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segunda-feira, 24 de março de 2014

Os meus "passaportes"



Ontem calhou-me esperar por uma consulta - às vezes acontece. Se é verdade que no sector privado fico doente com as esperas, no público levo a coisa com outra tranquilidade. Preparada já para essa eventualidade, fui munida de um lanche, água e bordado. O essencial, portanto. E a espera fez-se muito mais fácil.

Quem me lê há algum tempo sabe que nutro especial afecto por têxteis, fibras, cores, tricots e bordados. Depois da adolescência, em que os lavores estavam postos de lado - excepto talvez os obrigatórios bordados em ponto cruz da aula de Trabalhos Oficinais - a idade adulta chegou, a moda mudou, e as técnicas tradicionais voltaram a estar na mó de cima, e ainda bem.

Na Argentina, o tricot salvou-me a vida ao servir de veículo de adaptação e integração na minha nova comunidade. Foi através das agulhas e dos fios que fiz amizades que ainda hoje duram, apesar do tempo e da distância. No Panamá, à falta de comunidade de tricot, lancei-me pelos caminhos do bordado, de forma totalmente auto-didacta - e como tenho aprendido desde então!

Descobri que o bordado (como tantas outras coisas...!) pode ser tão simples ou tão complexo quanto nós queiramos. Descobri também que o sentimento que tenho ao olhar para um projecto terminado é mais do que orgulho: é uma espécie de poderosa satisfação ao perceber que aquele trabalho que ali está foi idealizado por mim, executado por mim, me acompanhou em vários momentos dos meus dias, e ali está ele, terminado pelas minhas mãos, em conjunto com a minha cabeça. É uma sensação deliciosa de poder criativo: não mando o projecto para ser impresso numa gráfica, como acontece no meu trabalho de designer gráfica e, muitas vezes, no de ilustradora. É feito aqui, num agora estendido no tempo, mas por mim, pelas minhas mãos.

Suponho que nem só pelo tricot e pelo bordado se possa alcançar uma sensação semelhante: diz-me quem experimenta confeccionar uma receita nova que o sentimento é semelhante. Ou quem ensaia até conseguir executar um andamento de forma perfeita, ou dançar uma coreografia complexa.

Para mim, mais que a música, a cozinha ou a dança, são o tricot e o bordado os meus passaportes para me sentir melhor, mais feliz, mais realizada. Acompanham-me em momentos difíceis e menos difíceis, acompanham-me nos momentos de lazer. E depois de terminadas as peças, orgulho-me do trabalho terminado e ponho-o a uso. Hoje, enquanto escrevo estas palavras, tenho vestido um casaco e uma gola tricotados por mim. Levanto os olhos do computador e vejo pinturas que fiz. O bordado, aqui mesmo ao lado, chama-me para um intervalo, que na verdade também é trabalho, já que estou de momento a bordar o projecto de Maio do meu Clube de Bordado. É bom olhar à minha volta e reconhecer as marcas da minha passagem neste universo que, com o tempo, fui recriando.

E vocês? Qual é, ou quais são os vossos passaportes?

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O tricot e a viagem no tempo





Um dos meus objectivos para as férias de Natal era dedicar algum tempo ao meu hobby favorito: o tricot. Às vezes a vida mete-se no caminho, o trabalho transforma-se numa prioridade e o ócio, esse, lá se vai pela janela. E por isso, este Natal, lancei-me a um projecto que queria fazer e não tinha tido oportunidade de começar: um novo xaile.

(Abro um parêntesis para contar que este Inverno tenho usado os meus xailes todos os dias, com um prazer que não consigo descrever. Jamais pensei que fosse uma peça tão versátil e tão útil! Por isso, já percebi que não existe o conceito de "xailes a mais", sobretudo os tricotados à mão. Fecho parêntesis.)

A receita que estou a seguir é a do xaile Laminaria, e a minha página de projecto no ravelry vive aqui. O fio, essa maravilha da natureza e do engenho humano, é uma mescla de seda e mohair (nada vegan, portanto) que comprei na loja Cuentapuntos, em Santiago do Chile, quando em Agosto de 2012 acompanhei o senhor meu marido numa viagem de negócios até à ponta sul do continente americano. Lembro-me dessa compra como se fosse ontem: estive mais de uma hora com a senhora que me atendeu, a escolher cores, a fazer perguntas, a trocar opiniões, a conversar. Saí de lá com o coração quente e um saco cheio de meadas, e hoje, ao tricotar este novelo, lembro-me dessa altura, do que sentia nesse momento, das emoções dessa viagem. E viva o tricot por me proporcionar esta viagem no tempo!



Para quem não sabe tricotar: aprendam! É uma actividade tão boa para relaxar, conhecer novas coisas, fazer amizades! Dia 18 de Janeiro dou workshop cá no atelier, querem vir?

Para estarem sempre em cima do acontecimento, convido-vos a assinar a minha newsletter - e ainda recebem uma ilustração gratuita (mais acesso, também gratuito, à zine "airing from Lisbon" e outras surpresas).

Boa semana!

*

Uma nota, em jeito de post scriptum: Bem sei que o "Entre..." tem estado um pouco triste, só e abandonado. Mas eu continuo aqui, a escrever, só que noutro lugar. Venham-me visitar!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma pausa nos relatos de viagens

Faço aqui uma pequena pausa nos relatos de viagens para mostrar dois xailes lindos que estive a tricotar e que terminei no fim-de-semana passado.

Claro que aqui no Panamá não preciso deles (a não ser para ir ao cinema), mas como prevejo uns dias frios nas próximas semanas, imagino que os vou usar até ganharem piolhinho.

O primeiro é de seda, e foi a primeira vez que tricotei com seda. Gostei, sim, mas os pontos escorregam que se fartam, mesmo com agulhas de madeira. A receita pode ser encontrada aqui e os detalhes todos estão aqui.

Shawl I

Shawl I

(Mais fotos aqui.)

O segundo xaile foi tricotado com uma mistura de merino, bambú e seda. A receita é esta e as minhas notas podem ser encontradas aqui. Adoro o resultado!

Shawl II

Shawl II

Shawl II

(Mais fotos deste xaile aqui.)

Os fios usados foram comprados em Santiago do Chile, em Agosto passado.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ovelhas há muitas

My #knitting is this big. Chamamos-lhe Ovelha Avó.

Desde Janeiro que estou a tricotar esta ovelha, digo, este cobertor. Ao início, era apenas meia dúzia de pontos na agulha circular. Depois começou a crescer e entrou na sua fase espanta-espíritos.

A metamorfose foi-se dando, paulatina: de nuvem passou a pequeno animal, e daí a ovelha, que foi crescendo e crescendo, à medida que fui tirando mais uma meada à caixa, a dobei e a fui somando aos milhares de malhas que o cobertor já tinha. A sua construção é circular, do centro para a extremidade; por isso, só acaba quando uma mulher quiser (ou nele se afogar), com uma borda, que também é tricotada. E estou nisso, na borda tricotada, depois de achar que dois metros e meio de diâmetro já requer uma cama nova - e um Inverno.

Enquanto testava malhas para a borda, perguntei ao Príncipe que achava e se não lhe parecia demasiado avó. Ele olhou para mim como quem estabelece o óbvio, levantou o indicador e apontou para a massa branca no meu colo: "isso tudo é a Ovelha Avó".

Ficou baptizada.


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Prodígio de organização? Hmmm...

ribbing

Para que conste, já comecei a fazer as prendas de Natal. Não que seja um prodígio de organização: sou é lenta, mesmo. E, além disso, não vale muito a pena tricotar para mim, dado que (e não me canso de repetir) agora vivo num país tropical.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Preparativos

Kimonos waiting to be shipped!

Já falta pouco para o Natal e aqui no abbrigate* faço montículos de kimonitos, prontos para irem para as suas novas casas.

Gosto de olhar para eles e imaginar os bebezuquinhos que lá vão estar dentro. Fofo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Bzzzzz parte II

Primavera no Rosedal de Palermo
Já o disse no blog do abbrigate* e digo-o aqui também: acredito que algures entre as fibras e as malhas do que tricotamos ficam retidos sentimentos que temos e moléculas dos lugares onde tricotamos. É por isso que levei o coletinho da C2 passear ao Rosedal de Palermo no Domingo passado.

Como vêem, a Primavera chegou em força e o coletinho quase se mimetiza com a envolvente.

Sou uma tia muito, muito babada, saudosa e...

Primavera no Rosedal de Palermo
...maluquita, como diria C1.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"A lã e a neve"

É o segundo livro de Ferreira de Castro que leio e, tal como no primeiro, surpreendo-me por um clássico me agarrar desde o princípio. Eu sei, é uma grande falta de cultura e de erudição da minha parte dizer que os clássicos da literatura podem ser chatos, tal como é admitir que adormeço sempre durante as peças de teatro, mesmo quando estou interessada e a gostar. Mas a verdade, para mim, é essa: às vezes os clássicos são chatos.

Pois não é o caso deste. Para além de a acção se passar numa zona que me é querida (Covilhã, Manteigas e terras serranas), fala de outra coisa que me é querida: a produção de lã. E o que, outrora, se sofria para se produzir aquilo que para mim é como um parque de diversões (tricoticamente falando, claro está).

Ontem à noite aprendi uma coisa nova: tal como se "bloqueia" uma peça tricotada para que as fibras estabilizem, também os pastores têm de dar um jeitinho nos chifres dos carneiros, para evitar acidentes. E o processo é de um pragmatismo fabuloso: espeta-se cada um dos chifres do carneiro adolescente numa batata recém-cozida, ainda quente. A temperatura e humidade da batata amolecem o chifre, que depois é retorcido de forma a não crescer nem na direcção dos olhos nem do pescoço do animal. Quando se termina o processo, prendem-se os chifres com guita e um pau, de forma a estabilizarem na nova forma. Giro, não é?

O mesmo acontece nas peças tricotadas: são lavadas e depois deixam-se secar horizontalmente com alfinetes a dar-lhe a forma definitiva:

Damson
Vêem os alfinetes a puxar a malha para a abrir bem?

E esta, hein?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Outro fim-de-semana de reclusão?

Central Park Hoodie
Costas do Central Park Hoodie que estou a tricotar.

Aproxima-se um fim-de-semana mais ou menos prolongado. Parece que ouço perguntar "como é que é isso de mais ou menos prolongado?". A resposta não é simples - nunca é - mas prometo que me vou esforçar.

Ora, como todos sabemos, estamos a viver uma "preocupante crise sanitária" (são expressões destas que se ouvem aqui a torto e a direito, e eu a ligar "sanitário" a outras coisas). A verdade é que os dados da Organização Mundial de Saúde não enganam: a proporção entre vítimas mortais e infectados com o vírus da gripe A é maior aqui que nos outros países. E isto, para além da óbvia tragédia que é para as famílias de quem foi ou está a ser tocada pelo vírus, é também uma grande dor de cabeça para as autoridades (sanitárias e não só).

(Nota: ontem recebi uma chamada telefónica em que me fizeram todo um inquérito sobre a prestação do governo, a situação da Argentina, a inflação, a corrupção... foi tão bom ter aquele bocadinhozinho de tempo de antena em que pude classificar como entendi cada um dos itens dados pela operadora, sem que ninguém me acusasse de ser estrangeira, ou, pior ainda, europeia!)

Voltando ao fim-de-semana quase prolongado, amanhã é feriado, dia pátrio, daqueles que não são transferidos para a segunda-feira mais próxima. Sexta deveria ser dia de trabalho normal, mas o governo decidiu instituir um "feriado sanitário" ao qual muitas empresas deverão aderir, pelo menos na modalidade de ter os seus colaboradores a trabalhar a partir de casa.

Para quem não está habituado a estas andanças (as de trabalhar a partir de casa), um feriado sanitário vai ser isso mesmo, um feriado. E o resto é conversa.

Por mim, tudo bem: tenho livros, tricot e... ah, trabalho! para fazer.

Agora giro, giro, giro mesmo era que acontecesse o que aconteceu há dois anos atrás: um nevão aqui na cidade a 9 de Julho! Mas fim-de-semana mais ou menos prolongado já não é mau.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Usurpando

DSC03782

Usurpando totalmente o gorro a seu dono, mostro aqui o passa-montanhas terminado. Agora só falta mesmo é a neve.

(E a etiqueta!)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Uma manta? Ou um saco de tricot?

Blanket? perhaps knitting bag?

Ninguém sabe ao certo. O que se sabe é que já parece um menir, daqueles que o Obélix transportava, só que em vez de ser às costas é ao colo. Quando a tricoto, tapo as perninhas e os joelhos, que isto o frio ataca à séria e o Inverno (a idade?) não perdoa. Como estou a usar lã pura, as mãos ficam quentinhas e, de caminho, bastante hidratadas com a lanolina que ainda sobra nas fibras.

Acho que depois deste post é que me vão chamar, sem sombra de dúvida, avozinha.

Como dizia uma lenda urbana, com um encolher de ombros: é a vida, menina, o que é que se há-de fazer?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Frio

Com a chegada do Inverno, aproxima-se também a temporada de ski, momento muito esperado aqui nesta casa (mais por um que por outra). Enquanto contamos (alguém mais que eu) as semanas até à partida para Ushuaia, tricoto alegremente os gorros e passa-montanhas a usar nas extremas temperaturas austrais. Sim, porque aparentemente as temperaturas sentidas lá no sul não são para os betinhos que vão a Bariloche (nós, no ano passado) ou a Las Leñas, praticamente tropical (nós, há dois anos).

Em regime de preparação para o frio, estou no processo de tricotar este passa-montanhas:

Passa-montanhas

Depois de já ter tricotado este gorro...
my cabled hat
...que estreei esta manhã, depois de ver na televisão que a temperatura era de -0,3ºC (acho que os senhores da televisão devem ter adorado ir buscar o "menos" à biblioteca de símbolos estranhos e raramente usados).

E tricotei este e também o bordei (onde ficaste tu, ponto cruz, depois de tantos anos de tortura e de sofrimento?):
DSC03660

É, não dá para ver mas é o monograma de certa pessoa desta casa. O que uma pessoa faz por amor!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sobre a vaidade

my sweater, now completed!

Ou talvez não. Talvez não seja "sobre", mas sim "a vaidade". É a vaidade de quem terminou total, definitiva, completamente a camisola azul, já com o galão (comprado aqui) cosido. (Falta o queque, ou o bolo de arroz, e já acabava a piada sem piada!)

Gosto tanto desta camisola! Ele é a lã, fiada e tingida à mão, comprada directamente ao produtor durante a Feira de Artesanato de Buenos Aires; ele é a cor, que me faz lembrar o mar; ele é onde a tricotei, aqui na Argentina e também na Austrália, durante a nossa lua-de-mel, enquanto o "Jarbas" (perdão, Príncipe) me conduzia pelo lado esquerdo da estrada e víamos paisagens lindíssimas.

Nesta camisola aprendi a coser um fecho num tecido tricotado (não que soubesse em tecidos não-tricotados, convenhamos, mas é sempre bom aprender) e a pôr-lhe um galão por cima. E agora tento usá-la o mais frequentemente possível, porque a adoro e também porque este azul espanta os cinzentos típicos do Inverno e eu, pelo meu lado, fico muito mais feliz.

Mas agora já chega de tricotar camisolas para mim. Agora são gorros para o ski e mantas para o sofá.

Um dia esta casa ainda vai estar coberta de coisas tricotadas. Ora deixa cá procurar uma receita para um tea cosy maneirinho...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

De partida!



Armada de passaporte, e-visa e mais não sei quantas códigos de coisas electrónicas, aqui vamos nós para a nossa aventura australiana. Longe vão os dias em que os passaportes iam para a embaixada australiana em Paris (como nos aconteceu em 1998) e que os vistos custavam "pra cima de um conto e quinhentos". Agora é tudo um despacho, tudo electrónico, tudo feito através da internet. Viva!

O nosso périplo vai-nos levar a Sydney, Hobart, Melbourne, Cairns, Brisbane e, de novo, Sydney. Quando voltarmos, vamos sair de Sydney e aterrar em Buenos Aires no mesmo dia, à mesma hora, só que com umas quinze horas de intervalo entre um momento e outro. Foi assim que o Willy Fogg ganhou a aposta dele!

Já preparei a leitura e o tricot que vou levar e já registei as moradas de lojas de lãs, de livrarias e também a hora e o local do encontro de tricotadeiros e tricotadeiras em Sydney, ao qual vou tentar não faltar. Já comprei soro fisiológico para irrigar o nariz ressequido da viagem e já separei creme para as mãos, para aguentar o ar enlatado trans-oceânico e quiçá trans-polar. E... aqui vamos nós! Até à volta!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O chamado amor à camisola

...I´m actually wearing the pure wool sweater!

Diz que o amor à camisola não é bem isto, que é outra coisa assim, sei lá, mais nobre. Mas esta camisola com mochinhos deixou-me totalmente apaixonada e desejosa (eu, desejosa!) que chegue o Inverno (eu, desejosa que chegue o Inverno, sendo que de há dois anos para cá me sinto perseguida por Invernos atrás de Invernos, sejam austrais ou setentrionais!).

Acabei-a no Sábado, aliás, para verem a extensão do fenómeno, até me levantei mais cedo do que a hora a que me levanto durante a semana para lhe poder ir coser os botões. E, para verem mesmo a loucura, quando terminei de coser os botões vesti-a (apesar do calor e da humidade que se faziam sentir), fotografei-me e fiz-me fotografar em diversas poses, com diferentes graus de detalhe, ao sol e à sombra, enfim, toda uma miríade de opções.

Depois disto, não sei. É como terminar um livro tão, mas tão bom, que uma pessoa se sente um bocado órfã. Sim, é isso, sinto-me órfã de camisola.

(Para os possíveis interessados, a receita, gratuita, encontra-se aqui.)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Fim-de-semana, tão longe me vais ficando...

Juro que não é para fazer inveja a quem está a passar dos Invernos mais rigorosos dos últimos anos, mas a verdade é que já tinha muitas saudades do Verão. Para quem está no Brasil, nada desta converseta faz sentido. Mas para quem está em Portugal, lembrem-se que enquanto vocês estavam na praia, eu estava a ter Inverno. Aliás, às vezes sinto que estou sempre no Inverno, ou que o Inverno me persegue, com frio, chuva e pés molhados.

Ainda bem que isso acabou, pelo menos por mais um par de meses - espero!

by the pool - oh, how I love you, dear summer

Mas entre banhos de sol e de piscina comecei a leitura de um livro muito perturbante, "As Benevolentes", de Jonathan Littel. Foi presente da minha tia há já um ano, mas só agora o comecei. Não só a temática é pesada como o próprio livro também: na balança digital do quarto do hotel onde estivemos aproveitei para o pesar com exactidão e o mostrador devolveu-me um valente kilograma e meio. É muita cultura, poderia eu pensar, mas dada a temática é mesmo muita matança.

(a história, resumindo-a muito, é a Segunda Guerra Mundial contada por um oficial alemão. Que isto não vos desencoraje porque o texto é muito interessante, sobretudo por nos permitir ler algo que foge da perspectiva "dos bons" e "dos maus" da guerra. Não é aconselhável a estômagos fracos, mas é realmente um livro marcante.)

Voltando às coisas boas do Verão (e quantas vezes pensei eu, ao ler aquelas páginas, que bom era estar a lê-las e não a vivê-las), descobri que o tricot à beira da piscina é uma actividade muito relaxante. E não estando o dia abafado, ninguém chega de facto a torrar apesar de ter uma ovelhinha em forma de camisola a nascer no colo.

Portanto tricotei, tricotei, tricotei.

Owls today

Quando me cansei, li, li, li. Nadei, apanhei sol, jantei muito bem, passeei ainda mais. Viva o Verão!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Esta malandreca

lost luggage
A malandreca da minha mala achou que devia ficar mais uns dias no Brasil, sozinha, sem mim. Tem algum jeito? Felizmente ganhou juízo e veio ter comigo, inteirinha, fechadinha, completinha. Linda menina. Trouxe-me iguarias como doce de tomate da mãe e azeite do pai, novas lãs, lindas e as minhas queridas agulhas de madeira. Chegou tudo. Ufa.

Vou ali dar-lhe mais uns beijinhos e as boas-vindas a casa.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Boininha para a sobrinha!

Beret_02

Esta semana tem sido muito preenchida com trabalho, portanto nem tenho energia para muitas reflexões nem apontamentos caricatos sobre o que quer que seja.

Mais fotografias da boina aqui.

sábado, 2 de agosto de 2008

Ufa, finalmente é Sábado!

Que semanas têm sido estas! E eu que pensei que por ser Verão no hemisfério norte (onde estão quase todos os meus clientes) teria um mês de Julho mais tranquilo. Não. Aliás: felizmente, não! Tenho tido muito trabalho e muitas horas de computador, daí não andar a ligar grande coisa aqui ao "Entre".

Mas este post é mesmo sobre as coisinhas que tenho andado a fazer quando me afasto do computador... e isso é que é divertido!



Puzzle terminado. O Paulo colocou a última peça (e a maioria das outras peças antes da última, há que dizê-lo). Este puzzle deve ser dos meus preferidos de todos os tempos e já foi a terceira vez que o armei. As outras duas foram com a Bau, que teve a mega-amabilidade de o mandar para cá para preencher os nossos serões de Inverno! O puzzle é o "life of the party", marca Springbok. As peças são totalmente malucas, com formas completamente diferentes. Com o puzzle terminado, podemos pegar por uma ponta e ele não se desfaz. Uma maravilha da técnica!

(E, para quem possa estar a estranhar a terceira montagem do puzzle, a tradição por cá é a seguinte: fazer o puzzle; para o arrumar, parcelá-lo em "folhas" do tamanho da caixa, ou seja, não o desmontando; quando apetece voltar a fazer, desmancha-se todo e volta-se a montar. Maluquices nossas!)

Outra coisa terminada é a camisola verde.

Green sweater_07

http://flickr.com/photos/airdesignstudio/2725573527/sizes/s/in/set-72157606507923291/

Green sweater_06A camisola verde foi feita com esta receita: Purl Soho´s Child Placket Sweater. Tenho ali ainda um rosa velho e um amarelo, para mais duas camisolas iguais.

Esta camisola serviu de treino para várias coisas: primeiro, para fazer camisolas em agulhas circulares e não ter de coser os lados. Estas agulhas, para além de pesarem muito menos, distribuem o peso da camisola e cansam muito menos os pulsos, particularmente útil para quem passa dias a fio sentada ao computador e tem tendência para arranjar as detestadas "ratites". Por serem pequeninas, estas agulhas também são práticas para viajar, ir a cafés e restaurantes (enquanto espero pela mesa).

A camisola também serviu de treino para a camisola que hei-de fazer para o meu/a minha sobrinho/a que está para nascer. É verdade, sim senhores, vou ser tia pela segunda vez e estou a adorar! Ainda por cima porque para a Carolina não tricotei nada em pequenina (tricoto-lhe agora!); mas para o segundo já me encomendei uma camisolinha a mim mesma. Estou, portanto, a aperfeiçoar a minha técnica.

Se, de repente, der a algum leitor deste blog a macacoa e tiverem uma vontade súbita de ver mais fotografias desta camisola (quem souber quantas lhe tirei ainda acha que é um monumento, mas não!!), ora faça o favor de se dirigir aqui.

Mas nem só de tricô se fizeram estes dias. Também frequentei um workshop de Encadernação sem adesivos na Papelera Palermo. Hoje estive alegremente a tirar fotografias aos livros e sou capaz de me ter entusiasmado um pouquinho no processo. Ora vejam: há fotografias do primeiro livro, aqui; do segundo, aqui; do terceiro, aqui; do quarto, aqui e de todos juntinhos, aqui.

E estas, só para aguçar o apetite:

All books_01

All books_04Mnham, mnham! Parece uma salada de frutas!

Enfim, posto isto, acho que posso despedir-me com a sensação de dever cumprido (impingi fotografias que não interessam a ninguém!).

Hmmm.... obrigada? Voltem sempre?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Leituras

Em matéria de leituras ando muito preguiçosa. Não sei qual a razão (hmmm... cansaço?), mas quando chego à cama, lugar privilegiado para as minhas leituras quando não estou de férias (quando estou de férias, é sempre e em toda a parte), estou tão exausta que a única coisa que consigo fazer é apagar a luz e adormecer. Por isso, não tenho lido praticamente nada, nem sequer revistas. Muito atípico.

Por isso, coloco aqui um link para algo que vou experimentar para contrariar a tendência da não leitura: é um sítio onde há ficheiros de música com a leitura de livros (audiobooks; há palavra em português?) cujos textos já estão no domínio público. A leitura é feita por voluntários e, como tal, os ficheiros são gratuitos. Vou começar a ouvir "Little Women", de Louisa May Alcott, enquanto trabalho ou tricoto. Depois falarei da minha experiência. Não espero que se estabeleça uma relação como quando há um livro entre mãos, mas não nego à partida uma ciência que desconheço.

Encontrado via Sticks and Strings.