segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O meu aniversário

San Blás, Panamá

Eu adoro fazer anos. Adoro. Adoro celebrar o dia, o facto de estar viva, saudável, feliz. Adoro pensar que hoje sei um pouco mais que há um ano atrás e que neste meu novo ano vou aprender muitas coisas novas, que jamais imaginei poder fazer.

Sabendo tudo isto, o Príncipe todos os anos se supera nos preparativos para as celebrações. E este ano, gente minha, foi a maior loucura de sempre, um dia (três, em boa verdade) que jamais esquecerei.

Os meus pais vieram de Lisboa, numa folguinha entre aniversários, para estar connosco duas semanas. E assim partimos para um mini-cruzeiro de catamaran: nada de luxuoso, só nós e o nosso capitão-cozinheiro-pescador-anfitrião.

are there enough seats for everyone?

Voámos da Cidade do Panamá para o aeroporto de Corazón de Jesús, aeroporto esse que é, na verdade, uma pista de aterragem numa das ilhas. Em circunstâncias normais dá para aceder à reserva indígena em automóvel, mas devido a uma enxurrada a estrada está intransitável. Não se sabe se e quando estará novamente operacional, por isso os voos da Air Panama são a única forma de chegar.

Quero dizer, minto: também dá para chegar de barco desde Portobelo (perto de Colón e a uns 80km da Cidade do Panamá) e, claro, desde a costa colombiana, tudo isto em viagens marítimas charter.

San Blás, Panamá
A chamada "dureza da vida".

San Blás é um arquipélago pertencente ao lado caribenho do país. É também uma reserva indígena e está inserido numa região autónoma. É constituído por muitas ilhas - alguns dizem que 365, uma para cada dia do ano - e por recifes de coral. Há ilhas habitadas, outras desertas, outras só com habitantes diurnos (gente como nós). É um paraíso na terra, excepto em noites de chitras, umas mosquinhas minúsculas que picam, picam e picam vorazmente, deixando um rasto de dor, ardor e comichão.

(Um parêntesis para adicionar um pedaço de informação absolutamente vital para o bem-estar pós-picada: vinagre de maçã faz maravilhas na recuperação, cortando bastante a comichão e encurtando o período de ardor. Diz que também funciona em queimaduras por alforreca. Nunca experimentei, mas, em caso de desespero, não custa tentar.)

Ficámos alojados no catamaran Chi, sendo o nosso anfitrião um austríaco, Chico de alcunha. Levou-nos em segurança a todos os lados, contou-nos histórias, pescou e cozinhou para nós, até me fez uma sobremesa especial no meu aniversário. Bom interlocutor, deu-nos imenso espaço no barco, que, para além de pequeno, também é a sua casa.

Tivemos três dias de sol, água transparente, peixinhos, corais, decisões difíceis como vamos dar uma volta à ilha? para a esquerda ou para a direita? ou nadamos até àquela ilha? sim? depois da cerveja?.

birthday meal

Fizemos piqueniques na praia com peixinho fresco, acabado de pescar. Ensaiei acrobacias e equilibrismos aquáticos, às vezes com sucesso...

a fazer o pino em água rasa!

...e fizemos concursos de mergulhos:

concurso de mergulhos

Fizemos parte da cadeia alimentar como predadores:

dinner!

...mas também como presas:

chitras suck

E assim foi. Mais fotos aqui.

De volta

Chiiii, há tanta, tanta coisa para contar! Tanta foto para mostrar, tanta actividade para partilhar! Tenho de ir ali fazer uma selecção das fotografias para começar o relato das duas últimas semanas.

Para os mais impacientes, no Dicforte já há muitos "postios" sobre a visita ao Panamá.

Já volto.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ausência justificadíssima

It´s not that I´m not here...

Não é que não esteja cá - estou. Ando é ocupada a fazer bolinhos deliciosos (e outras actividades) com as pessoas fofas que estão de visita. E isso mantém-me longe da vida digital.

Na semana que vem, conversamos. Até lá!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A minha primeira exposição!

Junglewood gallery in Casco Viejo, Panama City

Getting ready

all set up

My first solo art show!

Ainda estou na ressaca da excitação que foi a minha primeira exposição. Quinta-feira passada, no âmbito do Artblock Panamá, expus alguns dos meus quadros na galeria Junglewood, ali no Casco Viejo. O programa incluía uma banda ao vivo, que tocou tangos, milongas, zambas e outras canções sul-americanas e, a páginas tantas, um par de bailarinos de tango deliciou-nos com a sua aparição em versão impromptu.

O serão foi muito animado e repleto daquelas coincidências divertidas: lá estávamos nós, com os amigos C. e L. (obrigada!), em amena cavaqueira em português, surpreende-nos uma visitante da galeria com o imprescindível "vocês são portugueses?"

Diz que estamos por todo o mundo.

E a segunda coincidência da noite foi parecida: de onde é que vocês são para aqui, somos portugueses para ali, e quem havia de dizer que a dona da galeria, ela própria, também é portuguesa. (Obrigada, Z.!)

Para fechar a noite com chave de ouro, vendi o meu primeiro quadro, que agora já estará feliz na sua nova casa, em Austin, Texas. (Thank you, J.!)

Objectivo número 3 do ano: cumprido!

Mais fotos do evento aqui.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Recibos verdes electrónicos

Hoje emiti o meu primeiro recibo verde electrónico.

(Para quem está fora do contexto, o recibo verde - que até à data era mais azulado que outra coisa - é o documento que um freelancer passa ao seu cliente quando dele recebe um pagamento. Até agora, era preciso ir às Finanças comprar uma caderneta e preencher recibo por recibo, à mão, e depois enviá-lo, normalmente por correio, ao cliente.)

Como é que posso dizer? É o máximo. Bastou-me introduzir o número de contribuinte do cliente e a importância, de um menu escolher os regimes de IVA e de Retenção na Fonte. Os cálculos foram feitos automaticamente. O meu cliente tem acesso ao dito recibo de forma imediata e evitamos idas aos correios e atrasos no envio (geralmente do lado do correio panamenho, que os CTT portugueses são muito eficazes).

Tirando o aumento da contribuição para a Segurança Social, só tenho coisas boas a dizer sobre a minha relação com a Administração Pública: cada vez mais simples e mais electrónica, já praticamente não existe nada que tenha de fazer presencialmente - facto esse importante, tendo em conta que estou um pouco, digamos, longe.

Falta-me experimentar emitir um recibo para um cliente que não seja português. Lá chegaremos! Até agora, o serviço está aprovadíssimo. Será demais dar os parabéns à Direcção Geral de Contribuições e Impostos? Acho que não: parabéns e obrigada por me facilitarem a vida. Agora queríamos mesmo é que os impostos baixassem, será que dá?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mesmo a tempo do fim-de-semana...

January issue of "We´re in Panama!" now out

...um novo número da zine. Podem econtrá-la aqui.

Nós, por cá, vamos continuar as nossas aventuras panamenhas, este fim-de-semana será na praia, em Buenaventura, com um grupo de amigos. Até segunda e bom fim-de-semana!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um outro assunto

Tenho ouvido e lido, a propósito da história sórdida que rodeia a morte do jornalista Carlos Castro, que, enfim, ele se pôs a jeito.

E fico arrepiada. O que é pôr-se a jeito? O que é que ele fez, ou foi, que fez com que se tivesse posto a jeito? Ser homossexual? Ser efeminado? Escrever na imprensa cor-de-rosa? Apaixonar-se por uma pessoa muitos anos mais nova? Nada disto é pôr-se a jeito para ser vítima de um brutal assassínio seguido de mutilação. Nada. E ninguém merece tal fim, ninguém, simpatias ou antipatias à parte.

Isto faz-me lembrar aquela opinião - que infelizmente é muito mais comum do que pensamos - de que a culpa de ter sido violada é da vítima, porque se insinuou, ou seja, pôs-se a jeito.

Dá-me vontade de mandar as pessoas que pensam assim a uma certa parte.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Domingo de praia

Playa Bonita, Panamá

Este fim-de-semana que passou foi a estreia oficial do Hostal Aqualina, que é como quem diz: recebemos as primeiras visitas cá em casa. Por isso, no Domingo encaminhámo-nos para a costa atlântica do Panamá - também conhecida como "Caraíbas", não sei se estão a ver - e fomos, de armas e bagagens, nadar na sopinha e torrar um pouco ao sol.

Uma ida à praia, aqui nestas paragens, é todo um evento logístico. Chegando lá, não há nada: nem restaurante, nem duches, nem casa de banho. Nem sequer acessos! Por isso os preparativos incluem ingredientes para o piquenique e muitos, muitos líquidos, tudo enfiado numa geleira daquelas da nossa infância. E lá vamos nós.


floating heart


Vamos de carro pela auto-estrada de Colón e saímos na direcção de Portobelo, direcção essa que seguimos depois por estradinhas nacionais enlameadas pelas recentes enxurradas. Portobelo tem uma linda fortaleza espanhola, património mundial, mas que infelizmente sofreu também um deslizamento de terra que a soterrou parcialmente.

Deixamos lá o carro e apanhamos uma lancha que nos leva até à praia. A viagem demora uns 20 minutos, talvez 30, mas é tão bonita que o tempo passa a voar.

leaves

Na praia não há muito areal - a actividade acontece mesmo é dentro de água, uma piscina de água transparente e na temperatura certa. O sol, apesar de forte, é coado pelas copas das árvores. O grande senão, no meio de tudo, é a lixeira que há na praia. Contámos uns quantos pares de sapatos, já para não falar em garrafas de plástico e até uma enorme faca! Numa praia tão linda como esta, é uma pena termos de andar a escolher onde pôr o pé (e a toalha), sob o risco de nos magoarmos a sério.

Playa Bonita, Panamá

No regresso apanhámos um bocado de trânsito, entre controles de alcoolemia e buracos no asfalto, mas chegámos lindos, cansados e bronzeados de um dia de praia caribenha.

(Mais fotos aqui.)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

É já amanhã!



...a mesa redonda subordinada o tema "O lugar do bairro", cujo cartaz foi feito por mim.

As informações estão todas aqui e as fotos acima foram tiradas pela minha irmã Guida, na universidade dela.

Apareçam!

Desapartado

apartados desapartados

E pronto. Seis meses depois de o ter pedido, finalmente tenho um apartado na estação de correios mais próxima. Esta é a versão resumida da história; vamos à longa?

Quando cheguei ao Panamá e descobri a idiossincrasia local da não existência de números de portas, nem de distribuição de correio ao domicílio, percebi que ia ter de arranjar uma forma de receber correspondência, seja o ocasional postal dos amigos, seja a comprinha feita na internet.

Como as empresas privadas são muito hábeis em aproveitar as lacunas do serviço público, há mais que uma empresa a disponibilizar moradas postais nos Estados Unidos, por exemplo, para onde a correspondência é enviada e depois transferida para o Panamá. Por uma mensalidade um pouco além do módica.

Os correios nacionais, por seu lado, oferecem o serviço (também pago) de apartados de correios. Sabendo isso, fui lá assim que cheguei. Inscreveram-me numa lista de espera porque estavam, naquele momento, a "mudar as fechaduras". E que para Agosto já devia estar o serviço concluído. Esteve em Agosto? Claro que não, nem em Setembro, nem em Outubro, nem em Novembro. Em Dezembro fui lá, mais por curiosidade que por esperança, e disseram-me que se o alugasse em Dezembro teria de pagar o ano inteiro de 2010 e, em Janeiro, pagar o ano inteiro de 2011. Assim sendo, e porque quem está seis meses à espera de um apartado também espera sete, lá fui eu assim que voltei ao Panamá. À terceira visita (em Janeiro), consegui.

Quando entrei, estavam duas pessoas à minha frente para serem atendidas. Quando saí, uns cinquenta minutos mais tarde, estavam sete pessoas atrás de mim. Tinha dois assuntos para despachar: o apartado e um envio. Esperei e esperei e, finalmente, chegou a minha vez. Entreguei os papéis do apartado preenchidos e disse que também tinha um pacote para enviar. Que não senhora, que tinha de voltar à fila, que ele só despachava um dos assuntos. Finquei o pé: voltar ao fim da fila não fazia sentido nenhum e que ele tinha de me atender.

O processo aqui é totalmente manual: por cada envio superior a 100g é preciso mostrar identificação pessoal (e bilhete de identidade local não é suficiente); o operador passa uma factura manual, onde copia tanto a minha morada (aquela aonde não chega correio) como a do destinatário (aquela aonde o correio chega um mês depois, com sorte). Dá-me cinco selos para lamber e colar no envelope e pede-mo de volta, para o carimbar. Devolve-mo e manda-me pô-lo numa fresta numa parede, que serve como marco do correio. Resumindo: um processo deveras ágil.

Caí no erro de perguntar quanto tempo demoraria a carta a chegar. A resposta? Um arrazoado mal disposto da chefe de estação. Tenho para mim que nem eles acreditam se vai chegar, quando mais quando!

Enfim, todo um processo deveras complicado, esse de cobrar um apartado e de processar um envio. Mas finalmente consegui.

Posto isto, estações de correios limpas e arranjadas, informatizadas, com sistema de senhas, algumas cadeiras, várias opções de serviços, desde envelopes pré-franquiados e entregas no dia útil seguinte? Parece-me praticamente utópico. Mas diz que existe em Portugal.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tarte de laranja

Home is homier when I bake

Já o disse noutras ocasiões e repito-o agora: esta casa é mais casa quando faço bolos. E é por essa mesmíssima razão que criei uma nova tradição: sexta-feira à tarde (ou durante o fim-de-semana) é dia de fazer um bolo.

Tenho andado a gostar muito de seguir as receitas da Julia Child; desde que vi o filme Julie & Julia - numa cena, que não me sai da memória, o marido da Julie agarra-se de mão aberta a um bolo de chocolate que ela fez - que fiquei com vontade de ler e de experimentar.

Quem me conhece sabe que não sou menina para me pôr a cozinhar carnes, nem pensar em desossar um pato!, por isso mesmo me tenho dedicado às sobremesas: não se gastam numa só refeição e adoçam a boca durante o fim-de-semana.

Esta semana experimentei fazer a tarte de laranjas. No original, era uma tarte de limão ou de lima. Mas tinha laranjas em casa - que ainda por cima não são particularmente doces - e, por isso, adaptação com ela. Fiz a massa quebrada à mão, com a preciosa ajuda da Kitchenaid, cozinhei o recheio, forno e... hmmm!

Como de costume, substituí a manteiga (por óleo vegetal) e reduzi o teor de gordura da receita, coisa que voltarei a fazer no futuro. E fiquei encantada com a massa quebrada feita à mão: não custa assim tanto e a diferença é abissal.

Queiram desculpar-me o fim súbito deste post, mas tenho de ir ali à cozinha...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Viva 2011!

Nazaré, vista do Sítio

A Nazaré, vista do Sítio

Um ano novinho em folha (bem, à data já com 14 dias) para encher de amigos, projectos, novas aprendizagens, experiências, lugares. Uma agenda nova, branquinha, para preencher com coisas boas e más, porque é disso que se fazem os dias. Aniversários, dias importantes, estreias, inaugurações e reuniões, viagens e sumos de ananás com amigos.

(Para encerrar o ano de feição, fui conhecer a Nazaré, vista do Sítio da dita, de onde tirei as fotografias acima. Sempre que penso em Portugal, penso em mar, praias a perder de vista, o sal e as ondas. Algo como as fotografias mostram, portanto.)

Bom ano!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 17

Orange spongecake with chocolate

2010 foi um ano de muitas mudanças, nomeadamente a de casa, país e cultura. Foi um ano muito difícil e trabalhoso, e - apesar das muitas viagens - praticamente sem férias.

Já tenho as malas feitas, os presentes (feitos à mão!) terminados, os trabalhos fechados, tudo despachadinho para ir, tranquilamente e sem sequer levar o tricot, de férias.

O bolo da foto já foi, claro está, mas parece-me ser uma boa fotografia para ilustrar este post em que me despeço até para o ano e desejo a todos um óptimo Natal e um 2011 muito bom.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 11





Estamos todos de acordo em relação à qualidade das fotografias: não são as coisas mailindas que já vimos à face da Terra. E quanto à decoração natalícia da cidade? Será que estamos de acordo?

Assim se faz o Natal no Panamá.

(E, em memória do jornalista Carlos Pinto Coelho, vamos todos cantar aquela melodia do final do "Acontece".)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 7


Apesar de estes floquinhos nada terem que ver com a situação que vivo neste momento - a muita precipitação, lá fora, é mesmo em estado líquido - o número de Dezembro da zine tem uns quantos lá postos. Enquanto não está pronta, aqui fica a amostra.

Hoje finalmente comecei a sentir o espírito natalício (confesso que o calor não ajuda): ouvi uma canção de Natal e a história por detrás da sua criação, olhei para os floquinhos, pensei em chocolate quente, tricot e sobrinhas para aquecer o coração e fiquei contente por saber que em breve estarei em Lisboa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 4, ou "tradições natalícias de outras partes")

No Sábado passado fomos convidados para ir rebentar a tradicional piñata navideña. Não tirei fotografias, mas aqui poderão ver o respectivo aspecto.

Assim, sem saber ler nem escrever, partimos nós para a festa da piñata, na total ignorância sobre o que esperar - e mesmo sobre o que levar.

Chegámos a um dos muitos condomínios fechados de Costa del Este - que praticamente parecia uma aldeia do Natal, já que as casas todas iguais tinham quase todas renas, trenós e senhore de vermelho insufláveis por todos os lados. Ali, sim, já se vive o Natal, como que ignorando pacificamente o calor que o Pai Natal deve estar a passar com aquele traje vermelho tão abrigado.

Quando chegámos a casa do nosso anfitrião deparámo-nos com uma imensa festa, com gente muito aperaltada, DJ e grandes colunas e, no meio, a famosa piñata.

O significado da dita é muito interessante e curioso: tem sete picos, que representam os sete pecados mortais (alguém os sabe enumerar?). Uma pessoa de olhos vendados (símbolo de fé) usa um pau - a ferramenta de Deus para combater os pecados - para rebentar a piñata. Quando isso acontece, de dentro saem os frutos da erradicação dos pecados. Neste caso, saíram pequenos brinquedos (bolas, apitos e ioiôs) e muitos doces (chocolates e pastilhas elásticas). Diria mesmo que estes frutos originam o pecado da gula!

Mas a gula-gula, que é como quem diz a "gula-guleira", veio mesmo com o jantar, que estava perfeitamente delicioso. Os anfitriões, mexicanos, convidaram-nos a todos para um convívio de tacos, com as famosas tortilhas de milho e diversos recheios para as acompanhar. O mole (febras de frango em molho de chocolate) estava de lamber as pontas dos dedos e chorar por mais e o puré de feijão era pura poesia. A guacamole estava também deliciosa - e como não gostar de uma boa guacamole, ainda por cima feita por quem a sabe mesmo fazer.

A sobremesa fez-me lembrar Portugal: uma magnífico arroz doce tal qual o da minha mãe, assim humidinho e com os grãozinhos de arroz agulha bem al dente. Delícia total.

Depois de todas estas tentações - e todos sabemos que a comida mexicana não é conhecida por ser levezinha e dietética - só mesmo um passinho de dança para fazer descer a refeição.

Os nossos anfitriões também são ávidos coleccionadores de presépios, todos expostos: o mexicano, uma árvore da vida, foi o meu favorito. E sabem que o menino Jesus, nestes presépios centro-americanos, não está agarrado à manjedoura? A explicação é simples: ele só é lá colocado na noite de Natal, deitado sobre uma caminha de algodão feita com as boas acções das crianças da casa. Não sei se ainda é assim nos presépios tradicionais portugueses, mas desconhecia este costume.

Apesar do calor que se faz sentir, sinto muito mais a presença do Natal aqui no Panamá que na Argentina. Curioso, não é?

(E, para quem celebra, feliz Hanukkah!)

Calendário do Advento, dia 2

Não sendo propriamente a imagem mais natalícia que já vimos em todas as nossas vidas, foi este o panorama do passado dia 2 de Dezembro. Agora falta esclarecer que este panorama não é excepcional: isto acontece muito frequentemente. Num país tropical, onde chove tanto, não entendo como é que aos três pingos caídos se inundam assim algumas partes da cidade.

Como diria alguém que sabe muito mais que eu: é a vida, menina, o que é que se há-de fazer?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Calendário do Advento, dia 1

Estrela

Porque já estamos em Dezembro e o Natal se aproxima, uma estrelinha - fotografada durante o passeio pelas rochas na Ilha Iguana, Pedasí - para alegrar os nossos dias.

(Dezembro, já?!)

Coisas que eu cá sei

Hoje descobri bolor debaixo da cama, nas ripas do estrado e na parte de baixo do colchão.

Veredicto? Que nojo. Nojo, nojo, nojo.

Aqui no Panamá travamos uma corrida contra a humidade. Já perdi, nesta corrida, uma camisa. Botas e sapatos de Inverno foram limpos e apanharam sol, e no Natal vão direitinhos para Portugal, sem passar pela casa da partida nem receber dois contos.

O problema é o colchão, que é um portento de peso e de conforto e que é uma pena se se estraga. De momento, apanha sol na varanda. Vejamos se resulta.

Com 95% de humidade relativa todos os dias, o panorama é este.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pedasí

Como se chamará esta praia?

Este fim-de-semana foi prolongado aqui por estas paragens e então decidimos partir à descoberta de Pedasí, em alegre companha. Fomos com alguns portugueses que estão cá, todos mais ou menos na mesma situação que nós. E assim fomos, oito adultos, quatro crianças, quatro carros, creio que mais que um leitor de DVD, uma gigante garrafa de rum e várias de coca-cola, por esses caminhos do Panamá.

Pedasí fica na costa do Pacífico, a cerca de 300km da Cidade do Panamá. A viagem demora entre quatro e cinco horas, dependendo do número de paragens necessárias para aguentar a jornada. Até Divisa, o caminho é feito em "auto-estrada" - as aspas referem-se ao mau traçado, ao péssimo pavimento, à sinalização praticamente inexistente e ao facto de a estrada passar no meio das povoações. Em Divisa, faz-se o desvio para sul e entra-se na porção de território panamenho designada por Península de Azuero. A estrada é nacional, bastante boa na maioria do seu trajecto, mas com buracos e obras noutras partes. Enfim, por alguma razão nos recomendaram muito que comprássemos um carro com tracção às quatro rodas - e foi o melhor que fizemos.

Adiante. Pedasí é uma aldeia pequenina e arranjadinha, bonita e acolhedora, cheia de alojamentos turísticos rústicos e bem integrados na paisagem. Nas praias à volta da aldeia encontram-se os aldeamentos turísticos: uns em construção; outros já construídos. Todos os que vi - mas todos mesmo - muito bonitos e arranjados, com uma arquitectura bem integrada na paisagem. No nosso caso, ficámos muito bem instalados nos Azuero Ocean Lofts. A dois passinhos de uma praia deserta bem batida de ondas, com uma piscina, pequena mas agradável, e uma integração na paisagem muito cuidada, este lugar é muito recomendável. Fica a uns 10km da aldeia (e, por conseguinte, dos restaurantes), mas é muito tranquilo.

Playa Arenal, Pedasí, Panamá

As praias são quase exclusivamente de areia escura, exceptuando as da maravilhosa Ilha Iguana, reserva natural acessível por lancha. Aqui existe um banco de coral que aparentemente é muito raro nas costas do Pacífico e, por essa razão, a areia é um pó branquinho e delicioso, aqui e ali salpicada por pedaços grandes de coral que fazem uma "exfoliação" talvez um pouco brusca. Chamemos-lhe exfoliação, portanto, e ninguém precisa de saber os palavrões que me passaram pela cabeça quando os pisei, inadvertidamente.


going to Isla Iguana, near Pedasí, Panamá

Por ser Domingo, a ilha tinha muita freguesia - e ter freguesia, aqui, significa música aos berros e toda, mas toda a gente de cerveja ou outra bebida na mão. Jogar às raquetes? Isso é coisa de portugueses frouxinhos...!

É uma ilha bonita, sim, senhores leitores, mas é também vítima de um mal muito local, que é o lixo por todo o lado. Lixo no meio do bosque, lixo a flutuar na água. É um horror, mas parece-me que é um fenómeno panamenho: não há abundância de caixotes de lixo nem prevalece a cultura de cuidar o património, começando por não sujar.

The best meal of the weekend: fish with patacón

Mudando radicalmente de tema para coisas bem mais interessantes, vamos ao que interessa: a comida. O peixe é fresco, fresquinho, e até na choça à beira da praia se serve um prato bem servido de filetes de peixe com patacón. Foi, muito provavelmente, a melhor refeição do fim-de-semana.

Em Pedasí urbano temos o Isla Iguana (bom peixe, sim, senhores, umas amêijoas com alho e gengibre bem deliciosas) e o Pasta e Vino (pasta despretensiosa e bem confeccionada, a preços justos).

Um bom fim-de-semana, óptimo para sair da cidade e descansar. Até parece que estive de férias!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O número de Novembro já anda no ar!

"We´re in Panama!" issue #6, November 2010

Ora para quem não se apercebeu, ali para as bandas do meu outro blog já foi lançado o número de Novembro da zine. Desta vez com pedido especial! Explico: vou fazer uma apresentação sobre a zine aqui no Panamá e gostaria de ter fotografias da zine tiradas pelos leitores: quer sejam "zine parties" ou leituras mais tranquilas, mandem-me as vossas fotografias da zine pelo mundo. As melhores serão publicadas aqui e incluídas na apresentação.

Obrigada!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Entre o Panamá e Buenos Aires

Floralis Generica, Buenos Aires

Seis meses depois da partida, voltei a Buenos Aires para cinco dias de jacarandás em flor, muitos passeios a pé e muitos, muitos mimos das amizades que fiz nos meus anos por lá. Não visitei nenhum museu (e olá se tenho um déficit de cultura) nem conheci lugares novos, mas revi os meus preferidos (como a flor, acima) e, sobretudo, sentei-me à sombra lilás que agora inunda a cidade. Novembro é o meu mês preferido em Buenos Aires, e tive a sorte de lá poder ir.

Passei pela minha antiga rua e falei com a minha querida porteira - e amiga; visitei o ginásio e falei com as companheiras de sofrimento na aula de pilates. Revi tricotadeiras e partilhei chazinho e bolo; visitei a minha antiga aula de pintura, cheguei no intervalo e daí passámos ao chá, do primeiro chá ao segundo, e do segundo ao jantar.

Visiting my former painting class

Notei a louca inflação, que duplicou preços entre Maio e Novembro; vi as mudanças na demografia da noite, alguns restaurantes fechados e muito menos gente nos restaurantes da moda. Jantar fora está muito caro.

Iglesia del Pilar, Buenos Aires

Adorei não ter calor de noite nem sentir humidade no ar. E sobretudo - ou apesar de tudo - adorei a sensação de voltar a casa, uma casa que já foi minha, já não é minha, mas sempre estará no meu coração.

Nos vemos!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Depois das estrelas no céu...

Estrelas do mar em Bocas del Toro, Panamá

Estrelas do mar em Bocas del Toro, Panamá

Estrelas do mar em Bocas del Toro, Panamá

...umas estrelas no mar, só porque sim.

Estas estrelinhas vivem alegremente na praia apropriadamente denominada de "praia das estrelas do mar", na Isla Colón, no arquipélago de Bocas del Toro, aqui mesmo no Panamá.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mais uma estrela no céu

Pensava eu que ia passar uns ociosos 5 dias em que podia escolher alegremente as actividades que me aprouvessem: ora costura, ora tricot, ora pintura... enfim, o que me apetecesse, quando me apetecesse.

Mas não. Surgiu um trabalho, adiantaram-me uma entrega, e como tal estive alegremente no expediente como se de dias normais se tratassem. Não me queixo, mas digamos que não era bem o que eu tinha organizado.

A pior notícia foi, infelizmente, a da morte do pequeno Afonso, filho de ex-colegas da escola, de uma leucemia que o atacou forte e feio. Fiquei muito triste - não sendo mãe, senti-me também um pouco mãe ao chorar a partida desta criança. Lembrei-me de todos os amigos que partiram antes do tempo e que tanta saudade deixaram. E lembrei-me também dos sobreviventes, que felizmente vão sendo muitos, e que cuja presença alegra os nossos dias.

O Afonso morreu mas o seu legado - graças à sua boa-disposição e aos esforços férreos da sua mãe e demais família - é o de o nosso país ser agora o quarto, a nível mundial!, em número de dadores de medula. Gente, somos só dez milhões, mas somos o quarto país! Graças ao Afonso e família, e graças também a todos os outros que se dão ao trabalho de organizar, dinamizar, difundir acções de recolha e à disponibilidade das equipas móveis. Todos, todos perdemos um lutador, mas todos, todos nos solidarizamos com esta causa. Isto é o melhor que tem o ser humano - e nós, nem sempre, mas muitas vezes, somos assim.

Afonso, serás recordado. Graça, um grande, grande abraço.

(Aqui, a notícia no telejornal.)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quando um bom insulto vem mesmo a jeito

Quase todos os feriados panamenhos se concentram precisamente esta semana. Tudo, tudo fecha para celebrar as festas da nacionalidade, das independências primeiro da Espanha e depois da Colômbia.

Sabendo isso, no fim-de-semana passado fui comprar uns tecidos que tinha debaixo de mira para poder realizar uns determinados lavores femininos. Umas fronhas para as almofadas do sofá, uns guardanapos bem giros, enfim, coisas bastante adequadas às minhas capacidades costureiras inciantes.

De maneira que assim fomos os dois, alegremente, até uma loja num bairro do centro que tem estes tecidos com motivos tradicionais dos índios Kuna - não que a loja seja de índios Kuna, essa é outra história.

A compra processa-se assim: somos perseguidos por uma das assistentes enquanto escolhemos - se temos sorte, a perseguição é simpática. Escolhemos, ela corta, escreve o valor num papelinho, e deixa mercadoria e respectivo papelinho num balcão onde uma outra pessoa chama o freguês por "de quem são estes cortes de tecido?". Pagamos, a pessoa ensaca a mercadoria e siga para bingo.

Ora parece que cá há uma certa tendência para enfiar tudo em sacos de plástico, mas daqueles que nem sequer têm asas nem nada, fechá-los, e agrafar-lhes o talão de caixa. Porquê? Porque la mercancía tiene que salir de la tienda así. Eu agradeci mas disse que não queria o saco de plástico, que tinha um saco perfeitamente aceitável comigo. Além disso, tendo o talão comigo já provava que tinha pago os tecidos, certo?

Que no, que no, que no. Seguiu-se uma tentativa minha de lhe explicar que não queria o saco porque não era ecológico nem fazia sentido, ao que ele respondeu a mítica frase:

Yo no soy ecologista. E soltou uma risada.

Embalou tudo, agrafou, e deu-me o pacote. Eu estava incrédula, só conseguia repetir que não era ecologista, que era palerma. O Príncipe segurava-me a mão e puxava-me gentilmente para fora da loja.

Como o próprio Príncipe disse nesse momento, não há como o espanhol rioplatense (leia-se: "argentino") para insultar alguém. E se os anos em Buenos Aires me deixaram alguma coisa - para além do sotaque portenho -, foi esse tipo de vocabulário.

Ah, alívio.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Da primeira vez que me perguntaram:

Como amaneció?

Olhei pela janela, vi as nuvens cinzentas, a chuva que caía, e respondi, encolhendo os ombros, que estava a chover.

Só depois entendi que essa é a forma dos colombianos se cumprimentarem e de perguntarem como estamos e se dormimos bem.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Medellín, considerações gerais

Downtown Medellín

Fomos a Medellín e vim de lá encantada, apaixonada, enamorada, praticamente cidadã honorária. Depois da nossa primeira viagem à Colômbia, em 2007, já esperava uma magnífica surpresa da parte da cidade com a pior - e mais desactualizada - fama de todo o mundo. E assim foi.

Botero sculptures in Plaza Berrío, Medellín

Esqueçam os dias negros do narcotráfico, do perigo atrás de cada esquina, da ameaça de Pablo Escobar e toda a sua entourage. A Medellín - "Mededjin" no dizer local - de hoje é uma cidade do século XXI, o exemplo claro de que as coisas podem mudar para melhor, havendo vontade e compromisso dos cidadãos.

Passemos aos dados práticos: situada a 1540m de altitude, num vale da Cordilheira Andina, a cidade goza da fama de ter a eterna Primavera, porque a temperatura nunca sobe muito nem desce demasiado. Tem um clima tão agradável que, quando começa a ficar calor, vem logo uma chuvada refrescar o ambiente.

A cidade é servida por dois aeroportos, sendo que o novo, internacional, dista uns 40 minutos em estrada de montanha do centro. O custo de vida é mais alto que no Panamá - o hambúrguer que aqui custa 7 ou 8 dólares lá custa quase o dobro. Não obstante, tem um sistema de transporte público metropolitano, o Metro de Medellín, que assume a forma de comboio de superfície na maioria da sua rede. No centro, circula sobre viadutos; e nas encostas para as montanhas envolventes, transforma-se em teleférico. Estas estações estão localizadas em bairros maioritariamente informais, e por isso não só são marcos arquitectónicos como também sociais, já que permitem um acesso fácil ao centro da cidade.

Metrocable, Medellín

De entre os museus da cidade, visitámos o de Antioquia, na Plaza Berrío (a antiga Plaza Mayor), e o de Arte Moderna. Ambos são muito bons, mas o meu coração derreteu-se completamente no primeiro, que, no seu estilo Art Déco, aproveita as imensas vantagens do perpétuo clima primaveril da cidade. E mais: tem entrada livre!

O mais emocionante da cidade é, na minha opinião, o amor que os seus habitantes nutrem por ela: não há um papel no chão, os equipamentos públicos são usados e muito estimados e as pessoas são amáveis e corteses.

Museo de Antioquia, Medellín

Quero a minha faixa de cidadã honorária de Medellín!

(Mais fotos aqui.)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Bem-vindos à Europa!

Avenida 24 de Julho. Ambas as fotografias são de Christophe Sauvage.

Este pode parecer um título estranho para um post aqui no "Entre...", mas tem uma razão de ser. Os lisboetas que lêem este blogue talvez já tenham reparado que de há uns dias para cá há uns mupis muito curiosos por essas ruas fora. Trata-se de um projecto artístico de nome "Bem-vindo à Europa" (ora cá está) e que se tem desdobrado por várias iniciativas.

Calçada dos Mestres

Uma delas, a que me faz aqui escrever, é uma fabulosa oferta de emprego. Tanto a descrição do perfil do candidato como a das funções dariam grandes gargalhadas, não fossem elas tão ironicamente certeiras.

Na minha opinião, este projecto é um dos mais interessantes, mais ricos e mais bem sustentados em termos conceptuais que vi nos últimos tempos. Os textos são observações que põem o dedo na ferida de uma forma irónica, sempre na fina fronteira entre comédia e tragédia. Texto e imagem dialogam de uma forma subtil para reforçar a mensagem que o artista nos quer passar - e deixam-nos sempre a pensar.

Christophe-Paul Sauvage, o artista em questão, conta tudo no site dele, "Ajudem o Artista", e promete mais novidades para breve. Agradece a ajuda de todos, mas nós também: é sempre bom depararmo-nos com uma mensagem que nos faz pensar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Inaugurámos a casa e estreámos a varanda


E foi assim que no Domingo passado estreámos a nossa casa panamenha. Ainda sem conseguir aceitar o lixo que voa do prédio ao lado e que às vezes me aterra na varanda, nem me ter adaptado à falta de passeios para caminhar e de semáforos para atravessar a estrada.

Agora já cá estamos mesmo, de armas e bagagens e de roupa de Inverno guardada em caixas, cheios de saquetas absorventes de humidade.

Estamos no Panamá, circulamos numa carrinha quatro por quatro com vidros fumados e com o ar condicionado a bombar. Parecendo que não, a estrada inunda-se à mínima pancada de água - e olá se chove -, o sol é inclemente quando espreita - e de vez em quando espreita com força - e ao nível da rua está um calor que não se pode. Será a falta de sombra - e de árvores -, será o calor a ser reflectido pelo macadame das estradas? Não sei, tudo isso e mais qualquer coisa.

No meio de todo este universo que me rodeia e com o qual (ainda?) não me identifico, encontramos alguns oásis de muita alegria, como o sumo de ananás natural, o chocolate de agricultura biológica, conhecer pessoas muito diferentes de nós - e tão parecidas connosco! - e fazer novos amigos de muitos países diferentes.

Diz que é isto, a emigração.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ele há dias...

Sleepy aunt and a Princess
...em que temos modelos mesmo muito bons para desenhar. Uns porque dormem, outros porque estão de olhos vidrados na televisão (ou no ecrã do computador da tia, como é o caso), fazem com que desenhá-los (ou "copiá-los", na terminologia de certa pessoinha pequena-grande aqui representada) seja um autêntico prazer.

Lembro-me de um pedido - que terei de acrescentar à minha lista de afazeres para o período natalício: Bilocas, fazes outra cópia no teu caderninho para não te esqueceres de mim?

(Como é que eu me vou esquecer de ti?)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Natal é quando um Príncipe quiser

O Pai Natal trouxe-me um brinquedo novo e eu ando encantada.

When Christmas comes early...
(o meu blogue fica ou não fica lindo aqui no iPad?)

Tenho ouvido assiduamente os podcasts do Praia das Maçãs, mas aceito qualquer sugestão que me queiram fazer quanto a aplicações - das chiras, claro - para pôr aqui no meu brinquedo. Obrigada!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Zinices

Um dos aspectos mais divertidos de escrever, ilustrar e publicar periodicamente uma zine é ouvir as reacções das pessoas. Primeiro, porque os leitores levam cada número muito mais longe do que eu podia imaginar (literal e metaforicamente); depois porque me contam a forma como exploraram a leitura - e no fim quem fica a ganhar, claramente, sou eu.

Uma leitora e comentadora deste blogue mandou-me um mail onde me conta as suas "zine parties" com a sobrinhada. Com a respectiva autorização, transcrevo aqui parte do e-mail que me enviou a relatar as actividades desenvolvidas a partir da leitura da edição de Setembro:

"[...]Cada um tinha uma cartolina A3 colorida, dobrada ao meio e na capa colaram o mapa. Abrindo a cartolina vão recortar e arrumar os objectos nas partes da casa que escolherem. E podemos desenhar as salas?... perguntas que revelam interesse. Disse que dava prémios ao trabalho."

Giro, não é? O Príncipe até me sugeriu que fizesse uma adenda com uma planta, ideia dada por estes meninos muito criativos.

O e-mail termina com:

"Espero que a autora do projecto Zine não me peça "royalties" por alterar o original."

Pois que não peço, não! É com muita alegria que fico a saber que a zine é lida, "actividada" e vivida, e eu é que agradeço por me escreverem a contar estas histórias deliciosas. Bem haja!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Finalmente, casa

Home.

Os nossos móveis chegaram. Após quatro meses e meio, ou devo dizer, após longuíssimos quatro meses e meio, temos uma casa que começa a parecer um lar. Não dá para descrever a alegria de dormir na minha cama, sobre o meu colchão, com a cabeça na minha almofada - já nem me lembrava que era assim tão suave.

A abertura dos caixotes assemelhou-se muito à noite de Natal, com toda a expectativa e a surpresa de abrir um pacote que tem - ou não - algo que suspeitávamos que lá poderia estar. Encontrei cartolinas, tintas, pincéis, tesouras, telas. Encontrei a minha máquina de costura, da qual tantas saudades tinha, e o meu cavalete, que ainda não tive oportunidade de estrear.

Desde Março que não pinto (perguntem à alfândega argentina porquê, que eu já não tenho paciência) e desde Maio que não faço a maioria das coisas que fazia no meu estúdio em Buenos Aires.

É bom ter as nossas coisas de novo perto de nós.

Agora sim, parece que vivo cá no Panamá.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Novo número da zine

September issue now out!

Umas semanas depois do último post, faço aqui uma curta passagem para contar que o número quatro da zine, gratuito como sempre, está no ar. É só clicar aqui e seguir as instruções.

E agora vou, porque não tarda chegam os homens das mudanças com os nossos móveis. Sim, esses mesmos, aqueles que não vejo há quatro meses e meio! Vai ser um Natal em Setembro!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entardecer

Sunset over Panama City, Panama
O entardecer, nestas terras, tem este aspecto, visto da varanda que mira a poente. Da varanda que mira a nascente, óbvio, vê-se o nascer do sol. Quem sabe um dia acordo antes das galinhas e fotografo o espectáculo?