quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sydney Opera House

Sydney Opera House
A Ópera de Sydney é fabulosa.

Até aqui não disse novidade nenhuma, já sei. Mas é mesmo. Na visita guiada que fizemos ficámos a saber algo da sua história, uma história muito menos glamorosa do que aquilo que hoje vemos e poderíamos imaginar.

O concurso público e internacional para uma sala de espectáculos na pontinha de terra chamada de Benellong foi lançado nos idos de 50, tendo sido ganho por um projecto qualquer bastante quadrado e banal. Conta o mito urbano que um dos membros do júri, o arquitecto Eero Saarinen, chegou atrasado à deliberação e, quando olhou para a pilha dos projectos descartados, tirou de lá um vindo da Dinamarca, de um ilustre desconhecido e disse que aquele, sim, aquele é que era.

Os desenhos eram de umas formas muito bizarras e totalmente diferentes das diferentes propostas feitas por vários arquitectos de vários países e, mesmo sem ter desenhos de pormenor, foi-lhe atribuído o primeiro prémio. Jørn Utzon, o arquitecto vencedor, nem sabia que dor de cabeça lhe estava para chegar... sobretudo porque não fazia ideia de como é que iria resolver o problema construtivo que era armar aquelas velas sem que elas caíssem.

As obras começaram - afinal de contas, ainda havia muito para construir até chegar aos telhados - sem se saber ao certo qual seria a solução técnica para estabilizar a estrutura. Isso implicava fazer uma estimativa de orçamento e de tempo de execução muito por alto, para usar um dos eufemismos a que mais estamos habituados no que toca a previsão de custos de obras públicas.

Olhando para trás, devia estar tudo louco, não é verdade? Não só o arquitecto como também o governo da Nova Gales do Sul arriscaram imenso ao começar as obras sem saber como resolver os detalhes construtivos. Mas, em retrospectiva, se não tivesse sido aquela loucura, hoje não teríamos esta magnífica construção, património da Unesco.

A verdade é que esse "pequeno" detalhe acabou por azedar as relações entre uns e outros e, apesar de Utzon ter conseguido resolver o problema, a dada altura divorciou-se do projecto e conta-se que nunca mais voltou à Austrália (que pena, porque é tão bonito...). Um dia, estava ele a olhar para um dos seus barcos - consta que era marinheiro - observou velas e quilha do barco e fez-se luz no seu espírito. A verdade é que hoje a Ópera de Sydney é o ex-libris de uma cidade, de um estado e até de um país, tudo por causa de uma ideia maluca de um arquitecto dinamarquês de nome impronunciável.

(A história, de forma muito mais completa e rigorosa do que aqui a conto, está aqui.)

A quem for a Sydney, recomendo vivamente uma visita guiada ao interior do edifício. Estivemos na zona de serviços a ver cenários a serem carregados nos enormes elevadores que servem os palcos, entrámos na sala principal e numa sala auxiliar, passeámos pelo foyer e vimos os módulos que constituem a estrutura dos vários telhados.

Sydney Opera HouseO foyer da sala principal.

Sydney Opera HouseA vista do foyer!

Sydney Opera HouseDetalhe da estrutura do telhado.

Sydney Opera HouseA casa de banho.

Sydney Opera House A sala Jørn Utzon, a única que tem desenho integralmente feito pelo arquitecto. A tapeçaria também é da sua autoria.

E, ainda por cima, obtivemos um desconto para ir ver o Jerry Springer, the opera. Claramente: valeu a pena!

Se ficaram com vontade de ver mais fotografias, cliquem aqui.

3 comentários:

Té... disse...

Quem diria, não é?... A loucura de um arquitecto, símbolo de uma nação! E nem assim continuamos a ser uma classe bem tratada....Enfim!
Bjs

Billy disse...

Estou de acordo contigo, Té. Nem os arquitectos nem quase nenhuma das profissões que não encaixam em leis, engenharias e medicinas.

Mas havemos de conseguir! :)

mariana.santos.ramos disse...

Muito curioso, tudo isso!
É verdade que a loucura faz avançar o mundo (que chamariam, na altura, aos portugueses de quinhentos que embarcaram nas primeiras viagens sem a mínima noção do que iriam encontrar?) mas também atrasa muita coisa. Digamos que esta foi uma loucura que deu certo...