terça-feira, 21 de julho de 2009

É amanhã

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É amanhã o exame de alemão. Como não se me ocorre nada de interessante para contar aqui no "Entre...", publico uma fotografia de um trabalhinho fofo que fiz na sexta-feira passada para uma pessoinha ainda mais fofa, a minha sobrinha C2. Estou danada para poder apreciar com o tacto o volume bochechal, bem como para contar pessoalmente as bolinhas que são os deditos dos pés.

Com a mana C1 tenho falado frequentemente por skype e ouço coisas deliciosas como "Bi, não precisas de ter saudades minhas, basta ligares-me por skype!" (será que já contei isto aqui? muitas vezes?), o que me apazigua as saudades, mas da C2 vejo os sorrisos e ouço os guinchinhos de satisfação (ou o berreiro de fome) que vai dando.

Hmmm, dúvida metódica: será que é por ter o cérebro torrado, ou melhor torriert, que estou a dizer todas estas coisas cheias de baba de tia?

Talvez seja melhor mandá-los passear aqui, onde estão as fotografias de todo o processo do dito trabalhinho.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Um país sério?, ou continuação do post anterior

Noutro dia telefonaram-me para fazer um estudo de mercado. A temática era a situação actual da Argentina, nos campos económico, político e social. Esfreguei as mãos de contente por ter finalmente a opção de manifestar a minha opinião sem ser olhada de lado como sendo "a europeia que vem para aqui comentar o que não sabe".

A páginas tantas, perguntam-me quem é que eu acho que toma realmente as decisões nacionais: se Cristina Kirchner (a presidente), se Néstor Kirchner (o marido da presidente e ex-presidente), se os dois em conjunto.

Aqui tive de fazer uma pausa para pensar na minha resposta e a verdade é que não sei. Disse que não sabia quem seria. E isto parece-me muito grave: quando não se sabe quem realmente é o presidente de um país, ou melhor, quando não se sabe se a presidente (democraticamente eleita? a dúvida persiste) é que exerce de facto o poder, então as coisas não estão nada bem.

Um país sério?

Ontem estava a ouvir o podcast do Governo Sombra, da TSF, em que se comenta o (lamentável) episódio dos corninhos no hemiciclo português. Confesso que, apesar de muito lamentável, eu não consigo parar de rir com a cena e tenho até alguma curiosidade de saber o que terá passado pela cabeça do (ex-)ministro no momento em que os fez.

Mas o que interessa aqui foi um comentário que foi deixado no jornal Globo, que dizia: "em país sério é assim: faz palhaçada, dança." (no minuto 14 do podcast). Este comentário foi lido durante a reunião do Governo Sombra e foi amplamente comentado pelos participantes que, com muito humor, se referiram à parte em que Portugal era visto como "país sério".

E é aqui que eu quero chegar. Bem sei que a minha visão está já nublada por meses de ausência e milhares de quilómetros de distância, mas às vezes estes são factores que nos permitem avaliar melhor o avanço ou retrocesso de um país.

De uma forma geral, os portugueses acham que o seu país não é sério e fazem "desabafos" para o ar, perfeitamente inconsequentes, da forma menos eficaz possível. Por exemplo, quantas vezes ouvimos dizer "isto é tudo uma bandalheira", ou "eles são todos iguais" ou "eles são todos uns corruptos", referindo-se à classe política em geral. Não vou dizer que tenho uma imensa simpatia pelos políticos, mas a verdade é que eles estão onde estão porque foram eleitos.

Ora bem, aqui chegamos à parte em que Portugal, que pode não ser um país sério para muita gente, é um país onde as eleições são um dever e não uma obrigação (ao contrário da Argentina ou até da Austrália, onde o voto é obrigatório); Portugal é um país que tem uma Comissão Nacional de Eleições que organiza e supervisiona o acto eleitoral, que produz boletins de voto universais e que controla o acto eleitoral para que não existam fraudes.

Só para pôr esta situação em perspectiva, uma situação que parece natural e óbvia para os portugueses, aqui na Argentina os boletins de voto são responsabilidade dos partidos; não há cruzinhas em quadradinhos: o voto faz-se pondo o "cupão" do candidato em questão dentro do envelope. E, atenção, nem todos os boletins de voto chegam a todas as câmaras, seja por falta de dinheiro, de controle, por sabotagem ou por fraude. Ou seja, se um cidadão que vai cumprir a sua obrigação de voto quer escolher um candidato X e o "cupão" desse candidato não chegou à câmara de voto, então não vai poder votar nele.

Voltando ao facto de os portugueses, em geral, não acharem que Portugal é um país sério, tenho a dizer que acho que, em geral, os portugueses queixam-se muito mas nos sítios errados. Ou seja: queixam-se muito para o ar, para obter a empatia do ouvinte (exemplo disso são as paragens de autocarros!) mas agem muito pouco. Um exemplo: outro dia recebi um email com uma petição para os direitos dos cegos. Pediam para assinar e, quando o total de assinaturas perfizesse o milhar, para reencaminhar para outro sítio qualquer. Por curiosidade, passei os olhos pelos nomes que já lá estavam e vejo isto:

961- Isabel Xxxxx - Xxxxx (é de lamentar quão mal está este país embora para os "nossos" (des)governantes isto esteja tudo porreiro, pá!)

Para mim, este é o típico desabafo "ao lado". Aquela crítica que não só não é construtiva como também não faz absolutamente nada para melhorar a situação. Quantas vezes escutamos as queixas das pessoas relativamente aos transportes públicos, ou aos serviços? E quantas dessas queixas são deixadas nos livros de reclamações obrigatórios por lei? Mais, quantas dessas pessoas é que vão realmente votar e usar o instrumento básico da democracia? Quantas pessoas participam activamente na sua freguesia ou no seu município? Quantas denunciam o incumprimento da lei através dos instrumentos postos à disposição do cidadão? Porque Portugal, que para muitos não é um país sério, tem uma justiça que tarda (muito) mas vai funcionando; tem um sistema de saúde pública que é velho, mas que continua a dar melhor assistência que o privado, sobretudo quando se trata de casos fora do comum; tem transportes públicos onde o utente é tratado com respeito; é um país onde a mentalidade vai mudando gradualmente e hoje já se respeita quem sobe na vida por mérito ou quem cumpre as suas obrigações.

É também um país onde as pessoas, de uma forma geral, se desresponsabilizam e preferem não agir e criticam em vez de mudar. E são estas pessoas que fazem de Portugal um país menos sério.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Conversa entre tia e sobrinha II

Noutro dia, numa conversa skypica com a minha sobrinha mais velha, estávamos a ver os trabalhos que tinha feito durante o ano na escolinha. Deixem-me que vos diga, a minha sobrinha é muito talentosa, aquela miúda vai ser uma artista. Digo eu, não sei, ideias minhas, mas parece-me que sim.

Ora estava precisamente a dizer-lhe isso, que ela era uma artista e ela, na segurança inabalável dos seus quatro anos, responde: "pois sou!".

Tomáramos nós em adultos acreditar nos nossos projectos com a mesma intensidade! A começar por mim, claro está.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Já tinha saudades!

É a verdade verdadeira: já tinha saudades deste blog. Quem diria, ter saudades de um blog?

Os dias têm-se sucedido a um ritmo vertiginoso e, felizmente, trabalho não me tem faltado. Além disso, o pânico pela gripe já está a acalmar e as actividades voltam paulatinamente à normalidade. Na semana que vem tenho o exame de alemão, o mesmo que era para ter sido na segunda-feira passada e foi cancelado. Aulas de pintura, só em Agosto. Mas entretanto têm surgido projectos de trabalho daqueles que mais parecem de tempos livres, daqueles que dão tanto gozo que apetece até levantar mais cedo da cama (e é Inverno!) para me sentar a trabalhar.

(Sim, devo estar doente, apanhada de alguma gripe estranha! Eu, sair mais cedo da cama? Está tudo louco? "Chove como na rua", diria a minha Mãe.)

E pronto: os dias passam num instante, quando dou conta já é hora de desligar o computador e ir conviver com o Príncipe, que por si só até nem chega muito cedo a casa. Deixa cá ver se consigo pôr os posts que tenho escritos mentalmente no caderno de notas virtual.

Espero conseguir voltar em breve!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Outro fim-de-semana de reclusão?

Central Park Hoodie
Costas do Central Park Hoodie que estou a tricotar.

Aproxima-se um fim-de-semana mais ou menos prolongado. Parece que ouço perguntar "como é que é isso de mais ou menos prolongado?". A resposta não é simples - nunca é - mas prometo que me vou esforçar.

Ora, como todos sabemos, estamos a viver uma "preocupante crise sanitária" (são expressões destas que se ouvem aqui a torto e a direito, e eu a ligar "sanitário" a outras coisas). A verdade é que os dados da Organização Mundial de Saúde não enganam: a proporção entre vítimas mortais e infectados com o vírus da gripe A é maior aqui que nos outros países. E isto, para além da óbvia tragédia que é para as famílias de quem foi ou está a ser tocada pelo vírus, é também uma grande dor de cabeça para as autoridades (sanitárias e não só).

(Nota: ontem recebi uma chamada telefónica em que me fizeram todo um inquérito sobre a prestação do governo, a situação da Argentina, a inflação, a corrupção... foi tão bom ter aquele bocadinhozinho de tempo de antena em que pude classificar como entendi cada um dos itens dados pela operadora, sem que ninguém me acusasse de ser estrangeira, ou, pior ainda, europeia!)

Voltando ao fim-de-semana quase prolongado, amanhã é feriado, dia pátrio, daqueles que não são transferidos para a segunda-feira mais próxima. Sexta deveria ser dia de trabalho normal, mas o governo decidiu instituir um "feriado sanitário" ao qual muitas empresas deverão aderir, pelo menos na modalidade de ter os seus colaboradores a trabalhar a partir de casa.

Para quem não está habituado a estas andanças (as de trabalhar a partir de casa), um feriado sanitário vai ser isso mesmo, um feriado. E o resto é conversa.

Por mim, tudo bem: tenho livros, tricot e... ah, trabalho! para fazer.

Agora giro, giro, giro mesmo era que acontecesse o que aconteceu há dois anos atrás: um nevão aqui na cidade a 9 de Julho! Mas fim-de-semana mais ou menos prolongado já não é mau.

domingo, 5 de julho de 2009

Fim-de-semana de reclusão (ou talvez não)



Cá por estas bandas anda um alerta generalizado pela gripe A. E olá se há muito para contar sobre o assunto! Começando pelo princípio, até ao dia 28 de Junho, dia das eleições, não houve gripe. Não é não houve gripe nos media, não, é não houve gripe. Houve um bocadinho, aqui e ali, mas estava tudo controladíssimo.

No dia 28, os resultados das eleições dão um valente golpe na confiança da dinastia K. No dia 29, aparece a gripe. Em força. De repente, há milhares de infectados, centenas de casos graves e dezenas de vítimas mortais. Alguns canais de televisão falam em 100 000 infectados e hoje o dado é de 55 mortes confirmadas. Encerram-se escolas, antecipando as férias de Inverno, e fala-se em fechar lojas, centros comerciais, cinemas e teatros.

Ora nesta altura do campeonato decido ir consultar o site da Organização Mundial de Saúde, mais especificamente os dados relativos ao dia 3 de Julho. Quantos infectados na Argentina? 1587. Vítimas mortais? 26.

Sem querer de alguma forma desrespeitar as memórias e as famílias de quem faleceu vítima da gripe (ou vítima de outra doença pré-existente, que foi agudizada pela gripe), convenhamos que 1587 infectados está muito, muito longe dos 100 000 de que tanto se fala.

Um dos primeiros artigos que li no início da histeria pela pandemia da gripe suína comparava a mortalidade da gripe A com a mortalidade da malária, dizendo que esta matava uma pessoa cada 30 segundos. O problema é que as pessoas que morrem por malária vêm de países pobres e acabam por não constituir de forma alguma uma preocupação para quem vive em países mais desenvolvidos. Digamos que a malária não é tão rentável como... uma gripe.

Quem ganha com a instalação do pânico da gripe? Ganha quem produz as drogas anti-virais, o álcool em gel, as máscaras; no caso argentino, e quiçá também noutros contextos, ganhará também quem usa a história para desviar a atenção da opinião pública da realidade política que se vive.

Os media locais vivem da veiculação da cultura do medo: é a questão da insegurança, com as notícias sensacionalistas de assaltos e tiroteios que preenchem telejornais inteiros (a par com o futebol e o tempo); agora, a gripe, que ofusca toda e qualquer notícia que possa ter alguma relevância (passou-se por alto o "episódio" das eleições no Irão; do conflito no Sri Lanka?... o que é o Sri Lanka? Conflito?). Como será quando chegar a Primavera e aumentar o risco da dengue? Ora aí está uma coisa que me preocupa, já que morre mais gente por dengue que por gripe!

Com toda esta paranóia, no Inverno do ano que vem vou esperar que se fechem as escolas durante um mês, se adiem exames e que se fechem lojas e cinemas, já que, afinal de contas, todos os anos há uma gripe no ar.

Tenhamos cuidado e prudência, mas nada de pânico!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Usurpando

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Usurpando totalmente o gorro a seu dono, mostro aqui o passa-montanhas terminado. Agora só falta mesmo é a neve.

(E a etiqueta!)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Uma manta? Ou um saco de tricot?

Blanket? perhaps knitting bag?

Ninguém sabe ao certo. O que se sabe é que já parece um menir, daqueles que o Obélix transportava, só que em vez de ser às costas é ao colo. Quando a tricoto, tapo as perninhas e os joelhos, que isto o frio ataca à séria e o Inverno (a idade?) não perdoa. Como estou a usar lã pura, as mãos ficam quentinhas e, de caminho, bastante hidratadas com a lanolina que ainda sobra nas fibras.

Acho que depois deste post é que me vão chamar, sem sombra de dúvida, avozinha.

Como dizia uma lenda urbana, com um encolher de ombros: é a vida, menina, o que é que se há-de fazer?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Eleições várias

Ontem houve eleições cá na Argentina. De uma forma geral e muito resumida, a dinastia K levou uma valente machadada na sua confiança. Ainda não ouvi o discurso da derrota (que foi dado em directo... às duas da manhã) nem o da presidente (estava muito mais divertida a beber um chá e a conversar, porque foi hoje a meio da tarde), mas pelo que ouvi das minhas colegas, suponho que de várias formas mais ou menos encapotadas tenham tentado esconder a amplitude da perda com uma alegação ou duas de fraude.

Mas adiante.

Também sobre eleições, desta feita no Irão, a Diana publicou um vídeo arrepiante no blog dela. Nada temam, porque não contém imagens chocantes. Mas vale a pena ver.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Podcasts

Há já bastante tempo, a C. perguntou-me que podcasts ando a ouvir actualmente. Ora aqui está um assunto que me é caro porque, para quem trabalha sozinha como eu, o podcast funciona sobretudo como uma grande companhia.

Passo a contar:

Definitely not the opera, da CBC Radio.

Para quem fala inglês e gosta de ouvir temas bem abordados, sem nunca serem aborrecidos. Nestas emissões já tocaram assuntos tão diferentes como o valor de um agradecimento, o que são as queixas e porque nos queixamos e muitos outros. Hoje estava a ouvir o programa sobre distracções e, mais uma vez, senti-me muito acompanhada. Afinal, não sou só eu que tento fazer tetris com o meu tempo, me levanto, vou à cozinha buscar uma chávena de chá e volto de lá com um lenço de papel, mas sem chávena de chá. Limpo o nariz e penso que me picam as mãos. Vou à casa de banho e ponho creme, mas ao passar pelo quarto lembro-me de uma camisola que queria pôr a arejar. Olho para a mesa de cabeceira e vejo uma revista que me chama a atenção; pego nela e vou para a sala e sento-me no sofá. Sinto frio e ligo a televisão para ver a temperatura lá fora. Chi, está mesmo frio, deve ser por causa do aquecimento que o ambiente está tão seco. Levanto-me e vou à cozinha buscar uma chávena de chá: "que estranho, o chá já está frio...", penso eu.

Ah, o podcast! É verdade. Para quê tentar descrevê-lo? Ouçam-no, porque vale a pena.


Coisas que acontecem e Laboratolarilolela

Cada um são meia dúzia de minutos com o belo do disparate do Nuno Markl, o que me dá sempre para a risota. Para acompanhar ilustrações e trabalhos que requeiram menos concentração, pois claro.


Governo Sombra, TSF

Para me manter próxima da realidade portuguesa, nada melhor que um banhinho de Governo Sombra. A actualidade nacional já comentada, com piada incluída e tudo. Gosto muito e consta até que já mandei sonoras gargalhadas, dizem os vizinhos da frente que não percebem como é que uma pessoa sozinha, debruçada sobre uma mesa, se ri tanto.

Sticks and String

E este é o útlimo podcast de que sou fã há muito tempo. O tema é o tricot e é feito por um senhor australiano que vive nas montanhas perto de Sydney e que tricota (não só mas também) a caminho do trabalho. Para quem não tricota, suponho que não deve ter muita graça; para quem tricota, a coisa muda de figura, já que ele entrevista pessoas famosas deste universo (o do tricot), conta como vão os seus projectos, fala dos dois gatos, faz crítica de agulhas, fios, livros e revistas sobre tricot. E tem piada, claro.

De resto, vou ouvindo de forma intermitente os podcasts de Stephen Fry, os episódios da Praia das Maçãs, as entrevistas no Pessoal e Transmissível e as conferências TED Talks. E estou a ouvir o audiolivro Little Women, de Louisa May Alcott, disponível de forma gratuita aqui.

Frio

Com a chegada do Inverno, aproxima-se também a temporada de ski, momento muito esperado aqui nesta casa (mais por um que por outra). Enquanto contamos (alguém mais que eu) as semanas até à partida para Ushuaia, tricoto alegremente os gorros e passa-montanhas a usar nas extremas temperaturas austrais. Sim, porque aparentemente as temperaturas sentidas lá no sul não são para os betinhos que vão a Bariloche (nós, no ano passado) ou a Las Leñas, praticamente tropical (nós, há dois anos).

Em regime de preparação para o frio, estou no processo de tricotar este passa-montanhas:

Passa-montanhas

Depois de já ter tricotado este gorro...
my cabled hat
...que estreei esta manhã, depois de ver na televisão que a temperatura era de -0,3ºC (acho que os senhores da televisão devem ter adorado ir buscar o "menos" à biblioteca de símbolos estranhos e raramente usados).

E tricotei este e também o bordei (onde ficaste tu, ponto cruz, depois de tantos anos de tortura e de sofrimento?):
DSC03660

É, não dá para ver mas é o monograma de certa pessoa desta casa. O que uma pessoa faz por amor!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sobre a vaidade

my sweater, now completed!

Ou talvez não. Talvez não seja "sobre", mas sim "a vaidade". É a vaidade de quem terminou total, definitiva, completamente a camisola azul, já com o galão (comprado aqui) cosido. (Falta o queque, ou o bolo de arroz, e já acabava a piada sem piada!)

Gosto tanto desta camisola! Ele é a lã, fiada e tingida à mão, comprada directamente ao produtor durante a Feira de Artesanato de Buenos Aires; ele é a cor, que me faz lembrar o mar; ele é onde a tricotei, aqui na Argentina e também na Austrália, durante a nossa lua-de-mel, enquanto o "Jarbas" (perdão, Príncipe) me conduzia pelo lado esquerdo da estrada e víamos paisagens lindíssimas.

Nesta camisola aprendi a coser um fecho num tecido tricotado (não que soubesse em tecidos não-tricotados, convenhamos, mas é sempre bom aprender) e a pôr-lhe um galão por cima. E agora tento usá-la o mais frequentemente possível, porque a adoro e também porque este azul espanta os cinzentos típicos do Inverno e eu, pelo meu lado, fico muito mais feliz.

Mas agora já chega de tricotar camisolas para mim. Agora são gorros para o ski e mantas para o sofá.

Um dia esta casa ainda vai estar coberta de coisas tricotadas. Ora deixa cá procurar uma receita para um tea cosy maneirinho...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ter vida social...

...é muito bom. E é bom também não ter tido vida social em Buenos Aires durante algum tempo para agora dar valor a ter combinações com (novas) amigas e almoços e mate y galletitas com outras.

Obrigada às minhas novas amigas!

(Estou contente!)

terça-feira, 16 de junho de 2009

E vivam também os fins-de-semana prolongados!

O fim-de-semana prolongado argentino não foi tão prolongado quanto o português, já que só ontem, segunda-feira, é que foi feriado. Mas nem por isso foi menos desejado ou aproveitado que os cinco dias de mini-férias desse lado do oceano! Desde muitos tricots (no Sábado foi o dia mundial do tricot em público), a puzzle, estudo de alemão, cinema e uns quantos programas de televisão, estes três dias foram muito bem aproveitados. (E acho que me esqueci de mencionar as sestas!)

Ora poderíamos pensar que esta última alternativa, a televisão, era a menos interessante, mas, pasmem, nem por isso. E é precisamente de um dos programas que vimos que quero aqui falar.

A televisão argentina, regra geral, é uma piada de bastante mau gosto. O serviço noticioso, então, nem se fala. Nas notícias praticamente não passam temas internacionais, a menos que de alguma forma mais ou menos directa tenham repercussão local. Isto quer dizer que aqui ninguém ouviu falar de atentados bombistas no Paquistão, eleições no Irão ou até da guerra civil que houve no Sri Lanka. Não, aqui fala-se do assalto à casa de não sei quem, da colisão na estrada não sei quantas, dos jovens delinquentes no bairro tal e, claro está, nas guerras entre as facções que vão agora às urnas.

O que faz com que, sistematicamente, tenhamos de recorrer a outros canais noticiosos, o que felizmente não apresenta problemas. Entre a BBC, a CNN (nos canais em inglês e em espanhol) e a Deutsche Welle sempre vamos tendo uma série de perspectivas diferentes sobre as coisas que acontecem no mundo.

A BBC, especialmente ao Domingo de manhã, passa uma série de documentários muito interessantes, sendo que este Domingo passou um que realmente me agradou: Cocaine Diaries: Alex James in Colombia. Este documentário, realmente, é muito interessante. Nos primeiros minutos o apresentador, Alex James, dá-nos o fio condutor da hora que se segue - e este fio agarra-nos logo. Conta-nos que é agricultor, que numa vida anterior foi baixista do grupo britânico Blur e que, nessa vida anterior, era também viciado em cocaína. Entretanto, muitos anos depois, recebeu um convite do presidente da Colômbia para visitar o país e ver o que está a ser feito para combater o narcotráfico.

E ele lá vai. É recebido pelo presidente, pelo vice-presidente, vai à selva ver o que o exército faz para destruir as plantações de coca, aniquilar os laboratórios clandestinos que produzem cocaína, vê o processo (e só o processo já é bastante desencorajador, com todos os petro-químicos usados para extrair da folha o princípio activo), fala com uma "mula", ou correio, na prisão, encontra-se com traficantes e assassinos a soldo em Bogotá... Enfim, o documentário é realista, multi-facetado, e, sobretudo, responsabiliza muito o consumidor, já que enquanto houver quem consuma, haverá tráfico.

O próprio narrador engole um par de vezes em seco com as respostas que ouve - e nós também.

Tal como Alex James descobre na sua viagem, também eu achei o mesmo quando fui à Colômbia, há dois anos: é um país fabuloso, rico e diverso, com as pessoas mais gentis e bem educadas que conheci, a falar o castelhano mais melodioso e poético que já ouvi. É um país que luta por avançar e, pelo menos em termos urbanísticos, que foram os que melhor pude observar, é um país que tem dado cartas a nível internacional com projectos de mobilidade (em Bogotá) e requalificação urbana (Medellín) de primeira categoria. Mas é também um país que sofre na pele e no dia-a-dia o efeito dos vícios dos consumidores ricos (porque a cocaína é cara e não é para qualquer carteira).

É um documentário a ver.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Viva o 10 de Junho antecipado!

Camané em Buenos Aires

Ontem fomos ver o concerto que a Embaixada de Portugal em Buenos Aires nos proporcionou: Camané e os seus acompanhantes. Três excelentes acompanhantes, há que dizer!

Num concerto cujo acesso era só por convite, a sala, de cerca de 1800 lugares estava praticamente cheia. Incrível, não é? Tendo em conta que não havia assim tantos portugueses (não somos assim tantos por estas bandas), foi uma boa assistência a que se conseguiu ali, sobretudo tendo em conta o preconceito que existe por cá de que o fado é tristón.

Camané cantou e encantou, entre canções a capella, instrumentais magistralmente executados pela sua trupe e pelo entusiasmo com que se ofereceu ao público. Não tendo sido rapaz muito falador, esforçou-se por comunicar em castelhano - e comunicou sobretudo com a sua música.

Em alguns momentos, nos meus braços os pêlos levantaram-se e o coração apertou-se um bocadinho, com as saudades.

Viva o 10 de Junho!

P.S. Ao jantar, contámos à nossa amiga G., argentina, porque é que amanhã é o nosso feriado nacional. Tenho muito orgulho no facto de a data escolhida se relacionar com um acontecimento artístico e não político. Gosto do meu país!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vinte anos

E porque hoje se comemora o vigésimo aniversário do massacre na Praça de Tiananmen, que não nos esqueçamos que não mudou assim tanta coisa no Império do Meio.

Homens nus

O "Entre..." está a ficar um antro de poucas-vergonhas. Onde é que já se viu um post sobre homens nus? Mas este post é para vos contar da minha actividade paralela de há um ano para cá, a pintura. No início tínhamos uma modelo; agora, temos um modelo. Ainda por cima chama-se Jesús - e o irmão, Dios.

Não sei se já contei esta história aqui, mas já serve de anedota para desbloquear conversas quando conheço pessoas novas. Ora um dos colegas da pintura é um rapaz novito, que ouvia falar na cola de Jesús, na espalda de Jesús, nas piernas de Jesús e achava que éramos todos muito religiosos, muito crentes e muito observantes da tradição.

Ora não senhores, estávamos mesmo a falar sobre o nosso modelo, ainda por cima um rapaz de estrutura bem definida (levante a mão quem apreciou a metáfora!) e muito simpático. Nas aulas, aguenta piadas sem fim sobre o nome dele e responde com paciência de santo (só podia) às perguntas sobre como anda Dios.

E porque ele realmente é um santo, porque faz poses complicadíssimas e não se mexe nem um centímetro, porque ainda por cima é uma simpatia de rapaz, aqui ficam as fotografias do quadro que estou a fazer.

2009.05.18_01bAssim ficou após a primeira sessão...

E assim é como está agora, após a segunda sessão.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cesária Évora em Buenos Aires



Ontem à noite foi o concerto de Cesária Évora em Buenos Aires. E que concerto! A sala estava a uma temperatura claramente próxima dos zero graus (e só estou a exagerar um bocadinho), mas as mornas e as coladeras de Cesária Évora aqueceram o ambiente. Cantou as que eu conhecia e muitas que não conhecia. O encore incluiu o Besame mucho, muito requisitada pela plateia. No final estava toda a gente de pé, a dançar... não só a música convidava como também era preciso espantar o frio!

A parte chata foi a do grupo que subiu ao palco para fazer a abertura do concerto. Não fazia ideia que ia ser assim: as luzes não estavam apagadas, as pessoas ainda estavam a ser sentadas nos seus lugares, os chicos que vendiam cachorros quentes e hambúrgueres apregoavam altíssimo a sua mercadoria... Enfim, na minha opinião, uma tremenda falta de respeito para com os artistas em palco, que ainda por cima até tinham umas canções bem giras para partilhar com o público.

Já em casa casa, colei-me ao aquecimento porque os meus pezinhos mais pareciam cubitos de gelo. Brrr.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ano do Bicentenário









No dia 25 de Maio celebra-se na Argentina o início da Independência. Tudo começou na semana anterior a este dia, nos idos de 1810. Correndo o risco de deixar aqui algum disparate histórico, vou tentar contar resumidamente a história da independência desta já não tão jovem república.

Ora nessa semana, os crioulos (como chamavam aos filhos de imigrantes nascidos cá), fartos de tanto manda e desmanda da coroa espanhola, começaram a manifestar-se abertamente contra a autoridade, considerada longínqua. No dia 25 de Maio a situação culminou e chegou-se à decisão de fazer um Cabildo (como uma Assembleia Municipal) cuja assistência não fosse exclusivamente de espanhóis, mas sim onde se admitissem também crioulos. E este foi um passo muito importante.

A independência só se consuma a 9 de Julho de alguns anos mais tarde (1816), na sequência do Congresso de Tucumán, onde se fez a Declaração de Independência à coroa espanhola.

(Nota aparentemente marginal: Sobre este episódio encontrei este link, que fala inclusivamente de uns tais de "planos portugueses de invasão". Lendo o texto, até me parece que eram mais os planos das Províncias Unidas do Rio de la Plata de se unirem à coroa portuguesa, mas não é de destas politiquices que reza o "Entre...".)

Voltando às celebrações do 25 de Maio, este ano começou, portanto, o ano em que se começa a comemorar o Bicentenário. Assim, no dia 24 à noite foi feito um mega-concerto na Avenida 9 de Julio, com palco no Obelisco e muitos milhares de pessoas avenida abaixo, com muitos e variados artistas argentinos que cantaram igualmente muitos e variados hinos às personalidades da independência. Nós temos o hino nacional; eles têm o nacional e mais uma mão-cheia deles, a Sarmiento, a Cabral e a muitos outros heróis da independência (sim, Ana, ri-te!). Cada artista imprimiu o seu toque pessoal e, com a ajuda de legendas, também nós pudemos acompanhar os hinos e perceber a quem se destinava cada um deles. (Para os curiosos, aqui fica um link para todos os hinos que são cantados nas escolas.)

À meia-noite, todos os artistas subiram ao palco para cantar o hino nacional, como manda a lei. E "como manda a lei" não é força de expressão, é mesmo literal: à meia-noite toca mesmo o hino nas estações de rádio...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Mais rápido que a sua própria sombra

Essa é que é essa. Nem deu tempo para contar aqui no "Entre..." que por cá já começámos os nossos passatempos de Inverno, porque entre começar e acabar foi menos que um espirro. Enquanto o diabo esfregou o olho, o Paulinho terminou este puzzle. E sim, desta feita foi ele a fazê-lo quase todo, porque eu ando entusiasmada com a manta que estou a tricotar.

No primeiro dia ficou assim:




Ontem à noite estava assim:






Ontem ao fim da noite estava assim:






E esta, hein? Não há quem apanhe o rapaz... agora ganhou-lhe o jeito (e o gosto!) e ninguém o pára. Será que a seguir começa com o tricot?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Eleições à porta

"Politics have a good side. Meet it/him."

As eleições estão à porta e um dos meus divertimentos é ver a propaganda eleitoral. Felizmente não tenho de votar, porque se tivesse não sei em quem votaria. A miríade de candidatos é tão grande, mas tão grande, que honestamente não percebo quem é quem nem quem se associa com quem.

(Nota: estou a falar das eleições por estas bandas, não as que vão ser em Portugal. Será que estas palavras se adequam aos dois casos?)

Por cá tem sido um chorrilho de notícias relacionadas com os cadidatos que não são aceites pelo juiz não sei quantos e as potenciais razões para esse chumbo. Depois, é a classificação que fazem dos candidatos: como não há assim muitos partidos com nome (basicamente, o Justicialista, que é o do movimento peronista e também chamado de "oficialista"), temos os candidatos do PJ (o peronista) e os restantes são os "dissidentes do PJ". E aqui começa a confusão, porque há os dissidentes em todas as direcções, ficando o espectro político argentino ainda mais confuso. Isto porque, à partida, o Partido Justicialista também não é nem de direita nem de esquerda, é de tudo e de todos. Há políticas de um lado, políticas do outro, mas fundamentalmente assentam a sua filosofia numa base de culto da personalidade (na sua origem, do clã Perón; hoje, do clã Kirchner).

Estão confusos, caríssimos leitores? Nós também.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sydney Opera House

Sydney Opera House
A Ópera de Sydney é fabulosa.

Até aqui não disse novidade nenhuma, já sei. Mas é mesmo. Na visita guiada que fizemos ficámos a saber algo da sua história, uma história muito menos glamorosa do que aquilo que hoje vemos e poderíamos imaginar.

O concurso público e internacional para uma sala de espectáculos na pontinha de terra chamada de Benellong foi lançado nos idos de 50, tendo sido ganho por um projecto qualquer bastante quadrado e banal. Conta o mito urbano que um dos membros do júri, o arquitecto Eero Saarinen, chegou atrasado à deliberação e, quando olhou para a pilha dos projectos descartados, tirou de lá um vindo da Dinamarca, de um ilustre desconhecido e disse que aquele, sim, aquele é que era.

Os desenhos eram de umas formas muito bizarras e totalmente diferentes das diferentes propostas feitas por vários arquitectos de vários países e, mesmo sem ter desenhos de pormenor, foi-lhe atribuído o primeiro prémio. Jørn Utzon, o arquitecto vencedor, nem sabia que dor de cabeça lhe estava para chegar... sobretudo porque não fazia ideia de como é que iria resolver o problema construtivo que era armar aquelas velas sem que elas caíssem.

As obras começaram - afinal de contas, ainda havia muito para construir até chegar aos telhados - sem se saber ao certo qual seria a solução técnica para estabilizar a estrutura. Isso implicava fazer uma estimativa de orçamento e de tempo de execução muito por alto, para usar um dos eufemismos a que mais estamos habituados no que toca a previsão de custos de obras públicas.

Olhando para trás, devia estar tudo louco, não é verdade? Não só o arquitecto como também o governo da Nova Gales do Sul arriscaram imenso ao começar as obras sem saber como resolver os detalhes construtivos. Mas, em retrospectiva, se não tivesse sido aquela loucura, hoje não teríamos esta magnífica construção, património da Unesco.

A verdade é que esse "pequeno" detalhe acabou por azedar as relações entre uns e outros e, apesar de Utzon ter conseguido resolver o problema, a dada altura divorciou-se do projecto e conta-se que nunca mais voltou à Austrália (que pena, porque é tão bonito...). Um dia, estava ele a olhar para um dos seus barcos - consta que era marinheiro - observou velas e quilha do barco e fez-se luz no seu espírito. A verdade é que hoje a Ópera de Sydney é o ex-libris de uma cidade, de um estado e até de um país, tudo por causa de uma ideia maluca de um arquitecto dinamarquês de nome impronunciável.

(A história, de forma muito mais completa e rigorosa do que aqui a conto, está aqui.)

A quem for a Sydney, recomendo vivamente uma visita guiada ao interior do edifício. Estivemos na zona de serviços a ver cenários a serem carregados nos enormes elevadores que servem os palcos, entrámos na sala principal e numa sala auxiliar, passeámos pelo foyer e vimos os módulos que constituem a estrutura dos vários telhados.

Sydney Opera HouseO foyer da sala principal.

Sydney Opera HouseA vista do foyer!

Sydney Opera HouseDetalhe da estrutura do telhado.

Sydney Opera HouseA casa de banho.

Sydney Opera House A sala Jørn Utzon, a única que tem desenho integralmente feito pelo arquitecto. A tapeçaria também é da sua autoria.

E, ainda por cima, obtivemos um desconto para ir ver o Jerry Springer, the opera. Claramente: valeu a pena!

Se ficaram com vontade de ver mais fotografias, cliquem aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A descoberta da Antárctida. Ou talvez não.

Já sei que houve uns senhores quaisquer que foram em expedição à Antártida; houve até quem filmasse lá documentários sobre pinguins e coisas assim. Mas a verdadeira descoberta, a verdadeira descoberta para mim, foi ver o seu contorno representado de "frente", tanto quanto uma superfície esférica pode ser representada de frente, quero dizer: sem as distorções habituais dos planisférios.

have you ever seen Antartida represented this way?

Vêem ali o "time to destination: 8:12"? Isto passou após umas seis horas de voo. Não é que não estejamos habituados a voos de longo curso, mas realmente há limites, senhoras e senhores, e quando aterrámos na Argentina pensei: "ainda bem que agora viagem longa só para Agosto".

Sydney e Buenos Aires estão praticamente à mesma latitude e até têm um clima bastante parecido (mais humidade, menos humidade - e aparentemente um Inverno mais rigoroso por estas bandas). Quem vê no mapa, vê uma recta bem horizontal entre os dois pontos e imagina que o voo terá uma rota orientada a oeste (para a Austrália) e a leste (de regresso à Argentina). Enfim, já me tinham falado da rota polar, mas apesar de saber da possibilidade, penso que realmente nunca tinha visualizado bem o que seria tomar tal caminho.

Posto isto, quando saímos de Buenos Aires e o avião rumou a sul, assim como quem vai a Ushuaia comer uma sopa de centolla, pensei cá para com os meus botões: "tu queres ver? Será que...?".

E vai daí, foi. Rumámos a sul, bem a sul, ainda mais a sul, e mais, e mais ainda. À beira da Antárctida estivemos horas a fio, parecia que o aviãozinho no monitor não avançava. Depois, quando já não havia mais sul para onde ir, rumámos a norte. E norte, e norte e norte, passámos pela Nova Zelândia, Tasmânia, até finalmente aterrar em Sydney, confusos, cansados e com os sonos totalmente trocados.

O regresso foi igual. Ajudados pela rotação da Terra - ou pelos ventos, não sei, não sou especialista em aeronáutica - a viagem ficou uma hora e quaisquer trocos mais curtinha, Buenos Aires cada vez mais perto, juntamente com a minha casa e o meu duche, meu, meu!

Sydney > Buenos Aires

E assim se prova que a menor distância entre dois pontos não é uma linha recta!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

E porque o efeito-férias se vai dissipando...

...(e o frio até já chegou!) de vez em quando sinto necessidade de regressar às fotografias australianas e babar um bocadinho enquanto me lembro dos episódios vividos.

Jumping in Sydney

Luna park entrance in St. Kilda, Melbourne

Regostei tanto de Melbourne e de Sydney! "Re" porque já lá tinha estado e já tinha gostado; esta foi "apenas" a confirmação de que a Austrália era tudo aquilo que eu lembrava e ainda mais.

Bom fim-de-semana!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Obrigada!


Já há muuuuuuuuuuito tempo recebi de "Muipiti" e do blog Ideias em Contas este simpático selo. Como tenho tido a cabeça noutros planetas (Planeta Lua-de-mel, Planeta Jetlag, Planeta Volta ao Trabalho) só hoje surgiu a oportunidade de o pôr aqui.

Até porque de caminho aproveito a boleia de outro simpático selo, que recebi nos últimos dias, desta feita do blog Utopie Calabresi.



Desde já agradeço a Muipiti e a Domenico Condito pelas duas distinções e peço-lhes infinitas desculpas por não indicar mais blogs a quem enviar a mesma alegria que eu senti. Por um lado, são tantos os blogs de que gosto, que seria difícil escolher; por outro, se já demorei tanto tempo a acusar a recepção destes, se ainda fosse fazer a lista de blogs escolhidos poderia demorar até ao ano que vem...

Assim sendo, muito obrigada a ambos e espero que tenham vontade de voltar sempre!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Daquelas coisas que acontecem cá

O que é que se faz num monumento (a um herói da independência, claro está!) numa tarde de sol?

what to do on a monument I

Admira-se a escultura e o graffiti, admira-se o calorzinho que se sente, observa-se pessoas que bebem mate, lêem, jogam ao disco ou passeiam os cães.

what to do on a monument II

E há quem aproveite para tostar um bocadinho, armazenando energia para o Inverno. Uma autêntica formiguinha no trabalho para o bronze.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dia da Mãe



Ontem foi Dia da Mãe em Portugal. Aqui é só em Outubro, o que significa que, na prática, a minha Mãe tem direito a dois telefonemas especiais de Dia da Mãe. Na verdade, a minha Mãe é tão o máximo que merece estes dois e mais dois, ou talvez mais duzentos e vinte e dois.

Mãe, és mega-fofa e eu gosto de ti. Tenho saudades das favas e das ervilhas e das conversas muito de-ta-lha-das e de todas essas coisas que te fazem a Mãe mais fixe e querida do mundo. Fica combinado para Agosto?

E, para terminar...

9. À quarta é que foi de vez: depois de três tentativas frustradas, o Paulinho lá conseguiu atirar-se em queda livre de um avião que funcionava perfeitamente.

Verdade!







Palavras para quê?

Balonismo ou "Sempre quis fazer e nunca tinha surgido a oportunidade"

8. No fim do nosso passeio de balão de ar quente, depois de uma aterragem falhada, ficámos a pairar poucos metros acima de um cabo de alta tensão.

Também verdade!









Levantámo-nos antes das quatro da manhã, ou seja, muito antes das galinhas, e lá fomos a caminho de Mareeba, uma cidade a uns 80km de Cairns, situada no planalto de Atherton, no interior do estado de Queensland. Mareeba, aparentemente, é a meca do balonismo porque tem 300 dias por ano de condições favoráveis à prática desta actividade: pouca nebulosidade, pouca precipitação, ventos favoráveis e temperatura fresca o suficiente para o balão poder subir. E sim, "pela fresca", em Mareeba, ganha todo um novo significado: quando saímos, apesar de estarmos no trópico, o fresquinho convidava a um casaco. Às dez da manhã, a torreira era tanta que me questionei muitas vezes sobre o que me teria passado pela cabeça para ter levado um agasalho.

Sempre tive vontade de experimentar o voo em balão mas nunca tinha surgido a oportunidade. Ali, em lua-de-mel, era o momento de fazer todas aquelas coisas que se calhar não voltaríamos fazer.

Levantar voo, num balão, é uma sensação... linda, mas não pelo que se sente. Não há sobressaltos, apenas um levitar ligeiro, que depois se vai aumentando à medida que ganhamos altura e nos afastamos do chão. Lá em baixo, víamos cangurus aos saltos, a fazer os seus afazeres de cangurus. Nunca tinha visto um canguru de cima, nem nunca me tinha apercebido realmente do tamanho de um dos seus saltos. Apanhar com um canguru a voar não deve ser coisa agradável, diria eu, porque aqueles bichos vão rápido.

Lá em cima, tirando o ruído do gás em combustão, apenas ouvíamos o vento, já que ninguém tinha vontade de quebrar aquele encanto. Em baixo, quadrados de terras cultivadas, bananeiras, mangueiras, tudo quanto é fruta tropical se dá bem ali.

Aterrar, tal como a própria rota do voo, é matéria de sorte: o balão vai para onde sopra o vento. Para mudar de direcção, tem de subir ou descer para apanhar uma corrente de ar que siga outro caminho. Por isso, a nossa aterragem teve várias tentativas: começou com a aproximação a um dos quadradinhos não cultivados. Paulatinamente fomos perdendo altitude e, por fim, batemos no chão. Só que o vento não cooperou e deu-nos um empurrão, não deixando ao nosso "skipper" (não sei se nos balões têm este nome...) outra alternativa senão a de ganhar novamente altitude. É que entre aquele quadradinho onde havíamos pousado e o seguinte havia uma estrada e uns cabos de alta tensão, obstáculos que não são de desprezar.

E depois... depois esperámos. Esperámos que vento nos acabasse de empurrar até à propriedade do lado, sem ganhar muita altitude. Logo ali abaixo estavam os cabos...

Aterrámos, suavemente como da primeira vez, já com muito calor, muita luz diurna, muita fome também. Afinal de contas, já estávamos acordados há várias horas e ainda em jejum! Mas ainda tivemos de arrumar o balão, tarefa facilitada pelo número de ajudantes. Quem diria, mas um balão pesa!



A verdade do mergulho

7. O Paulo fez o seu primeiro mergulho em mar aberto no Great Barrier Reef e viu um bivalve com mais de um metro de comprimento!

Também verdade. Não faço ideia de como se chama o bivalve mas seguramente apareceu no Finding Nemo e também no Under the sea, filme que vimos em 3D no IMAX de Darling Harbour, em Sydney.



"Fatiotas sexy" de uns e de outros!

Em Cairns comprámos uma excursão ao Great Barrier Reef e, apesar de ser a segunda vez que lá fui, adorei. Adorei, adorei. E também me escaldei, apesar do imenso cuidado a espalhar o creme protector. O sol australiano não brinca em serviço!

Porque quando estamos longe, qualquer referência a Portugal nos aquece o coração!

A excursão foi num barco estilo catamarã, que saiu da marina de Cairns e foi até uma ilha, pertencente ao Parque Natural. Nessa ilha havia uma corda que separava o espaço dos pássaros do espaço dos humanos - e não é que ambos os grupos a respeitavam? Essa ilha, mínima, é produto de sedimentos trazidos pelos pássaros; aos poucos foi-se fixando com um pouco de vegetação e hoje é um ninho gigante para aquela passarada toda, que gralha todo o dia - afinal de contas, está em casa e um pássaro tem de governar a sua vida.

Aí na ilha podíamos nadar e fazer snorkel para ver os corais, os cardumes de peixes e também os bivalves; eu fiquei pela ilha. O Paulo, desejoso de experimentar um mergulho em mar aberto, lá foi vestir uma fatiota sexy e experimentar a botija de oxigénio nas costas. Veio encantado, mas continua a preferir o ski, segundo consta.