segunda-feira, 2 de maio de 2011

Olha a zine fresquinha!

"We´re in Panama!", issue 11

E aqui está ela, a zine, mesmo depois do fim do mês a que diz respeito.

Como sabem, comecei a usar a bicicleta como meio de transporte aqui no Panamá. Tem as suas vantagens (demoro a metade do tempo a chegar à aula de yoga, e ainda por cima já levo o aquecimento feito), mas também tem os seus percalços. Claramente, é um assunto que merecia um número zinesco.

Foi toda bordada à mão (vivam os calos, as picadas nos dedos e as asneiras). Ver o desenho acabado fez com que tudo valesse a pena. Acho que, até hoje, foi a zine que mais me custou e também a que mais gostei de fazer.

Como sempre, podem descarregá-la, imprimi-la, lê-la e fotografá-la! Não se esqueçam de me enviar as ditas fotos da leitura e do passeio. Com a vossa licença, irei publicando as mais divertidas tanto aqui no "Entre..." como no meu blog de trabalho.

Bem hajam!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

NYC

NYC

Na semana passada estivemos lá. Foi tão bom! Foi pena o frio (relembro-vos que estou tropicalizada e tudo o que é abaixo dos 15ºC é frio, frio, gelo gelado para mim), mas valeu a magnífica companhia da nossa anfitriã.

Amanhã - ou depois - conto mais. Por agora desligo. Lá fora está a bela trovoada tropical, que é como quem diz, um fantástico espectáculo de luz e som que não posso perder.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Com festejos ou sem eles...

...hoje é dia 25 de Abril e comemora-se o 37.º aniversário da Revolução dos Cravos. Ainda não era nascida, mas sempre que ouço Grândola, vila morena ou mesmo Quis saber quem sou, fico com pele de galinha.

Não tivessem sido aqueles militares corajosos, quem sabe ainda tivéssemos vivido muitos anos enterrados debaixo de um pesado véu de uma ditadura castrante, que nos deixou, como povo, inseguros e pouco confiantes das nossas capacidades. Quando penso em quão diferentes as nossas vidas poderiam ser, caso o dia 25 de Abril de 74 tivesse sido um dia normal e não o que foi, assusto-me. Toda a minha vida vivi em liberdade: pude entrar e sair do meu país quando quis, sem precisar da autorização do marido; pude casar-me e dar-lhe o meu apelido, ao mesmo tempo que também escolhi ficar com o dele. Se precisar, posso pedir um passaporte, uma certidão qualquer. Posso mandar um e-mail às Finanças, ou à Segurança Social. E sei que, se algum dia for necessário, posso recorrer a um tribunal, pedir ajuda a um polícia, ou ir ao serviço de urgência do centro de saúde mais próximo.

Por isso, com crise, sem crise, com festejos ou sem eles, estamos hoje infinitamente melhor que há 37 anos atrás.

25 de Abril, sempre!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

I am that I can´t II

Aqui há dias contactaram-me do programa "Portugueses no Mundo", da Antena 1, para gravar uma conversa comigo. A gravação foi no meu ontem à noite, madrugada de quem está em Portugal, e o resultado pode ser ouvido aqui.

Não foi a primeira vez que falei na rádio (há muitos anos, talvez até noutra vida, tive uma rubrica, num programa infantil da Rádio Macau, em que recomendava leituras), mas foi um excitex total e completo.

Muito obrigada às jornalistas por esta oportunidade!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Muito actual

"Prohibido votar basura"

as forbidden as it is, the street is full of trash

A cena acima foi fotografada no Sábado passado, no centro da Cidade do Panamá.

Para além do nojo que o monte de lixo desperta em mim, a ironia do prohibido votar basura está no duplo sentido permitido pelos vários erros ortográficos em tão parca superfície. A proibição, a indiferença perante a proibição e a inacção diante do panorama catastrófico que se vive ali naquela rua são, curiosamente, uma metáfora que se pode transpor para outras situações.

Curiosamente, ou não, a mesma fotografia calça como uma luva no actual panorama político português. Por isso, no dia 5 de Junho é preciso comparecer nas urnas e é absolutamente proibido "votar em lixo", nem que isso exija um grande voto em branco.

Igualmente pertinente para quem vive cá (os moradores que ali depositam o seu lixo e também a autoridade de saneamento desta cidade) como também para todos os eleitores portugueses: acção é preciso, arregacemos as mangas e não nos deixemos vencer pela inércia.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Esqueci-me!

Ontem esqueci-me completamente de assinalar o dia em que festejei os quatro anos de vida na América Latina, três deles em Buenos Aires e quase a celebrar o primeiro aniversário de vida panamenha.

Quatro? Já?!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Má vizinhança

Fireworks seen from above

Há dias em que a má vizinhança não tem ar esquisito nem andrajoso. Há dias em que a má vizinhança é assim: exuberante, bonita até, mas totalmente inconveniente.

Esta foto de fogo de artifício (visto de cima!) foi tirada às onze da noite. Até aqui tudo bem. O problema é que houve nova saraivada de luz, cor e muito som à uma e meia da manhã. Já dá para ver o problema...

O Club Unión - ou o sócio que usou as suas instalações na noite de 25 para 26 de Março - é o responsável pela noite mais mal dormida de todos os prédios que circundam as suas instalações. A festa foi rija até às seis da manhã, com música tão alta que parecia que tínhamos a aparelhagem ligada, no quarto, aos berros.

Eu dormitava e ia acordando e a minha irritação escalava e escalava: a canção "I got a feeling" passou umas três ou quatro vezes durante a noite. Será que o DJ não tinha mais canções para ir variando? E então quando ele perguntava ao seu público em êxtase: "nos vamos a dormir?". Imediatamente gritava a resposta: "Noooooooooo!"

Nem ele, nem os convivas, nem ninguém dormiu naquela noite.

Na noite seguinte, liguei para o Club Unión quando ouvi os primeiros acordes da música de nova festa. Fiquei a saber que:

- a segurança nada pode fazer para controlar o nível de ruído produzido pelos festivaleiros de serviço. Pode recomendar ao sócio que baixe o volume da música, mas este tem poder de veto nessa decisão.

- não vale a pena chamar a polícia, já que o Club Unión dispõe de todas as autorizações camarárias para rebentar fogos de artifício (à uma da manhã, aparentemente, também).

- não vale a pena invocar regulamentos anti-ruído ou até o bom e velho sentido comum: quem manda é o sócio.

E sabem uma coisa? Para se ser sócio do Club Unión paga-se uma jóia de dezenas de milhares de dólares, mais uma quota que não está a preço de saldo e ainda se compra uma acção. Como é a prestações, desconfio que não deve ser barata.

Ficamos a saber que o dinheiro compra um diploma, arrogância e prepotência; mas não compra educação.

Em jeito de p.s., conto que as festas do fim-de-semana passado já tiveram o volume mais baixo, apesar de durarem até de madrugada. Recorri ao velho truque do tampão no ouvido, que, apesar de incómodo, me garante mais descanso e um dia seguinte mais agradável que não o usando.


Eu seja santa.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Quem ajuda?

No Domingo passado chegou o nosso cabaz do Culantro Rojo, o nosso fornecedor de produtos de agricultura biológica panamenha. Dentro do cesto, uma miríade de produtos, alguns conhecidos, outros não. Mas há muitos deles cujos nomes desconheço, de maneira que peço ajuda aos meus leitores para lhes dar os nomes em português (europeu ou não).

Ora o cabaz que nos chegou foi este:

Last Sunday´s basket

Mnham, certo?

Como se chamará esta couve?

Isto que é? Uma couve? Qual? 

E esta alface?

Esta "alface" pica, pica, pica! Pica e dá piquinhos no nariz e nos olhos. É uma delícia, mas às vezes até faz chorar.

Mnham!

E isto, que é? Cebolinho?

Também veio uma caixinha de algo que desconfio ser cebolinho, portanto, seria um produto repetido:

Mnham mnham!

Este feijões verdes...

Isto conheço, e olá se este feijão verde é delicioso! 

Que faço com um rábano?

Rábano, certo? Ou nabo? Que faço com isto, sopa? 

Abóbora

Esta abóbora é uma categoria. Agora que já recebemos a nossa parrilla argentina, nem sabem o deleite que é. Ligeiramente queimadinha fica com aquele sabor caramelizado que lhe é característico, com uma pitada de flor de sal e um fio de azeite da Capinha... Ui, já me está a crescer água na boca!

Açúcar...?

E isto? Penso que é um açúcar qualquer, mas não sei o nome. Acho que cá lhe chamam "raspadura", mas - lá está - não confirmo.

Espinafres do além

Estes espinafres são do além. Desde cozidos, à sopa, a apenas "entalados" num pouquinho de calor, são de uma delícia de comer e chorar por mais. Sabem mesmo, mesmo, mesmo a espinafres, e isso não é algo que se possa dizer de muitos que por aí se vendem. 

Não sei se me esqueci, mas ainda faltam aqui os rabanetes, o pepino e os pimentos que também chegaram. Os pimentos provavelmente acabarão na parrilla, o pepino num sumo. Mas... que faço com os rabanetes? Manteiga e sal?

Leitores que não comentam: cheguem-se à frente e contem-me tudo, desde os nomes até às receitas que recomendam para os diferentes ingredientes. 

Obrigada!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Nós e a crise

A minha amiga Fungagá disse-o muito bem: enquanto continuarmos a usar o crescimento (e o PIB, de caminho) como único sinónimo de crescimento, a coisa não vai lá.

Primeiro, porque nem só de PIB se faz a realidade. Sabiam que o PIB contabiliza todas as transacções, sejam elas por coisas positivas (como a venda de produtos transformados, por exemplo) como também negativas (despesas com acidentes de viação ou vandalismo)? De que forma é que o dinheiro gasto a limpar grafitis é positivo?

Na minha opinião, o progresso é mais que o crescimento. É mais que o somatório das transacções de um país. O progresso é bem-estar, é respeito pelo ambiente, é ar puro nas cidades e água potável nas torneiras. É um sistema de transportes públicos integrados, uma rede de cuidados de saúde pública (que, apesar das muitas queixas, existe, lembrem-se disso). O progresso é também poder trabalhar de casa, receber um salário que mereça esse nome e é também cultura, acesso a cinema, teatro e museus. É isso tudo, muito mais que um número, um déficit ou tantas outras percentagens que nos querem atirar à cara a todo o instante.

Não digo que não exista crise em Portugal. Existe. Mas é sobretudo uma crise de confiança. Nós, portugueses, choramos um bocadinho, mas também somos trabalhadores. Sejamos empreendedores, arrisquemos, lutemos. Se for preciso ampliar o mercado, ampliemo-lo: porquê limitarmo-nos a Portugal? Se for preciso emigrar, emigremos. Não vou dizer que não tenho saudades, porque tenho, mas viver fora faz muito bem. Se para mais não servir, dá para ver o país fantástico que temos, mas que tão mal amamos.

Para gostarmos um pouco mais de nós e do nosso país, vale a pena ler este texto, que já correu por e-mail e agora reli numa página de facebook. Fala de invenções, iniciativas e exemplos de êxito dos nossos, amplamente reconhecidos no estrangeiro mas pouco conhecidos dentro das nossas fronteiras.

Penso que mais auto-confiança, a nível nacional, nos vai fazer muito bem. Havemos de conseguir, com as nossas ideias, o nosso trabalho, as nossas iniciativas. Independentemente (ou devo dizer "apesar"?) das cores do futuro governo.

Queiram-me desculpar, caros leitores não-portugueses. Às vezes é preciso mudar um pouco o registo! Mas qualquer dia volto aos fait-divers da vida no Panamá.

terça-feira, 29 de março de 2011

Fresca, fresquinha: a zine de Março!

"We´re in Panama" issue 10

Quem quer ler? É só descarregar, imprimir, dobrar. Para quem não quiser imprimir e dobrar, pode descarregar e virar a cabeça.

Espero que gostem!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pecha Kucha Night!

Pecha Kucha Night Panamá vol.5
Lisboa no Panamá

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Na quarta-feira passada estreei-me nas lides pechakucheiras. Para quem não sabe o que é, faço um resumo: é um evento em que várias pessoas apresentam os seus projectos, tendo apenas 20 imagens, cada uma durante 20 segundos. Isso perfaz um total de seis minutos e quarenta, de maneira que as mensagens têm de ser passadas de forma concisa.

A minha apresentação foi sobre a minha zine, um projecto que cada dia me é mais querido. Pedi a colaboração dos leitores para que me enviassem fotografias da zine nas respectivas cidades, e... o resultado foi o máximo, foi surpreendente! Cheguei à conclusão de que a zine viaja mais que eu (e tenho a sorte de viajar muito), o que é muito positivo num "filhote" de quase um ano.

O ambiente pechakucheiro é particularmente agradável porque, como me dizia o organizador, é de "zero stresse". E a verdade é que me senti muito à vontade, não estava particularmente nervosa antes de subir ao palco e, lá em cima, o comboio partiu e não houve volta a dar.

Foi uma sensação maravilhosa estar a falar para aquele pessoal todo, sentir as gargalhadas que deram com as minhas piadas e ouvir os comentários no final, a curiosidade por saber onde encontrar a zine ou "como um estrangeiro vê o meu país".

Obrigada a todos os que lêem a zine, me mandaram fotografias e me ajudaram a preparar esta apresentação. Agora, adeusinho, que tenho de ir fazer o número de Março!

Mais informação sobre a Pecha Kucha, a Pecha Kucha Panamá e muitas outras cidades onde se realiza este evento.

Isto é uma vergonha

esgoto a céu aberto

esgoto a céu aberto

E agora não estou a ser irónica. Isto é mesmo uma vergonha: há pelo menos quatro semanas que há um problema qualquer com esta tampa de esgoto e esta aguinha que vocês aqui vêem é isso mesmo, esgoto. Em dias normais, é só o cheirinho a maravilha; em dias maus, vêem-se pedaços de cocó e de papel higiénico a boiar. Bonita descrição, não?

Muitos condutores passam os seus carros por cima do rio do cocó com muita velocidade, levantando água e borrifando os transeuntes que seguem pelo passeio.

Quando passo de bicicleta, procuro a parte da estrada com menos água, ou seja, o mais encostado à esquerda possível. Só que isso, com um pouco mais de movimento automóvel, torna-se impraticável. E há também a própria da molha que o movimento rápido das rodas dos carros me proporciona, já que ninguém abranda ao passar ali.

Resumindo, vou da bicicleta directamente para o duche. Poupo-vos os detalhes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Tweets japoneses

A notícia da tragédia no Japão na sexta-feira passada tem sido badalada e rebadalada na comunicação social, normalmente com um enfoque no volume de destruição que o país sofreu.

Sem querer diminuir os efeitos do gravíssimo sismo e das sucessivas ondas do tsunami que destruiu tudo à sua passagem, gostaria de partilhar aqui o link para tweets japoneses (traduzidos para inglês), onde várias pessoas vão contando os pequenos gestos de ajuda que receberam de desconhecidos. Impressionou-me particularmente os sem-abrigo a partilharem os seus caixotes de cartão com as pessoas à espera de transportes públicos.

Para ler, emocionar-se e partilhar.

(via skinny la minx)

Uma nova aventura

Hoje lancei-me numa nova aventura, a de circular de bicicleta pelas ruas desta cidade. Ensaiei mentalmente o percurso até à minha aula de yoga (é perto), ponderei sobre se devia ir pelos passeios (quando existem) ou pela estrada, junto aos carros. Optei pela segunda alternativa, apesar de tudo, mais... existente.

Preparei-me mentalmente para a enxurrada de piropos e assobios. Segurei a perna da calça de yoga, o tapete às costas e a mala a tiracolo. E lá fui eu, seguindo o trânsito e respeitando semáforos (não é no Panamá que vou tentar a minha sorte passando um sinal vermelho).

Poucos minutos depois cheguei à aula de yoga, sem sustos para contar. Os carros, talvez espantados com a audácia, foram respeitadores, sem sequer apitar! Piropos? Nem ouvi-los. E isto, senhores leitores, é muito surpreendente, dado que de cada vez que ponho o pé na varanda (relembro, 49.º piso) é uma catarata de assobios, "píntames" e afins.

Quando cheguei à aula e estava a acorrentar a bicicleta a uma grade, veio o porteiro do edifício dizer-me que iam lavar aquela secção e que teriam de molhar a bicicleta, não a quereria eu guardar no cubículo perto das escadas? E assim foi. Acho que se não tivesse ido de bicicleta não seria alvo de tanta amabilidade.

Portanto: andar de bicicleta no Panamá - 1; medo de andar de bicicleta porque estes tipos têm uma condução atroz - 0.

Amanhã lá vou eu outra vez.

terça-feira, 8 de março de 2011

Deitar cedo e cedo erguer (parte II)...

detail

...dá saúde e faz o dia render.

Já contei no meu blog de trabalho que me propus um desafio para o mês de Março: o de pintar todos os dias úteis. Não vou necessariamente pintar os dias, nem encher os dias de pintura. Meia hora ou três horas são ambas alternativas válidas na progressão do meu desafio.

E como tenho pintado todos os dias, tenho notado grande aumento na produtividade. Sendo a pintura como o meu parque infantil, onde posso brincar à vontade com as cores, a matéria, as formas e os gestos, quando chego ao meu trabalho tudo corre verdadeiramente melhor.

Acima está um detalhe do primeiro quadro; que mais irei pintar eu este mês?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Deitar cedo e cedo erguer

Early morning in Panama City, Panamá

Early morning in Panama City, Panamá

Às vezes pergunto-me que terá acontecido àquela outra eu que gostava de ficar na sorna, na cama, ao fim-de-semana. Não sei. Não é que não goste - não há prazer melhor que um livro ao Sábado de manhã, entre os lençóis - mas parece que gosto mais de me levantar e ir aproveitar a madrugada para a varanda.

Às seis e meia da manhã o sol ainda vem baixinho, mas luminoso. Na estação húmida, é provavelmente o único momento do dia em que há, digamos, sol. A esta hora está, realmente, fresquinho, e sinto pele de galinha quando vou à varanda. Há que aproveitar.

Pinto, ou leio, ou tricoto, ou não faço nada disto e aproveito o silêncio da manhã, antes das actividades, ou das obras do prédio ao lado, ou do sindicalista que vem de megafone em punho gritar aos operários que constroem os arranha-céus onde jamais poderão viver.

À hora do almoço já tudo terá mudado: o calor é insuportável, o barulho e a poeira também, as nuvens estão prestes a despejar a sua carga diária e pontual sobre a cidade.

Para ao fim da tarde regressar a magia.

early evening in Panama City, Panamá

quarta-feira, 2 de março de 2011

Quem diria?
















































Enquanto tive cá os meus pais, aproveitei - tal como já contei - para pedir ajudas específicas, como nas compotas (mnham) e na mantinha. Assim de passagem mostrei uma blusinha que já tinha cortada, alinhavada e com algumas partes cosidas, blusinha que ficou em fase de projecto. Na minha cabeça processou-se algo do género "eu seja santa, como é que resolvo isto, este decote faz uma ondinha, nem em sonhos descoso tudo e volto a coser".

E pronto, a dita blusinha ficou em águas de bacalhau meses sem fim, quiçá até mais que um ano.

Pois que senhora dona Mãe, de signo tigre no zodíaco chinês, não deixou o projecto voltar para a gaveta e insistiu (rugiu?) que nessa mesma tarde o teria de terminar. Foi-me dando indicações, e enquanto eu cosia (e desfazia e voltava a coser), senhora controladora das costuras foi lendo capítulo após capítulo do livro que queria terminar antes de voltar a Lisboa.

E assim foi. Cheguei ao momento do fecho invisível, na costura lateral. O truque? Alinhavar até mais não, e muita, muita paciência.

Não terminei a blusa no próprio dia, mas terminei-a a tempo de a estrear com os meus pais cá. E já a usei e reusei, exibo-a até mais não poder. Porque, afinal de contas, fui eu que a fiz. E até lhe instalei um fecho invisível. Ora toma, Billy que achava que não conseguia. Conseguiste!

terça-feira, 1 de março de 2011

Mais actividades

Quilted baby blanket | Manta bordada e acolchoada

"Bonequinha feliz..."

"Tenho na minha alma um sonho..."


Outra das actividades desenvolvidas em vez de ir visitar imensos museus, monumentos e jardins foi a costura.

Como sabem (ou não), quando vivia na Argentina criei - na altura com uma sócia - uma marca de roupa de bebé tricotada à mão. Entretanto o projecto tem evoluído: já estou sozinha, já há camisolas para mais crescidos (não exclusivamente bebés) e... agora também temos mantinhas. Não tricotadas, mas cosidas.

A vinda para o Panamá dificultou-me bastante o acesso à fabulosa matéria-prima que existia na Argentina: a lã de merino lá é tão boa que é quase toda exportada, sendo até difícil encontrá-la no comércio tradicional. Aqui no Panamá, terra de Verão todo o ano, não existem lanifícios (não posso censurar!). O que existe, e muito, é algodão. Ou melhor, tecido de algodão.

Enfim, encurtando a história, a acrescentar a todas as razões acima e para combater a sazonalidade inevitável da lã, criei umas mantinhas a partir da ideia do lenço dos namorados, na versão paixão pelos pequenos príncipes e princesas que entram nas nossas vidas.

São bordadas à mão (e à mão levantada, sem desenho prévio) e cosidas à máquina. Algumas são acolchoadas (aptas para climas mais frescos) e outras não, com flanela de algodão para dar apenas algum aconchego. São muito fofas, mas também divertidas, e estão à venda através do site do abbrigate*. Ide, ide ver!

Mais fotos aqui.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

As actividades e os seus frutos

Panquecas com doce de tomate caseiro

A Cidade do Panamá não é uma metrópole vibrante de actividade cultural, pelo que quando cá estiveram os meus pais usufruímos do tempo para fazer actividades. Vocês perguntam, e muito bem, que actividades? E perguntam também quantos anos terei, claro está, porque isto das actividades é conversa da minha sobrinha de seis anos. Eu tenho mais uns quantos que ela, mas gosto igualmente das ditas actividades!

Pois uma delas foi aprender a fazer doce de tomate. A minha Mãe faz um doce de tomate que é de comer e chorar por mais, de rebolar no chão e fazer birra, de bater com o pé e exigir mais, só porque é tão delicioso. Por isso fomos ao mercado comprar tomate o mais madurinho possível, deixámo-lo fora do frigorífico um par de dias, e tunfas, ao ataque. Enquanto a panela esteve ao lume, a casa encheu-se de um cheirinho delicioso a canela, a tomate cozinhado, a açúcar derretido... enfim, um odor bem inspirador para uma outra actividade que tínhamos em mãos (sobre a qual falarei oportunamente).

Avancemos para o Sábado passado, dia em que o Príncipe fez panquecas para o pequeno-almoço e eu aproveitei para usar o doce de tomate para as barrar. Qual maple syrup, qual quê...!

A apreciação das qualidades organolépticas é excelente, o sabor é de - lá está - comer e chorar por mais. Aqui está uma excelente vantagem de estarmos a viver no Panamá, e não em Buenos Aires. Lá haveria certamente algum museu para visitar e, consequentemente, afastar-nos da minha aula prática, que tão bons resultados rendeu.

P.S. Um par de dias depois, repetimos a dose para o doce de ananás. Mnham!