terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mercedes Sosa

Na madrugada de Domingo, Mercedes Sosa morreu.

Nem vale a pena comentar a cobertura dada pelos media ao acontecimento (um directo, todo o santo dia, desde o edifício do Congresso, onde o corpo foi velado. Não houve notícias no mundo - nem locais, diga-se -, não houve absolutamente nada, só um directo, a câmara apontada ao féretro e a corrente de pessoas que lá iam despedir-se a passar. Mencionei que foi todo o dia? Todinho?). Também não vou comentar o dia de tolerância dada aos funcionários públicos a propósito do luto nacional.

O que importa mesmo, mas mesmo, mesmo, é que Mercedes Sosa foi uma figura-chave da cultura do país. Não conheço nem quero conhecer as conotações políticas da música dela. Do que eu gostava, mesmo, era da música em si, das melodias, da poesia e da forma como ela as interpretava. Vi-a ao vivo pela primeira (e última) vez em Frankfurt. Na assistência distinguiam-se claramente os latinos, aos saltos e a bater palmas, a pedir mais uma canção antes da despedida, dos alemães, sentados nas suas cadeiras, surpreendidos com as reacções calorosas dos primeiros. Não é que não estivessem a gostar; só manifestam o seu agrado de forma menos exuberante.

Enfim, saímos de lá numa espécie de nuvem etérea provocada pela música, assim como se devem sentir as pessoas quando fumam coisas que fazem rir. Foi uma maravilha.

Uma mulher que cantou Gracias a la vida deve ter morrido em paz. E que em paz descanse.

3 comentários:

Bau disse...

Boa Bi!

mariana.santos.ramos disse...

Vi hoje a notícia no jornal e logo pensei que devia ser essa loucura. Tal como hoje, aqui, dado que passam dez anos sobre a morte de Amália. Esta efeméride não passa em claro em nenhum meio de comunicação: jornais, rádios, canais de televisão...
Penso que o significado de ambas para os respectivos países é semelhante. Que descansem em paz!

alcinda leal disse...

É isso, ela significa para a Argentina o que a Amália significa para Portugal.
Mas reparei que muitos blogues , de cá,homenagearam a artista e a activista.
Quanto a Amália gostei mesmo que realçassem a sua vertente cultural, e hoje houve várias manifestações que me agradaram. Irei ver a exposição Coração Independente mal possa...
Beijinhos
Alcinda