quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Golden Gate

Uma das experiências mais fantásticas do ano - lá perto da subida ao vulcão Acatenango, na Guatemala - foi passar a histórica ponte Golden Gate de bicicleta.

São Francisco é uma cidade de colinas, tal como a nossa querida Lisboa, mas isso não impede que haja muitos ciclistas, e cada vez mais turistas a optar pela bicicleta como forma de se moverem na cidade. Há várias lojas especializadas no aluguer de bicicletas a quem não conhece a cidade e quer, precisamente, ver a ponte de perto. Assim fizemos: olhámos pela janela do quarto, o dia estava bonito, não estava calor, estava até um pouco fresco, o que seria ideal.

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Descobrimos nesse dia que a ponte é, de facto, garota tímida e que o mais provável é estar envolta em nevoeiro, mesmo quando há céu azulíssimo por todos os lados. E sabem o que há dentro do nevoeiro? Frio. Muito. E água, água que por acaso ficou pousada sobre as fibras do meu querido casaco tricotado à mão.

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O acesso à ponte é fácil, está bem indicado, e da cidade passamos a ciclovias numa zona chamada Crissy Field, que outrora foi uma base aérea militar, com pista de aterragem e tudo (daí ser uma faixa fina ao longo da costa) e que hoje é um parque natural urbano. Vêem-se pessoas na pequena praia contígua, gente com papagaios de papel, muitos desportistas.

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Já mais perto da ponte, passámos do azul quase estival para um cinzento invernoso, frio e molhado. Enfrentámos a nuvem e a subida e chegámos ao tabuleiro da ponte, onde circulámos no passeio que nos competia. No sentido sul-norte, fomos pelo passeio do lado este, que partilhámos com peões. Já no regresso, imposição horária, regressámos pelo passeio oeste, onde só circulam bicicletas.

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Foi uma emoção passar a ponte e não resisti a parar algumas vezes para tirar fotografias.

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Do outro lado, um miradouro com uma vista linda sobre a cidade de São Francisco, que naquele momento também se decidiu esconder atrás do nevoeiro. Linda, na mesma, porque aquele manto branco só lhe aumentou o charme e a aura de mistério.

Hello, San Francisco!

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Deixámos o sol lindo que banhava a margem norte da ponte e o miradouro e voltámos a penetrar a nuvem, para regressarmos à margem sul - e à cidade. Na descida dos acessos, tivemos de parar na Warming Hut, uma casinha com um pequeno café e uma loja - giríssima, tudo em São Francisco é giro, que podemos fazer? - para nos aquecermos.

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Dali continuámos o passeio, desfrutámos as paisagens lindas e várias dores musculares mais tarde entregámos as bicicletas. Nessa noite, caríssimos leitores, já só conseguimos andar de táxi.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

São Francisco

Depois de Orlando, voámos até São Francisco, cidade que me conquistou completamente.

No primeiro dia em que lá estivemos, fomos brindados com um magnífico céu azul, sem nevoeiro. Quem visitou sabe que a famosa ponte Golden Gate, a irmã mais velha da nossa querida 25 de Abril, se costuma esconder pudicamente debaixo de um manto branco. Pois naquele dia, não. Estava linda, linda e desavergonhadamente vermelha contra o céu azulão de Outono.

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Na baía, à direita, Alcatraz; à esquerda, a Golden Gate, a entrada dourada para a baía de São Francisco.

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Em Chinatown viajei no tempo até à minha adolescência em Macau.

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Não sei se se entende bem o fascínio que uma cidade cheia de desenhos e de letras pode suscitar a uma ilustradora e designer gráfica... Não conseguia parar de tirar fotografias, e estas que aqui vêem são apenas uma breve e concisa selecção.

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A Coit Tower sobre a colina.

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Ei-la. Erguida como forma de agradecimento à cidade e aos bombeiros locais, a Coit Tower foi a primeira torre a ser erguida na cidade e, apesar de não ser a mais alta, é a mais alta ali da zona. Lá dentro, está toda decorada com murais encomendados a vários pintores, alguns muito revolucionários. Mais informação sobre a torre aqui.

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Vista de lá de cima, a Golden Gate, ao longe, sem nevoeiro. Ao longe, consegue ver-se a porção de Lombard Street às curvinhas (a parte de rua totalmente arborizada). Com os seus canteiros lindos, a rua é realmente apetecível. Talvez só não para viver.

Nesse dia aproveitámos para andar a pé pelas ruas da cidade, subimos e descemos, entrámos por Chinatown e continuámos, subimos à Coit Tower e tivemos uma panorâmica maravilhosa. Ao certo, não sei quantos quilómetros andámos, mas foram muitos.

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Eis a vista oposta à anterior, em que estamos no cimo de Lombard Street e olhamos para a Coit Tower. Estão a vê-la?

Depois da Coit Tower seguimos pela Lombard Street até chegar à porção das voltinhas, assim desenhada para resolver a questão da extrema inclinação da rua, qual esquiador inexperiente (eu, portanto).

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Daí continuámos o nosso passeio em direcção ao cais, evitando cuidadosamente o Fishermen's Wharf. Que dizer? É uma imensa armadilha para turistas, zona cheia de lojas de recordações originais da Califórnia, feitas na China. Mas dirigimo-nos portanto para o cais, e daí na direcção da Golden Gate. Vimos gente a nadar numa pequena praia, a treinar de fato isotérmico completo. Não é que estivesse frio naquele dia, mas a água estava gelada, claro, afinal é o Pacífico que ali chega, e estávamos no fim de Outubro.

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Este edifício, antes um balneário para marinheiros, hoje um espaço público, fez-me lembrar a nossa Estação Marítima de Alcântara.

Depois voltamos a afastar-nos do mar e a entrar pela cidade adentro, e aí começou a chegar o danado do nevoeiro, e com ele um frio cortante. Subimos pela Polk Street, que nos levou através do bairro Russian Hill e nos presenteou com muitas letras bonitas, montras lindas e cafés cheios de gente.

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Nessa noite, os San Francisco Giants jogavam uma partida decisiva de baseball e, se ganhassem, seriam os campeões da "World" Series. As minhas aspas na palavra World são irónicas, claro, porque este é um campeonato que se confina a uma parte do mundo que se situa na América do Norte, apesar de se chamar de "mundial". Há que sorrir sempre.

Os SF Giants ganharam, claro, e foi entre curiosidade e algum receio que vimos o início dos festejos. Depois, retirámo-nos alegremente para o quarto. No dia seguinte ficámos a saber que até um autocarro tinha sido queimado...

Mundialices locais à parte, o dia foi excelente, com um tempo não só maravilhoso como também excepcional, como ficámos a saber logo no dia seguinte. Mas isso fica para o próximo post!

Mais fotos aqui.

Bom ano novo!

2013 já chegou e cada vez estou mais atrasada com os relatos das viagens que temos feito. Há muito para contar, há sim, e agora que o ano começa, que aqui se gozam as férias grandes - há outra disponibilidade, portanto - vou-me esforçar muito para pôr os posts em dia.

Vamos então?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Boas Festas

We're in Panama, issue 31

Queridos leitores,

Chegou o fim do ano de 2012, um ano cheio de acontecimentos, a maioria positivos, alguns menos bons. Esta zine celebra alguns dos objectivos que consegui cumprir, celebra o fim do ano e encerra, cheia de esperança, desejando que 2013 seja um ano bom e colorido.

Podem lê-la clicando aqui e partilhar um dos vossos objectivos para 2013 ali em baixo, na caixa dos comentários.

Por agora desejo-vos festas felizes, algum descanso durante o Natal (se possível), muito amor, paz, alegria e que cá continuem a vir em 2013. Eu cá estarei, a partilhar mais aventuras convosco.

Obrigada a todos.

Peace out, como dizem em inglês.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Orlando

Orlando é uma pacata cidade da Flórida, que vive à sombra dos muitos parques temáticos e centros comerciais outlet que existem nos seus subúrbios. Mas teria sido uma pena não visitarmos a baixa da cidade. E por isso, no último dia em que estivemos na Flórida, fomos até à baixa de Orlando. Em pleno dia de trabalho, é uma baixa adormecida, com pouca ou nenhuma gente na rua, pouco comércio, poucos restaurantes e poucas actividades. Para além do sempre presente Starbucks, pouco mais há a referir em termos de animação na rua.

Não tivesse sido, claro está, a enorme surpresa de nos passarem um folheto na rua a convidar-nos para assistirmos a uma exibição gratuita do conhecido Cirque du Soleil. Lá fomos nós. Como seria de esperar, valeu bem a pena. Por um lado, porque as exibições do Cirque du Soleil são sempre magníficas; por outro, porque assim pudemos ver, concentrados num só lugar, praticamente toda a gente que existe na baixa de Orlando.

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Cirque du Soleil, live in Downtown Orlando

Quando a actuação terminou, continuámos a passear pela cidade. Apanhámos o autocarro gratuito que liga toda a baixa até ao terminal rodoviário e vimos a biblioteca, de fora. Por isso, no regresso visitámo-la por dentro. Como seria de esperar, é uma biblioteca muito bem equipada, com gente lá dentro, muitos títulos, temas da semana expostos como se de uma livraria se tratasse. Também dispõe de filmes e audiolivros, o que me pareceu fantástico. E ainda tem uma secção para leitores juvenis onde os adultos não podem entrar.

Downtown Orlando

Quando terminámos, seguimos em direcção ao lago. Orlando, apesar de ser na Flórida, está no interior do estado, pelo que este lago lhe dá o pedaço de água que qualquer cidade necessita. Tem patos, cisnes e outras aves cujos nomes desconheço, e muitas, muitas regras.

Downtown Orlando

Downtown Orlando

Downtown Orlando

Depois do passeio pelo lago procurámos, com bastante empenho, um lugar onde almoçar. Não foi fácil, mas encontrámos um casa de tacos onde, pelo menos, podíamos ver que os ingredientes eram frescos e evitar que pusessem cinquenta e três molhos cheios de gordura.

(O meu truque, na Flórida, foi pedir saladas. As doses são familiares, mas pelo menos a alface é fácil de digerir...)

Downtown Orlando

Downtown Orlando

Downtown Orlando

Depois do almoço, e vista a baixa da cidade, procurámos uma livraria no GPS e assim fomos até um bairro asiático, desenhado para ser percorrido de carro, com avenidas de três faixas e quarteirões muito grandes, parques de estacionamento em todo o lado e ninguém na rua.

No dia seguinte, voámos até à Califórnia, onde descobrimos uns Estados Unidos totalmente diferentes...