Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Uma zine comemorativa dos meus 34

Fiz 34 anos no dia 8 de Fevereiro. O meu aniversário passou sem ser assinalado aqui no blog, é certo, mas não foi por falta de assunto; foi, pelo contrário, pelas muitas actividades que fiz nesse e nos dias seguintes, uma celebração de vários dias.

Por isso, peço aqui emprestada ao TMT Design Studio (Teresa, Mena e Titi) a zine que fizeram para me mandar nesse dia para me desejar um feliz aniversário.


Para ampliar e apreciar todos os detalhes, cliquem directamente nas fotografias.

Foi uma surpresa deliciosa de que muito gostei! Adorei o retrato da família e também de ver as actividades favoritas deste colectivo criativo. E que me têm a dizer sobre a capa? Espectacular, não acham? E já viram o endereço do "site" deste grupo?

Espero que desfrutem tanto quanto eu de observar esta zine irmã do We´re in Panama! e que se juntem a mim para pedir mais números:

Queremos mais! Queremos mais! TMT Design Studio, queremos mais!

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Arroz doce

Arroz doce

Nunca tinha feito, segui as indicações maternas, e saiu bem. Foi provado e partilhado por um casal colombiano, um casal chileno-mexicano e nós os dois. Em todos os países que estiveram representados à volta da nossa mesa, há uma versão desta sobremesa, ora mais caldosa, ora mais alaranjada, com canela, sem canela.

Mas tenho para mim que, como o nosso, não há. (Foi o meu comentário nada tendencioso do dia.)

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Dias de chuva

Cá, os dias de chuva são assim:

Dias de chuva I

Cinco minutos depois:

Dias de chuva II

Vejam a vista da varanda: felizes e contentes com uma nesguinha de céu azul...

Cinco minutos antes

...e cinco minutos depois é este o panorama:

Cinco minutos depois

Entre Abril e Dezembro, este espectáculo é diário, às vezes com mais que uma sessão por dia.

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Há sempre "alguito" que contar

Cada vez que necessito recorrer aos correios panamenhos saio da estação com material para mais um episódio da grande, recorrente e repetitiva telenovela subordinada ao tema "podia ser fácil mas por que não ser difícil".

Precisava enviar duas cartas. Duas. Não precisava de pagar o apartado, nem pagar contas, nem levantar a minha reforma, nem nenhuma remessa de dinheiro. Duas cartas, nada mais. Quando cheguei, às onze da manhã, tinha oito pessoas à minha frente. Já sei que cada pessoa leva, mais coisa menos coisa, dez minutos a ser atendida. Prometia.

Apesar das oito pessoas à espera, em pé, só havia um balcão a funcionar. No fundo, vários funcionários trabalhavam (ou não) e atrás das caixas de apartado ouvia-se muita converseta. Esperei e esperei; a fila ia-se movendo, muito lentamente. No Panamá, os reformados têm prioridade no atendimento público, por isso, quando chegou um senhor de cabelo branco (que seria atendido depois de mim), foi atendido à frente dos restantes clientes, que continuavam pacientemente à espera.

Às tantas, apareceu um senhor semi-executivo, cheio de pressa. Amigo da chefe de estação, de agora em diante conhecida como generala, chamou-a e ela veio, toda querida e simpática. O senhor precisava de pagar o apartado, e não tinha muito tempo, ao que ela prontamente respondeu que não se preocupasse. Foi buscar a ficha dele ao arquivo, recebeu o dinheiro, prometeu-lhe o recibo entregue no respectivo apartado e que não se preocupasse. O homem, recado despachado, abalou.

E nós à espera.

Fui ao balcão e dirigi-me à generala, para com muito respeito dizer que não era justo que atendesse o senhor quando nós estávamos ali todos à espera havia vinte e cinco minutos, já para nem falar do facto de haver só uma pessoa a atender e tantas no trabalho de bastidores.

A generala, que não gosta de ver a sua liderança contestada, ficou uma fera: que não tinha atendido o senhor coisa nenhuma, mi amor, que não podia ter mais gente ao balcão porque a estação estava em remodelações, mi amor, eu que lesse os letreirinhos todos (ela usou o diminutivo), que sempre que lá ia tinha "alguito" que dizer, que eles até me tinham oferecido o apartado, mi amor.

Na fila, ninguém dizia nada. Eu, se há coisa que deveras aprecio é que me tratem com condescendência e me façam de parva: que ninguém me oferecia absolutamente nada e que eu pagava o apartado; que via o funcionário a atender em mais que um balcão, só que só havia um funcionário para três guichets, e que finalmente se eu tinha "alguito" que dizer era porque ela estava ali para me prestar um serviço que eu pagava e que se o serviço não era bom eu tinha todo o direito de fazer uma reclamação.

A troca durou uns minutos mas depois tive de me ir embora porque tinha outro compromisso. Quando voltei, o funcionário que me atendeu foi ainda mais amável do que é habitualmente. Acho que lá na estação alguém ficou contente por ver a déspota a ser posta no seu lugar.

Chego à conclusão de que cá no Panamá o que importa é quem fala mais alto. E que muito pouca gente ousa falar.

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Encontros e ervilhas

Desde que nos mudámos para este prédio onde vivemos que os elevadores têm sido palco de muitos encontros curiosos. Um deles, num dia em que levava a bicicleta comigo, foi com um senhor muito castiço, seguramente com idade para ser meu pai, de cabelinho muito branco, muito magrito e muito bem disposto.

Com uma bicicleta no meio, a conversa de circunstância andou à volta desse assunto. Assim me contou ser holandês, dividir o ano entre o Panamá e a Holanda e ter saudades de ser ciclista durante as suas estadias tropicais.

E, a partir daí, sempre nos cumprimentámos e trocámos umas palavras, ou em inglês ou em espanhol. O tempo, a bicicleta, o café do lado, tudo servia de assunto para a nossa curta converseta.

Na sexta passada, após um ano e meio de encontros de elevador, este senhor conta-me que em Abril volta à sua Holanda natal para um casamento de um familiar, e também para aproveitar o Verão europeu.

Como eu desconheço Verão europeu mais bonito que o português (sei que a minha idoneidade na matéria é absolutamente discutível, mas obviemos isso), disse-lhe exactamente isso. Ele achou curioso que eu soubesse como era o tempo em Portugal... até que lhe contei que era portuguesa.

Foi uma alegria! Não é que o senhor viveu onze anos em Lisboa, no mesmo bairro e tudo? E viemos nós cruzar-nos no Panamá.

O mundo é uma ervilha, está visto.

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

E agora, algo totalmente diferente

Quilt top

O meu primeiro quilt! Ainda não está terminado, mas tem sido a minha diversão de fim-de-semana (isto é, depois da praia).

Quilt top, up close and personal

Digamos que não tornei a minha vida mais fácil ao escolher, para primeira tentativa, um esquema que pede alinhamento horizontal e vertical, mas, apesar de todos os seus pequenos defeitos, amo de paixão esta colcha linda que está a nascer. É a minha primogénita, e dizem que não há amor como o primeiro!

Quilt top

Ainda o quilt não está terminado e já fica tão lindo no sofá! Não que seja o objecto mais necessário num país tropical, convenhamos, mas um dia destes havemos de nos mudar para uma latitude mais alta e aí, sim, será usado.

The back

Gosto tanto dele, que até o avesso me parece interessante - algo reptiliano, talvez? Ou como escamas de peixe... enfim, desvarios de uma "costureira"* apaixonada, é o que é.

(*"Costureira" merece umas enormes aspas, porque eu não sou mais que uma principiante. Que gosto, gosto sim senhores. Agora daí a ser costureira... falta.)

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Desenvolvimentos

Antes de mais, quero agradecer todos os comentários ao post anterior. Respondi a todos, lá mesmo ao lado. Também já fiz reclamações junto da recepção (sim, o edifício tem-na) e da administração (idem).

A conversa na administração foi interessante. A senhora, muito compungida, disse-me que estava de acordo comigo mas que tinham ordens da Junta (a comissão de moradores) para não autorizar a utilização dos elevadores principais por "empregadas e animais". Claro, perguntei-lhe se não achava ligeiramente idiota manter as pessoas à espera, no rés-do-chão, só porque a dita Junta não autoriza. "Es que después nos regañan, señora", explicou-me.

Aqui, tive de lhe dizer que me parecia muito estranho que eles tivessem medo de receber uma reprimenda por fazer uma coisa justa e normal. Continuo sem entender isso, mas a discussão aqui sai sempre no mesmo: a ordem vem de cima e que depois recebem uma repreensão. Não entendo: não pensam? Correm o risco de despedimento? Que será?

A nossa empregada, que se tem revelado um autêntico braço direito, uma colaboradora fantástica, já está instruída: da próxima, usa o intercomunicador para me chamar. Quem ousar proibir que ela suba comigo no elevador vai ter a vida bem difícil.

Haja paciência...!