sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Desvendando o mistério

Após os acontecimentos de Sábado passado deixei aqui o repto: adivinhem, se conseguirem, qual foi o pretexto para a polícia nos pedir a nós, as vítimas do roubo, um suborno e o seu valor, sabendo que tínhamos pago apenas metade do que nos foi pedido.

Recebi muitas e interessantes respostas e aparentemente só uma pessoa é que acertou. Houve quem dissesse:

Xi Patrão, então vocês não podem deixar os vidros partidos na estrada! Ainda furam um peneu ou alguma criança se corta! Por 50 euros equecemos que o carro estava mal estacionado e constitui um perigo público...


Disse o Manel, no facebook, e ainda sugeriu:

Se lhe tivesses feito 1 coldre em tricot para agasalhar a arma, se calhar tinha-vos perdoado a multa :P


Houve ainda quem sugerisse que o pedido foi para hacer el trámite express (Virgi, por correio electrónico) ou porque os carros deles nao tinham gasolina (a Ana Paz, por facebook).

Várias quantias foram sugeridas: 100 pesos (Rafael C. e Gaby), 20 euros (Ana Paz), houve até quem tentasse por várias frentes:

1) $ 200.-
2) u$s 200.-
3) Eur 200.-
4) $ 500.-
5) u$s 500.-
6) Eur 500.-


(a Virgi, que aqui nem chegou perto).

Ora o mistério misterioso resolve-se assim: chegámos ao carro e vimos o panorama. A primeira coisa que pensámos foi que tínhamos de chamar a polícia, já que, ao fim e ao cabo, estão al servicio de la comunidad e nós íamos precisar da papelada para o seguro. Assim fizemos e, pouco tempo depois, chegaram. Os dois simpáticos agentes tentaram de várias maneiras que não fôssemos apresentar queixa. Sim, reconheciam que era um "daño", mas se apresentássemos queixa teríamos de isto e de aquilo e mais um par de botas. Ainda assim, quisemos apresentar queixa; não queríamos contribuir para o desfasamento existente entre as estatísticas oficiais deste país e a realidade.

Falou-se em chamar o reboque, mas isso também seria uma grande trabalheira, ainda por cima porque íamos ter de esperar e era tarde de Sábado, toda a gente queria estar tranquilinha. Eu, pessoalmente, queria ir ter com as minhas amigas tricotadeiras, com quem tinha encontro marcado. Afinal de contas tinha uma camisola surpresa para tricotar às escondidas do Paulo.

Então lá fomos nós dentro do carro, com vidros estilhaçados por todo o lado e a janela aberta com os buenos aires de Inverno a entrar com força. Tudo isto para agilizar os procedimentos.

Ficámos umas quatro horas na esquadra, à espera de isto e de aquilo e de mais um par de botas. Carro que entra lá tem de ficar 48 horas retido no estacionamento da polícia, dizem as regras. Num estacionamento que não só é descoberto como é em plena Avenida Cabildo, ou melhor na avenida, não num estacionamento fechado. Os carros ficam estacionados ao lado do passeio, e a única coisa que os distingue dos que apenas estão estacionados (e não retidos) é um papelito com a insígnia da força de segurança. E isto não dá muita confiança ao cidadão, sobretudo quando se tem uma janela partida (ou "aberta by default"). Como é por demais evidente, ninguém se queria responsabilizar por possíveis danos futuros no carro, seja por intempérie ou acção humana, e por isso estávamos preocupados e não queríamos deixá-lo ali.

(Abro parêntesis: honestamente? Quero lá saber. O carro é da empresa do Paulo, e, ainda por cima, a minha relação com carros é, tal como com telemóveis, muuuuuuito desprendida. Queria lá saber se o carro lá ficava ou não, a situação era demasiado ridícula para ser usada como braço de ferro. Mas homem é homem, e homem tem outra relação com o seu carro. Adiante.)

Ora o carro só podia ser liberado após a peritagem. Qual peritagem? A peritagem. Essa mesmo, a peritagem. Uma peritagem muito especial que custava 300 pesos. O Paulo disse que não queria, que essa peritagem era muito cara, e então ficou tudo por uns módicos 150 pesos. Sem facturas, obviamente, tudo por debaixo da mesa, claro está.

E assim pudemos levar o carro para a garagem, e assim se conta a história de como a vítima é roubada duas vezes. Fica-se sem saber quem são os verdadeiros delinquentes desta história.

Parabéns então ao Charly, marido da Joji, a quem também já roubaram o rádio do carro e já passou por experiência semelhante. Ele acertou em cheio no pretexto. Quanto ao valor, foram vários os que se aproximaram e, como tal, declaro-os a todos vencedores.

1 comentário:

mariana.santos.ramos disse...

Bom tema para uma aventura em Buenos Aires. Tens que o comunicar às autoras de "Uma aventura". Pode ser que elas o aproveitem...
Por aqui, aparentemente, anda grande sanha em castigar polícias que tenham comportamentos semelhantes e outros piores, também.
Hoje o DN tem na 1ª página que "A PSP quer expulsar 39 gentes" e, no interior, explicitam-se os crimes. Há muitos bem mais graves, mas tb há os há semelhantes aos de BsAs.
Enfim...