quinta-feira, 8 de julho de 2010

Em Nova Iorque perdi-me no metro

perdi-me no metro em NY II

Quantas vezes? Nem sei. Talvez porque esteja habituada a que uma linha tenha uma cor, outra tenha outra; talvez porque às linhas são atribuídos nomes, não números ou letras, como no caso. Talvez até porque nos outros metros em que já circulei há diagramas da rede em todo o lado. Ou talvez até porque estou habituada a placas sinaléticas com pictogramas, complementados por pequenos textos, não testamentos que nos indicam que fora de horas o comboio expresso se transforma em local e tem de se apanhar ali o número 4 para duas estações mais tarde apanhar o número 6.

Talvez.

A verdade é que me perdi no metro e o pior é que não existe comunicação entre os dois sentidos da via em todas as estações. Portanto: descoberto o erro, é preciso sair do metro numa estação onde exista comunicação com o sentido oposto. Ou então atirar para trás das costas, sair à rua e voltar a pagar bilhete.

Digamos, simplesmente, que não é evidente.

(E o calor nas estações? Alguém entende?)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Em Nova Iorque fui ver museus

No Guggenheim

Como qualquer pessoa que abra um guia de Nova Iorque sabe, a cidade tem muitos museus, qual deles o mais apetecível. Então museus de arte, arte aplicada ou design, nem se fala: a escolha fica difícil. Por isso, decidi impor a minha regra de um museu por dia e segui para bingo, isto é, escolhi os museus que mais queria ver. Obviamente deixei muita coisa para trás, o que foi uma pena, mas o que vi, vi com atenção, dedicação e tempo até de me arrepiar e largar a ocasional lagrimita. Acho que a escolha foi acertada.

No Guggenheim

O primeiro museu que visitei, o Guggenheim, tem aquela estrutura em espiral que já conhecia de mil filmes, fotografias e reportagens. Poder-se-ia pensar que é uma desilusão quando lá chegamos, que já nada é surpresa, que só lá vamos "confirmar", em vez de descobrir. Mas não. É lindo e arrepiante estar dentro daquela construção.

Confesso: não delirei com a exposição em si, "Haunted". Não que não seja interessante. Só não é o tipo de expressão artística que me chama. Por outro lado, a exposição estava narrada partindo do piso térreo para cima, subindo os seis andares na estrutura em espiral. Ora, muitas vezes, as plaquinhas com a informação sobre a peça estavam à esquerda da respectiva peça, ou seja, acima da dita. Isto significa que o observador é forçado a subir para ler a placa e a voltar a descer um bocadinho para apreciar a peça. Uma canseira.

Mas, e há sempre um mas, nas salas anexo do museu estavam algumas exposições temporárias. A de Julie Mehretu deixou-me completamente aparvalhada, encantada, hipnotizada e mesmo fantabulizada. É um conjunto de pinturas gigantes onde a cada olhar, e a cada distância, se descobre um novo nível de leitura. Fiquei muito tempo naquela sala branca, observando as pinturas e as pessoas que olhavam, se aproximavam, se afastavam dos quadros gigantescos, que nos engoliam e regurgitavam. Murmurei várias vezes: "compro todos, podem entregar lá em casa".

No dia seguinte, a escolha recaiu sobre o Museu de Arte e Design, ou MAD (aprecio o sentido de humor). Comparado com outros gigantes do panorama local, este museu é pequenino, característica que me agrada sobremaneira. Tirando a falta do ocasional banquinho para o descanso periódico, é um museu com o tamanho perfeito, já que podemos ver todas as exposições sem nos fartarmos de tanta cultura. Porque a cultura, meus amigos, dá muita bolha no pé, essa é que é essa.

Uma das exposições era sobre (pausa para o pigarreio) objectos feitos com coisas mortas. Chama-se Dead or Alive e, apesar de ser, como explicar, estranha, é muito, muito interessante. Há objectos que são verdadeiramente lindos, e só quando percebemos que aquelas coisas são insectos verdadeiros (nhaca) ou penas de pombos (nhaca nhaca) é que sentimos - literalmente - comichão.

Gostei também da mostra sobre bicicletas feitas à medida: quem diria que seria tão interessante?

A loja deste museu é uma terrível perdição: entre outros livros, encontram-se à venda catálogos de exposições antigas - e qual delas a melhor. Para terem uma ideia, a minha mala voou para Nova Iorque com quatro quilos (não estou a exagerar) e voltou com mais vinte. Livros. Livros. Livros. E só comprei os que sabia que não ia encontrar por internet.

No MoMA

O último museu que vi foi o MoMA. Zanguem-se os puristas do Met; não deu. Estive lá da outra vez em que fui, em miúda, com os meus pais, e tenho a imagem de um museu gigantésimo, com muita arte egípcia (de que gosto) e muita, muita ala para ver. Esqueçam a bolha do pé. No Met, é mesmo chaga.

Posto isto, fui ao MoMA. Muito bem acompanhada, naveguei por todas aquelas salas, pisos, escadas, tudo lindo, tudo branco, e tirei partido do horário ampliado às quintas-feiras, só durante os meses de Verão.

Também aqui, muitíssima emoção ao ver As Oliveiras, de Van Gogh e, mais tarde, La Danse (I), de Matisse. Bem a propósito, em Julho abre uma exposição só, só sobre Matisse. Um privilégio!

Parece que neste museu se concentram todas as obras que nos aparecem, ou já apareceram, nos compêndios de história da arte contemporânea: desde Picasso a Frida Kahlo, passando por Piet Mondrian e Brancusi, nesta colecção há de tudo, bem exposto, bem narrado no audio-guia gratuito e com muito espaço para gozar cada uma das obras. Lindo, e a não perder.

As exposições temporárias também são muito boas, nomeadamente as que são sobre design: "Shaping Design Modernity", "Action! Design over time" e "What was good design?MoMA´s message 1944-56"

Felizmente já nem entrei na tentação da loja do museu (vinte quilos em livros, eu seja santa), mas diz que o brownie do bar é muito bom.

Missão museológica cumprida, fui às Nações Unidas. Mas isso é conversa para outro dia.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Global Peace Index

Assim de repente, apraz-me muito partilhar que, segundo o Institute for Economics and Peace, Portugal está em 13.º lugar no que toca ao Global Peace Index. Esta honrosa posição posiciona-nos à frente de países manifestamente conhecidos como sendo pacíficos e tolerantes como o Canadá, em 14.º, ou até mesmo a Alemanha, em 16.º. Em relação à vizinha Espanha, que está em 25.º lugar, então nem se fala.

Mais uma razão para nos sentirmos muito orgulhosos de sermos portugueses e de fazermos o país que temos.

Nota: para quem quiser saber como calculam o dito índice, é visitar esta página.

Fui ali e já vim

Na semana passada fiz uma visita muito boa à minha prima, em Nova Iorque. Ainda nem aterrei bem, mas quando os meus dois neurónios voltarem ao Panamá, conto mais.

Nos entretantos, já estou com saudades!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Hoje é um dia especial!

Para além de ser o dia do solstício, é também o dia de um aniversário muito especial! Cá deste lado do charco também vamos celebrar este número redondo. Parabéns!

Portugal! Portugal!

Levantámo-nos com as galinhas para acompanhar o jogo com a Coreia do Norte. Valeu bem a pena! Agora resta esperar o jogo com o gigante-Brasil... Em todo o caso, hoje impõe-se: Portugal! Portugal! Portugal!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morreu o homem, fica a obra

Morreu José Saramago. Já não era novo e não estava bem de saúde, segundo o jornal, portanto, não é propriamente uma notícia inesperada. Que descanse em paz e que a família se recomponha da sua perda, são os meus desejos.

Mas o que é importante aqui é que a sua obra fica, obra essa que vamos querer continuar a ler e reler porque os seus livros são, simplesmente, fora de série.

À procura de casa (a parte I de uma série, seguramente, bem longa)

Cá no Panamá usam-se as casas gigantes, sejam elas apartamentos ou vivendas, o que importa é que sejam muito grandes. Bem aproveitadas, nem por isso, o aproveitamento de espaço não é, claramente, uma prioridade. Influências norte-americanas? Espaço a mais? Não sei. A verdade é que todo e qualquer electrodoméstico é gigante e o espaço excessivo lá se vai preenchendo.

Nas nossas buscas de casa, um dos nossos requisitos é que tenha lugar para a máquina de lavar loiça. Ora aqui, esse requisito em particular é visto como uma excentricidade de europeus. Para quê uma máquina?

Já vimos casas com espaço de dois metros de largo para o frigorífico - e não exagero, dão para guardar até roupa e livros (e tudo o que nos aprouver). Fogões igualmente gigantes, fornos enormes, micro-ondas que ultrapassam tudo o que já tinha visto. Já para não falar nas máquinas de lavar e secar roupa - duas funções que até podiam estar na mesma máquina, mas para quê, se espaço não falta?

Agora: máquina de lavar loiça é que nem pensar. Isto porque, como já devem ter adivinhado, usa-se ter uma máquina humana para lavar a loiça, máquina essa que - nas casas que visitámos - é arrumada (ou seja, dorme e vive) num quartinho microscópico, a maioria das vezes sem janela nem ventilação.

Daí a minha frustração: casa gigante, sim; quarto de empregada, sim (uma bela arrecadação, no nosso caso); sítio para a máquina de lavar loiça? Nem pensar, até porque, como me disseram hoje, seria preciso mandar cortar o mármore da bancada!...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Bailoterapia

Decidi começar no Panamá uma actividade que ia começar em Buenos Aires, mas que nunca aconteceu. Afinal, como diz a minha amiga F., não há que deixar a vida para depois.

Recém-chegada à cidade, vi num cartaz "yoga y danza" e pensei que não era tarde, nem cedo, era mesmo o momento certo. Matriculei-me e comecei a ir às aulas de Bailoterapia, disciplina que eu desconhecia totalmente que existia mas que, ainda só com três semanas de aulas, já mostra o seu poderoso efeito.

Sempre me considerei bastante descoordenada. Digamos que tenho muito jeito para línguas e, vá, para pintar qualquer coisinha, mas chega à parte do movimento e ou é uma coisa bem bruta, ou então... enfim, delicadeza e graça no movimento não são atributos que possa dizer possuir.

(Pausa: estou aqui a pintar um quadro que também não corresponde totalmente à verdade. Nadei durante muitos anos e parecia um peixinho a deslizar pela água. Tão torpe - ah, nem Thorpe! - não sou. Termina a pausa, a gracinha, e voltamos à nossa programação habitual.)

Corrigindo, portanto: sempre me considerei descoordenada para dançar. Avisei o professor, não fosse ele estar à espera de um prodígio da salsa e do merengue, e ele desvalorizou. O que era necessário era pasarla bien.

Pois que "la" passo muito bem. Já descobri que quanto mais relaxar e menos olhar para os pés do professor, melhor acompanho a aula. E, claro, tenho que ignorar a companheira que dança tão exageradamente, meneia tanto a anca, que parece um caniche sob o efeito de crack.

Quanto à parte "baile" do étimo, não sei. Já a terapia, essa, funciona muito bem: saio de lá com um enorme sorriso e, chegada a noite, durmo como um bebé feliz.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Tal Canal (parte I)

Confesso que não esperava que uma visita ao Canal do Panamá me entusiasmasse tanto, mas descobri que afinal os prodígios do engenho humano me fascinam.

A República do Panamá tem a particularidade de estar instalada na porção mais fina de todo o continente americano. Claro que isso talvez não fosse assim tão interessante se essa porção fininha, de 80km de espessura, se localizasse muito mais a norte ou muito mais a sul. Ir dar a volta ao Cabo Beagle, na Terra do Fogo, seria então um caminho só um bocadinho mais longo. Mas não: o Panamá situa-se precisamente no centro do continente, na porção de terra que liga a parte norte à parte sul. Se pensarmos no vitruviano, o Panamá está no umbigo, precisamente no umbigo do mundo.

(Pausa para a banda sonora, reminiscência dos anos de adolescência com o Jovanotti a cantar, em loop dentro da minha cabeça, o "ombelico del mondo". Fim da pausa musical.)

É por essa razão que o canal tem a importância estratégica que tem, porque encurta as rotas comerciais marítimas em várias dezenas de dias. E, para os panamianos, é talvez uma das principais fontes de rendimento do país.

Voltando à tal porção finita do continente americano, também conhecido por istmo, caracteriza-se por não estar toda ao mesmo nível: mais ou menos a meio do percurso que liga o mar das Caraíbas, no Oceano Atlântico, ao Pacífico, o terreno sobe alguns metros. Ora para vencer este obstáculo, foram criadas umas estruturas elevatórias chamadas de eclusas, que não são nada mais que pequenos compartimentos artificiais que se enchem ou esvaziam de água. Ao encher, o barco que lá está dentro sobe; ao esvaziar, o barco desce. Se estivéssemos a ver o canal de perfil, veríamos que a água das chuvas se acumula no Lago Gatún, um lago artificial provocado pela barragem com o mesmo nome. Esta água serve para alimentar então as eclusas, colocadas entre o lago e os dois oceanos, um de cada lado.

No dia em que fomos visitar o Canal, ou, mais precisamente, as Eclusas de Miraflores tivemos a sorte de ver a aproximação de dois navios, um em cada sentido, passando diante de nós precisamente ao mesmo tempo. O resto? Só visto, mesmo. E é bonito, quem diria?

Canal de Panamá: Eclusas de Miraflores
Do miradouro, olhando na direcção do Pacífico...

Canal de Panamá: Eclusas de Miraflores
...e na direcção do Atlântico.

Canal de Panamá: Eclusas de Miraflores
Chega um barco, vindo do Pacífico. A eclusa ainda está com pouca água...

Canal de Panamá: Eclusas de Miraflores
...como se pode ver aqui.

Canal de Panamá: Eclusas de Miraflores
A água flui do compartimento mais alto (à direita) para o mais baixo (à esquerda, onde está o navio) e as comportas abrem-se.

Canal de Panamá: Eclusas de Miraflores
O navio pode passar...

Canal de Panamá: Eclusas de Miraflores
...e seguir pra bingo, que é como quem diz, em direcção ao Atlântico!

Todas as fotos, aqui.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Estou que não posso!

Pode ser que os visitantes deste blog já tenham dado conta de um botãozinho aqui à direita. Ora espreitem. Estão a ver?

Pois é, na sexta-feira passada fiquei que não podia. Não é que alguém da equipa do Travelavenue.com achou que o meu blog era digno de entrar no grupo dos favoritos de 2010? É por isso, caros leitores, que estou que não posso. Que isto era só uma coisa para a família e os amigos. Que tinha só mão-cheia de leitores. E desses, alguns comentadores. Pois que afinal estou mesmo orgulhosa, extremamente babada e algo chatinha com o tema: aqui o "Entre..." está feliz.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A fiesta começa cedo

Os dias, cá, começam bem cedo. Levanto-me entre as 6h30 e as 7h da manhã todos os dias e o sol já vai alto. Já há muito movimento na rua e, como não está frio, não custa nada sair da cama e enfiar-me no duche. Pelo contrário, até sabe bem, para refrescar.

Ora pois que ontem, Domingo, me levantei em igual horário (e sem despertador) e deparei-me com um dia longuíssimo: que fazer às sete da manhã de Domingo? Vai que li, que tricotei, que isto e que aquilo e que às 9h, já depois do pequeno-almoço, decidimos subir à piscina no terraço.

Chegamos à área social do edifício (assim se chamam as instalações comuns, como ginásio - sim! -, piscina - hahã! - ou salão para eventos - tal qual leram), bem, como dizia, chegamos à área social do edifício e formulamos um vago desejo de encontrar a piscina vazia, ou pelo menos tranquilinha, para dar para ler mais umas páginas.

Mas os panameños são fiesteros e a fiesta começa cedo. Não sei a que horas terá acabado a festa no Sábado, mas posso afiançar que às 9h da manhã já se festejava com rum e whiskey e muita dança ao som de salsa.

Uma das conclusões possíveis é: people-watching é tão divertido.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Prodígio de organização? Hmmm...

ribbing

Para que conste, já comecei a fazer as prendas de Natal. Não que seja um prodígio de organização: sou é lenta, mesmo. E, além disso, não vale muito a pena tricotar para mim, dado que (e não me canso de repetir) agora vivo num país tropical.

terça-feira, 1 de junho de 2010

No filme das férias de outra pessoa

panama surreal

No Domingo passado queríamos ir visitar o Canal, mais concretamente as eclusas de Miraflores, mas enganámo-nos no caminho, atravessámos a Ponte das Américas e fomos parar ao meio da selva. Não selva urbana; selva da verdadeira. Da estradeca, entalada entre verde e mar, víamos pássaros exóticos a voar (vi um tucano!) e botecos à beira-mar a prometer peixes e mariscos de comer e chorar por mais.

Parámos num e entrámos num mundo paralelo: uma experiência surrealista proporcionada pelo sol a pique, um mar azul a perder de vista, ilhotas no horizonte e gente a dançar no meio das mesas ao som dos ritmos caribenhos que cá se ouvem, de preferência a todo o decibel.

O ceviche de polvo, esse, estava óptimo.

sábado, 29 de maio de 2010

Buenos Aires bye bye (15)

15_BsAs bye bye

Confesso aqui que não sou particular fã de futebol. Não sou. Gosto de acompanhar os jogos da selecção e, obviamente, fiquei muito contente com a vitória do nosso Benfica no campeonato nacional. E por aí fica o meu entusiasmo futebolístico.

Agora, convenhamos, não há melhor disparador de conversa que a simples menção de um clube de futebol, seja ele qual for. Explico: se há coisa de que gosto (e desconfio que herdei isso do meu pai) é de uma bela converseta com taxistas. Não há nada antropologicamente mais divertido que isso, tenho para mim, apesar de conhecer muita gente que não imagina tortura pior que a de ter de ir a falar enquanto não chega ao destino. Eu gosto, e muito.

Da próxima vez que entrarem num táxi proponho que olhem para o galhardete pendurado no retrovisor. E depois experimentem dizer o nome do clube.

(Num parêntesis, aproveito para revelar as minhas estratégias. Recorro principalmente a duas variantes: "então e o nosso Benfica, hã?" e a "como é que ficou o jogo do Boca?". Quem diz Boca, diz Sporting, Porto, Belenenses, Independientes ou River. Não importa. Fecho parêntesis e sigo para bingo.)

E assim, estratégia infalível, têm conversa garantida até ao final da viagem.

Buenos Aires bye bye (14)

14_BsAs bye bye

Cidade de cultura, em Buenos Aires há sempre qualquer coisa a acontecer: entre teatros, cinemas, museus, galerias de arte, centros culturais e espectáculos de rua, não há dia que passe sem actividades. A dificuldade, de facto, está na escolha.

Por isso, um dos nossos passatempos favoritos de fim-de-semana era ir ver o que havia lá perto de casa. Íamos ao Centro Cultural da Recoleta ou ao Museu de Belas Artes, ao Palais de Glace ou a alguma galeria, e havia sempre, mas sempre, qualquer coisa interessante para ver.

Uma das modalidades que a mim mais me impressionou foi a dos espectáculos de rua "a la gorra", ou seja, em que no final da apresentação é passado um chapéu para que as pessoas depositem a contribuição que entendam corresponder à qualidade do espectáculo. E não é que as pessoas colaboram, ainda por cima sem avareza?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Buenos Aires bye bye (13)

13_BsAs bye bye

Novembro é o mês dos jacarandás em flor. É também o meu mês preferido para estar em Buenos Aires: não só há uma histérica nuvem lilás por toda a cidade, há também um ambiente de alegria pela chegada do bom tempo, do fim do ano, da proximidade das festas a marcarem o início do Verão e das férias.

É verdade que as ruas ficam um bocadinho pegajosas com as flores que caem, mas tudo vale a pena só para termos aquele espectáculo durante um par de semanas.

Buenos Aires bye bye (12)

12_BsAs bye bye

Algumas esquinas de Buenos Aires emanam uma aura de charme decadente. Talvez seja pela grandiloquência desta arquitectura estilo parisiense, aparentemente fora de lugar, mas tão bonita, neste ponto da América Latina. Esta é uma cidade cheia de encantos, e os edifícios que resistiram à construção dos arranha-céus são disso testemunho.

O centro, contudo, está degradado. Seja pela poluição que aí se faz sentir, seja porque agora já não é o lugar da moda para se ver e ser visto, na Calle Florida há um certo charme decadente no ar. Os antigos armazéns Harrod´s, hoje vazios, são disso exemplo.