terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Denver em Dezembro

Denver vista do quarto de hotel

Este Natal, a sorte levou-nos às montanhas do Colorado para esquiar, com uma paragem para reabastecimento (de cultura visual) em Denver. Depois de dois voos, várias horas e 30º menos, chegámos ao nosso destino.

Denver Capitol

Denver

Denver Fire Dept. Truck

Denver não é uma cidade imensamente palpitante que nunca dorme, como Nova Iorque, e seria inútil (e frustrante) querer que o fosse. É uma cidade universitária, que serve de base para as montanhas do Colorado. Na verdade, é a última paragem nas Grandes Planícies antes de entrar na cordilheira das Rocky Mountains, a prima setentrional dos Andes.

Está a 1600m acima do nível médio do mar e constitui a paragem perfeita para a aclimatação necessária para nós: de 30ºC, com 90% de humidade relativa, passámos aos 0ºC, com 30% de humidade. Resultado: pele em escamas, boca coberta de película aderente e nariz constantemente a sangrar.

A cidade é ampla e limpa; tem uma Baixa pedonal, com um autocarro gratuito que percorre a Rua 16. Aqui encontram-se lojas, cinemas e muitos hotéis. Para quem vai de visita, é a referência a procurar.

Denver

Denver

Union Station, Denver

O que mais nos interessava, contudo, não eram as lojas: eram os museus. Decidimos ir visitar o Denver Art Museum, onde pudemos ver várias excelentes exposições temporárias e uma colecção talvez demasiado ecléctica de arte contemporânea. Estávamos sedentos de cultura visual, por isso nada nos desiludiu.

Denver Art Museum

Inside the DAM

Denver Art Museum

Denver Art Museum

Denver Art Museum

Denver Art Museum

Na véspera de Natal assistimos à peça "A Christmas Carol", adaptada do texto de Dickens, no Denver Center for the Performing Arts. A sala estava cheia, a apresentação foi fantástica, com dança, música, figurinos e cenários fantásticos. Gostei particularmente de como a transição entre cenas foi integrada na peça, tendo os actores, em exímia coreografia, mudado eles próprios os cenários. A única coisa que não adorei foi a tentativa (algo frustrada) de imitação do sotaque inglês!

Denver Center for the Performing Arts

Denver at dusk

Entre Denver e Vail, onde ficámos durante a semana, há uma viagem de cerca de 2h30. Ainda considerámos alugar um carro, mas depois optámos pelo serviço da Colorado Mountain Express que, pasmem, até tem wi-fi nas carrinhas! Foi a escolha certa, já que em Vail o estacionamento é difícil e extremamente caro e o transporte colectivo dentro da vila é gratuito.

Mais fotos aqui.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Balanço anual: leituras

2011 in books: non-fiction

Estes balanços habitualmente são feitos no fim de um ano, não no início do seguinte. Mas como não houve tempo na semana passada, e porque mais vale tarde que nunca, vamos lá.

2011 foi o ano da minha "descoberta" da não-ficção. Até este ano, preferi sempre ler ficção. Porquê, exactamente, não sei dizer. Este ano, ouvi num episódio do Fresh Air, podcast que assino e consumo com muito prazer, a entrevista feita à autora do livro "The Immortal Life of Henrietta Lacks", Rebecca Skloot. Fiquei muito curiosa, e assim que tive oportunidade comprei-o e li-o. O que mais me surpreendeu foi tê-lo lido com o interesse que em mim desperta um romance apaixonante, sabendo que o que ali se contava eram factos reais da vida das pessoas mencionadas, e aquilo que ia retendo na memória era da mais finamente escrita divulgação científica. Aprendi que as experiências científicas usam linhas celulares e que uma das primeiras a ser produzida e das mais usadas actualmente é a HeLa (de HEnrietta LAcks).

Não posso dizer que gostei, porque, na verdade, amei e recomendo vivamente.

(Um parêntesis para contar que daqui parti para as dúvidas tiradas com a prima cientista - olá C.! - e fiquei a saber que, dentro da Drosophila (mosca da fruta, se não me engano), a linha celular com que trabalha também foi descoberta por acidente. E viva o Maio de 68!)

Ganhei-lhe o gosto e continuei com "What the Dog Saw", de Malcolm Gladwell. Já tinha lido vários livros deste autor de que muito gostei e vivamente recomendo, como "Blink", "Outliers" e "Tipping point", portanto já sabia que deste também haveria de gostar. Contrariamente aos que tinha lido antes, este é uma compilação de textos mais curtos publicados anteriormente na revista "The New Yorker", onde trabalha. Como costuma acontecer, houve textos que me agradaram mais, outros que me agarraram menos. Mas a verdade é que este jornalista consegue fazer da menstruação um tópico interessante, e só por isso já vale a pena ler.

Tal como o primeiro livro que mencionei, o interesse por "Born to Run", de Christopher McDougall, foi despertado por uma entrevista ao autor (talvez também no Fresh Air, mas agora não recordo com exactidão). O bichinho da curiosidade foi inoculado com a ideia extremamente subversiva de que as lesões dos corredores, maioritariamente nas articulações dos pés, joelhos e coluna vertebral, se devem ao impacto provocado por correr... calçados. A hipótese que o autor propõe é que precisamente por terem tanta protecção no calcanhar, os sapatos actuais induzem o corredor em erro motor, que acaba por assentar primeiro o calcanhar. Segundo o autor, correndo descalço (ou com sapatos de sola fina), automaticamente se corrige o passo para pisar primeiro com a "almofada" do pé (como outros animais que correm, como os cavalos ou as zebras), fazendo com que a articulação do tornozelo funcione como mola e absorva o choque. Subversivo? Sem dúvida!

Daqui, o jornalista parte para a investigação e descobre uma tribo mexicana conhecida por correr como forma de vida... e deixo o resto por contar. É um texto documental, é uma aventura, é também uma imensa fonte de informação. Posso-vos dizer que, desde que li este livro, sonho muitas, muitas vezes que estou a correr e não me canso nunca.

Também li "Happiness Project", de Gretchen Rubin. Tal como o nome indica, a autora dedicou-se, durante um ano, ao projecto de ser mais feliz. Explica a sua metodologia, dá ideias e sugestões aos leitores e conta-nos os seus progressos durante esse ano.

Este livro interessou-me mais pelas ferramentas que sugere que pela leitura em si; não obstante, vale a pena ler, quanto mais não seja para ver como outros tentam viver melhor e também para ousar colocar-me novos objectivos desafiantes e cumpri-los.

Os três livros seguintes pertencem ao género de literatura de viagem. Publicados pela Tinta da China, a colecção é coordenada por Carlos Vaz Marques (que também conduz as deliciosas entrevistas da série "Pessoal e Transmissível" e o hilariante debate semanal do "Governo Sombra") e os livros entram na categoria livro-objecto: boa encadernação, design cuidado, papel espesso, tipografia pensada e até um marcador de página em tecido. Quem quer livros electrónicos quando pode sentir o prazer de ler um livro assim?

O primeiro título que li, recomendado pela Prainha, foi "Disse-me um adivinho", de Tiziano Terzani. A história começa com a premonição de um adivinho, que lhe diz que em determinado ano não deve andar de avião. A viver na Ásia, Terzani decide levar a informação a peito e transformá-la num projecto de trabalho. Daí nascem os relatos deste livro, de muitas viagens por esta nossa Terra.

Já em Outubro, talvez Novembro, li "Caderno Afegão", de Alexandra Lucas Coelho. Ao início, confesso, a escrita parecia-me um pouco entrecortada, dando assim um ritmo que mais tarde percebi que seria o ritmo afegão da viagem cheia de sobressaltos (literais e figurados). Com estradas esburacadas e cheias de obstáculos, entendi mais tarde que o ritmo era, naturalmente, esse. Ao início, estranhei. Depois, também se entranhou, qual pó que vemos sempre no ar das imagens que desse país tenho.

Através das palavras da jornalista, viajei por terra e por avião, conheci militares portugueses lá, comi melhor e pior e ouvi muitos tiros.

(Novo parêntesis: coincidentemente, tinha lido pouco tempo antes "Kite Runner", de Khaled Hosseini, cuja primeira parte se passa nos tempos áureos da Cabul dos anos 60 e 70; na última parte, várias décadas mais tarde, o narrador volta ao seu país e descreve uma cidade parecida com a descrita em "Caderno Afegão". Parecia-me, ao ler este livro, que já lá tinha estado e que lia sobre uma cidade que, de facto, tinha visitado, como quem lê sobre um lugar onde já foi feliz. Curioso!)

No final, gostei tanto, mas tanto do livro que não hesitei e atirei-me logo para o segundo, da mesma autora, desta vez intitulado "Viva México".

Há que dizer que a América Latina é um conjunto de muitas Américas Latinas, e que entre a Argentina e o Panamá há uma enorme distância (física e metafórica) e que o México e o Panamá, apesar de relativamente próximos, estão a anos-luz de distância. Não obstante, há coisas em comum, talvez por aqui se consumirem telenovelas mexicanas ou por haver muitos mexicanos. Por isso, desta vez a minha "viagem" foi um misto de descoberta e de identificação: ao mesmo tempo que sentia que eram as minhas pernas - não as da autora - a percorrerem aquelas ruas, também sentia que uma amiga me contava, em segredo, a sua viagem por uma terra mágica, estranha, hostil, bela, cruel e colorida, as suas sensações ao deparar-se com o indescritível ou até ao sentir o sabor da tortilha.

Para viajar sem sair de casa, estes três títulos são o melhor que li em muito tempo.

Finalmente, o último livro (terminado já em 2012): "Necessary Losses" de Judith Viorst. A autora explora, do ponto de vista da experiência psicanalítica, as perdas e os lutos que todo o ser humano tem de fazer ao longo da vida para poder crescer. A escrita, apesar de ligeira, é excelente e muitíssimo informativa, com recurso a referências a outros investigadores e também ao relato de exemplos retirados da sua experiência profissional.

Que ninguém se assuste com a catalogação de "auto-ajuda", porque este livro é de "auto-conhecimento". Durante a leitura houve, em diversos momentos, o famoso "a-ha!" do reconhecimento daquilo que a autora contava como tendo sido uma experiência minha.

As minhas secções favoritas foram aquelas que se relacionam com a minha vida actual: amigos, família, a nova família formada por mim, a mudança da auto-imagem, a separação, a doença e a morte. Este é daqueles livros que vou recomendar a toda, mas toda a gente. Ou então talvez tenha de refrear um pouco o entusiasmo...

O ano de 2011 também teve muita leitura de ficção, de que talvez venha aqui a falar no futuro, mas o importante, o que me mudou como leitora e como pessoa foram os livros que aqui vos mostrei.

Que venha 2012!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A última zine do ano!

Custa crer que este blogue esteve caladinho mais de um mês. Dezembro foi tão, mas tão agitado que praticamente não houve tempo para nada, daí o silêncio.

"We´re in Panama!", issue 19

Para terminar o ano em grande estilo, aqui fica a notícia de que a última zine do ano, que já é a 19.ª!, está no ar e pode ser descarregada precisamente aqui.

Espero que gostem, que determinado público se divirta a colorir (eu conheço duas meninas pertencentes a este grupo) e que depois sigam para o facebook para fazer o like da página.

Vemo-nos em 2012!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Está no ar!

We´re in Panama, issue 18

A zine de Novembro está no ar e disponível aqui. Este mês, versa sobre a temática festas pátrias e os muitos feriados com que os panamenhos celebram as efemérides da sua história.

Vão ler, vão! E depois, só mais um saltinho ao facebook para fazer like da página da zine e acompanhar as novidades.

Espero que gostem!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Houston, digo, Panamá: we have a problem



Quando uma universidade não sabe conjugar o presente do indicativo do verbo "tener" (ter), claramente temos um problema.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Uma mantinha muito especial

"Hugo" baby blanket

"Hugo" baby blanket

"Hugo" baby blanket

Esta mantinha, para mim muito especial, foi feito para o bebé de uma amiga que fiz cá no Panamá. Este "pequeno humano", que chegará em meados de Dezembro, vai ter uma manta luso-panamenha, tal como ele próprio, à sua espera. Espero que ele goste tanto dela quanto eu gostei de a escrever, bordar e coser. Foi feita com muito:

"Hugo" baby blanket

(A mantinha é abbrigate*, claro. Para quem quiser encomendar uma, é só dizer.)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Panamagusto

Panamagusto

Ontem, Domingo, celebrámos o São Martinho (com algum atraso, é certo) aqui no Panamá com um magusto muito peculiar. Graças a uma das nossas convidadas, tivemos direito a castanhas cozidas e assadas (oba, oba!); mas o cardápio de iguarias portuguesas não se ficou por aí. Tivemos pastéis ("bolinhos, bolinhos!") de bacalhau, salada de polvo, feijoada, tremoços e azeitonas, cerveja e vinhos; entre eles, vinho português, em representação da jeropiga. De doces, tivemos um pudim e chocolates com vinho do Porto.

Uma das descobertas da data foi a de uma semente de palmeira chamada pixbae e que tem o nome científico de Bactris gasipaes. Tem uma polpa fibrosa e um gosto que faz lembrar o da castanha, talvez misturado com o da abóbora; é endémica desta zona e por isso foi uma excelente descoberta. Já imagino purés de pixbae tanto em doces como acompanhamento de salgados.

Foi um excelente convívio e desde já agradeço a todos terem vindo e participado com tanto entusiasmo. Fica, contudo, a dúvida: com tanta cadeira e sofá, porque é que falámos horas e horas em pé?

Manhã sebastianesca

Manhã sebastianesca
Uma manhã sebastianesca.

Esta manhã, o panorama ao acordar era o de vivermos nas nuvens (confere, claro, dado que vivemos no 49.º andar e muitas vezes termos as nuvens ao lado, não acima). Mas hoje a nuvem era diferente, porque se foi retirando, paulatinamente, descobrindo aos poucos os prédios que vemos daqui da janela. Será que o céu azul que se vê é sinal que a estação seca se aproxima? E que estas chuvas diluvianas vão dar tréguas? Será?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

De Istambul para o Panamá

Baklavas, directly from Istanbul

Baklavas, directly from Istanbul

Setembro e Outubro foram meses de muitas viagens de trabalho para o Príncipe, ao ponto de não conseguir chegar a desentupir os ouvidos entre descolagens e aterragens. Já estávamos os dois um pouco cansados da situação. O Príncipe, que já me conhece e sabe como me alegrar (comida, claro!), trouxe-me de uma das suas viagens - a Istambul, para ser mais precisa - uma caixa de baklavas deliciosos. Conta ele que foram embalados ainda quentes e selados em vácuo; no dia seguinte, chegaram ao Panamá, lindos, fantásticos, deliciosos e ainda estaladiços.

São diferentes dos que encontro cá; não sabem a água de rosas, mas são leves, levezinhos, e doces na medida certa.

Para mim, abrir esta caixa e encontrar um pequeno exército de baklavas de terracota, quero dizer, de massa filo, todos alinhados e lindos; pensar que cada um correspondia a largos minutos de prazer gastronómico... ah, foi maravilhoso.

E sim, Príncipe, a tua missão foi cumprida.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Torre Trump no Panamá

Esta é uma cidade de contrastes, uma aldeia que ser grande metrópole, onde o dinheiro abunda. Numa cidade onde a rede de esgotos continua a ter falhas e a expelir fantásticas ribeiras de cocó na via pública, erguem-se arranha-céus residenciais e, desde Julho, também hoteleiros, com o empreendimento Trump Tower.

Trump Tower in Panama City

Abriu em Julho, num dia de dilúvio bíblico, e como é aqui mesmo, mesmo ao lado, fomos logo visitar. No rés-do-chão tem uma arcada comercial praticamente vazia, com a excepção de uma pastelaria que me faz sentir em Portugal, e uma enoteca, que também serve refeições ligeiras e tem música ao vivo.

A recepção do hotel localiza-se uns 14 ou 15 andares acima, bem como alguns restaurantes já devidamente explorados: no Barcelona, bar de tapas, encontramos sempre caras conhecidas entre os empregados que lá trabalham, o que me faz pensar que este empregador deve ser excelente.

Trump Tower in Panama City

Trump Tower in Panama City

(Um pequeno parêntesis: Mãe, lembras-te daquele senhor no Don Patacón que nos serviu tão bem? Aquele cuja cor dos olhos era mais clara que o tom de pele? Pois com esse nos cruzámos da última vez...!)

Também há o restaurante Tejas, devidamente provado. A comida é correcta, as porções francesas (ou seja, mínimas) e o serviço é lento. Mudou a carta na semana passada, por isso talvez lá voltemos.

A oferta gastronómica é completada pelo bar da piscina, onde o ambiente é muito, muito giro, mas a oferta é muito restrita. É um bar de piscina que, à noite, em vez de se metamorfosear num restaurante com um ambiente muito especial, continua a servir as bebidas em copos de plástico e a ter um par de saladas e hambúrgueres. Na minha opinião, não chega.

Trump Tower in Panama City

Mas o espaço? O espaço é muito bonito, mesmo; mesmo tendo em conta que as varandas dos vizinhos se encontram a escassos 3 ou 4 metros, conseguiram criar uma atmosfera elegante e sofisticada, coisa que cá não abunda.

Trump Tower in Panama City

Nos primeiros dias, ainda tudo cheirava a novo, a tinta e a reboco. Hoje, a máquina já está mais oleada e a funcionar melhor; talvez o serviço não seja tão cerimonioso como no início, mas continua a ser acima da média local.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Excelente notícia!

Esta excelente notícia tem-me com um sorriso há algumas horas:

In Uppercase!

In Uppercase!

Estou tão, mas tão contente e orgulhosa por ter o meu trabalho incluído na Uppercase, uma revista que assino e de que tanto gosto. Para quem trabalha como freelancer e sozinha, esta é uma validação de que o que faço tem interesse e valor. E isso deixa-me muito feliz.

E agora vou ali fazer festinhas ao meu exemplar da revista enquanto dou mais uns passinhos de dança.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Logo eu

new friend

Hoje, enquanto esperava pelos meus companheiros de reunião (bendita pontualidade caribenha), este amiguito ignorou pacificamente as minhas reticências em relação a bichos em geral e aninhou-se nas minhas pernas. Fiz-lhe umas festas, meio sem saber onde tocar (afinal de contas, ele tinha as garras sobre as minhas pernas destapadas), e o danadinho começou imediatamente a ronronar. Um bombom cheio de pêlo, essa é que é essa.

Quem precisa de leitura de feriado?

We´re in Panama, issue 17

Ora aqui está ela, a zine número 17! Este mês versa sobre a temática da criativa onomástica caribenha e respectivas influências. Leiam, leiam, e a seguir carreguem no botãozinho "gosto" do facebook.

Espero que gostem!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sopa de tortilha, iguaria mexicana

Sopa de tortilla

Uma das coisas boas dos nossos dias panamenhos é a intensíssima vida social que levamos. Como este é um país com muitos, muitos imigrantes - só a empresa em que o Príncipe trabalha, diz-se, deslocou para cá mais de 600 famílias -, há muita gente com a mesma disponibilidade que a nossa. Ao contrário do que acontecia na Argentina, onde quase só tínhamos amigos locais, aqui as pessoas estão longe das respectivas famílias e por isso acabam por criar laços com mais facilidade.

Terminado o preâmbulo, é fácil entender que nos damos com muita gente, de muitas nacionalidades diferentes. E porque gostamos de comida - e diz que há mais gente que partilha esta loucura - criámos, assim meio por acidente, um Clube de Cozinha com mais dois casais. Os jantares vão alternando em casa de uns e de outros e cada qual apresenta uma iguaria do seu país.

Ora uma das primeiras sessões foi de comida mexicana, feita por uma mexicana, e foi uma delícia. Começámos com uma magnífica sopa de tortilla, acompanhada de abacate e queijo fresco. O impacto nas nossas papilas gustativas foi tal que a nossa anfitriã nos forneceu genuínas tortilhas para repetir a experiência em casa.

Igual, igualzinho? Não. Bom? Sim, senhores leitores. Uma delícia. E fotografei, como podem ver acima.

Gracias, Wicha!

Em três dias apenas

Estivemos nesta casa mais de um ano sem ver praticamente fauna nenhuma. Nos últimos três dias, por uma qualquer razão que desconheço, já avistei osgas - três vezes, pelo menos de dois tamanhos - e uma gigantesca barata.

Nos meus tempos de Macau, as baratas eram visitas assíduas, por isso até estava a estranhar a sua ausência panamenha. O que me surpreende é que todos estes episódios sucederam no espaço de três dias. Três.

Hmmm.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Entre o Panamá e as memórias de Buenos Aires

Hoje estive a fazer tempo num lugar onde estava um piano de semi-cauda a ser tocado. Um lugar de passagem, o pianista já devia estar habituado a não receber a menor atenção porque, como estratégia, pegava as canções umas às outras, como se de um comboio se tratasse. Quem não estivesse atento, ouviria uma única canção, lá ao fundo.

Enquanto o ouvia lembrei-me de uma episódio ainda em Buenos Aires, mesmo antes de nos mudarmos para o Panamá.

Certa noite, por um passeio de uma qualquer rua da cidade, olhei para baixo - precaução imprescindível para não pisar "minas" nem tropeçar em lajes levantadas - e vi uma nota de cinquenta pesos (a taxa de conversão aponta para os dez euros, mas naquela altura equivaleriam em termos de poder de compra a uns vinte e cinco euros). Olho para todos os lados, porque cinquenta pesos a menos iria fazer muita diferença à pessoa que os tivesse perdido. Não vi ninguém, de maneira que peguei na nota e levei-a na mão, determinada a entregá-la ao primeiro sem-abrigo que encontrasse. Afinal de contas, aqueles cinquenta pesos não eram meus.

Por acaso do destino, não me encontrei com nenhum; nem com malabarista de semáforo, nem senhora com o filho ao colo a pedir comida. Não encontrei ninguém.

Os dias foram passando e a nota de cinquenta pesos continuava dobradinha à espera de ser entregue, até que na última noite em Buenos Aires, já a achar que não íamos encontrar ninguém, decidimos que o que tinha que ser tinha muita força. Aqueles pesos não eram nossos, tínhamos de nos decidir.

Fomos jantar a um restaurante muito bonito, num palácio que pertencia ao clube dos franceses. Entrámos e parecia que estávamos noutro tempo e noutro lugar, a viver um daqueles ambientes vagamente coloniais, vagamente Hemingway, com bar de cocktails e cadeirões de cana num pátio interior.

A sala de jantar tinha uma lareira grande onde pousavam as garrafas de vinho; a ementa do dia era declamada pelo cozinheiro. O jantar foi uma delícia, claro está, e o ambiente completado com um piano tocado ao vivo, numa sala ao lado, por um pianista que não recebeu uma única palma durante toda a noite.

No fim do serão, o músico veio às mesas recolher as suas gratificações: já tínhamos decidido que era aquela a pessoa que ia receber os cinquenta pesos. O pianista recebeu a nota, teve um momento de hesitação e espanto, depois olhou-nos emocionado. Não era preciso, não era preciso...

Ele não sabia, mas naquela noite calhou-lhe a ele receber o agradecimento que devemos a tantos pianistas de tantos lugares de passagem e que nunca recebem um olhar sequer de reconhecimento.

O senhor de hoje, surpreendido com as palmas, veio-me perguntar se gostava de música. Sim, gosto, e ainda mais tocada ao vivo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Yoga à luz das velas

Esta manhã acordei mais tarde que o habitual: o dia estava tão escuro que o meu despertador natural não funcionou. Cheia de preguiça, arrastei-me para fora da cama. Preparei-me para sair para a aula de yoga, mas lá fora chovia tanto...

Deu-me a preguiça, muita preguiça, e só me convenci quando pensei que fazer yoga com a chuva a cair seria certamente muito bom.

Lá fui eu. Cheguei encharcada, como se previa, apesar desse facto cá ser pouco relevante - com o calor que faz, não há inconveniente em molhar o pezinho, ele seca logo a seguir.

Quando cheguei, lembrei-me; e sugeri ao professor acendermos umas velinhas. Que achava ele? Ele não só não hesitou como acendeu uma vela em frente de cada aluno e toda a aula foi dada em função da vela, à volta da vela.

Foi uma aula especial, e especialmente boa.

Não foi novidade para mim, mas confirmei que vale a pena vencer a preguiça e ir: saio de lá mais alta, mais magra e mais sorridente do que entrei.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Viva o surf!

Dado que um dos meus objectivos do ano era aprender a fazer surf, há uns meses atrás pusemo-nos a caminho da escola recomendada, a Panama Surf School, equipados com as lycras de manga comprida - e com super-mega protecção solar - e os calções de perna também comprida, já que a pele esfolada pela prancha não é agradável, sobretudo tendo em conta que a água do mar é, enfim, salgada.

Surf lessons in El Palmar, Panamá

A escola fica a cerca de 100km da Cidade do Panamá - perto, portanto -, numa pequena aldeia chamada El Palmar, na costa do Pacífico. Para cada dois alunos há um professor dentro de água connosco, a ajudar-nos a apanhar as ondas e a apontar os detalhes a corrigir. Quando o mar está calmo, conversamos, tiramos dúvidas, fazemos-lhe perguntas. Quando o mar está mais agitado, levamos tareia, ele mais que qualquer um de nós.

A rua da nossa escola está ladeada de mangueiras, árvore que eu nunca tinha visto com olhos de ver. Desconhecia o porte, a forma da folha e o aspecto do fruto. Tudo isso mudou quando chegámos pela primeira vez, em plena época de manga - e sentimos um forte cheiro a fruta e muita, muita manga caída no chão.

Olhámos para cima e vimos as copas das mangueiras:

Mango trees

Olhámos em frente e vimos...

Iguana having mangoes...

...a senhora iguana, que se regalava com o pitéu que a esperava no meio da rua.

Observações à parte, lá dentro receberam-nos assim:

Surf lessons!

Era hora de ir surfar!

Em noites pós-aulas de surf dormimos tão, mas tão bem! Ah, que regalo...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Chamo-lhe um figo

Doces regionais algarvios

Doces regionais algarvios

Tenho uma gigantesca pasta de fotografias das férias aqui no meu computador. De vez em quando, vou lá espreitar e tiro uma ou duas imagens para ir matando as saudades.

Os doces regionais algarvios devem ser dos poucos da doçaria portuguesa de que realmente gosto, com todo o amor e paixão que se pode sentir por uma sobremesa. Não que não sejam deliciosos; eu é que não sou particularmente amiga de doces - de longe, prefiro salgados.

Mas aqui abro uma excepção: primeiro, porque são lindos. Imitam frutos, bichos, flores; são pintados com cores saturadas e, claro, sabem bem. Exceptuando os que têm forma de camarão-barra-lagostim-barra-gamba, adoro escolher um bolinho, trincá-lo devagarinho e olhar para o interior, para ver se tem fios de ovos. Adoro o contraste do ligeiríssimamente amargo da amêndoa com o doce predominante, a textura e o volume.

Dêem-me doces regionais algarvios (excepto em forma de gamba) e sou uma mulher feliz.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Oh.

RIP Steve Jobs

Estou triste com a notícia da morte de Steve Jobs. Que fazer? Graças a este senhor há vários anos trabalho de forma muito mais cómoda e com sistemas operativos intuitivos, funcionais e fáceis de aprender; apesar de usar computadores da marca há mais de 10 anos, até hoje só tive duas máquinas. Obsolescência? Esta em que escrevo já tem cinco anos e continua a dar cartas.

Há mais de um ano atrás apaixonei-me pelo iPad, ferramenta que uso todos os dias, sobretudo para lazer, mas também para trabalhar. Os cépticos não lhe encontravam utilidade; eu já não sei como seria viver sem ele.

Ao maluco que imaginou que podíamos ter toda a nossa música num paralelepípedo (iPod); que quis um telefone só com um botão (iPhone) e que achou que devíamos navegar na net numa coisa para a qual nem havia nome (iPad), só posso agradecer. Estas ideias loucas vieram revolucionar e facilitar a minha vida.

Em jeito de despedida, o discurso do fim de ano na Universidade de Stanford. Vale a pena ver até ao fim.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Não havia necessidade

Há dias em que me esforço muito por tentar ver os lados positivos deste país onde vivo. E ele há-os, claro que sim. Mas há outros em que só consigo pensar que francamente, não havia necessidade.

Há um par de semanas, tivemos a visita de um amigo que fazia uma escala de cinco horas na cidade. Pediu-nos para passarmos de carro nas principais atracções turísticas. Primeira paragem, Casco Viejo. Passeámos um bocadinho e, claro, levei-o à Plaza Mayor, a da Catedral. Parecia haver uma procissão, o que normalmente é sinónimo de espectáculo de luz e cor.

Quando entrámos na Catedral, o panorama foi este:

Iglesia Catedral, Casco Viejo, Panamá

Iglesia Catedral, Casco Viejo, Panamá

No meio da lixarada, até uma sola de sapato encontrei. O meu amigo, cheio de sentido de humor, dizia-me que adorava visitar os mercados das cidades que visitava. E eu pensava nos meus pais, que quando visitaram a Catedral em Fevereiro passado a acharam pouco cuidada... comparada com isto, estava um brinquinho.

Para a nojice e para a falta de civismo e de respeito não há a menor paciência.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A edição-inundação está no ar!

"We´re in Panama!", issue 16

Ainda a estação das chuvas vai no adro, qual procissão, e já aí está o número que celebra o fenómeno frequente da bela da inundação. Até Dezembro, muita água há-de cair (literalmente) e muito bolor há-de chegar à roupa (ou não, que eu ando alerta). Mas agora, confesso, já estou um pouco cansada dos dilúvios bíblicos que se fazem sentir, potenciados pelo deficiente sistema de drenagem da cidade.

E porque é destas histórias bizarras que se faz esta zine, é ir, meus amigos, é ir ler exactamente aqui. E depois fazer uma passagem pela página do facebook para apertar o botão do "gosto".

domingo, 2 de outubro de 2011

Percebes?

Oh, bela visão!

O que para uns pode consistir numa visão dantesca, para mim é promessa de deleite gastronómico.

Tento explicar aos amigos de cá o que são percebes, como se comem e a que sabem. Mas é inútil: olham e acham que isto deve ser coisa do outro mundo e que os seus apreciadores só podem ser marcianos (ou, vá, portugueses). Quando lhes digo que é como comer mar com consistência, não entendem.

Só provando.

E agora, olhando as fotografias das maravilhosas refeições das férias em Portugal, salivo e recarrego as baterias. Diz que agora só para o ano.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Cada qual com as suas estratégias

Há dias em que estar no Panamá me agasta. Não me posso queixar porque temos uma excelente qualidade de vida; mas quase sempre que dependo de alguém para alguma coisa (limpeza dos filtros do ar condicionado, entrega de móveis ou a instalação da internet são alguns dos exemplos), já sei que tenho um acesso momentâneo de fúria. Não há característica mais local que o atraso crónico e o incumprimento, seguida de muito perto de uma total ausência de cuidado a mudar de faixa na condução.

Para lidar com a última, tento não conduzir. Só mesmo quando tem mesmo, mesmo, mesmo que ser - e é melhor ser à noite ou ao fim-de-semana. Quanto à primeira, fica difícil, porque em determinadas situações estamos totalmente dependentes da pessoa e não nos resta outra alternativa senão cancelar todos os planos para se ficar de plantão, à espera, com o máximo de calma e tranquilidade possíveis.

Este fim-de-semana, mais uma vez, faltou a água, o que me deixou deveras furiosa. Esforcei-me muito por me lembrar de momentos bons tanto aqui

Pôr do sol na Cidade do Panamá

...como ali.
Procissão da Sra. dos Navegantes em Armação de Pêra, Algarve

Num dia destes, espero que não demasiado longínquo, mostrarei aqui outras memórias boas que servem de lugar feliz aonde voltar sempre que a fúria panamítica me assalta.

O Panamá tem dias, minha gente, tem dias.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A edição de Verão de "We´re in Panama!" está no ar!

"We´re in Panama!", issue 15

O número 15 da zine está no ar! Descarreguem, imprimam, dobrem, leiam e partilhem.

Para quem ainda não sabe, este número conta com a participação de uma certa artista muito especial, que do alto dos seus 6 anos forneceu ilustrações espectaculares com a temática marítima para constarem da edição de Verão de "We´re in Panama!". Para saberem de quem se trata, vão ler, já!

E a seguir, rumem à página da zine no facebook e façam "like". Sim? Obrigada!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Panamices

Aqui há tempos, uma amiga panamenha contou-me uma história que aconteceu a um seu conhecido. Vinha ele por determinada estrada da Cidade do Panamá quando, num semáforo, um senhor se aproximou do seu carro para lhe oferecer uma limpeza expresso de vidro, em troca de uns trocos.

O condutor baixa o vidro do carro e diz-lhe que não, que lhe vai oferecer algo melhor: um trabalho. Dá-lhe o cartão de visita e pede que lhe ligue nos próximos dias.

O telefone não tocou e, algumas semanas mais tarde, encontra-se de novo com o mesmo limpador de vidros semaforeiro. Baixa o vidro e pergunta-lhe por que não lhe havia ligado.

"É que o senhor me queria pôr a trabalhar!". E, lá está, trabalhar dá trabalho e até cansa.

Infelizmente, é esta a mentalidade panamenha: é quase, quase preciso convencer as pessoas a trabalharem, a cumprir a respectiva parte dos acordos, a serem pontuais (ser pontual, no Panamá, é chegar meia hora atrasado).

Já sei, já sei, os portugueses que me lêem vão imediatamente estabelecer não sei quantos paralelismos com a realidade que estão a viver. Mas, lamento, não têm razão. Como esta cultura de preguiça, de falta de brio e profissionalismo que se respira aqui de forma absolutamente transversal, não conheço outra! Haja paciência...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

De volta

Issue #15 is in the making 2

Já de volta ao Panamá, trabalho arduamente para publicar o número 15 da zine, desta feita com a participação especial da artista convidada de seis anos mais espectacular que conheço.

Aposto que nem imaginam quem pode ser, não é verdade?