar a noite com chave de ouro, vendi o meu primeiro quadro, que agora já estará feliz na sua nova casa, em Austin, Texas. (Thank you, J.!)

Objectivo número 3 do ano: cumprido!

Mais fotos do evento aqui.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Recibos verdes electrónicos

Hoje emiti o meu primeiro recibo verde electrónico.

(Para quem está fora do contexto, o recibo verde - que até à data era mais azulado que outra coisa - é o documento que um freelancer passa ao seu cliente quando dele recebe um pagamento. Até agora, era preciso ir às Finanças comprar uma caderneta e preencher recibo por recibo, à mão, e depois enviá-lo, normalmente por correio, ao cliente.)

Como é que posso dizer? É o máximo. Bastou-me introduzir o número de contribuinte do cliente e a importância, de um menu escolher os regimes de IVA e de Retenção na Fonte. Os cálculos foram feitos automaticamente. O meu cliente tem acesso ao dito recibo de forma imediata e evitamos idas aos correios e atrasos no envio (geralmente do lado do correio panamenho, que os CTT portugueses são muito eficazes).

Tirando o aumento da contribuição para a Segurança Social, só tenho coisas boas a dizer sobre a minha relação com a Administração Pública: cada vez mais simples e mais electrónica, já praticamente não existe nada que tenha de fazer presencialmente - facto esse importante, tendo em conta que estou um pouco, digamos, longe.

Falta-me experimentar emitir um recibo para um cliente que não seja português. Lá chegaremos! Até agora, o serviço está aprovadíssimo. Será demais dar os parabéns à Direcção Geral de Contribuições e Impostos? Acho que não: parabéns e obrigada por me facilitarem a vida. Agora queríamos mesmo é que os impostos baixassem, será que dá?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mesmo a tempo do fim-de-semana...

January issue of "We´re in Panama!" now out

...um novo número da zine. Podem econtrá-la aqui.

Nós, por cá, vamos continuar as nossas aventuras panamenhas, este fim-de-semana será na praia, em Buenaventura, com um grupo de amigos. Até segunda e bom fim-de-semana!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um outro assunto

Tenho ouvido e lido, a propósito da história sórdida que rodeia a morte do jornalista Carlos Castro, que, enfim, ele se pôs a jeito.

E fico arrepiada. O que é pôr-se a jeito? O que é que ele fez, ou foi, que fez com que se tivesse posto a jeito? Ser homossexual? Ser efeminado? Escrever na imprensa cor-de-rosa? Apaixonar-se por uma pessoa muitos anos mais nova? Nada disto é pôr-se a jeito para ser vítima de um brutal assassínio seguido de mutilação. Nada. E ninguém merece tal fim, ninguém, simpatias ou antipatias à parte.

Isto faz-me lembrar aquela opinião - que infelizmente é muito mais comum do que pensamos - de que a culpa de ter sido violada é da vítima, porque se insinuou, ou seja, pôs-se a jeito.

Dá-me vontade de mandar as pessoas que pensam assim a uma certa parte.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Domingo de praia

Playa Bonita, Panamá

Este fim-de-semana que passou foi a estreia oficial do Hostal Aqualina, que é como quem diz: recebemos as primeiras visitas cá em casa. Por isso, no Domingo encaminhámo-nos para a costa atlântica do Panamá - também conhecida como "Caraíbas", não sei se estão a ver - e fomos, de armas e bagagens, nadar na sopinha e torrar um pouco ao sol.

Uma ida à praia, aqui nestas paragens, é todo um evento logístico. Chegando lá, não há nada: nem restaurante, nem duches, nem casa de banho. Nem sequer acessos! Por isso os preparativos incluem ingredientes para o piquenique e muitos, muitos líquidos, tudo enfiado numa geleira daquelas da nossa infância. E lá vamos nós.


floating heart


Vamos de carro pela auto-estrada de Colón e saímos na direcção de Portobelo, direcção essa que seguimos depois por estradinhas nacionais enlameadas pelas recentes enxurradas. Portobelo tem uma linda fortaleza espanhola, património mundial, mas que infelizmente sofreu também um deslizamento de terra que a soterrou parcialmente.

Deixamos lá o carro e apanhamos uma lancha que nos leva até à praia. A viagem demora uns 20 minutos, talvez 30, mas é tão bonita que o tempo passa a voar.

leaves

Na praia não há muito areal - a actividade acontece mesmo é dentro de água, uma piscina de água transparente e na temperatura certa. O sol, apesar de forte, é coado pelas copas das árvores. O grande senão, no meio de tudo, é a lixeira que há na praia. Contámos uns quantos pares de sapatos, já para não falar em garrafas de plástico e até uma enorme faca! Numa praia tão linda como esta, é uma pena termos de andar a escolher onde pôr o pé (e a toalha), sob o risco de nos magoarmos a sério.

Playa Bonita, Panamá

No regresso apanhámos um bocado de trânsito, entre controles de alcoolemia e buracos no asfalto, mas chegámos lindos, cansados e bronzeados de um dia de praia caribenha.

(Mais fotos aqui.)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

É já amanhã!



...a mesa redonda subordinada o tema "O lugar do bairro", cujo cartaz foi feito por mim.

As informações estão todas aqui e as fotos acima foram tiradas pela minha irmã Guida, na universidade dela.

Apareçam!

Desapartado

apartados desapartados

E pronto. Seis meses depois de o ter pedido, finalmente tenho um apartado na estação de correios mais próxima. Esta é a versão resumida da história; vamos à longa?

Quando cheguei ao Panamá e descobri a idiossincrasia local da não existência de números de portas, nem de distribuição de correio ao domicílio, percebi que ia ter de arranjar uma forma de receber correspondência, seja o ocasional postal dos amigos, seja a comprinha feita na internet.

Como as empresas privadas são muito hábeis em aproveitar as lacunas do serviço público, há mais que uma empresa a disponibilizar moradas postais nos Estados Unidos, por exemplo, para onde a correspondência é enviada e depois transferida para o Panamá. Por uma mensalidade um pouco além do módica.

Os correios nacionais, por seu lado, oferecem o serviço (também pago) de apartados de correios. Sabendo isso, fui lá assim que cheguei. Inscreveram-me numa lista de espera porque estavam, naquele momento, a "mudar as fechaduras". E que para Agosto já devia estar o serviço concluído. Esteve em Agosto? Claro que não, nem em Setembro, nem em Outubro, nem em Novembro. Em Dezembro fui lá, mais por curiosidade que por esperança, e disseram-me que se o alugasse em Dezembro teria de pagar o ano inteiro de 2010 e, em Janeiro, pagar o ano inteiro de 2011. Assim sendo, e porque quem está seis meses à espera de um apartado também espera sete, lá fui eu assim que voltei ao Panamá. À terceira visita (em Janeiro), consegui.

Quando entrei, estavam duas pessoas à minha frente para serem atendidas. Quando saí, uns cinquenta minutos mais tarde, estavam sete pessoas atrás de mim. Tinha dois assuntos para despachar: o apartado e um envio. Esperei e esperei e, finalmente, chegou a minha vez. Entreguei os papéis do apartado preenchidos e disse que também tinha um pacote para enviar. Que não senhora, que tinha de voltar à fila, que ele só despachava um dos assuntos. Finquei o pé: voltar ao fim da fila não fazia sentido nenhum e que ele tinha de me atender.

O processo aqui é totalmente manual: por cada envio superior a 100g é preciso mostrar identificação pessoal (e bilhete de identidade local não é suficiente); o operador passa uma factura manual, onde copia tanto a minha morada (aquela aonde não chega correio) como a do destinatário (aquela aonde o correio chega um mês depois, com sorte). Dá-me cinco selos para lamber e colar no envelope e pede-mo de volta, para o carimbar. Devolve-mo e manda-me pô-lo numa fresta numa parede, que serve como marco do correio. Resumindo: um processo deveras ágil.

Caí no erro de perguntar quanto tempo demoraria a carta a chegar. A resposta? Um arrazoado mal disposto da chefe de estação. Tenho para mim que nem eles acreditam se vai chegar, quando mais quando!

Enfim, todo um processo deveras complicado, esse de cobrar um apartado e de processar um envio. Mas finalmente consegui.

Posto isto, estações de correios limpas e arranjadas, informatizadas, com sistema de senhas, algumas cadeiras, várias opções de serviços, desde envelopes pré-franquiados e entregas no dia útil seguinte? Parece-me praticamente utópico. Mas diz que existe em Portugal.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tarte de laranja

Home is homier when I bake

Já o disse noutras ocasiões e repito-o agora: esta casa é mais casa quando faço bolos. E é por essa mesmíssima razão que criei uma nova tradição: sexta-feira à tarde (ou durante o fim-de-semana) é dia de fazer um bolo.

Tenho andado a gostar muito de seguir as receitas da Julia Child; desde que vi o filme Julie & Julia - numa cena, que não me sai da memória, o marido da Julie agarra-se de mão aberta a um bolo de chocolate que ela fez - que fiquei com vontade de ler e de experimentar.

Quem me conhece sabe que não sou menina para me pôr a cozinhar carnes, nem pensar em desossar um pato!, por isso mesmo me tenho dedicado às sobremesas: não se gastam numa só refeição e adoçam a boca durante o fim-de-semana.

Esta semana experimentei fazer a tarte de laranjas. No original, era uma tarte de limão ou de lima. Mas tinha laranjas em casa - que ainda por cima não são particularmente doces - e, por isso, adaptação com ela. Fiz a massa quebrada à mão, com a preciosa ajuda da Kitchenaid, cozinhei o recheio, forno e... hmmm!

Como de costume, substituí a manteiga (por óleo vegetal) e reduzi o teor de gordura da receita, coisa que voltarei a fazer no futuro. E fiquei encantada com a massa quebrada feita à mão: não custa assim tanto e a diferença é abissal.

Queiram desculpar-me o fim súbito deste post, mas tenho de ir ali à cozinha...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Viva 2011!

Nazaré, vista do Sítio

A Nazaré, vista do Sítio

Um ano novinho em folha (bem, à data já com 14 dias) para encher de amigos, projectos, novas aprendizagens, experiências, lugares. Uma agenda nova, branquinha, para preencher com coisas boas e más, porque é disso que se fazem os dias. Aniversários, dias importantes, estreias, inaugurações e reuniões, viagens e sumos de ananás com amigos.

(Para encerrar o ano de feição, fui conhecer a Nazaré, vista do Sítio da dita, de onde tirei as fotografias acima. Sempre que penso em Portugal, penso em mar, praias a perder de vista, o sal e as ondas. Algo como as fotografias mostram, portanto.)

Bom ano!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 17

Orange spongecake with chocolate

2010 foi um ano de muitas mudanças, nomeadamente a de casa, país e cultura. Foi um ano muito difícil e trabalhoso, e - apesar das muitas viagens - praticamente sem férias.

Já tenho as malas feitas, os presentes (feitos à mão!) terminados, os trabalhos fechados, tudo despachadinho para ir, tranquilamente e sem sequer levar o tricot, de férias.

O bolo da foto já foi, claro está, mas parece-me ser uma boa fotografia para ilustrar este post em que me despeço até para o ano e desejo a todos um óptimo Natal e um 2011 muito bom.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 11





Estamos todos de acordo em relação à qualidade das fotografias: não são as coisas mailindas que já vimos à face da Terra. E quanto à decoração natalícia da cidade? Será que estamos de acordo?

Assim se faz o Natal no Panamá.

(E, em memória do jornalista Carlos Pinto Coelho, vamos todos cantar aquela melodia do final do "Acontece".)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 7


Apesar de estes floquinhos nada terem que ver com a situação que vivo neste momento - a muita precipitação, lá fora, é mesmo em estado líquido - o número de Dezembro da zine tem uns quantos lá postos. Enquanto não está pronta, aqui fica a amostra.

Hoje finalmente comecei a sentir o espírito natalício (confesso que o calor não ajuda): ouvi uma canção de Natal e a história por detrás da sua criação, olhei para os floquinhos, pensei em chocolate quente, tricot e sobrinhas para aquecer o coração e fiquei contente por saber que em breve estarei em Lisboa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 4, ou "tradições natalícias de outras partes")

No Sábado passado fomos convidados para ir rebentar a tradicional piñata navideña. Não tirei fotografias, mas aqui poderão ver o respectivo aspecto.

Assim, sem saber ler nem escrever, partimos nós para a festa da piñata, na total ignorância sobre o que esperar - e mesmo sobre o que levar.

Chegámos a um dos muitos condomínios fechados de Costa del Este - que praticamente parecia uma aldeia do Natal, já que as casas todas iguais tinham quase todas renas, trenós e senhore de vermelho insufláveis por todos os lados. Ali, sim, já se vive o Natal, como que ignorando pacificamente o calor que o Pai Natal deve estar a passar com aquele traje vermelho tão abrigado.

Quando chegámos a casa do nosso anfitrião deparámo-nos com uma imensa festa, com gente muito aperaltada, DJ e grandes colunas e, no meio, a famosa piñata.

O significado da dita é muito interessante e curioso: tem sete picos, que representam os sete pecados mortais (alguém os sabe enumerar?). Uma pessoa de olhos vendados (símbolo de fé) usa um pau - a ferramenta de Deus para combater os pecados - para rebentar a piñata. Quando isso acontece, de dentro saem os frutos da erradicação dos pecados. Neste caso, saíram pequenos brinquedos (bolas, apitos e ioiôs) e muitos doces (chocolates e pastilhas elásticas). Diria mesmo que estes frutos originam o pecado da gula!

Mas a gula-gula, que é como quem diz a "gula-guleira", veio mesmo com o jantar, que estava perfeitamente delicioso. Os anfitriões, mexicanos, convidaram-nos a todos para um convívio de tacos, com as famosas tortilhas de milho e diversos recheios para as acompanhar. O mole (febras de frango em molho de chocolate) estava de lamber as pontas dos dedos e chorar por mais e o puré de feijão era pura poesia. A guacamole estava também deliciosa - e como não gostar de uma boa guacamole, ainda por cima feita por quem a sabe mesmo fazer.

A sobremesa fez-me lembrar Portugal: uma magnífico arroz doce tal qual o da minha mãe, assim humidinho e com os grãozinhos de arroz agulha bem al dente. Delícia total.

Depois de todas estas tentações - e todos sabemos que a comida mexicana não é conhecida por ser levezinha e dietética - só mesmo um passinho de dança para fazer descer a refeição.

Os nossos anfitriões também são ávidos coleccionadores de presépios, todos expostos: o mexicano, uma árvore da vida, foi o meu favorito. E sabem que o menino Jesus, nestes presépios centro-americanos, não está agarrado à manjedoura? A explicação é simples: ele só é lá colocado na noite de Natal, deitado sobre uma caminha de algodão feita com as boas acções das crianças da casa. Não sei se ainda é assim nos presépios tradicionais portugueses, mas desconhecia este costume.

Apesar do calor que se faz sentir, sinto muito mais a presença do Natal aqui no Panamá que na Argentina. Curioso, não é?

(E, para quem celebra, feliz Hanukkah!)

Calendário do Advento, dia 2

Não sendo propriamente a imagem mais natalícia que já vimos em todas as nossas vidas, foi este o panorama do passado dia 2 de Dezembro. Agora falta esclarecer que este panorama não é excepcional: isto acontece muito frequentemente. Num país tropical, onde chove tanto, não entendo como é que aos três pingos caídos se inundam assim algumas partes da cidade.

Como diria alguém que sabe muito mais que eu: é a vida, menina, o que é que se há-de fazer?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 1

Estrela

Porque já estamos em Dezembro e o Natal se aproxima, uma estrelinha - fotografada durante o passeio pelas rochas na Ilha Iguana, Pedasí - para alegrar os nossos dias.

(Dezembro, já?!)