sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Esta malandreca

lost luggage
A malandreca da minha mala achou que devia ficar mais uns dias no Brasil, sozinha, sem mim. Tem algum jeito? Felizmente ganhou juízo e veio ter comigo, inteirinha, fechadinha, completinha. Linda menina. Trouxe-me iguarias como doce de tomate da mãe e azeite do pai, novas lãs, lindas e as minhas queridas agulhas de madeira. Chegou tudo. Ufa.

Vou ali dar-lhe mais uns beijinhos e as boas-vindas a casa.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um momento de Portugal no seu melhor


Há muito que dizer sobre as coisas que eu achei francamente melhoradas em Portugal mas também há o momento "há coisas que não mudam", ou quiçá mesmo "coisas que não mudão".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Conversa entre tia e sobrinha

Contexto: sente-se cheiro suspeito no ar. Pergunto:

- C, deste um pum?

- Não, não fui eu. Foi a Hello Kitty.

(nota: isto provavelmente não tem piada para mais ninguém, mas quem viu aquela caroca malandra a fingir que está inocente não consegue deixar de rir quando se lembra disto. Digo eu, não sei, ideias minhas.)

Kung hei fat choi!

Bom Ano Novo Lunar do Búfalo!

Estou de volta a Buenos Aires com muito que contar. Mas antes vou almoçar.

(rimou e tudo...)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Mais dias importantes

Este blog ultimamente tem sido um constante anúncio de festas e acontecimentos importantes e este post não vai ser diferente. Faz-me lembrar o slogan que os serviços de turismo de Hong Kong inventaram para a cidade, Wonders never cease. Pois aqui apesar da necessária adaptação, parece-me que vem mesmo a calhar: nesta família, "festas never cease".

E isto porque depois do casamento, da passagem de ano, do aniversário da outra irmã emigrante, vamos agora adicionar às datas importantes o dia 11 de Janeiro, com o nascimento da minha segunda sobrinha.

A família aumentou com esta pequenina que tem umas grandes bochechas, uns pulmões capazes e uma garganta possante. Parabéns a todos nós, especialmente aos papás e à maninha, que está numa excitação por agora ser "a irmã mais velha".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

E mais festas!


No dia 29 de Dezembro de 2008, o meu Príncipe e eu casámo-nos! A vida é bela!

(só é pena ele já estar do outro lado do lago Atlântico...)

Festas e mais festas...



Uma das particularidades do Natal de uma emigrante - ou, pelo menos, do meu Natal - é o facto de as festividades começarem assim que se aterra em Lisboa. Não me refiro só aos jantares próprios da época, mas também ao reencontro com a família e os amigos e, especialmente, quem está em idade de mudar mais em poucos meses: a minha sobrinha.

E como eu gosto do Natal! A mesa está quase sempre posta, entra e sai gente a toda a hora, há muito chazinho, chocolate quente, bolinhos e biscoitos, a lareira acesa, uma maravilha!

Este ano o stresse das prendas foi evitado graças às opções minimalistas que tomámos (menos presentes, comprados ou feitos com antecedência). Em contrapartida, o que houve foi uma sucessão de serões agradáveis passados à volta da lareira (ou do aquecedor), a ocasional partida de scrabble e muito tricot.

A consoada teve uma ementa sui generis, com uma escolha muito particular de amêijoas e de polvo à Lagareiro, iguarias difíceis de encontrar em paragens mais austrais, por muito estranho que pareça num país com tanto mar.

Com bolinhos, biscoitos, muito aconchego da lareira, miminhos e abracinhos da família, passámos um Natal e preparámos as festas seguintes...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Afinal é possível

O taxista que nos levou de casa até ao aeroporto de Ezeiza alvitrou, a meio caminho entre a cidade e o aeroporto, aquilo que tantos outros alvitram, com a pontaria que é comum a quase todos os outros.

Brasileiros ou italianos?

(suspiro imperceptível)

Ni uno, ni otro: portugueses!

E aí já estávamos preparados para o que é costume: o ser vizinho (por ter ascendência espanhola), o ter estado quase lá (porque viajaram a Espanha) ou então a vertente futebolística da coisa, com Cristianos Ronaldos, Dimarias e Aimares.

Mas não:

O meu apelido é português, é Coelho! O meu avô era português!

E daí em diante foi um desfiar de pérolas portuguesas, desde o nosso "pollo a la portuguesa" (que até hoje não sei como é confeccionado) até à canção popular que tinha manjericos a rimar com "aqui eu não fico" e, a dada altura, um "dá-me a tua mão". Eis senão quando o nosso taxista, uruguaio de Montevideo, neto de português, diz numa dicção perfeita o fonema impronunciável por quase todos os não-lusófonos: a "mão", a este taxista, saiu perfeita.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

É quase Natal!



E como tal, por cá preparam-se malas e ultimam-se detalhes pré-natalícios. Sobre a cama do quarto das visitas, tudo o que me fui lembrando que temos de levar. E já é muito! E ainda não é tudo...

Mas o importante é que nos próximos dias as circunstâncias extraordinárias que são estar em Portugal, a comer feijoada, a namorar com a sobrinha e a pôr a conversa em dia com pais, irmãs e amigos farão com que as minhas contribuições para o "Entre..." sejam mais esporádicas.

Assim sendo, a todos quantos por aqui passarem, desejo Boas Festas, sejam elas no frio ou no calor.

Até breve!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quem vive numa cidade cosmopolita, tal como eu...

...pode ser que tenha a sorte que temos nós, os habitantes desta rua. Explico: o empregado municipal que aqui passa todas as manhãs, vulgo "varredor de rua", também é cantor. E não só é cantor como é um excelente cantor que não nos priva do prazer de o escutar. Enquanto trabalha, canta, enquanto canta, trabalha. E nós ouvimos. Eu ouço, pelo menos.

Sugeriram-me que gravasse a sua voz para a colocar aqui. Se conseguir ultrapassar as minhas limitações técnicas, assim o farei.

E lembrem-se: Carlos Gardel começou assim, enquanto trabalhava no mercado porteño do Abasto.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Grande concerto!

O palco estava instalado sobre umas escadas que vão do pátio até à entrada de um dos pavilhões onde se realizam espectáculos

Ao lado, a tal de pantalla onde eram projectadas as imagens de Liniers a pintar. Nesta música, "Hindue Blues", projectaram um quadro que o artista fez e ofereceu ao outro artista, o da música.

Na sexta-feira passada fomos a um concerto fabuloso: Kevin Johansen+The Nada+Liniers. As duas primeiras parcelas desta soma são os músicos; a segunda, um cartoonista, que está nos concertos a desenhar e a pintar ao vivo e a cores, para nosso deleite. Em cima da mesa dele instalam uma câmara e projectam essas imagens num ecrã gigante (já ia escrever "numa pantalla gigante", mas corrigi a tempo).

Ora como todos as letras das músicas são muito divertidas, as melodias e os arranjos das ditas são muito bons, a banda é excelente e todos, mas todos são rapazes muito bem dispostos, o concerto resultou em três horas de gargalhada sem parar e muitas cãibras nas bochechas.

A páginas tantas, e como relata aqui o próprio Liniers, e podem comprovar aqui em filminho no youtube, vocalista e cartoonista decidem inverter os papéis.

Quem segue o blog de Liniers sabe que ele tem uma guitarra desde o aniversário e que o pouco que sabe tocar não alcança para muito mais que um par de acordes do Knocking on heaven´s door... mas nem mesmo assim o rapaz se descaiu, para gáudio da plateia, que ria e aplaudia sem parar.

Não sei qual a agenda de concertos para o ano que vem, mas se alguém os apanhar numa cidade perto de si, é mesmo um concerto a não perder. Amanhã tocam em Asunción, no Paraguai, para o caso de interessar a algum destes leitores. Fora eu uma fã mais dedicada e lá estaria...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Claudine Caron

chez-Claudine.jpg

Nos idos de 2000 estava de viagem com um casal amigo, regressando a Lisboa depois de uma estadia no sul de França. Com algum receio disseram-me que teríamos de parar para visitar uma prima afastada que vivia numa aldeia perto da fronteira espanhola, que teríamos de lá ficar a dormir e que assim só chegaríamos a Lisboa um dia mais tarde. Foi coisa que não me preocupou, até porque para passeio estou sempre pronta.

A verdade é que essa noite em casa da prima foi um daqueles momentos em que a vida muda um bocadinho, ou talvez até muito. Ao princípio estava preocupada por me sentir vagamente intrusa pois a prima não sabia que eu estava a viajar com eles. Mas rapidamente se dissipou tal sensação: a conversa ao jantar e depois do jantar, a noite bem dormida, embalada pelo som do Atlântico ao alcance da mão e o pequeno-almoço do dia seguinte fizeram daquelas poucas horas um momento absolutamente inesquecível.

Quando cheguei a Lisboa, recebi uma carta da nossa anfitriã a perguntar-me porque não havia escrito no livro das visitas e a pedir-me para o fazer a posteriori. Fiz então esta ilustração, que lhe enviei numa cartinha para ela colar no livro.

A prima chamava-se Claudine Coron e morreu esta semana. Depois deste encontro, nunca mais a vi, mas também nunca mais a esqueci. Esta é a minha homenagem a esta pessoa que em tão pouco tempo me deixou uma impressão tão forte. Bem haja e que descanse em paz.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Argentinizada

Para além de já ter descartado o "tú" e só usar o "vos", eu cebo e bebo mate, digo buendía em vez de buenos días e nunca, por nunca ser uso a palavra c...er, que em Espanha serve para tudo, desde apanhar, agarrar ou tomar.

Mas, apesar de argentinizada, uma pessoa não esquece de onde vem e quem é português, português fica. É o que prova a imagem abaixo:

Pastéis de Feijão de Torres Vedras acompanhados de um mate amargo, à verdadeira gaúcha!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ah, como é bom voltar a "casa"...

E por "casa", entre aspas, quero dizer "Brasil". Sim, ir ao Brasil é como voltar a casa. Porque é assim que me sinto quando vejo o mar, os telhados de telhas, a calçada portuguesa (não sei se no Brasil a chamam de "portuguesa"; por favor não levem a mal a minha falta de alternativa na nomenclatura!).

Apesar do tempo ruim, ou do mau tempo, para quem preferir, que isso agora era para estar de short e camiseta, como me garantiram as minhas fontes, os quase quatro dias passados no Rio foram... óptimos. Foram mesmo cheios de comida boa, de passeios melhores e da companhia dos amigos, o que faz de qualquer visita a outra cidade uma experiência inesquecível. Já da outra vez tinha sido maravilhoso e desta as altas expectativas que tinha não ficaram defraudadas.

Na quinta saímos daqui do centro da cidade, do Aeroparque, rumo ao aeroporto de Montevideo. Experimentámos voar pela Pluna e não nos desiludimos. A escala no Uruguai é muito curta mas faz-se sem problemas, dado que os passageiros são deixados numa mini-salinha (mini, mas bem apetrechada de Duty Free, não que eu seja fã) e os quarenta minutos de espera passam num instante.

Chegados ao Galeão, foi uma alegria poder falar português. Talvez de forma mais pausada, mas é óptimo poder falar a minha língua e ser compreendida, sem ter de estar sempre a traduzir.

saltinho no Museu em NiteróiSaltinho no Museu de Arte Moderna de Niterói, célebre projecto do Arquitecto Niemeyer. E muito fotogénico, não é?

o mítico orelhão O Paulinho telefona à C, num mítico orelhão de Ipanema.

decorações natalícias, brazilian style Decoração natalícia de montra de Ipanema. Quiçá o chinelo da Garota?

Visita ao Brasil, sobretudo se o tempo está mau e a praia não é a opção que mais ocupa o nosso tempo, não está completa sem falar da gastronomia. Ah, e aqui... aqui o Brasil tem cartas para dar, sobretudo com o déficit de oceano, peixe fresco e de saborzinho a feijão. Já para não falar nas sobremesas, apesar de ser mais chegada a salgados que a doces.

água de coco na praia, à noiteA água de coco não podia faltar, né não?

"A" feijoada no Bar do Mineiro, em Santa Teresa"A" Feijoada no Bar do Mineiro, no bairro de Santa Teresa. O bar, mais próximo de uma tasca que de um bar propriamente dito, estava cheio, cheio, o que só atesta a sua qualidade.

casquinha de siriCasquinha de Siri na Tia Penha, nos arredores do Rio.

bobó de camarãoBobó de camarão, também na Tia Penha. Resta-me referir que voou. Desapareceu. Evaporou. Foi-se. Em menos de nada.

queijinho de coalho na brasa, à beira da praiaQueijinho de coalho assado na brasa, à beira da praia. Sol, água de coco e queijinho que vem ter connosco? Pode-se desejar mais na vida?

Domingo de manhã o sol espreitou, ainda que de forma envergonhada, e pude molhar as pernas nas águas do Atlântico Sul, mais ao norte que Cariló. Vesti-me a preceito e tudo, mas depois o mar revolto e um fundão na rebentação actuaram como dissuasor aos meus desejos de um mergulho completo.

saltinho na praiaAh, a praia!!!! O oceano... o mar revolto, as ondas, a água fria, a espuma branca! É o meu déficit de mar a falar mais alto!

De "casa", voltámos a casa. Também foi bom chegar.

P.S. Faltam-me as fotografias para documentar a cocada. Mas, gente, eu não sou chegada a doces e olhem que com este não pude resistir! Mnham, mnham!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Há dias assim

Hoje o dia começou com uma notícia triste e o peso da distância e do oceano que me separa de Portugal fez-se sentir com força. Queria poder ter uma máquina de tele-transporte para estar em Lisboa esta noite e poder acompanhar os amigos durante o dia de amanhã. Não sendo possível, que não é, espero poder dar-lhes um grande abraço quando nos virmos, daqui a um mês.

As cores do dia foram mudando com a ida à aula de pintura, onde hoje sucedeu uma coisa maravilhosa. Hoje tivemos a última aula do ano e o exercício que fizemos foi com a modelo a dançar. Poses fixas? Nada. Dança, poses elegantemente efémeras, pincel, trincha, espátula e mãos a funcionar, desligadas do cérebro.

No último exercício o professor pôs uma música que eu levei e a resposta das pessoas foi, para a descrever de alguma maneira, electrizante. As pinturas de todos os participantes foram diferentes e todos, todos comentaram na análise final que a música tinha sido inebriante e factor decisivo no resultado.

Qual foi a música? A banda sonora original do documentário "Portugal, um retrato social", de Rodrigo Leão.

Não me canso de a ouvir.

Acrescento aqui, já que hoje a música está tão presente neste blog, que dedico aos meus amigos a magnífica obra "Requiem for a friend" de Zbigniew Preisner. Não resolve, mas consola.

"Ceguera"

Na sexta-feira fui ver o filme "Ceguera", a adaptação cinematográfica do romance "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago. Para resumir: o realizador, Fernando Meirelles, e restante equipa estão de parabéns pelo magnífico trabalho. O filme é tão potente, tão cru, tão feio, ao mesmo tempo com momentos de extrema beleza e ternura, numa alquimia perfeita. A maneira como são exploradas as relações humanas (coisa que já vinha do livro, obviamente) é de uma simplicidade maravilhosa.

Ah, como é bom poder ver coisas destas!

Buenos Aires by night (dia 30)

Buenos Aires by night_30

E assim se conclui esta série de trinta imagens da face nocturna desta cidade que me acolhe, uma cidade grande, gigante mesmo, para os meus parâmetros, cheia de coisas bonitas e de coisas menos bonitas para fotografar.

Quem me conhece sabe que eu não iria resistir à tentação de pôr aqui o Centro Cultural Konex, sobretudo para fechar esta série com chave de ouro.

No próximo dia 12, lá estarei para ouvir Kevin Johansen e seus compinchas (em arranjando bilhetes).