quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sem pilha

Já aqui contei que nesta casa temos um bolinho todos os fins-de-semana. Antes, era para sentir que esta casa era a minha casa; entretanto, o hábito instalou-se e já não dispenso um bolinho (ou biscoitos, como se pode ver abaixo) para o lanche.

Areias do Pacífico

Estas Areias do Pacífico (em vez das de Cascais, ou, no caso presente, de Esposende, já que usei a receita e os sábios conselhos da Alexandra) foram feitas no fim-de-semana passado e entre dois pares de ávidas mãos já praticamente desapareceram. Isto, apesar da quantidade de manteiga que a receita pede, totalmente proibitiva para o meu fígado desabituado dessas andanças. Assim se vê a delícia.

Talvez tenham levado um nico a mais de forno; para a próxima, tiro-as mais cedo. E tenho também de estudar uma substituição para a manteiga, tal como faço em todas as outras receitas (olá óleo de girassol).

Bolo de maracujá

Outra presença habitual cá em casa é o bolo de maracujá. Ontem tivemos visitas para jantar e num instante o preparei, com maracujá natural, claro.

Uma das vantagens de estarmos cá perdidos a oeste do sol posto é a fartura de fruta deliciosa como o ananás e o maracujá, básicos que nunca faltam cá em casa. Guardados no frigorífico, aguentam um par de semanas. E nós apreciamos.

Adaptei uma receita de um bolo de laranja e substituí um sumo pelo outro. Há dias em que também lhe acrescento uns toques de perlimpimpim (que é como quem diz: alecrim) para ficar mais perfumado.

Bolo de aniversário temático

E este é o famoso bolo de chocolate, feito com o igualmente famoso chocolate artesanal panamenho que tanto aprecio (lá está, junto com o ananás e o maracujá, é outra das vantagens de estar aqui).

O bolo aqui retratado foi feito para o aniversário de uma amiga, um pouco preocupada com o facto de estar a entrar num novo intervalo etário em inquéritos e censos. A ideia malandreca foi do Príncipe, a execução levou x-acto, açúcar em pó e uma peneira. A aniversariante gostou. E nós regalámo-nos com o outro bolo, o que ficou em casa.

Ainda bem que a balança está sem pilha.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Caderninho de viagem

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Porque no ano passado me diverti tanto a completar o caderninho para o Sketchbook Project, este ano decidi também participar. O caderno já chegou. O tema é "Travel with me" e já fomos juntos a uma cidade. Quem adivinha qual é?

Ligações para quem quer mais: as minhas fotos do caderno do ano passado; informação sobre o Sketchbook Project 2012 (participem!).

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Um ano!

"We´re in Panama!", issue 13

A nova zine, edição aniversário, está no ar! Vejam-na aqui.

A zine, que já é uma senhora, também já tem página do facebook. É ir e fazer "like".

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Numa manhã de sol

Templo Bahá´i no Panamá

Há uns fins-de-semana atrás, aproveitámos uma manhã de sol para ir até ao templo Bahá´i, cuja cúpula vemos daqui da varanda de casa. A viagem até lá não é evidente, até porque aqui por estas bandas não abundam nem placas toponímicas nem de sinalização. De facto, E esta? Que rua é? é das expressões mais repetidas por mim quando ando de carro. Mas com umas quantas paragens para pedir indicações, lá encontrámos o acesso que vai da estrada principal até ao topo da colina, que é como quem diz, até um mundo paralelo.

Uma acácia rubra em flor no templo Bahá´i

Lá em cima, reinam a calma e o silêncio. Tudo limpo, os canteiros estão cheios de plantas e flores e abundam as árvores e sombra. Um centro de recursos, recepção e biblioteca acolhem os visitantes, crentes ou não, já que todos - como eles repetem - são bem-vindos. Uma ladeira une o centro de acolhimento ao templo, assente no topo da colina, qual nave espacial, com uma cúpula de mosaico branco que reflecte a luz do sol. À entrada, uma senhora deu-nos as boas-vindas, facultou documentação sobre a fé Bahá´i e respondeu às nossas perguntas.

No templo Bahá´i

A sensação da entrada no templo é a da passagem para um universo paralelo onde não existe desarmonia, nem dor. O ambiente é de paz; não está calor nem frio, não há ar condicionado nem ventoinhas, há apenas ventilação cruzada e o canto dos pássaros que ali nidificam. Os bancos são de madeira maciça, lindos, e não existe um altar. Quando entramos numa igreja (ou templo budista, porque não?), está claramente marcada a direcção do olhar para um altar. Neste templo, a planta em forma de estrela de nove pontas e a ausência de altar dão-nos muitas direcções para onde olhar, que resulta numa sensação de unidade e harmonia.

Segundo a documentação que nos facultaram no local, o templo foi desenhado pelo arquitecto Peter Tillotson, cujo projecto venceu 43 outras propostas. A construção teve início em 1969 e durou dois anos e meio e foi custeada na sua totalidade pela comunidade Bahá´i mundial.

A cidade vista do templo Bahá´i

Saindo da paz do templo, as vistas para a cidade são magníficas. Vemos montanhas cobertas pela luxuriante vegetação tropical e, ao fundo, a cidade moderna a erguer-se em arranha-céus que desafiam toda a lógica.

Fauna no templo Bahá´i

É um lugar que vale muito a pena visitar, preferentemente num dia de sol. Para saber como chegar, o melhor é consultar o google maps.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O antigo e o moderno

Old and new
Vista das Cidades do Panamá, numa tarde como a de hoje. Em primeiro plano, o Casco Viejo, ou centro histórico; ao fundo, os arranha-céus da cidade moderna.

Bom fim-de-semana.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Passos para um início de semana infeliz

Estamos sem água há 48 horas.

Sexta-feira à noite recebemos um pequenino recado da administração do edifício a avisar que vamos ter um corte no abastecimento de água no Sábado, entre as 9 da manhã e as 9 da noite. Adorámos saber com toda essa antecipação e pusemo-nos a encher baldes e panelas com água.

Sábado tivemos água durante todo o dia, já que o edifício dispõe de reservatório próprio para estas ocasiões. À noite, ao chegar a casa e cheios de vontade de um duchinho antes de ir dormir, nada: torneira sequinha, sequinha, como se este não fosse um país tropical onde chove a cântaros praticamente todos os dias da estação húmida (a tal que dura nove meses e na qual nos encontramos).

Domingo de manhã aquecemos a água das panelas e tomamos um belo duche vintage, isto é, de alguidar. O prognóstico é que daí a duas horas o abastecimento se regularizaria.

Domingo à noite, nada de água. Torneira seca, sequinha, aliás tal como esta manhã, segunda. Continuo a aproveitar a água do desumidificador para lavar as mãos e tivemos, por breves minutos, um pouco de água potável pela torneira: enchi uma panela e fiz um chá para beber durante o dia.

O IDAAN, organismo responsável, diz que a válvula que estiveram a reparar avariou no momento em que voltaram a ligar a água no Sábado à noite. A administração do nosso edifício, responsável pelo nível de água no reservatório, diz que ontem comprou dez mil galões de água. Desses dez mil galões, eu enchi a tal panela. Já fizeram circular um memorando pelo edifício em que, basicamente, se isentam de qualquer responsabilidade, atirando em todas as direcções: no IDAAN, que não há forma de dar uma previsão nem de terminar de arranjar a mencionada válvula; nos moradores do prédio, que usaram a água de forma pouco racional. Só se esquecem deles próprios, que não conseguiram manter o volume de água no reservatório num nível aceitável.

No meio disto tudo, os andares mais altos são os últimos a receber o precioso líquido, e por isso aqui continua tudo muito sequinho. Até quando, não sei. Um dos principais traços culturais dos panamenhos é a sua total incapacidade de dizer "não", por isso desde ontem que ouvimos que a situação se vai resolver "dentro de duas horas", que "já comprámos mais água", "o camião-cisterna vem a caminho" e "a água já está a ser bombeada". As duas horas já lá vão há mais de 24, e nós aqui continuamos.

A pergunta lógica é: então e não há ninguém que nos possa albergar para um duche? Há sim senhora, temos a sorte de ter vários vizinhos aqui na zona que não ficaram sem água. Porquê? Porque por alguma razão o volume de água nos reservatórios dos respectivos prédios se mantém alto. E porque é que ainda lá não fomos? Porque continuo a acreditar que o Pai Natal chegará em forma líquida, pela torneira.

Hoje é daqueles dias em que troco a casa grande e a vista de mar por uma apartamento acanhado num país civilizado. Já sei que retrospectivamente vou achar imensa graça a estes episódios. Mas hoje, seguramente, não.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Passos para um fim-de-semana feliz

Primeiro passo:
chocolate cake, step 1
Alcançar um dos chocolates de agricultura biológica que stockámos, comprados na loja virtual do Culantro Rojo.

Segundo passo:
chocolate cake, step 2
Desembrulhá-lo e babar com o cheiro.

Este chocolate culinário é tão magro que é difícil de derreter em meio não gorduroso, como café ou rum. Venha o óleo de girassol.

Terceiro passo:
chocolate cake, step 3
Lanchinho na varanda.

Fotografar o quarto passo requer uma câmara endoscópica, de que não dispomos.

As eleições para quem está deste lado

Já vivo na América Latina há mais de quatro anos, dos quais três em Buenos Aires e um aqui no Panamá. Em Buenos Aires, assim que obtive o visto de residência fui logo recensear-me para votar. Vieram as Legislativas de 2009, e eu feliz e contente porque finalmente ia poder cumprir o meu dever cívico.

Cerca de uma semana antes da data das eleições em Portugal, comecei a ver os comentários dos meus amigos emigrantes no facebook. Anunciavam que o boletim de voto já lhes tinha chegado, que já tinham votado. E eu? Nada. Ligo para a Embaixada competente e a resposta é que eles nada têm que ver com o tema, que os boletins tinham chegado havia já duas semanas, que se não tinha recebido não havia nada que eles pudessem fazer.

Resultado: não votei. Não sei de quem foi a responsabilidade, ou o que terá falhado. Assumo que pode ter sido de quem coordena as eleições para os cidadãos no estrangeiro; mas também pode ter sido um problema dos correios argentinos, que podem não ter feito a entrega dos ditos boletins.

Um ano e meio depois, já no Panamá, chegam as presidenciais.

O Panamá acumula vários entraves à participação dos cidadãos portugueses nos actos eleitorais: primeiro, não dispõe de embaixada portuguesa, nem sequer de consulado. Temos apenas um consulado honorário, que tem competência para muito pouca coisa e que dinamiza muito, muito pouco a difusão da cultura portuguesa no país. (Como esclarecimento, a embaixada mais próxima é em Bogotá, ou seja, noutro país, a uma viagem de avião de distância.) Mais: em Abril, enviaram-nos por mail um convite para um jantar com deputados portugueses de visita ao país. Sabem quem era o remetente? "Consulado de Potugal". Assim, sem mais nem para quê, sem sequer se darem ao trabalho de rever e reler o que tinham escrito.

Voltando aos entraves à participação, o segundo prende-se com um conceito que parece totalmente alienígena a quem nunca viveu na América Central, onde aparentemente é prática comum: cá não há distribuição domiciliária de correio. Não há números nas portas, não há carteiros. Por isso tive de ir alugar um apartado na estação de correios mais próxima, estação essa que é uma tristeza completa. Mas ter um apartado é uma opção, não uma obrigação, o que faz com que muita gente não tenha morada onde receber correspondência.

Resumindo: entre não haver um consulado com competência para facultar uma câmara de voto aos cidadãos aqui recenseados e a impossibilidade da distribuição por correio dos boletins, eis mais um acto eleitoral em que não vou participar (e longe vai a minha possibilidade de me candidatar a presidente da república).

A minha pergunta é: num país que ocupa um dos lugares dianteiros em governo electrónico, para quando o voto electrónico? Não pode ser mais complexo que tudo o que já fizeram: relembro que todas as minhas interacções com as Finanças, com a Segurança Social e com o meu Banco são feitas electrónica e remotamente. Por isso, que falta para haver o voto electrónico? Porque é que ainda não há voto electrónico em Portugal? Seria a solução para estes obstáculos constituídos pelas especificidades locais de cada país.

Posto isto, no Domingo, por favor, vão votar. Em branco, nulo, num partido ou noutro: vão votar. E, como vi num dos filmes do youtube, na segunda vamos trabalhar.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Olha, olha quem é ela!

"We´re in Panama!", issue 12, is out!

Chegou a zine deste mês! Desta feita, é sobre a viagem que fizemos a Nova Iorque (amplamente documentada aqui no "Entre...").

Como sempre, é gratuita e pode ser descarregada aqui. Não se esqueçam de me mandar fotografias a lê-la, que eu adoro!

No próximo número celebramos o primeiro aniversário no Panamá e também o primeiro aniversário da zine. Quem diria que já andamos nisto há um ano?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um ano no Panamá

Ontem, Domingo, 22 de Maio, celebrámos o primeiro aniversário da nossa vinda para o Panamá. Como o primeiro ano numa cidade nova é sempre o mais difícil, é com muita alegria que celebramos esta data e o facto de a pior parte da adaptação já ter ficado para trás.

Para celebrar, deixo aqui uma selecção de imagens do ano que passou.

Maio de 2010, ainda na Argentina
Ainda na Argentina, com caixotes até ao tecto e burocracia aduaneira pelos cabelos. Cada folha pintada que tinha em casa foi fotografada, catalogada, enviada para a alfândega, processada e só depois embalada.

Maio de 2010, já no Panamá
Na Argentina estava a ficar frio; no Panamá, não. Esta é a vista do nosso apartamento temporário, num raro momento em que o sol brilhou.

Junho de 2010
Em plena loucura mundialística, a nossa bandeira aparecia aqui e ali.

Julho de 2010
Se há coisa com que estou particularmente feliz no Panamá é com a comida. É deliciosa, fresca e variada.

Agosto de 2010
Em Agosto mudámo-nos para a nova casa, ainda sem móveis. Cá do cimo do 49.º andar, as trovoadas acontecem não acima, mas ao lado.

Setembro de 2010
Dia 30 de Setembro chegaram, finalmente, os nossos caixotes.

Outubro de 2010
No dia 10 de Outubro inaugurámos oficialmente a nossa casa, com um brunch na varanda.

Novembro de 2010
Em Novembro, viajámos a Pedasí com um grupo de amigos portugueses.

Dezembro de 2010
O Natal é festa maior no Panamá. À falta do frio do imaginário da época, constroem-se grandes bonecos de gosto duvidoso na zona da Cinta Costera.

Janeiro de 2011
Em Janeiro, houve quem celebrasse o "Verão" (a estação seca, maravilhosa) com uns passinhos hesitantes na pista de gelo montada no centro comercial. De novo: à falta de frio, inventa-se!

Fevereiro de 2011
Em Fevereiro, celebrei o meu aniversário em excelente companhia. No meu dia de anos fizemos um piquenique em San Blás.

Março de 2011
Em Março, participei no vol. 5 da Pecha Kucha Night Panamá. Falei, durante seis minutos e tal, sobre a zine.

Abril de 2010
Em Abril, bordei a zine com muito afã. O resultado está aqui.

Maio de 2011
E aqui estamos de novo em Maio, um ano depois da chegada, em plena estação das chuvas.

Venha o segundo ano!

domingo, 22 de maio de 2011

Curiosidades da vida (e não só)

Ontem fomos a uma loja de artigos em segunda mão.

A minha Mãe sempre teve muita aversão a este tipo de lojas porque dizia que a roupa era de pessoas que tinham morrido (o que nem sempre corresponde à verdade, mas adiante). Desta vez, não sei se lhe hei-de dar razão ou não, porque à venda estava um caixão.

Já imaginaram comprar um caixão em segunda mão? Que é como quem diz: usado?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os inimigos da felicidade

Agora que temos uma linda apple TV e que terminou a nossa dependência do (fraco) discernimento das autoridades panamenhas no que a cinema diz respeito, temos visto filmes - alguns de ficção, outros não - muito interessantes.

Um deles, num zapping acidental, foi "Enemies of Happiness", de Eva Mulvad, disponível gratuitamente aqui.

O documentário acompanha uma mulher, Malalai Joya, candidata à primeira Assembleia Nacional eleita democraticamente no Afeganistão, durante os dias anteriores ao acto eleitoral. Nas cenas que se desenrolam vemos não só a acção de campanha da candidata, como também a vemos a interagir directamente com os aldeãos, que recorrem a ela para mediar e resolver conflitos e outros problemas do quotidiano local.

Por ser mulher e por denunciar publicamente as actividades corruptas dos "warlords" locais, Malalai Joya tem de tomar inúmeras precauções de segurança: para sair, esconde-se debaixo de uma burqa, indumentária contra a qual se pronuncia.

O documentário espanta-nos, a nós, ocidentais e residentes em países onde, apesar de tudo, há liberdade, não só pela campanha eleitoral que faz, mas sobretudo pelos problemas que têm as pessoas que recorrem à sua ajuda.

Um dos casos é o de uma menina que é cobiçada para ser uma das mulheres de um homem muito mais velho que ela. Segue-se um diz que disse, que prometeu, que isto e que aquilo, mas o que entendemos mesmo é que a menina, para aquele noivo que tanto a cobiça, não é mais que mercadoria. E que se ela se suicidasse, em consequência de ser forçada a casar com ele, que ele daria dinheiro aos pais.

Malalai Joya vai navegando os conflitos como consegue, buscando um consenso, tentando recorrer às ferramentas de que dispõe: acompanha os pais à polícia, ajuda-os a fazer um pedido por escrito, fala com ambas as partes... o que não consegue é que o tal noivo entenda que aquela menina é uma pessoa, e não apenas mercadoria.

E aqui vemos como as coisas são diferentes no Afeganistão e a luta que é para aquelas mulheres sobreviver num país que as quer amordaçadas, e ainda assim ter a coragem de denunciar a corrupção que grassa e que impede o desenvolvimento do país.

É um documentário a não perder.

Edito este post para acrescentar os links para o site de Malalai Joya e uma notícia da Time sobre como os Estados Unidos não lhe estão a conceder o visto de entrada no país.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Páscoa no Central Park

Central Park on Passover Day

Visita a Nova Iorque que se preze tem de incluir passagem pelo Central Park, uma magnífica extensão de verde a interromper longitudinalmente a grelha de Manhattan. Com cerca de 4km de norte a sul, entre as ruas 59 e 110, e 800m de um lado ao outro, entre a Quinta Avenida e Central Park West, chega-se ao parque de metro, de autocarro ou mesmo a pé.

Central Park

Nós vínhamos do MoMa, a poucos quarteirões da esquina sudoeste, e estávamos a fazer tempo para a nossa visita (nesse dia veio a ser frustrada) ao Top of the Rock. E ainda bem que tínhamos tempo para fazer, porque nesse dia, provavelmente o único com bom tempo durante toda a semana, todo o nova-iorquino que se preze saiu à rua para celebrar. Ou as Páscoas (cristã e judia, ali mais coisa menos coisa), ou as férias da Primavera, ou, realmente, só o sol que decidiu sair e dar-nos um gostinho de Nova Iorque em todo o seu esplendor.

No Central Park há muito para fazer e ainda mais para descansar. Sentámo-nos umas quantas vezes só para ficar a observar a multidão, enquanto comíamos quadradinhos de chocolate (o trabalho de turista cansa muito).

Fomos ao Strawberry Fields, o recanto de jardim onde se celebra a memória de John Lennon, ao Belvedere Castle, passámos por pontes sobre os lagos, vimos uma estrela num filme a ser rodado e demos muitos, muitos saltinhos.

Central Park

domingo, 8 de maio de 2011

Uma visita ao MoMa

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Visitar o MoMa, em Nova Iorque, requer planificação. Ainda mais se essa visita recair, como aconteceu no nosso caso, em férias escolares e celebrações pascais. Da primeira vez que lá fomos não conseguimos entrar: a fila era absolutamente assustadora. Voltámos no dia seguinte, e antes da abertura do museu já havia uma fila gigante na rua. Era naquele momento ou nunca, por isso lá nos enchemos de paciência e agradecemos o solinho que ia espreitando. À nossa frente, uma turma qualquer de liceu demonstrava grande excitação pela visita ao museu; tiravam-se fotografias uns aos outros, cada um com a câmara digital mais potente que a do companheiro do lado.

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Com estas distracções lá se fez a hora de abertura e dividimos esforços: o Príncipe ficou na fila dos bilhetes, para comprar o combo MoMa+Top of the Rock; eu fui para a fila dos casacos. E aí uns vinte minutos mais tarde conseguimos, finalmente, entrar dentro do espaço expositivo do museu. Pegámos no audioguia (incluído no preço do bilhete) e lá fomos nós.

Começámos pelo sexto piso, com uma exposição temporária sobre o expressionismo alemão. Eu adorei, claro, porque aqueles senhores desenhavam mesmo muito bem. Mas as temáticas não eram as mais animadoras: entre guerra, doenças e miséria, a maioria das obras expostas tem temática lúgubre.

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Dali descemos para o quinto piso, onde está exposta a colecção permanente. Aqui estão as obras que vêm em todos os compêndios de história da arte, as que já vimos reproduzidas centos de vezes em postais, serigrafias e calendários, essas estão na colecção permanente: Starry Night, de Vincent van Gogh, deixa-me sempre sem palavras e com pele de galinha. Há também quadros impressionantes de Matisse, como Red Studio, de Jackson Pollock, Amedeo Modigliani, Picasso e muitos outros. As obras são magníficas e os textos do audioguia são excelentes para melhor as entender. Estão feitos para aproximar as peças do público, explicando pequenos detalhes que ajudam a contextualizá-las. Depois de tantos anos a estudar história e crítica de arte, em que o palavreado usado parece ter o objectivo de alienar o observador da obra, estes textos constituem uma lufada de ar fresco: não são condescendentes, fazem-nos entrar na obra e ver detalhes que, de outra forma, não veríamos.

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O museu é muito grande; naturalmente, a páginas tantas dá-nos a fome. Mas havia tanta, mas tanta gente, que até para a cafetaria havia fila. Por isso pegámos nos nossos bilhetes e saímos à rua. Mesmo em frente havia um dos famosos food carts com kebabs e vários pequenos restaurantes. Escolhemos um de sushi, almoçámos sem grande cerimónia nem protocolo e voltámos para mais um banho de cultura e multidão.

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O nosso plano era ir, nesse mesmo dia, ao Top of the Rock. Queríamos estar lá à hora do pôr do sol, o que nos dava ainda umas horinhas para passear pelo Central Park. Assim fizemos. Andámos, andámos, vimos mundo e mais mundo, vimos um filme a ser filmado, passámos pelo Delacorte Theater (onde, no Verão, assisti a um dos espectáculos do ciclo Shakespeare in the Park), depois saímos pela Quinta Avenida, onde apanhámos um autocarro até ao Rockefeller Building.

Chegámos felizes e contentes à bilheteira, pensando já ser detentores de um bilhete (o tal combo comprado no MoMa, nesse mesmo dia) e ficamos a saber que não, que aquele era apenas um vale que tínhamos de trocar pelos bilhetes - que por sinal já só havia para as dez da noite desse dia. Lá se nos ia o pôr-do-sol, que história macaca!

Ficámos um pouco desiludidos: afinal de contas, deviam ter-nos explicado esse pequeno detalhe no momento da aquisição do bilhete! Lá trocámos os vales por bilhetes para o dia seguinte, à mesma hora. Que pôr do sol lindo, nesse dia, e nós cá em baixo...

Alguns detalhes que vale a pena ter em conta: é possível comprar entradas para o museu no próprio site. E à sexta, a partir das 16h, a entrada é gratuita.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

"Zine bombing" em Nova Iorque

some "zine bombing" action

Não é yarn bombing, não senhora. É mesmo zine bombing.

some "zine bombing" action

Esta é uma das minhas actividades favoritas relacionadas com a zine: deixar exemplares espalhados pelas cidades que visito. Já deixei dentro de livros, em táxis, em museus, em cafés e mais não sei quantos lugares que agora não recordo. Gosto de pensar que alguém poderá ser surpreendido por uma zine, e quem sabe o seu dia não será um pouquinho mais luminoso.

some "zine bombing" action

Nova Iorque não foi excepção: tanto a zine de Março como a cv zine foram espalhadas por vários locais da cidade. Os meus favoritos foram as revistas culturais gratuitas e os coelhinhos na farmácia. Fico sempre a pensar em quem as lerá, em que circunstâncias, que pensarão ao encontrar aquele rectangulozinho com desenhos, será que têm curiosidade de ler mais?

Alguém sabe?

terça-feira, 3 de maio de 2011

NYC mnham

Quem me conhece sabe que não é de estranhar que comece os meus relatos nova-iorquinos com as experiências gastronómicas.

Estando nós hospedados em casa de uma anfitriã espectaculosa, não experimentámos tantos restaurantes como se estivéssemos num hotel. Mesmo assim, experimentámos alguns. O primeiro restaurante de que aqui falo entra na categoria memorável pela comida, pelo espaço e, óbvio, pela companhia. O segundo é memorável por várias razões, sendo que a comida, surpreendentemente, é uma delas.

Passemos então ao primeiro: Mishima, na Lexington Av. entre as ruas 30 e 31. Apesar do site fraquinho, a comida é cinco estrelas. Os rolos são de comer e deliciar-se e as porções têm o tamanho certo. Daí, não ser de "comer e chorar por mais", porque realmente não ficamos com fome. O espaço é bonito, arejado mas bem aquecido (factor muito importante na semana que lá passámos), a localização é óptima, perto do metro (e perto de casa). A misoshiro (sopa) tinha caldo, verdura e tofu nas proporções e temperos certos. As gyozas, de massinha fina e deliciosa, deixaram saudades. O age dashi tofu também estava delicioso, apesar de gostar de um tofu um pouco mais consistente. E os rolinhos, eu seja santa, nem dá para falar muito neles sem me crescer água na boca. Vejam vocês mesmos:

Sushi at Mishima, NYC

A segunda experiência gastronómica foi no Katz´s, na Houston St. Apesar da comida ser deliciosa, o lugar entrou directamente para a parede da glória da cultura popular com esta cena protagonizada por Meg Ryan. Diz que também lá estava o Billy Crystal, mas enfim: prioridades são prioridades.

Chegámos lá através da minha amiga flickeriana, com quem tínhamos combinado almoçar e que sugeriu uma experiência de diner americano. Se não tivesse ido com ele, o mais provável era não ter entrado. E isso seria uma grande pena.

Katz´s in NYC

Katz´s in NYC

Katz´s in NYC

Há todo um esquema com filas para as sanduíches, filas para as bebidas e batatas fritas, filas para as panquecas de batata, senhas e luta por lugar sentado. Mas todo o esforço é amplamente recompensado quando finalmente começamos a comer. Pedimos duas sanduíches de pastrami, dois pepinos picklados a níveis diferentes, batatas fritas e panquecas de batata (latkes) para dividir entre os três. Foi uma refeição, em todos os sentidos, memorável, já que as porções são fartas e a comida é deliciosa. Não é uma opção para todos os dias (ai o fígado!); mas é uma experiência nova-iorquina a não perder.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Olha a zine fresquinha!

"We´re in Panama!", issue 11

E aqui está ela, a zine, mesmo depois do fim do mês a que diz respeito.

Como sabem, comecei a usar a bicicleta como meio de transporte aqui no Panamá. Tem as suas vantagens (demoro a metade do tempo a chegar à aula de yoga, e ainda por cima já levo o aquecimento feito), mas também tem os seus percalços. Claramente, é um assunto que merecia um número zinesco.

Foi toda bordada à mão (vivam os calos, as picadas nos dedos e as asneiras). Ver o desenho acabado fez com que tudo valesse a pena. Acho que, até hoje, foi a zine que mais me custou e também a que mais gostei de fazer.

Como sempre, podem descarregá-la, imprimi-la, lê-la e fotografá-la! Não se esqueçam de me enviar as ditas fotos da leitura e do passeio. Com a vossa licença, irei publicando as mais divertidas tanto aqui no "Entre..." como no meu blog de trabalho.

Bem hajam!