quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Descalorias

Actividades literalmente não aptas para todo o público foram as que fizemos para desfazer todos os petiscos que comemos durante o fim-de-semana.

O Vale de Antón é conhecido pela sua relação com a montanha; e onde há montanha, há trilhos.

Hortênsias em El Valle de Antón

Saímos de perto das hortênsias lindas e metemo-nos na floresta, trilho do Chorro del Macho acima. Subimos, subimos, subimos...

Chorro del Macho

...atravessámos pontes suspensas sobre pequenos riachos...

Chorro del Macho

Chorro del Macho

...e depois descemos:

canopying at Chorro del Macho

No dia seguinte - para gastar as calorias da refeição de Sábado - fomos fazer o trilho da Índia Dormida, uma cadeia de pequenas montanhas que parece, tal como o nome indica, uma índia deitadinha descansada. Disseram-nos que estava indicado e que não havia como perder-se, de maneira que lá fomos.

Subimos, subimos, subimos...

trekking the India Dormida

...e passámos por quedas de água:

trekking the India Dormida

Quando já estávamos bem alto, ainda estávamos a meio. Descansámos aqui:

trekking the India Dormida

...e vimos que o cume ainda estava ali:

trekking the India Dormida

Loooonge! Estava uma senhora também lá sentada, à espera de um sobrinho. Contou-nos que fazia o caminho todos os dias, três vezes: para acompanhar os filhos à escola, que tinham horários desencontrados, demorava cerca de meia hora para cada lado. Nós já tínhamos uma hora de subida.

A "recta final" do trilho tinha muito pouco de recta:

trekking the India Dormida

Era uma ladeira estreita, inclinada e coberta de pedras escorregadias. Mas o esforço valeu bem a pena, porque a vista de lá de cima da cabeça da Índia é muito bonita:

looking down to El Valle de Antón

looking down to El Valle de Antón

Ainda fomos até ao mamilo da Índia...

trekking the India Dormida

...onde demos os tradicionais saltinhos:

on top of India Dormida

Ainda lá em cima, começou a cair uma chuvinha tímida. Foi engrossando, engrossando, e a meio o caminho já estava mais parecido com um rio que com um trilho.

trekking the India Dormida

Chegámos ao carro totalmente ensopados de borrego; foi toda uma missão descolar com êxito a roupa encharcada, secar-nos e vestir a última muda seca que tínhamos.

aftermath

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Calorias

No primeiro jantar na Casa de Lourdes, partilhámos uma entrada de vieiras grelhadas:
Vieiras a la plancha

O Príncipe comeu uns lagostins (e até verteu uma lagrimita ou duas por causa do "calor" do molho crioulo)...
Langostinos con salsa creolla

...e eu, que lagostins nem cheirá-los, deliciei-me com uns gnocchis de batata com molho de agrião.
Ñoquis de papa con salsa de berro

Terminámos esta frugal (ahem) refeição com uma mousse de maracujá, também partilhada (vêem? Frugal.).
Mousse de maracuyá

No segundo dia também lá jantámos porque nos tinham ficado uns quantos pratos por experimentar. Se a memória não me atraiçoa - e a garrafa de vinho com que regámos o repasto não ajuda na tarefa -, começámos com um magnífico carpaccio de mero, partilhado entre os dois.

Carpaccio de mero

Continuámos cada qual com seu prato: o carnívoro desta família, com um tournedó com agrião e outros perlimpimpins...
Tournedo con berro tibio y salsa de ajonjolí

...e eu com um prato de corvina com tomate, pimento e coentros. E também perlimpimpins, mas a memória, tal como temia, já me atraiçoa, o que está francamente mal.
Corvina con tomate, morrón y cilantro con salsa de miso

Terminámos com um esplendoroso Heart Attack, que felizmente resulta menos ameaçador que o nome que tem:
Heart attack!

Que é que teremos feito para queimar todas estas calorias, perguntam vocês? Isso é matéria do próximo post (e não é apto para todo o público).

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Festejos

Uma celebração de aniversário de um Príncipe dura vários dias e começa, como não podia deixar de ser, diante de uma bela refeição. Fomos a um favorito nosso antes de partirmos para a nossa aventura de fim-de-semana, sobre a qual eu continuava a permanecer na total escuridão.

Baclava
(Babem, babem. É um delicioso prato de baclava, que rima com "isto é muita bom, pá.")

Aqui há uns tempos atrás, queixei-me ao senhor meu Príncipe que ele não era assim muito bom a fazer surpresas; praticamente não aguentava o segredo e começava logo a dar-me pistas, acho que porque queria mesmo, mesmo, mesmo partilhar a sua excitação comigo. Após dita queixa, transfigurou-se, metamorfoseou-se, e quis provar que eu estava errada. Conseguiu, digo eu, porque este fim-de-semana, que ele planeou para festejar o seu aniversário, foi uma total e completa surpresa que ele quis explorar até ao fim.

Ao sairmos do restaurante, levou-me a praticamente todos os lugares onde se apanhava barco ou avião para as possibilidades de um fim-de-semana fora aqui no Panamá. Chegou mesmo a procurar lugar no estacionamento do aeroporto doméstico... e a seguir depois para um hotel na selva, aqui perto da cidade, que era outra das opções. Andou, deu voltas, eu até já estava a ficar um pouquinho farta de tudo aquilo. Até que finalmente me diz que estávamos a caminho, e vai de cruzar o canal na ponte mais perdida atrás do sol posto, a caminho do Oeste. Passámos, portanto, na Ponte do Centenário, uns belos quilómetros a norte. Uma estreia.

E aqui tomámos, finalmente, o caminho para o nosso destino de fim-de-semana, o magnífico e imperdível Valle de Antón.

Puente Centenario, Panamá

Esta zona, a cerca de hora e meia de carro da capital, encontra-se no meio do vestígio de cordilheira andina que aqui temos; por estar mais elevado, tem uma temperatura mais fresca. Para alguns, estava "frio"; para mim, aqueles 26ºC eram o melhor presente do mundo, sobretudo tendo em conta que a humidade, aqui neste país, varia entre os 90% e os 98%, todo o ano.

Ficámos instalados num hotel muito bonito e cuidado, que também dispõe de spa. Chama-se Los Mandarinos e o serviço é excelente, apesar de se parecer mais com uma pensão boutique que com um hotel. É pequenino, com ar de casa de palácio de família espanhola que realmente um hotel. E isto é um elogio.

Os jardins são muito bonitos e bem cuidados e pudemos dormir em completo silêncio, coisa que roça o verdadeiro luxo.

Los Mandarinos, Antón Valley, Panama

Los Mandarinos, Antón Valley, Panama

Los Mandarinos, Antón Valley, Panama

Los Mandarinos, Antón Valley, Panama

Los Mandarinos, Antón Valley, Panama

Fizemos umas deliciosas massagens para (pigarreio) combater as calorias extra dos deliciosos jantares na Casa de Lourdes.

La Casa de Lourdes, seen from Los Mandarinos, Antón Valley, Panama

Mas essas são outras histórias.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cá longe

skyping
Por estar longe, o meu melhor amigo tecnológico é o skype. Não sei como aguentaria sem este pedaço de programação que alguma alma caridosa se lembrou de escrever. Não é que não goste do género epístola; é que aí não poderia ver as minhas queridas mais curis, fofas e bombocas Cês.

Estando fora há mais de quatro anos, a maior parte da vida da mais velha e toda a vida da mais nova foram vividas através de um ecrã de computador e dos momentos (bem aproveitados) das férias. Por isso, houve que arranjar actividades para falar e brincar com elas, numa versão pixelizada.

Já o fazia com a mais velha; agora faço-o com a mais nova: a minha interlocutora pergunta-me pelo coelhinho; eu desenho-lhe um coelhinho. Depois pede-me uma piscina; eu ponho-a à borda da piscina. Faço-lhe uma bóia, e ela exclama: "a bóia!"

Depois desenho-lhe chuchas - "a chuchinha!"; e um coelhinho que ficou no supermercado, consta que "a fazer compras". Depois ela cansa-se e vai à sua vida de menina de dois anos e meio, que é muito cheia de descobertas, de vez em quando manda uns beijinhos e outras vezes agarra-se ao "ukulele é minha!". Logo seguido de "qués?"

Esta tia, cá deste lado, baba. E conta os dias até às férias.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nova Iorque, bordada

Finished!

Acabei por estes dias o primeiro de uma série de desenhos bordados. Estou contente com esta vista de Nova Iorque, do cimo do edifício Rockefeller. Cada vez gosto mais de bordar... quem diria, não é? E eu que pensava que o bordado era uma coisa cheia de regras, de estilos, de pontos; coisa de noites de Inverno, à luz da lareira, um pouco antiquado, até. Vai daí, um pouco de ignorância transformou-se numa ideia: e se não for? E se ignorar pacificamente as regras e os estilos e todos esses detalhes e passar ao tecido alguns dos meus desenhos?

Comecei, timidamente, com as mantas abbrigate*. Continuei com a zine de Abril e agora já ando à procura do próximo desenho para bordar. Estou agarrada!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Delícias

Uma das coisas que nos faz particularmente feliz na nossa vida panamenha é a disponibilidade de restaurantes com especialidades de países muito diferentes. A oferta, cá, é muito mais variada que em Buenos Aires, por exemplo, apesar de poder parecer estranho. Os porteños são muito cosmopolitas, mas, quando de comida se trata, os seus gostos são bastante limitados.

Aqui no Panamá, pelo contrário, não só os restaurantes são acessíveis, como a comida, em geral, é deliciosa, desde o tasco de praia até ao lugar mais sofisticado da capital.

Um dos restaurantes que nos faz imensamente feliz - mas que convém visitar em grupo, já que as porções são extremamente generosas - é o Beirut. Tem dois espaços, ambos agradáveis: um em plena zona bancária; o outro, no Causeway, uma zona da cidade usada pelos locais para actividades de fim-de-semana.

Não dá para inovar na descrição da comida: é deliciosa, abundante, fresca, bem confeccionada e bem servida. Ora vejam:

Hummus

Começamos com um belíssimo hummus de entrada, um creme de grão e sésamo de comer e chorar por mais.

Foul de habas

Seguimos com um um foul de favas, um prato que tem tudo para empanturrar o mais valente comensal, mas ainda assim é delicioso.

Falafel

E um pratinho de falafel, umas bolinhas fritas de puré de grão.

Como vêem, uma refeição ligeirinha, até agora. E ainda só vamos nas entradas.

Seguiu-se um delicioso prato que o Príncipe pediu; o nome escapa-se-me, e também se me escapou a oportunidade de o fotografar, já que foi imediatamente atacado e não agi a tempo.

Baclava

Terminámos com um pratinho de baclava, uma sobremesa à base de pistacho, mel (e um toquezinho de água de rosas, parece-me), tudo enrolado em finas camadinhas de massa filo. É doce na medida certa; regado com o chá que nos oferecem, é o fecho ideal de uma refeição memorável que pede, automaticamente, uma valente sesta.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Olhá zine do piropo bonito!

"We´re in Panama!", issue 14

Um ano de experiência panamenha resulta em muito, muito piropo. Antes que o piropo me ganhe a mim, decidi sublimá-lo e transformá-lo em inspiração zinesca. Eis o fruto desse trabalho.

Como sempre, é descarregar, imprimir, ler e comentar! E ir à página de facebook e carregar no botão do "gosto". Quem não gosta de uma zine que traz verdadeira sabedoria de rua?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Queijos de Chelas

Empanada de queso

Quesos Chela

A caminho das praias do Pacífico, pela estrada Interamericana, há uma casa que se impõe como instituição panamenha de referência, a Quesos Chela.

Conhecemo-la há bem pouco tempo, numa viagem que fizemos com amigos que já dominavam a cena gastronómica en route, e que tiveram a bondade de nos fazer ver a luz de umas deliciosas empanadas de queijo, um requeijão bem coalhado e um queijinho bem fumado.

Agora que já vimos a luz, não há viagem para as aulas de surf que não inclua uma paragem de reabastecimento nos "queijos de Chelas", tendo como banda sonora a adaptação de uma canção que cantávamos nas nossas vidas anteriores quando éramos meninos de coro, Regina Coeli.

Mnham.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Quando não chove...

...o panorama é este:

E quando não chove...

E quando não chove...

No Sábado passado começámos as aulas de surf. O Príncipe, na sua estreia absoluta, fartou-se de surfar ondas. É um talento nato!

Como estávamos os dois dentro de água, não deu para tirar fotografias às suas proezas. Quem sabe no próximo fim-de-semana convencemos alguém a fotografar-nos da praia?
Quando chove lá fora, fenómeno diário durante a estação húmida, cá dentro fazem-se outras coisas, nomeadamente...

Fronhas novas
...um par de fronhas novas para as almofadas do sofá, com algodão estampado com motivos Kuna;


Na varanda
...e uma toalha aos quadrados, com guardanapos a condizer, para a mesa da varanda, que usamos diariamente. Já a necessitávamos há muito!

Sobre a mesa, uma lasanha feita pelo Príncipe e um tinto saboroso. Na varanda, mesmo que chova, até parece que estamos de férias...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sem pilha

Já aqui contei que nesta casa temos um bolinho todos os fins-de-semana. Antes, era para sentir que esta casa era a minha casa; entretanto, o hábito instalou-se e já não dispenso um bolinho (ou biscoitos, como se pode ver abaixo) para o lanche.

Areias do Pacífico

Estas Areias do Pacífico (em vez das de Cascais, ou, no caso presente, de Esposende, já que usei a receita e os sábios conselhos da Alexandra) foram feitas no fim-de-semana passado e entre dois pares de ávidas mãos já praticamente desapareceram. Isto, apesar da quantidade de manteiga que a receita pede, totalmente proibitiva para o meu fígado desabituado dessas andanças. Assim se vê a delícia.

Talvez tenham levado um nico a mais de forno; para a próxima, tiro-as mais cedo. E tenho também de estudar uma substituição para a manteiga, tal como faço em todas as outras receitas (olá óleo de girassol).

Bolo de maracujá

Outra presença habitual cá em casa é o bolo de maracujá. Ontem tivemos visitas para jantar e num instante o preparei, com maracujá natural, claro.

Uma das vantagens de estarmos cá perdidos a oeste do sol posto é a fartura de fruta deliciosa como o ananás e o maracujá, básicos que nunca faltam cá em casa. Guardados no frigorífico, aguentam um par de semanas. E nós apreciamos.

Adaptei uma receita de um bolo de laranja e substituí um sumo pelo outro. Há dias em que também lhe acrescento uns toques de perlimpimpim (que é como quem diz: alecrim) para ficar mais perfumado.

Bolo de aniversário temático

E este é o famoso bolo de chocolate, feito com o igualmente famoso chocolate artesanal panamenho que tanto aprecio (lá está, junto com o ananás e o maracujá, é outra das vantagens de estar aqui).

O bolo aqui retratado foi feito para o aniversário de uma amiga, um pouco preocupada com o facto de estar a entrar num novo intervalo etário em inquéritos e censos. A ideia malandreca foi do Príncipe, a execução levou x-acto, açúcar em pó e uma peneira. A aniversariante gostou. E nós regalámo-nos com o outro bolo, o que ficou em casa.

Ainda bem que a balança está sem pilha.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Caderninho de viagem

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Sketchbook Project 2012

Porque no ano passado me diverti tanto a completar o caderninho para o Sketchbook Project, este ano decidi também participar. O caderno já chegou. O tema é "Travel with me" e já fomos juntos a uma cidade. Quem adivinha qual é?

Ligações para quem quer mais: as minhas fotos do caderno do ano passado; informação sobre o Sketchbook Project 2012 (participem!).

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Um ano!

"We´re in Panama!", issue 13

A nova zine, edição aniversário, está no ar! Vejam-na aqui.

A zine, que já é uma senhora, também já tem página do facebook. É ir e fazer "like".

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Numa manhã de sol

Templo Bahá´i no Panamá

Há uns fins-de-semana atrás, aproveitámos uma manhã de sol para ir até ao templo Bahá´i, cuja cúpula vemos daqui da varanda de casa. A viagem até lá não é evidente, até porque aqui por estas bandas não abundam nem placas toponímicas nem de sinalização. De facto, E esta? Que rua é? é das expressões mais repetidas por mim quando ando de carro. Mas com umas quantas paragens para pedir indicações, lá encontrámos o acesso que vai da estrada principal até ao topo da colina, que é como quem diz, até um mundo paralelo.

Uma acácia rubra em flor no templo Bahá´i

Lá em cima, reinam a calma e o silêncio. Tudo limpo, os canteiros estão cheios de plantas e flores e abundam as árvores e sombra. Um centro de recursos, recepção e biblioteca acolhem os visitantes, crentes ou não, já que todos - como eles repetem - são bem-vindos. Uma ladeira une o centro de acolhimento ao templo, assente no topo da colina, qual nave espacial, com uma cúpula de mosaico branco que reflecte a luz do sol. À entrada, uma senhora deu-nos as boas-vindas, facultou documentação sobre a fé Bahá´i e respondeu às nossas perguntas.

No templo Bahá´i

A sensação da entrada no templo é a da passagem para um universo paralelo onde não existe desarmonia, nem dor. O ambiente é de paz; não está calor nem frio, não há ar condicionado nem ventoinhas, há apenas ventilação cruzada e o canto dos pássaros que ali nidificam. Os bancos são de madeira maciça, lindos, e não existe um altar. Quando entramos numa igreja (ou templo budista, porque não?), está claramente marcada a direcção do olhar para um altar. Neste templo, a planta em forma de estrela de nove pontas e a ausência de altar dão-nos muitas direcções para onde olhar, que resulta numa sensação de unidade e harmonia.

Segundo a documentação que nos facultaram no local, o templo foi desenhado pelo arquitecto Peter Tillotson, cujo projecto venceu 43 outras propostas. A construção teve início em 1969 e durou dois anos e meio e foi custeada na sua totalidade pela comunidade Bahá´i mundial.

A cidade vista do templo Bahá´i

Saindo da paz do templo, as vistas para a cidade são magníficas. Vemos montanhas cobertas pela luxuriante vegetação tropical e, ao fundo, a cidade moderna a erguer-se em arranha-céus que desafiam toda a lógica.

Fauna no templo Bahá´i

É um lugar que vale muito a pena visitar, preferentemente num dia de sol. Para saber como chegar, o melhor é consultar o google maps.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O antigo e o moderno

Old and new
Vista das Cidades do Panamá, numa tarde como a de hoje. Em primeiro plano, o Casco Viejo, ou centro histórico; ao fundo, os arranha-céus da cidade moderna.

Bom fim-de-semana.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Passos para um início de semana infeliz

Estamos sem água há 48 horas.

Sexta-feira à noite recebemos um pequenino recado da administração do edifício a avisar que vamos ter um corte no abastecimento de água no Sábado, entre as 9 da manhã e as 9 da noite. Adorámos saber com toda essa antecipação e pusemo-nos a encher baldes e panelas com água.

Sábado tivemos água durante todo o dia, já que o edifício dispõe de reservatório próprio para estas ocasiões. À noite, ao chegar a casa e cheios de vontade de um duchinho antes de ir dormir, nada: torneira sequinha, sequinha, como se este não fosse um país tropical onde chove a cântaros praticamente todos os dias da estação húmida (a tal que dura nove meses e na qual nos encontramos).

Domingo de manhã aquecemos a água das panelas e tomamos um belo duche vintage, isto é, de alguidar. O prognóstico é que daí a duas horas o abastecimento se regularizaria.

Domingo à noite, nada de água. Torneira seca, sequinha, aliás tal como esta manhã, segunda. Continuo a aproveitar a água do desumidificador para lavar as mãos e tivemos, por breves minutos, um pouco de água potável pela torneira: enchi uma panela e fiz um chá para beber durante o dia.

O IDAAN, organismo responsável, diz que a válvula que estiveram a reparar avariou no momento em que voltaram a ligar a água no Sábado à noite. A administração do nosso edifício, responsável pelo nível de água no reservatório, diz que ontem comprou dez mil galões de água. Desses dez mil galões, eu enchi a tal panela. Já fizeram circular um memorando pelo edifício em que, basicamente, se isentam de qualquer responsabilidade, atirando em todas as direcções: no IDAAN, que não há forma de dar uma previsão nem de terminar de arranjar a mencionada válvula; nos moradores do prédio, que usaram a água de forma pouco racional. Só se esquecem deles próprios, que não conseguiram manter o volume de água no reservatório num nível aceitável.

No meio disto tudo, os andares mais altos são os últimos a receber o precioso líquido, e por isso aqui continua tudo muito sequinho. Até quando, não sei. Um dos principais traços culturais dos panamenhos é a sua total incapacidade de dizer "não", por isso desde ontem que ouvimos que a situação se vai resolver "dentro de duas horas", que "já comprámos mais água", "o camião-cisterna vem a caminho" e "a água já está a ser bombeada". As duas horas já lá vão há mais de 24, e nós aqui continuamos.

A pergunta lógica é: então e não há ninguém que nos possa albergar para um duche? Há sim senhora, temos a sorte de ter vários vizinhos aqui na zona que não ficaram sem água. Porquê? Porque por alguma razão o volume de água nos reservatórios dos respectivos prédios se mantém alto. E porque é que ainda lá não fomos? Porque continuo a acreditar que o Pai Natal chegará em forma líquida, pela torneira.

Hoje é daqueles dias em que troco a casa grande e a vista de mar por uma apartamento acanhado num país civilizado. Já sei que retrospectivamente vou achar imensa graça a estes episódios. Mas hoje, seguramente, não.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Passos para um fim-de-semana feliz

Primeiro passo:
chocolate cake, step 1
Alcançar um dos chocolates de agricultura biológica que stockámos, comprados na loja virtual do Culantro Rojo.

Segundo passo:
chocolate cake, step 2
Desembrulhá-lo e babar com o cheiro.

Este chocolate culinário é tão magro que é difícil de derreter em meio não gorduroso, como café ou rum. Venha o óleo de girassol.

Terceiro passo:
chocolate cake, step 3
Lanchinho na varanda.

Fotografar o quarto passo requer uma câmara endoscópica, de que não dispomos.

As eleições para quem está deste lado

Já vivo na América Latina há mais de quatro anos, dos quais três em Buenos Aires e um aqui no Panamá. Em Buenos Aires, assim que obtive o visto de residência fui logo recensear-me para votar. Vieram as Legislativas de 2009, e eu feliz e contente porque finalmente ia poder cumprir o meu dever cívico.

Cerca de uma semana antes da data das eleições em Portugal, comecei a ver os comentários dos meus amigos emigrantes no facebook. Anunciavam que o boletim de voto já lhes tinha chegado, que já tinham votado. E eu? Nada. Ligo para a Embaixada competente e a resposta é que eles nada têm que ver com o tema, que os boletins tinham chegado havia já duas semanas, que se não tinha recebido não havia nada que eles pudessem fazer.

Resultado: não votei. Não sei de quem foi a responsabilidade, ou o que terá falhado. Assumo que pode ter sido de quem coordena as eleições para os cidadãos no estrangeiro; mas também pode ter sido um problema dos correios argentinos, que podem não ter feito a entrega dos ditos boletins.

Um ano e meio depois, já no Panamá, chegam as presidenciais.

O Panamá acumula vários entraves à participação dos cidadãos portugueses nos actos eleitorais: primeiro, não dispõe de embaixada portuguesa, nem sequer de consulado. Temos apenas um consulado honorário, que tem competência para muito pouca coisa e que dinamiza muito, muito pouco a difusão da cultura portuguesa no país. (Como esclarecimento, a embaixada mais próxima é em Bogotá, ou seja, noutro país, a uma viagem de avião de distância.) Mais: em Abril, enviaram-nos por mail um convite para um jantar com deputados portugueses de visita ao país. Sabem quem era o remetente? "Consulado de Potugal". Assim, sem mais nem para quê, sem sequer se darem ao trabalho de rever e reler o que tinham escrito.

Voltando aos entraves à participação, o segundo prende-se com um conceito que parece totalmente alienígena a quem nunca viveu na América Central, onde aparentemente é prática comum: cá não há distribuição domiciliária de correio. Não há números nas portas, não há carteiros. Por isso tive de ir alugar um apartado na estação de correios mais próxima, estação essa que é uma tristeza completa. Mas ter um apartado é uma opção, não uma obrigação, o que faz com que muita gente não tenha morada onde receber correspondência.

Resumindo: entre não haver um consulado com competência para facultar uma câmara de voto aos cidadãos aqui recenseados e a impossibilidade da distribuição por correio dos boletins, eis mais um acto eleitoral em que não vou participar (e longe vai a minha possibilidade de me candidatar a presidente da república).

A minha pergunta é: num país que ocupa um dos lugares dianteiros em governo electrónico, para quando o voto electrónico? Não pode ser mais complexo que tudo o que já fizeram: relembro que todas as minhas interacções com as Finanças, com a Segurança Social e com o meu Banco são feitas electrónica e remotamente. Por isso, que falta para haver o voto electrónico? Porque é que ainda não há voto electrónico em Portugal? Seria a solução para estes obstáculos constituídos pelas especificidades locais de cada país.

Posto isto, no Domingo, por favor, vão votar. Em branco, nulo, num partido ou noutro: vão votar. E, como vi num dos filmes do youtube, na segunda vamos trabalhar.