terça-feira, 31 de maio de 2011

Olha, olha quem é ela!

"We´re in Panama!", issue 12, is out!

Chegou a zine deste mês! Desta feita, é sobre a viagem que fizemos a Nova Iorque (amplamente documentada aqui no "Entre...").

Como sempre, é gratuita e pode ser descarregada aqui. Não se esqueçam de me mandar fotografias a lê-la, que eu adoro!

No próximo número celebramos o primeiro aniversário no Panamá e também o primeiro aniversário da zine. Quem diria que já andamos nisto há um ano?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um ano no Panamá

Ontem, Domingo, 22 de Maio, celebrámos o primeiro aniversário da nossa vinda para o Panamá. Como o primeiro ano numa cidade nova é sempre o mais difícil, é com muita alegria que celebramos esta data e o facto de a pior parte da adaptação já ter ficado para trás.

Para celebrar, deixo aqui uma selecção de imagens do ano que passou.

Maio de 2010, ainda na Argentina
Ainda na Argentina, com caixotes até ao tecto e burocracia aduaneira pelos cabelos. Cada folha pintada que tinha em casa foi fotografada, catalogada, enviada para a alfândega, processada e só depois embalada.

Maio de 2010, já no Panamá
Na Argentina estava a ficar frio; no Panamá, não. Esta é a vista do nosso apartamento temporário, num raro momento em que o sol brilhou.

Junho de 2010
Em plena loucura mundialística, a nossa bandeira aparecia aqui e ali.

Julho de 2010
Se há coisa com que estou particularmente feliz no Panamá é com a comida. É deliciosa, fresca e variada.

Agosto de 2010
Em Agosto mudámo-nos para a nova casa, ainda sem móveis. Cá do cimo do 49.º andar, as trovoadas acontecem não acima, mas ao lado.

Setembro de 2010
Dia 30 de Setembro chegaram, finalmente, os nossos caixotes.

Outubro de 2010
No dia 10 de Outubro inaugurámos oficialmente a nossa casa, com um brunch na varanda.

Novembro de 2010
Em Novembro, viajámos a Pedasí com um grupo de amigos portugueses.

Dezembro de 2010
O Natal é festa maior no Panamá. À falta do frio do imaginário da época, constroem-se grandes bonecos de gosto duvidoso na zona da Cinta Costera.

Janeiro de 2011
Em Janeiro, houve quem celebrasse o "Verão" (a estação seca, maravilhosa) com uns passinhos hesitantes na pista de gelo montada no centro comercial. De novo: à falta de frio, inventa-se!

Fevereiro de 2011
Em Fevereiro, celebrei o meu aniversário em excelente companhia. No meu dia de anos fizemos um piquenique em San Blás.

Março de 2011
Em Março, participei no vol. 5 da Pecha Kucha Night Panamá. Falei, durante seis minutos e tal, sobre a zine.

Abril de 2010
Em Abril, bordei a zine com muito afã. O resultado está aqui.

Maio de 2011
E aqui estamos de novo em Maio, um ano depois da chegada, em plena estação das chuvas.

Venha o segundo ano!

domingo, 22 de maio de 2011

Curiosidades da vida (e não só)

Ontem fomos a uma loja de artigos em segunda mão.

A minha Mãe sempre teve muita aversão a este tipo de lojas porque dizia que a roupa era de pessoas que tinham morrido (o que nem sempre corresponde à verdade, mas adiante). Desta vez, não sei se lhe hei-de dar razão ou não, porque à venda estava um caixão.

Já imaginaram comprar um caixão em segunda mão? Que é como quem diz: usado?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os inimigos da felicidade

Agora que temos uma linda apple TV e que terminou a nossa dependência do (fraco) discernimento das autoridades panamenhas no que a cinema diz respeito, temos visto filmes - alguns de ficção, outros não - muito interessantes.

Um deles, num zapping acidental, foi "Enemies of Happiness", de Eva Mulvad, disponível gratuitamente aqui.

O documentário acompanha uma mulher, Malalai Joya, candidata à primeira Assembleia Nacional eleita democraticamente no Afeganistão, durante os dias anteriores ao acto eleitoral. Nas cenas que se desenrolam vemos não só a acção de campanha da candidata, como também a vemos a interagir directamente com os aldeãos, que recorrem a ela para mediar e resolver conflitos e outros problemas do quotidiano local.

Por ser mulher e por denunciar publicamente as actividades corruptas dos "warlords" locais, Malalai Joya tem de tomar inúmeras precauções de segurança: para sair, esconde-se debaixo de uma burqa, indumentária contra a qual se pronuncia.

O documentário espanta-nos, a nós, ocidentais e residentes em países onde, apesar de tudo, há liberdade, não só pela campanha eleitoral que faz, mas sobretudo pelos problemas que têm as pessoas que recorrem à sua ajuda.

Um dos casos é o de uma menina que é cobiçada para ser uma das mulheres de um homem muito mais velho que ela. Segue-se um diz que disse, que prometeu, que isto e que aquilo, mas o que entendemos mesmo é que a menina, para aquele noivo que tanto a cobiça, não é mais que mercadoria. E que se ela se suicidasse, em consequência de ser forçada a casar com ele, que ele daria dinheiro aos pais.

Malalai Joya vai navegando os conflitos como consegue, buscando um consenso, tentando recorrer às ferramentas de que dispõe: acompanha os pais à polícia, ajuda-os a fazer um pedido por escrito, fala com ambas as partes... o que não consegue é que o tal noivo entenda que aquela menina é uma pessoa, e não apenas mercadoria.

E aqui vemos como as coisas são diferentes no Afeganistão e a luta que é para aquelas mulheres sobreviver num país que as quer amordaçadas, e ainda assim ter a coragem de denunciar a corrupção que grassa e que impede o desenvolvimento do país.

É um documentário a não perder.

Edito este post para acrescentar os links para o site de Malalai Joya e uma notícia da Time sobre como os Estados Unidos não lhe estão a conceder o visto de entrada no país.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Páscoa no Central Park

Central Park on Passover Day

Visita a Nova Iorque que se preze tem de incluir passagem pelo Central Park, uma magnífica extensão de verde a interromper longitudinalmente a grelha de Manhattan. Com cerca de 4km de norte a sul, entre as ruas 59 e 110, e 800m de um lado ao outro, entre a Quinta Avenida e Central Park West, chega-se ao parque de metro, de autocarro ou mesmo a pé.

Central Park

Nós vínhamos do MoMa, a poucos quarteirões da esquina sudoeste, e estávamos a fazer tempo para a nossa visita (nesse dia veio a ser frustrada) ao Top of the Rock. E ainda bem que tínhamos tempo para fazer, porque nesse dia, provavelmente o único com bom tempo durante toda a semana, todo o nova-iorquino que se preze saiu à rua para celebrar. Ou as Páscoas (cristã e judia, ali mais coisa menos coisa), ou as férias da Primavera, ou, realmente, só o sol que decidiu sair e dar-nos um gostinho de Nova Iorque em todo o seu esplendor.

No Central Park há muito para fazer e ainda mais para descansar. Sentámo-nos umas quantas vezes só para ficar a observar a multidão, enquanto comíamos quadradinhos de chocolate (o trabalho de turista cansa muito).

Fomos ao Strawberry Fields, o recanto de jardim onde se celebra a memória de John Lennon, ao Belvedere Castle, passámos por pontes sobre os lagos, vimos uma estrela num filme a ser rodado e demos muitos, muitos saltinhos.

Central Park

domingo, 8 de maio de 2011

Uma visita ao MoMa

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Visitar o MoMa, em Nova Iorque, requer planificação. Ainda mais se essa visita recair, como aconteceu no nosso caso, em férias escolares e celebrações pascais. Da primeira vez que lá fomos não conseguimos entrar: a fila era absolutamente assustadora. Voltámos no dia seguinte, e antes da abertura do museu já havia uma fila gigante na rua. Era naquele momento ou nunca, por isso lá nos enchemos de paciência e agradecemos o solinho que ia espreitando. À nossa frente, uma turma qualquer de liceu demonstrava grande excitação pela visita ao museu; tiravam-se fotografias uns aos outros, cada um com a câmara digital mais potente que a do companheiro do lado.

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Com estas distracções lá se fez a hora de abertura e dividimos esforços: o Príncipe ficou na fila dos bilhetes, para comprar o combo MoMa+Top of the Rock; eu fui para a fila dos casacos. E aí uns vinte minutos mais tarde conseguimos, finalmente, entrar dentro do espaço expositivo do museu. Pegámos no audioguia (incluído no preço do bilhete) e lá fomos nós.

Começámos pelo sexto piso, com uma exposição temporária sobre o expressionismo alemão. Eu adorei, claro, porque aqueles senhores desenhavam mesmo muito bem. Mas as temáticas não eram as mais animadoras: entre guerra, doenças e miséria, a maioria das obras expostas tem temática lúgubre.

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Dali descemos para o quinto piso, onde está exposta a colecção permanente. Aqui estão as obras que vêm em todos os compêndios de história da arte, as que já vimos reproduzidas centos de vezes em postais, serigrafias e calendários, essas estão na colecção permanente: Starry Night, de Vincent van Gogh, deixa-me sempre sem palavras e com pele de galinha. Há também quadros impressionantes de Matisse, como Red Studio, de Jackson Pollock, Amedeo Modigliani, Picasso e muitos outros. As obras são magníficas e os textos do audioguia são excelentes para melhor as entender. Estão feitos para aproximar as peças do público, explicando pequenos detalhes que ajudam a contextualizá-las. Depois de tantos anos a estudar história e crítica de arte, em que o palavreado usado parece ter o objectivo de alienar o observador da obra, estes textos constituem uma lufada de ar fresco: não são condescendentes, fazem-nos entrar na obra e ver detalhes que, de outra forma, não veríamos.

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O museu é muito grande; naturalmente, a páginas tantas dá-nos a fome. Mas havia tanta, mas tanta gente, que até para a cafetaria havia fila. Por isso pegámos nos nossos bilhetes e saímos à rua. Mesmo em frente havia um dos famosos food carts com kebabs e vários pequenos restaurantes. Escolhemos um de sushi, almoçámos sem grande cerimónia nem protocolo e voltámos para mais um banho de cultura e multidão.

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O nosso plano era ir, nesse mesmo dia, ao Top of the Rock. Queríamos estar lá à hora do pôr do sol, o que nos dava ainda umas horinhas para passear pelo Central Park. Assim fizemos. Andámos, andámos, vimos mundo e mais mundo, vimos um filme a ser filmado, passámos pelo Delacorte Theater (onde, no Verão, assisti a um dos espectáculos do ciclo Shakespeare in the Park), depois saímos pela Quinta Avenida, onde apanhámos um autocarro até ao Rockefeller Building.

Chegámos felizes e contentes à bilheteira, pensando já ser detentores de um bilhete (o tal combo comprado no MoMa, nesse mesmo dia) e ficamos a saber que não, que aquele era apenas um vale que tínhamos de trocar pelos bilhetes - que por sinal já só havia para as dez da noite desse dia. Lá se nos ia o pôr-do-sol, que história macaca!

Ficámos um pouco desiludidos: afinal de contas, deviam ter-nos explicado esse pequeno detalhe no momento da aquisição do bilhete! Lá trocámos os vales por bilhetes para o dia seguinte, à mesma hora. Que pôr do sol lindo, nesse dia, e nós cá em baixo...

Alguns detalhes que vale a pena ter em conta: é possível comprar entradas para o museu no próprio site. E à sexta, a partir das 16h, a entrada é gratuita.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

"Zine bombing" em Nova Iorque

some "zine bombing" action

Não é yarn bombing, não senhora. É mesmo zine bombing.

some "zine bombing" action

Esta é uma das minhas actividades favoritas relacionadas com a zine: deixar exemplares espalhados pelas cidades que visito. Já deixei dentro de livros, em táxis, em museus, em cafés e mais não sei quantos lugares que agora não recordo. Gosto de pensar que alguém poderá ser surpreendido por uma zine, e quem sabe o seu dia não será um pouquinho mais luminoso.

some "zine bombing" action

Nova Iorque não foi excepção: tanto a zine de Março como a cv zine foram espalhadas por vários locais da cidade. Os meus favoritos foram as revistas culturais gratuitas e os coelhinhos na farmácia. Fico sempre a pensar em quem as lerá, em que circunstâncias, que pensarão ao encontrar aquele rectangulozinho com desenhos, será que têm curiosidade de ler mais?

Alguém sabe?

terça-feira, 3 de maio de 2011

NYC mnham

Quem me conhece sabe que não é de estranhar que comece os meus relatos nova-iorquinos com as experiências gastronómicas.

Estando nós hospedados em casa de uma anfitriã espectaculosa, não experimentámos tantos restaurantes como se estivéssemos num hotel. Mesmo assim, experimentámos alguns. O primeiro restaurante de que aqui falo entra na categoria memorável pela comida, pelo espaço e, óbvio, pela companhia. O segundo é memorável por várias razões, sendo que a comida, surpreendentemente, é uma delas.

Passemos então ao primeiro: Mishima, na Lexington Av. entre as ruas 30 e 31. Apesar do site fraquinho, a comida é cinco estrelas. Os rolos são de comer e deliciar-se e as porções têm o tamanho certo. Daí, não ser de "comer e chorar por mais", porque realmente não ficamos com fome. O espaço é bonito, arejado mas bem aquecido (factor muito importante na semana que lá passámos), a localização é óptima, perto do metro (e perto de casa). A misoshiro (sopa) tinha caldo, verdura e tofu nas proporções e temperos certos. As gyozas, de massinha fina e deliciosa, deixaram saudades. O age dashi tofu também estava delicioso, apesar de gostar de um tofu um pouco mais consistente. E os rolinhos, eu seja santa, nem dá para falar muito neles sem me crescer água na boca. Vejam vocês mesmos:

Sushi at Mishima, NYC

A segunda experiência gastronómica foi no Katz´s, na Houston St. Apesar da comida ser deliciosa, o lugar entrou directamente para a parede da glória da cultura popular com esta cena protagonizada por Meg Ryan. Diz que também lá estava o Billy Crystal, mas enfim: prioridades são prioridades.

Chegámos lá através da minha amiga flickeriana, com quem tínhamos combinado almoçar e que sugeriu uma experiência de diner americano. Se não tivesse ido com ele, o mais provável era não ter entrado. E isso seria uma grande pena.

Katz´s in NYC

Katz´s in NYC

Katz´s in NYC

Há todo um esquema com filas para as sanduíches, filas para as bebidas e batatas fritas, filas para as panquecas de batata, senhas e luta por lugar sentado. Mas todo o esforço é amplamente recompensado quando finalmente começamos a comer. Pedimos duas sanduíches de pastrami, dois pepinos picklados a níveis diferentes, batatas fritas e panquecas de batata (latkes) para dividir entre os três. Foi uma refeição, em todos os sentidos, memorável, já que as porções são fartas e a comida é deliciosa. Não é uma opção para todos os dias (ai o fígado!); mas é uma experiência nova-iorquina a não perder.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Olha a zine fresquinha!

"We´re in Panama!", issue 11

E aqui está ela, a zine, mesmo depois do fim do mês a que diz respeito.

Como sabem, comecei a usar a bicicleta como meio de transporte aqui no Panamá. Tem as suas vantagens (demoro a metade do tempo a chegar à aula de yoga, e ainda por cima já levo o aquecimento feito), mas também tem os seus percalços. Claramente, é um assunto que merecia um número zinesco.

Foi toda bordada à mão (vivam os calos, as picadas nos dedos e as asneiras). Ver o desenho acabado fez com que tudo valesse a pena. Acho que, até hoje, foi a zine que mais me custou e também a que mais gostei de fazer.

Como sempre, podem descarregá-la, imprimi-la, lê-la e fotografá-la! Não se esqueçam de me enviar as ditas fotos da leitura e do passeio. Com a vossa licença, irei publicando as mais divertidas tanto aqui no "Entre..." como no meu blog de trabalho.

Bem hajam!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

NYC

NYC

Na semana passada estivemos lá. Foi tão bom! Foi pena o frio (relembro-vos que estou tropicalizada e tudo o que é abaixo dos 15ºC é frio, frio, gelo gelado para mim), mas valeu a magnífica companhia da nossa anfitriã.

Amanhã - ou depois - conto mais. Por agora desligo. Lá fora está a bela trovoada tropical, que é como quem diz, um fantástico espectáculo de luz e som que não posso perder.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Com festejos ou sem eles...

...hoje é dia 25 de Abril e comemora-se o 37.º aniversário da Revolução dos Cravos. Ainda não era nascida, mas sempre que ouço Grândola, vila morena ou mesmo Quis saber quem sou, fico com pele de galinha.

Não tivessem sido aqueles militares corajosos, quem sabe ainda tivéssemos vivido muitos anos enterrados debaixo de um pesado véu de uma ditadura castrante, que nos deixou, como povo, inseguros e pouco confiantes das nossas capacidades. Quando penso em quão diferentes as nossas vidas poderiam ser, caso o dia 25 de Abril de 74 tivesse sido um dia normal e não o que foi, assusto-me. Toda a minha vida vivi em liberdade: pude entrar e sair do meu país quando quis, sem precisar da autorização do marido; pude casar-me e dar-lhe o meu apelido, ao mesmo tempo que também escolhi ficar com o dele. Se precisar, posso pedir um passaporte, uma certidão qualquer. Posso mandar um e-mail às Finanças, ou à Segurança Social. E sei que, se algum dia for necessário, posso recorrer a um tribunal, pedir ajuda a um polícia, ou ir ao serviço de urgência do centro de saúde mais próximo.

Por isso, com crise, sem crise, com festejos ou sem eles, estamos hoje infinitamente melhor que há 37 anos atrás.

25 de Abril, sempre!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

I am that I can´t II

Aqui há dias contactaram-me do programa "Portugueses no Mundo", da Antena 1, para gravar uma conversa comigo. A gravação foi no meu ontem à noite, madrugada de quem está em Portugal, e o resultado pode ser ouvido aqui.

Não foi a primeira vez que falei na rádio (há muitos anos, talvez até noutra vida, tive uma rubrica, num programa infantil da Rádio Macau, em que recomendava leituras), mas foi um excitex total e completo.

Muito obrigada às jornalistas por esta oportunidade!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Muito actual

"Prohibido votar basura"

as forbidden as it is, the street is full of trash

A cena acima foi fotografada no Sábado passado, no centro da Cidade do Panamá.

Para além do nojo que o monte de lixo desperta em mim, a ironia do prohibido votar basura está no duplo sentido permitido pelos vários erros ortográficos em tão parca superfície. A proibição, a indiferença perante a proibição e a inacção diante do panorama catastrófico que se vive ali naquela rua são, curiosamente, uma metáfora que se pode transpor para outras situações.

Curiosamente, ou não, a mesma fotografia calça como uma luva no actual panorama político português. Por isso, no dia 5 de Junho é preciso comparecer nas urnas e é absolutamente proibido "votar em lixo", nem que isso exija um grande voto em branco.

Igualmente pertinente para quem vive cá (os moradores que ali depositam o seu lixo e também a autoridade de saneamento desta cidade) como também para todos os eleitores portugueses: acção é preciso, arregacemos as mangas e não nos deixemos vencer pela inércia.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Esqueci-me!

Ontem esqueci-me completamente de assinalar o dia em que festejei os quatro anos de vida na América Latina, três deles em Buenos Aires e quase a celebrar o primeiro aniversário de vida panamenha.

Quatro? Já?!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Má vizinhança

Fireworks seen from above

Há dias em que a má vizinhança não tem ar esquisito nem andrajoso. Há dias em que a má vizinhança é assim: exuberante, bonita até, mas totalmente inconveniente.

Esta foto de fogo de artifício (visto de cima!) foi tirada às onze da noite. Até aqui tudo bem. O problema é que houve nova saraivada de luz, cor e muito som à uma e meia da manhã. Já dá para ver o problema...

O Club Unión - ou o sócio que usou as suas instalações na noite de 25 para 26 de Março - é o responsável pela noite mais mal dormida de todos os prédios que circundam as suas instalações. A festa foi rija até às seis da manhã, com música tão alta que parecia que tínhamos a aparelhagem ligada, no quarto, aos berros.

Eu dormitava e ia acordando e a minha irritação escalava e escalava: a canção "I got a feeling" passou umas três ou quatro vezes durante a noite. Será que o DJ não tinha mais canções para ir variando? E então quando ele perguntava ao seu público em êxtase: "nos vamos a dormir?". Imediatamente gritava a resposta: "Noooooooooo!"

Nem ele, nem os convivas, nem ninguém dormiu naquela noite.

Na noite seguinte, liguei para o Club Unión quando ouvi os primeiros acordes da música de nova festa. Fiquei a saber que:

- a segurança nada pode fazer para controlar o nível de ruído produzido pelos festivaleiros de serviço. Pode recomendar ao sócio que baixe o volume da música, mas este tem poder de veto nessa decisão.

- não vale a pena chamar a polícia, já que o Club Unión dispõe de todas as autorizações camarárias para rebentar fogos de artifício (à uma da manhã, aparentemente, também).

- não vale a pena invocar regulamentos anti-ruído ou até o bom e velho sentido comum: quem manda é o sócio.

E sabem uma coisa? Para se ser sócio do Club Unión paga-se uma jóia de dezenas de milhares de dólares, mais uma quota que não está a preço de saldo e ainda se compra uma acção. Como é a prestações, desconfio que não deve ser barata.

Ficamos a saber que o dinheiro compra um diploma, arrogância e prepotência; mas não compra educação.

Em jeito de p.s., conto que as festas do fim-de-semana passado já tiveram o volume mais baixo, apesar de durarem até de madrugada. Recorri ao velho truque do tampão no ouvido, que, apesar de incómodo, me garante mais descanso e um dia seguinte mais agradável que não o usando.


Eu seja santa.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Quem ajuda?

No Domingo passado chegou o nosso cabaz do Culantro Rojo, o nosso fornecedor de produtos de agricultura biológica panamenha. Dentro do cesto, uma miríade de produtos, alguns conhecidos, outros não. Mas há muitos deles cujos nomes desconheço, de maneira que peço ajuda aos meus leitores para lhes dar os nomes em português (europeu ou não).

Ora o cabaz que nos chegou foi este:

Last Sunday´s basket

Mnham, certo?

Como se chamará esta couve?

Isto que é? Uma couve? Qual? 

E esta alface?

Esta "alface" pica, pica, pica! Pica e dá piquinhos no nariz e nos olhos. É uma delícia, mas às vezes até faz chorar.

Mnham!

E isto, que é? Cebolinho?

Também veio uma caixinha de algo que desconfio ser cebolinho, portanto, seria um produto repetido:

Mnham mnham!

Este feijões verdes...

Isto conheço, e olá se este feijão verde é delicioso! 

Que faço com um rábano?

Rábano, certo? Ou nabo? Que faço com isto, sopa? 

Abóbora

Esta abóbora é uma categoria. Agora que já recebemos a nossa parrilla argentina, nem sabem o deleite que é. Ligeiramente queimadinha fica com aquele sabor caramelizado que lhe é característico, com uma pitada de flor de sal e um fio de azeite da Capinha... Ui, já me está a crescer água na boca!

Açúcar...?

E isto? Penso que é um açúcar qualquer, mas não sei o nome. Acho que cá lhe chamam "raspadura", mas - lá está - não confirmo.

Espinafres do além

Estes espinafres são do além. Desde cozidos, à sopa, a apenas "entalados" num pouquinho de calor, são de uma delícia de comer e chorar por mais. Sabem mesmo, mesmo, mesmo a espinafres, e isso não é algo que se possa dizer de muitos que por aí se vendem. 

Não sei se me esqueci, mas ainda faltam aqui os rabanetes, o pepino e os pimentos que também chegaram. Os pimentos provavelmente acabarão na parrilla, o pepino num sumo. Mas... que faço com os rabanetes? Manteiga e sal?

Leitores que não comentam: cheguem-se à frente e contem-me tudo, desde os nomes até às receitas que recomendam para os diferentes ingredientes. 

Obrigada!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Nós e a crise

A minha amiga Fungagá disse-o muito bem: enquanto continuarmos a usar o crescimento (e o PIB, de caminho) como único sinónimo de crescimento, a coisa não vai lá.

Primeiro, porque nem só de PIB se faz a realidade. Sabiam que o PIB contabiliza todas as transacções, sejam elas por coisas positivas (como a venda de produtos transformados, por exemplo) como também negativas (despesas com acidentes de viação ou vandalismo)? De que forma é que o dinheiro gasto a limpar grafitis é positivo?

Na minha opinião, o progresso é mais que o crescimento. É mais que o somatório das transacções de um país. O progresso é bem-estar, é respeito pelo ambiente, é ar puro nas cidades e água potável nas torneiras. É um sistema de transportes públicos integrados, uma rede de cuidados de saúde pública (que, apesar das muitas queixas, existe, lembrem-se disso). O progresso é também poder trabalhar de casa, receber um salário que mereça esse nome e é também cultura, acesso a cinema, teatro e museus. É isso tudo, muito mais que um número, um déficit ou tantas outras percentagens que nos querem atirar à cara a todo o instante.

Não digo que não exista crise em Portugal. Existe. Mas é sobretudo uma crise de confiança. Nós, portugueses, choramos um bocadinho, mas também somos trabalhadores. Sejamos empreendedores, arrisquemos, lutemos. Se for preciso ampliar o mercado, ampliemo-lo: porquê limitarmo-nos a Portugal? Se for preciso emigrar, emigremos. Não vou dizer que não tenho saudades, porque tenho, mas viver fora faz muito bem. Se para mais não servir, dá para ver o país fantástico que temos, mas que tão mal amamos.

Para gostarmos um pouco mais de nós e do nosso país, vale a pena ler este texto, que já correu por e-mail e agora reli numa página de facebook. Fala de invenções, iniciativas e exemplos de êxito dos nossos, amplamente reconhecidos no estrangeiro mas pouco conhecidos dentro das nossas fronteiras.

Penso que mais auto-confiança, a nível nacional, nos vai fazer muito bem. Havemos de conseguir, com as nossas ideias, o nosso trabalho, as nossas iniciativas. Independentemente (ou devo dizer "apesar"?) das cores do futuro governo.

Queiram-me desculpar, caros leitores não-portugueses. Às vezes é preciso mudar um pouco o registo! Mas qualquer dia volto aos fait-divers da vida no Panamá.

terça-feira, 29 de março de 2011

Fresca, fresquinha: a zine de Março!

"We´re in Panama" issue 10

Quem quer ler? É só descarregar, imprimir, dobrar. Para quem não quiser imprimir e dobrar, pode descarregar e virar a cabeça.

Espero que gostem!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pecha Kucha Night!

Pecha Kucha Night Panamá vol.5
Lisboa no Panamá

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Pecha Kucha Night Panamá vol.5

Na quarta-feira passada estreei-me nas lides pechakucheiras. Para quem não sabe o que é, faço um resumo: é um evento em que várias pessoas apresentam os seus projectos, tendo apenas 20 imagens, cada uma durante 20 segundos. Isso perfaz um total de seis minutos e quarenta, de maneira que as mensagens têm de ser passadas de forma concisa.

A minha apresentação foi sobre a minha zine, um projecto que cada dia me é mais querido. Pedi a colaboração dos leitores para que me enviassem fotografias da zine nas respectivas cidades, e... o resultado foi o máximo, foi surpreendente! Cheguei à conclusão de que a zine viaja mais que eu (e tenho a sorte de viajar muito), o que é muito positivo num "filhote" de quase um ano.

O ambiente pechakucheiro é particularmente agradável porque, como me dizia o organizador, é de "zero stresse". E a verdade é que me senti muito à vontade, não estava particularmente nervosa antes de subir ao palco e, lá em cima, o comboio partiu e não houve volta a dar.

Foi uma sensação maravilhosa estar a falar para aquele pessoal todo, sentir as gargalhadas que deram com as minhas piadas e ouvir os comentários no final, a curiosidade por saber onde encontrar a zine ou "como um estrangeiro vê o meu país".

Obrigada a todos os que lêem a zine, me mandaram fotografias e me ajudaram a preparar esta apresentação. Agora, adeusinho, que tenho de ir fazer o número de Março!

Mais informação sobre a Pecha Kucha, a Pecha Kucha Panamá e muitas outras cidades onde se realiza este evento.